Como lidar com suas preocupações

https://m.facebook.com/story.php?story_fbid=1488123851371391&id=654368594746925&sfnsn=wiwspmo&extid=mBiKpuxAUWyBRkoh

Destaque

Nós

Thaís de Godoy

Chegamos até aqui

fomos longe demais…

nossa vida tripla, ano após ano, nos uniu

eu você e nós e os nossos nós

nós dos nossos dedos tortos

apontam um futuro incerto

nos esquecemos de duvidar das nossas dúvidas

de questionar nossos questionamentos…

Alexandre ainda procura com sua espada aquele nó górdio

que criamos para honrar nossas origens:

o princípio, o fundamento

afinal à nossa frente está o fim dos tempos,

então voltamos ao começo

o nó da madeira

o nó na madeira

o diário nó na garganta

do garrote dos supliciados.

Quantas Portas de Não-Retorno se fecharão atrás de nós

antes de assumirmos nossa iminente ruína?

Carta aos reitores

Antonin Artaud

Basta de jogo de palavras,
de artifícios de sintaxe,
de malabarismos formais;
precisamos encontrar – agora –
a grande Lei do coração,
a Lei que não seja uma Lei, uma prisão,
senão um guia para o espírito perdido
em seu próprio labirinto.
Além daquilo que a ciência jamais poderá alcançar,
Ali onde os raios da razão se quebram contra as nuvens,
esse labirinto existe,
núcleo para o qual convergem todas as forças do ser,
as últimas nervuras do espírito.

Coração

O direito à tristeza – Contardo Calligaris

Laboratório de Sensibilidades

As crianças têm dois deveres. Um, salutar, é o dever de crescer e parar de ser crianças. O outro, mais complicado, é o de ser felizes, ou melhor, de encenar a felicidade para os adultos.Esses dois deveres são um pouco contraditórios, pois, crescendo e saindo da infância, a gente descobre, por exemplo, que os picolés não são de graça. Portanto, torna-se mais difícil saltitar sorrindo pelos parques à espera de que a máquina fotográfica do papai imortalize o momento. Em suma, se obedeço ao dever de crescer, desobedeço ao dever de ser feliz.A descoberta dessa contradição pode levar uma criança a desistir de crescer. E pode fazer a tristeza (às vezes o desespero) de outra criança, incomodada pela tarefa de ser, para a família inteira, a representante da felicidade que os adultos perderam (por serem adultos, porque a vida é dura, porque doem as costas, porque o casamento é tenso…

Ver o post original 483 mais palavras

Destaque

Interregno

IMG-20190707-WA0014

Em memória de Paulo de Godoy

Na hora da Lua Vazia, você nos abandonou!

A lua cheia era uma cabeça pendurada no ar

Perfeitamente alinhada a dois pingentes de diamantes.

Você escolheu um lindo dia

Você escolheu um lindo lusco-fusco

Uma linda noite de indescritível silêncio capsular

Você escolheu absoluto o silêncio

Sem despedidas

Sem avisos

Sem escândalos como deve ser

Você escolheu o silêncio primordial

Que nos precedeu

Você escolheu o silêncio terminal

Que nos espera

Mas, naquele momento de tormenta,

nós também pedimos silêncio,

À Nossa Grande Mãe,

O silêncio nos protegeu

O silêncio nos encobriu

Em nossas mentiras brancas…

Ainda agora pedimos silêncio às nossas entranhas que gritam:

Por que meu Deus?

Procuramos os culpados

Procuramos as respostas em todas as ciências dos deuses

Procuramos as respostas em todas as ciências dos homens

Mas só o silêncio nos abraça

Pedimos silêncio para nosso inquieto coração

Afogado em tanta ternura sem eco…

Por favor, silêncio! Não convém esquadrinhar o mistério,

O abismo também nos espreita nas esquinas

O abismo também nos olha pelos corredores escuros e pelas janelas abertas.

Do fundo dos precipícios à sombra das altas pontes

Das entranhas do mar profundo cortado por nossas naves barulhentas,

A música silenciosa do início dos tempos

Chama irresistivelmente nosso nome,

Quando nos demoramos no entremeio dos mundos.

Godoy

Caminhada de Lua Cheia na Serra de Sintra - GreenTrekker.pt

Vozes D’África

Deus! ó Deus! onde estás que não respondes?
Em que mundo, em qu’estrela tu t’escondes
Embuçado nos céus?
Há dois mil anos te mandei meu grito,
Que embalde desde então corre o infinito…
Onde estás, Senhor Deus?…

Qual Prometeu tu me amarraste um dia
Do deserto na rubra penedia
— Infinito: galé!…
Por abutre — me deste o sol candente,
E a terra de Suez — foi a corrente
Que me ligaste ao pé…

O cavalo estafado do Beduíno
Sob a vergasta tomba ressupino
E morre no areal.
Minha garupa sangra, a dor poreja,
Quando o chicote do simoun dardeja
O teu braço eternal.

Minhas irmãs são belas, são ditosas…
Dorme a Ásia nas sombras voluptuosas
Dos haréns do Sultão.
Ou no dorso dos brancos elefantes
Embala-se coberta de brilhantes
Nas plagas do Hindustão.

Por tenda tem os cimos do Himalaia…
Ganges amoroso beija a praia
Coberta de corais …
A brisa de Misora o céu inflama;
E ela dorme nos templos do Deus Brama,
— Pagodes colossais…

A Europa é sempre Europa, a gloriosa!…
A mulher deslumbrante e caprichosa,
Rainha e cortesã.
Artista — corta o mármor de Carrara;
Poetisa — tange os hinos de Ferrara,
No glorioso afã!…

Sempre a láurea lhe cabe no litígio…
Ora uma c’roa, ora o barrete frígio
Enflora-lhe a cerviz.
Universo após ela — doudo amante
Segue cativo o passo delirante
Da grande meretriz.
………………………………

Mas eu, Senhor!… Eu triste abandonada
Em meio das areias esgarrada,
Perdida marcho em vão!
Se choro… bebe o pranto a areia ardente;
talvez… p’ra que meu pranto, ó Deus clemente!
Não descubras no chão…

E nem tenho uma sombra de floresta…
Para cobrir-me nem um templo resta
No solo abrasador…
Quando subo às Pirâmides do Egito
Embalde aos quatro céus chorando grito:
“Abriga-me, Senhor!…”

Como o profeta em cinza a fronte envolve,
Velo a cabeça no areal que volve
O siroco feroz…
Quando eu passo no Saara amortalhada…
Ai! dizem: “Lá vai África embuçada
No seu branco albornoz… ”

Nem vêem que o deserto é meu sudário,
Que o silêncio campeia solitário
Por sobre o peito meu.
Lá no solo onde o cardo apenas medra
Boceja a Esfinge colossal de pedra
Fitando o morno céu.

De Tebas nas colunas derrocadas
As cegonhas espiam debruçadas
O horizonte sem fim …
Onde branqueia a caravana errante,
E o camelo monótono, arquejante
Que desce de Efraim
…………………………………

Não basta inda de dor, ó Deus terrível?!
É, pois, teu peito eterno, inexaurível
De vingança e rancor?…
E que é que fiz, Senhor? que torvo crime
Eu cometi jamais que assim me oprime
Teu gládio vingador?!
………………………………….

Foi depois do dilúvio… um viadante,
Negro, sombrio, pálido, arquejante,
Descia do Arará…
E eu disse ao peregrino fulminado:
“Cam! … serás meu esposo bem-amado…
— Serei tua Eloá. . . ”

Desde este dia o vento da desgraça
Por meus cabelos ululando passa
O anátema cruel.
As tribos erram do areal nas vagas,
E o nômade faminto corta as plagas
No rápido corcel.

Vi a ciência desertar do Egito…
Vi meu povo seguir — Judeu maldito —
Trilho de perdição.
Depois vi minha prole desgraçada
Pelas garras d’Europa — arrebatada —
Amestrado falcão! …

Cristo! embalde morreste sobre um monte
Teu sangue não lavou de minha fronte
A mancha original.
Ainda hoje são, por fado adverso,
Meus filhos — alimária do universo,
Eu — pasto universal…

Hoje em meu sangue a América se nutre
Condor que transformara-se em abutre,
Ave da escravidão,
Ela juntou-se às mais… irmã traidora
Qual de José os vis irmãos outrora
Venderam seu irmão.

Basta, Senhor! De teu potente braço
Role através dos astros e do espaço
Perdão p’ra os crimes meus!
Há dois mil anos eu soluço um grito…
escuta o brado meu lá no infinito,
Meu Deus! Senhor, meu Deus!!…

São Paulo, 11 de junho de 1868

Coluna | Proteção à saúde mental em tempos de | Brasil de Fato

Uma das faces pouco reveladas ainda dos impactos da pandemia da covid-19, sobretudo como o governo federal lida com a pandemia é o tema da saúde mental: os impactos psicossociais e o aumento cada vez mais frequente desses episódios.Primeiro porque não existe nenhuma diretriz e coordenação por parte do Ministério da Saúde do funcionamento dos serviços na área do SUS de cuidado com pessoas com transtornos psicossociais nesse momento. Aliás, o SUS não tem qualquer orientação por parte do Ministério da Saúde para o funcionamento das equipes de Saúde da Família, dos agentes comunitários de Saúde e dos vários equipamentos de base comunitária do campo da saúde mental. Isso é gravíssimo porque temos milhões de pessoas que são acompanhadas regularmente e tiveram esse acompanhamento absolutamente suspenso, desmontado, sem qualquer orientação por parte do Ministério da Saúde.Segundo por conta da ausência de políticas públicas do governo federal, de governos estaduais e municipais, para lidar com as vulnerabilidades das pessoas diante da situação crítica da pandemia e da crise econômica, ampliam-se cada vez mais os transtornos mentais, os episódios de saúde mental, e seus impactos na vida das pessoas.Terceiro é absolutamente já registrado a relação entre crise econômica, desemprego, aumento da pobreza e aumento dos transtornos mentais, sobretudo a depressão, aumento de suicídios. A relação é registrada não só no Brasil como nos países europeus.Por isso, estamos muito preocupados que possam existir ações preventivas, mediações, gestão dos transtornos mentais, sobretudo depressão em cima dos trabalhadores, do ambiente estressante que é o espaço de trabalho. Esta necessidade está ainda mais forte agora no momento onde várias atividades econômicas são reabertas em meio a pandemia expondo os trabalhadores do risco, não só da infecção da covid-19 mas do aumento das atividades estressantes e de impactos psicossociais.Eu, inclusive, apresentei um projeto de lei (3588/2020) buscando mudar a CLT nesse sentido para introduzir as ações de promoção, prevenção, mediação de transtornos psicossociais e de risco as doenças psicossociais no ambiente de trabalho. Deve ser algo a ser assumido pelos patrões,  empresários, assim como deve ser assumido e já foi estabelecido na CLT, ações de prevenção em relação a outros riscos.A depressão e os transtornos psicossociais são os principais mal do século e a covid-19 como principal pandemia desse século vem só reforçar o risco desse problema.   Edição: Rodrigo Durão Coelho

Fonte: Coluna | Proteção à saúde mental em tempos de | Brasil de Fato

Ai, quem me dera

Vinícius de Moraes

Ai quem me dera, terminasse a espera
E retornasse o canto simples e sem fim…
E ouvindo o canto se chorasse tanto
Que do mundo o pranto se estancasse enfim

Ai quem me dera percorrer estrelas
Ter nascido anjo e ver brotar a flor
Ai quem me dera uma manhã feliz
Ai quem me dera uma estação de amor

Ah! Se as pessoas se tornassem boas
E cantassem loas e tivessem paz
E pelas ruas se abraçassem nuas
E duas a duas fossem ser casais

Ai quem me dera ao som de madrigais
Ver todo mundo para sempre afins
E a liberdade nunca ser demais
E não haver mais solidão ruim

Ai quem me dera ouvir o nunca mais
Dizer que a vida vai ser sempre assim
E finda a espera ouvir na primavera
Alguém chamar por mim…

7 de setembro: Brotas Eco Resort tem programação especial e ...

 

 

Destaque

Poesia III

Poética de Botequim

Tirei minha Tristeza pra dançar.
Dançamos uma valsa de silêncios dolorosos,
Rodopiei por salas habitadas
Por todas as partidas prematuras
Em que ela me guiava, me girando pelos ares.

Com um nó preso bem no fundo da garganta,
Entreguei, sem luta e por cansaço,
Minhas fibras à cadência de seus passos.

Olhando bem no fundo de meus olhos, ela me dizia:
_ Eu sou sua! Você é minha!

Sobre lustres refletidos em espelhos multicores,
A Tristeza, me estreitando em seus braços,
Embalou-me numa nuvem luminosa
Onde vive a poesia.

José de Godoy

2018

Ver o post original

Discurso de uma verdadeira Estadista diante da iminente catástrofe

Verti do inglês para o português o discurso de Angela Merkel. Deve conter imperfeições, visto que não sei alemão e esta é a versão de uma versão, de modo que correções serão bem vindas. Sim, tenho diferenças ideológicas com Merkel, mas ESTE é o discurso de uma estadista. Eu já disse – e repito agora – que, mesmo sendo de centro-esquerda, a ideia de ser governado pela direita não me causa emoções terríveis. É possível discordar racionalmente de alguém como Merkel. O que eu não tolero e jamais tolerarei é ser governado por um pateta ignorante e alucinado. Ao terminar de ler o discurso, comparem-no com os discursos do presidente do Brasil. Lembrem-se dele dizendo que a crise atual é “fantasia”, “histeria”, lembrem-se das piadas inconvenientes, da burrice, lembrem-se dele contrariando determinações do próprio ministério. Lembrem-se dele invocando o nome de Deus em vão, como fez recentemente: “profetizo o fim do coronavírus”, como se tivesse poderes mágicos. Lembrem-se dele sendo irresponsável e mantendo contato físico com manifestantes que ele estimulou SIM. Lembraram? Pois é, cara direita brasileira. Veja quão pequeno, quão medíocre e patético é o seu representante, ainda mais quando comparado a esta mulher:

“Caros cidadãos,

O coronavírus está atualmente mudando a vida em nosso país de modo dramático. Nosso conceito de normalidade, de vida pública, de interação social – tudo está sendo testado como nunca antes.

Milhões dentre vocês não podem ir trabalhar, seus filhos não podem ir para a escola ou para a creche, teatros e cinemas e lojas estão fechadas e, talvez, o mais difícil: nós todos perdemos os encontros que são normalmente considerados usuais. Evidentemente, em uma situação como esta, cada um de nós está repleto de perguntas e preocupações sobre como seguir em frente.

Eu me dirijo a vocês hoje, deste modo incomum, porque eu quero dizer a vocês o que me guia como Chanceler e o que guia todos os meus colegas no Governo Federal nesta situação. Isto faz parte de uma democracia aberta: que nós também tomemos decisões políticas transparentes e as expliquemos. Que nós justifiquemos e comuniquemos nossas ações o melhor possível de modo que elas sejam compreensíveis.

Acredito firmemente que nós seremos bem sucedidos nesta tarefa se todos os cidadãos a entenderem verdadeiramente como tarefa deles. Deste modo, deixem-me dizer: isto é sério. Levem a sério também. Desde a unificação alemã… não, desde a Segunda Guerra Mundial, não houve desafio para nosso país em que nossa ação conjunta fosse tão importante.

Eu gostaria de explicar para vocês em que pé as coisas estão no que diz respeito à epidemia, o que o Governo Federal e as demais instâncias de governo estão fazendo para proteger todo mundo em nossa comunidade e limitar os danos econômicos, sociais e culturais. Mas eu também gostaria de explicar a vocês por que vocês são necessários e o que cada um e todos podem fazer para contribuir.

Sobre a epidemia – e tudo o que eu posso dizer pra vocês sobre isso vem do Governo Federal após consultas com os especialistas do Instituto Robert Koch e outros cientistas e virologistas: pesquisas estão sendo conduzidas ao redor do mundo sob alta pressão, mas ainda não há uma terapia nem uma vacina contra o coronavírus.

No que tange a este tema, há apenas uma coisa que nós podemos fazer, que é desacelerar a disseminação do vírus, esticar isso por meses e ganhar tempo. Tempo para pesquisas e para o desenvolvimento de remédios e vacinas. Mas, principalmente, tempo para que aqueles que ficarem doentes possam receber o melhor cuidado possível.

A Alemanha tem um excelente sistema de saúde, talvez um dos melhores do mundo. Isso nos dá confiança. Mas nossos hospitais ficariam completamente sobrecarregados se tantos pacientes com infecções severas causadas pelo coronavírus fossem admitidos em um tempo tão curto.

Eles não são apenas números abstratos em uma estatística, mas sim um pai ou um avô, uma mãe ou uma avó, um companheiro. Eles são pessoas. E nós somos uma comunidade em que cada vida e cada pessoa importa.

Nesta ocasião, eu gostaria de primeiramente me dirigir a todos aqueles que trabalham como médicos, enfermeiros, equipe ou em qualquer outra função em nossos hospitais e no sistema de saúde em geral. Eles são a linha de frente desta batalha. Eles são os primeiros a entender a doença e quão severos são alguns cursos de infecção. E a cada dia vocês vão para o trabalho e estão lá pelas pessoas. O que vocês fazem é tremendo e eu quero agradecer vocês do fundo do meu coração por isso.

Deste modo, o objetivo é desacelerar o vírus em seu caminho pela Alemanha. E, para fazer isso, nós devemos – e isto é existencial! – nos concentrar em uma coisa: desligar atividades públicas o mais rápido possível. Naturalmente, nós devemos fazer isso com racionalidade e senso de proporção, porque o Estado continuará a funcionar, os suprimentos com certeza continuarão a ser assegurados e nós queremos preservar a atividade econômica do melhor jeito que pudermos.

Mas nós devemos reduzir tudo que possa colocar pessoas em perigo, tudo que possa ferir o indivíduo ou a comunidade. Nós devemos limitar, o máximo que pudermos, o risco de um infectar o outro.

Eu sei o quão dramáticas já são as restrições: sem eventos, sem feiras, sem concertos e, por enquanto, sem escolas, sem universidade, sem escolas infantis, sem brincadeiras no pátio. Eu sei quão difíceis são esses fechamentos, os quais foram feitos a partir de acordos entre o governo federal e os estaduais. Eles interferem com nossas vidas e também com nossa autoimagem democrática. São restrições jamais vistas na República.

Permitam-me assegurar a vocês: para alguns como eu, para quem a liberdade de viajar e de movimento foi um direito duramente conquistado, tais restrições podem apenas ser justificadas quando são uma necessidade absoluta. Em uma democracia, eles nunca deveriam ser decididas levianamente e devem ser apenas temporárias – mas no momento elas são indispensáveis para salvar vidas. Desde o começo da semana, os controle de fronteira reforçados e restrições de entrada para alguns de nossos mais importantes países vizinhos estiveram em vigor.

Já é muito difícil para a economia, para as grandes empresas assim como para os pequenos negócios, para lojas, restaurantes e trabalhadores independentes. As próximas semanas serão ainda mais difíceis. Eu posso assegurar vocês: o governo Alemão está fazendo todo o possível para mitigar o impacto econômico – e, sobretudo, para preservar empregos.

Nós podemos e iremos fazer tudo o que pudermos para socorrer nossos empregadores e empregadoras ao longo desta difícil provação.

E todos podem ter certeza de que o suprimento de comida está assegurado nestes tempos, e se as prateleiras ficarem vazias por um dia, elas serão preenchidas novamente. Eu gostaria de dizer a todos que vão a supermercados: estocar produtos faz sentido, sempre foi assim. Mas com moderação. Acumular como se nunca mais fosse haver insumos novamente não faz sentido e, no fim das contas, é uma completa falta de solidariedade.

Deixem-me também expressar meus agradecimentos aqui para pessoas a quem raramente agradecemos. Alguém que se senta no caixa do supermercado ou preenche as prateleiras está fazendo um dos mais difíceis trabalhos neste momento. Obrigado por estarem lá para seus concidadãos e literalmente manter o lugar funcionando.

Agora vamos ao que eu acho que é o mais urgente, hoje: todas as medidas do governo terão sido em vão se nós não usarmos os mais eficientes meios de prevenir o vírus de se disseminar tão rapidamente. E esses meios somos nós mesmos. Assim como cada um de nós pode indiscriminadamente ser afetado pelo vírus, cada um de nós também pode ajudar. Primeiramente, e o mais importante: levem a sério o que estamos falando aqui, hoje. Não entrem em pânico, mas também não pensem nem por um momento que o outro não importa. Ninguém é dispensável. Todo mundo conta, e isso conduzirá todos os nossos esforços.

Isto é o que uma epidemia nos mostra: quão vulneráveis nós todos somos, quão dependentes nós somos do comportamento dos mais vulneráveis, mas também como nós podemos proteger e fortalecer uns aos outros, agindo juntos.

Isto depende de todos. Nós não estamos condenados a aceitar passivamente a disseminação do vírus. Nós temos um remédio: por consideração, devemos manter distância uns dos outros. O conselho dos virologistas é claro: não apertem as mãos dos outros, lavem suas mãos frequentemente, fiquem a pelo menos um metro e meio de distância do outro e, de preferência, dificultem qualquer contato com os muitos idosos, porque eles estão em situação especial de risco.

Eu sei o quão difícil é fazer o que está sendo requerido. Nós queremos estar perto uns dos outros, especialmente em tempos de necessidade. Nós entendemos afeto como proximidade física ou toque. Mas neste momento, infelizmente, o oposto é que é verdadeiro. E isso é o que todos precisamos entender: neste momento, distância é o único modo de expressar que você se importa.

Visitas bem intencionadas, passeios que não deveriam ser feitos, tudo isto pode ser contagioso e deveria realmente não ocorrer. Há uma razão para os especialistas dizerem que avós e netos não deveriam ficar juntos agora.

Aqueles que evitarem encontros desnecessários ajudarão todos aqueles que têm que lidar com mais casos todos os dias em hospitais. Isto é como nós salvamos vidas. Isto será difícil para muitos, e é nisso que tudo se resume: não deixar ninguém sozinho e zelar por aqueles que precisam de encorajamento e confiança. Como família e como sociedade, nós encontraremos outros meios de ajudar uns aos outros.

Já existem muitas forma criativas que desafiam o vírus e suas consequências sociais. Já há netos que estão gravando podcasts para seus avós, de modo que eles não fiquem sozinhos. Nós todos temos que encontrar meios de demonstrar afeto e amizade: Skype, telefonemas, e-mails e talvez escrever cartas novamente. O correio está funcionando. Nós agora ouvimos falar sobre maravilhosos exemplos de ajuda entre vizinhos para os mais velhos que não podem fazer compras por si mesmos. Eu tenho certeza de que há muito mais por vir e nós mostraremos, como comunidade, que nós não deixamos uns aos outros sozinhos.

Eu apelo a vocês: cumpram as regras que solicitamos agora pelos próximos tempos. Como governo, nós sempre vamos verificar o que pode ser corrigido e, a partir daí, o que ainda é necessário. Esta é uma situação dinâmica, e nós seremos capazes de aprender com tudo isso, então o que sempre podemos fazer é repensar e reagir com outros instrumentos. Nós então explicaremos isso também.

Então, por favor, não acreditem em rumores, mas apenas em comunicações oficiais, as quais nós traduzimos para várias línguas.

Nós somos uma democracia. Nós não vivemos pela força, mas pela partilha de conhecimento, pela participação. Esta é uma tarefa histórica e só pode ser cumprida se nos unirmos.
Estou absolutamente convicta de que iremos superar esta crise. Mas quão altos serão os sacrifícios? Quantos entes amados iremos perder? Isto está em nossas mãos. Nós podemos agora, de forma resoluta, reagir juntos. Nós podemos aceitar as limitações atuais e cuidar uns dos outros.
Esta situação é séria e está em aberto.
Isto significa que dependerá não apenas de, mas também de quão disciplinadamente cada um seguir e implementar as regras.

Nós podemos demonstrar, ainda que nunca tenhamos experimentado algo como isto antes, que nós agimos cordialmente e razoavelmente e então salvamos vidas. Sem exceção, isso depende de cada indivíduo e, por conseguinte, de todos nós.

Cuidem-se bem e cuidem de seus entes queridos. Muito obrigada!