Olhos

Nada substituirá teus internos olhos!

Não sabemos viver na certa estação.

Corpo no inverno, espírito no verão.

Impossível, ou incerto voltar num tempo

que não é eterno e o passo perfazer até um gélido leito.

Sem vãos remorsos de dar-se quase sempre na hora errada.

Os seus olhos não me olhavam,

E os meus viam quase nada.

Só sobras doam-se daquilo a que nós temos direito.

Nessa doce vida restam só os escolhos!

Poesia III

Jaraguá, exata 1980, de Evandro Carlos Martins

O espírito da poesia me acordou?

Ou escrevo para poder dormir?

Ou será que estou com fome?

Leite morno, biscoito Nestlè Classic Duo!

Calmantes conseguem explicar

E entender o que sentimos?

Só dá para identificar com

Certeza aquilo que dói

porque o pretérito imperfeito

é o meu tempo.

 

22 de novembro de 2012.