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Ozymândias de Percy Shelley

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Trad. André Vallias. [2015]
em: Acontecimentos, 12/03/15, em Escamandro.

Disse o viajante de uma antiga terra:
“Duas pernas de pedra, no deserto,
Despontam gigantescas, e bem perto
Há um rosto destroçado que descerra

Os lábios num sorriso de comando
Que atesta: o escultor leu com mestria
Paixões que na matéria inerte e fria
A mão que as entalhou vão perdurando.

‘Meu nome é Ozymândias, rei dos reis:
Desesperai perante as minhas obras!’
Alerta uma inscrição no pedestal.

Mas são ruínas tudo o que ali sobra,
E um mar de areia, em árida nudez,
Circunda a decadência colossal”.

 

Original  de Persy Shelley.

 

I met a traveller from an antique land
Who said: ― Two vast and trunkless legs of stone
Stand in the desert. Near them on the sand,
Half sunk, a shatter’d visage lies, whose frown

And wrinkled lip and sneer of cold command
Tell that its sculptor well those passions read
Which yet survive, stamp’d on these lifeless things,
The hand that mock’d them and the heart that fed.

And on the pedestal these words appear:
“My name is Ozymandias, king of kings:
Look on my works, ye mighty, and despair!”

Nothing beside remains: round the decay
Of that colossal wreck, boundless and bare,
The lone and level sands stretch far away.

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O operário que sonhava ser poeta – parte I

Homenagem ao meu amado pai, Manir. Quanta saudade que não cabe em mim! Procurei seguir seu último pedido feito a mim: o de escrever um poema sobre ele. Embora eu tenha sido, até aquele dia derradeiro, apenas uma leitora, me esforcei na tarefa, cujo resultado está muito aquém do valor desse grande homem.

 

In memoriam de Manir de Godoy

 

Era uma vez um menino meio nômade,

Que vivia entre o interior e a cidade grande.

O pai morrera de gangrena.

A mãe costureira sustentava

Com esforço seis filhos:

Eupídio , Cássio, Dirce,

Tó, Manir e Iracema!

 

Vendedor de doces no cinema, engraxate,

Chegou a operário de fábrica de chocolate.

Nada fantástica era a vida desse guri,

Que vivia em um cortiço no Pari.

 

Mas tudo mudou no dia em que encontrou

As letrinhas de metal jogadas na calçada

Que formaram o primeiro poema

do menino sentado no meio fio.

As letrinhas graciosas eram

seu único brinquedo nas horas vagas.

 

Um dia o dono das letras o viu e chamou pra trabalhar.

Ali, sua formação interrompida continuaria.

O menino-operário da tipografia,

Montava admirado textos de poetas e aspirantes;

Panfletos dos primeiros socialistas do país

Que viviam gravitando a sua volta.

Com muito esforço, lia de Lobato e Verne

ao Príncipe Valente e Flash Gordon,

Assim foi se alfabetizando.

 

No cortiço sua mãe se arriscava,

Não levava desaforo pra casa!

Engajado na causa operária,

Começou a ler obras mais sisudas

Do que as que lera numa escola em Bragança.

 

Considerava sincero apenas o “cavaleiro da esperança”…

Por isso, aos 16, fugiu de casa e fundou

o PC em São João da Boa Vista.

Lá via filmes do Mazzaropi,

Dormia em carros alheios,

Tocava violino na praça…

 

Ps.: Por coincidência ou não eu também saí de casa aos 16 anos.

Um dia talvez eu consiga continuar, mas me falta inspiração no momento.

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Meu pai me contava que, quando eu era bebê, eu ria até perder o fôlego e ficavam todos com medo de eu sufocar de tanto rir por causa de uma brincadeira do meu irmãozinho Ibsen, que imitava o som das explosões das pedreiras próximas, falando: “Peleila: bum!”

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O que é a loucura?

“Loucura, eu penso, é sempre um extremo de lucidez. Um limite insuportável. Você compreende, compreende, compreende e compreende cada vez mais, e o que você vai compreendendo é cada vez mais aterrorizante – então você “pira”. Para não ter que lidar com o horror.” Caio Fernando Abreu

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O jogo dos mares de vidro

 

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Venha viver meus perigos,

Venha provar minhas chagas

E lamber minhas feridas,

Que lhe darei um mar cristalino!

 

Estamos sedentos, estamos famintos.

Vamos aumentar nossos medos?

E queimar nossos ninhos?

 

Se você viver meus infernos,

Se você se tornar minha amante,

Se me venerar esta noite,

Farei, com mil olhos de vidro,

Ladrilhos pra você passear

Por tortuosos caminhos.

 

Godoy

 

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O Portal da Vida e da Morte

Poética de Botequim

Quando estava perdido, Tentando conciliar a dor e a alegria,

O corpo e o espírito,

Você e eu,

Soube que existe um lugar,

Um lugar onde há um portal,

O “Portal da Vida e da Morte”.

O portal que nos levará à Revolução tão esperada,

Quando, finalmente,

O claro e o escuro,

a pedra e a pluma,

o céu e a terra

Serão parte de um mesmo

Todo, sem se digladiar.

Mas onde o Portal da Vida e da Morte estará?

Só sei que é perto do “Ponto de Ouro de um Milhão”.

Esse é o segredo da vida, que há pouco intuí, mas nunca completo vi.

Montanha Tianmem, China

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Aqui

Na pequena vargem mineira,

Não se veem nem anjos barrocos

Nem discos voadores nem alienígenas.

 

Retornando ao Vale, cinco pequenos pássaros atacaram um gavião na estrada.

Na antiguidade, diriam “esse é o sinal de que um poderoso

Será destronado pelo povo.”

 

Mas não, nada.

Para nós, os céus estão mudos.

E o único anjo é nosso amigo que quebrou suas Asas da Mantiqueira

Num coqueiro da praia.

 

Oramos para nosso céu, com mais estrelas,

Para nossos campos com mais flores

E só vemos o fogo de uma Geena

Que aos mais pobres condena.

Aqui, o véu nunca será rasgado?

Nem se verá a ira do cordeiro

Que, todo fim de ano, vira doloroso assado?

Aquele que é, que era e que vem, está há séculos atrasado,

mais uma triste prova de que Ele é mesmo um brasileiro!

O livro, aqui, é amargo na boca e no estômago também.

Todos, sem paz, foram pacificados e continuam repetindo amém.

 

Satanás (1)

11-2017

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Poesia III

Recordando meu estado confuso de seis anos atrás.

Poética de Botequim

Jaraguá, exata 1980, de Evandro Carlos Martins

O espírito da poesia me acordou?

Ou escrevo para poder dormir?

Ou será que estou com fome?

Leite morno, biscoito Nestlè Classic Duo!

Calmantes conseguem explicar

E entender o que sentimos?

Só dá para identificar com

Certeza aquilo que dói

porque o pretérito imperfeito

é o meu tempo.

22 de novembro de 2012.

 

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À Síria

Palmira, tuas palmeiras há muito não balançam ao vento!

O vento só traz até ti pó, cinzas, farelos

Que sobram das ambições de todos os tempos.

Culpada por demorar-te no meio do caminho.

 

Como tua irmã, anciã entre as localidades;

Lar dos fundadores da Acádia,

Essa coroa de fogo da deusa do amor e da guerra.

 

Alepo, algo mais nefasto que o mais nefasto

Dos terremotos perscruta teus filhos;

Sonda tuas antigas ágoras,

que viraram catedrais

que agora são mesquitas!

Em vão perguntas “por quem definho?”

 

Como tua vizinha Ebla, rocha branca,

Berço de onde partimos, nosso ninho!

Nem 5 milênios tanto dano causou a tua ancestral alegria.

Ser ruína de ruínas é teu destino?

 

Tua terra é a desejada de todas as gentes:

Persas, macedônios, romanos, árabes,

Bizantinos, cruzados, mongóis, mamelucos,

Turcos, franceses, ingleses,

Russos, estadunidenses.

Foi o que os ventos trouxeram a teus pés

E sobre tua cabeça, pobre Síria: louco desatino!

 

Lares divididos, subdivididos,

Todos somos teus descendentes.

Quebra-cabeças de venais interesses!

Joias deste Oriente, quem sentirá tua agonia?

Godoy

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Os aromas da cidade

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Maria Fumaça

Godoy

Na cidade que rescende à resina de araucária,

Delicados beija-flores duelam ferozmente

com os floretes de seus bicos.

Na cidade que exala a flor de cerejeira,

Os habitantes da construção holandesa,

adornada pelo jardim japonês, são nipônicos.

Na cidade que cheira a chocolate,

Coelhos assustados cruzam estradas;

Nuvens de algodão envolvem

casas, árvores, cabeças.

Marias-fumaça encorpam nuvens baixas

E evocam tempos antigos.

Na cidade que ostenta aroma de forno a lenha,

Barracos, pousadas, Palácios

nos lembram de coisas que nunca

existiram em seu tempo certo ali.

Telhados inclinados esperam

para sempre a neve que nunca virá.

Numa estrada da cidade que exala a cerveja feita a mão Baden Baden,

cai um homem…

Os montesinos não o socorrem.

Na cidade de pesadelos e sonhos,

Numa dança de aromas doces e acres,

Os enamorados se escondem.

 

Campos do Jordão, outubro de 2012.

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Cabeças trocadas

No templo da deusa Kali, o odor doce e quente

De pus, sêmen, sangue não causou mais horror

Em Sita, o sulco, do que a imagem

De teus longilíneos ossos a estalarem,

Como gravetos secos no inverno, causou em mim!

As cabeças dos dois amigos rolando

Uma ao lado da outra, para saciar a onipresente,

Não têm par com  a imagem dos anelos

De teus cabelos molhados pelo  líquido rubro e espesso.

O fervor brutal que animou a espada no templo,

No entanto, é o mesmo que te elevou e levou!

Do teu talhe entalhado em pele resta

Agora o interrompido crânio  quase intacto.

Antes um David, agora um grotesco riso descarnado!

A que Deus sombrio foste imolado?

Em que pensavas?

Contra quem tenho blasfemado?

Nenhum, Nada, Ninguém!

O adiado ódio deste ato não tem para onde correr nem se manifesta.

Assim, o sagrado alimento, as águas, os campos se infectam com tuas cinzas.

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Som e fúria

Sound and fury

Macbeth:

“Tomorrow and tomorrow and tomorrow,
Creeps in this petty pace from day to day
To the last syllable of recorded time,
And all our yesterdays have lighted fools
The way to dusty death. Out, out, brief candle!
Life’s but a walking shadow, a poor player
That struts and frets his hour upon the stage
And then is heard no more: it is a tale
Told by an idiot, full of sound and fury,
Signifying nothing.”

Som e Fúria

 

Seyton:

A rainha, meu senhor, está morta.

Macbeth:

“Ela deveria ter morrido mais tarde. Teria havido uma hora para essa palavra. Amanhã, e amanhã, e amanhã
Arrastam-se nessa passada trivial do dia para a noite, da noite para o dia,
Até a última sílaba do registro dos tempos.
E todos os nossos ontens não fizeram mais que iluminar para os tolos
o caminho que leva ao pó da morte. Apaga-te, apaga-te, chama breve!
A vida não passa de uma sombra que caminha, um pobre ator
Que se pavoneia e se aflige sobre o palco –
Faz isso por uma hora e, depois, não se escuta mais sua voz:
É uma história contada por um idiota, cheia de som e fúria
Significando nada”.

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Conspiradores como os Macbeths caem mais cedo ou mais tarde.
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Refugiados

Você, que é tão erudito,

recite-me versos suaves, por piedade,

para recuperar de viver a vontade!

 

Você, você que é tão ajuizado,

Por misericórdia, me dite os santos escritos,

Nos templos ouvidos,

Para alimentar desgraçados proscritos!

 

Você, que é tão são,

por compaixão, reze-me uma oração

para alentar a quem vive ao relento;

a quem se negou a terra de onde tirar o sustento;

a quem nunca recuperou seu pródigo rebento.

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Meus olhos

 

Aainy, meus olhos!

Aainy, meu amado!

Meu olho d’água num deserto de humanidade!

Minha devoção, feito cachoeira, transborda e cai dos meus olhos,

Em você, meu lago translúcido, no oásis em que sempre vou beber,

Depois de atravessar estes ermos.

Beba, então, também estas águas

Porque elas o refrescarão do seu deserto.

Depois vamos rir juntos de tudo;

Vamos rir como só são capazes os loucos.

Não porque desconhecemos o mal,

E somos ingênuos, imaginando que tudo está certo,

Mas sim porque, em meio a girassóis e miosótis, estamos um no outro.

 

Feliz aniversário, Fernando!

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Pressagiando

Thaís GM

Encontro fúnebre entre o Sim e o Não.

Não tarda a chacina dos lírios do campo.

Não tarda o terremoto a aplanar

A montanha do sermão.

 

Tranquilamente se torce a trama,

Caretas transidas de compaixão.

Treme e trança a turba agora enfurecida

Em espasmos convulsos e roucos.

Barafunda de iagos pisoteados

Por manada de unicórnios prata.

Sarabanda sacrossanta e temerária.

 

Queres ver os estilhaços dos vasos

Salpicados de esperanças?

Sabes que a prisão dá vida

Àquele que não tem para onde ir?

Nos prados, as presas dos gatos

Dominam o mundo pressagiando.

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“Corrupt” de Salvador Dali, ilustração da divina Comédia de Dante

 

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Santa Maria

Santa Maria, cheia de desgraças,

O horror é convosco.

Maldita sois vós dentre as cidades?

Vossas chamas nos consomem.

Os benditos frutos do vosso

Ventre tombaram prematuros.

 

Santa Maria, não rogueis por aqueles

Que zombam da ruína de vossos filhos.

Santa Maria, não rogueis por assassinos

Que desprezam a mocidade.

Santa Maria, não rogueis por carniceiros

que de sangue vivem sedentos.

 

Santa Maria, rogai por vossas mulheres

tão cheias de graça quanto vós!

Santa Maria, aplacai a dor dessas mães

na hora do beijo da morte que é agora.

Amém.

 

 

Thaís de Godoy Morais

 

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Sonho de Verão

Agora é verão,

Mas é primavera em meu coração!

Recolho safiras que caem dos céus.

Piso rubis que brotam pelas estradas.

Apanho esmeraldas espalhadas nos prados.

 

Douradas borboletas e libélulas,

Anjos de asas translúcidas,

Em meus ombros e braços vêm pousar.

 

À sua descuidada mãe, as devolvo.

Nos brilhantes cabelos, porém, duas ficam perdidas.

E, quando são descobertas,

De papel e espelho, tentam se disfarçar.

 

Thaís GM

 

Jacareí, 27 de janeiro de 2018

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Liberato

Zeus, por favor, me cubra;
Por piedade me cubra com seu manto protetor no frio!
No calor me cubra com sua chuva refrescante.
Nas viagens me cubra com suas acolhedoras penas.
Por favor, por amor me proteja de toda a dor, de todo mal.
Senão juro, por Juno, enlouquecerei e sairei rumo ao Oriente desnudo
Até mil lobos me estraçalharem,
Como minhas seguidoras fizeram a Orfeu
Ou talvez não.

Talvez seja curado por Cybelle.
Talvez meu vinho embebede as turbas.
Talvez triunfe sobre Tebas,
Talvez fique e desfile pelas avenidas no carnaval
E crie o drama, a tragédia e a comédia.
Amém!

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Leitura ostentação

Acabei de adquirir Crônica de um amor louco: ereções, ejaculações, exibicionismos – Parte I, do Bukowski. Exibicionismo é a cara da nossa era e não posso ficar de fora, então aí está. Não acredito que só agora resolvi ler sua obra. Vamos ver se é um livro “maldito” mesmo ou um maldito livro. É provável que seja as duas coisas. Já vou tomar um dramin antes, por via das dúvidas. Depois de ler, farei uma resenha, se alguém estiver interessado na obra do “Velho Safado”* ou na droga da minha opinião (já estou ficando com o jeitão dele).

*  Essa expressão maldosa não é minha, é como Bukowski ficou conhecido no meio literário.

Primeiro conto: A mulher mais linda da cidade

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Preâmbulos

 

Tenho que contar esta história, antes que seja tarde!

Antes que a pessoa que ma relatou não possa mais confirmar se acertei depois de tudo escrito. Como falta-lhe já a luz dos olhos, quero ler essa história para ela confirmar se escrevi direito.

Preciso contar, mesmo que ninguém leia depois; mesmo que ninguém a receba em seus ocupados ouvidos.Tão ocupados, que não podem parar tudo o que estão fazendo e ler uma simples história.

Simples nada! Esta história me arrepiou os cabelos, um frio correu minha espinha, por saber que era real e que aconteceu no seio de minha família. Embora seus protagonistas já estejam todos embaixo da terra e eu não os tenha conhecido, nunca pensei que havia tanto drama, tragédia, sangue e mortes horríveis em uma família a qual eu, por muito tempo, considerei pacata!

Há coisas que os parentes só revelam em último caso e, no meu caso, precisaram me contar esta história para torná-la um exemplo; contaram para que eu superasse a minha tragédia, vendo que existiam tragédias ainda piores e os sofredores envolvidos sobreviveram, portanto eu também seria capaz de sobreviver. Também para me educar e talvez para herdar uma tradição familiar que surgiu desta tragédia não-grega, mas ítalo-brasileira ou ítalo-bragantinha.

Sei lá, só sei que, neste  momento, tenho que contar e sairá tudo de qualquer jeito, sem nenhuma preocupação com a forma, porque se eu morrer enquanto estiver escrevendo esta história, os interessados (pelo menos dois, eu tenho certeza) poderão ler o esqueleto dela.

A tia de minha mãe, Tia duas vezes (ela era irmã de minha avó e casou-se com o irmão de meu avô, isto é, duas irmãs da família de Bellis se casaram com dois irmãos da Boccuzzi*) Maria de Bellis Boccuzzi, assim me contou a história de minha tataravó, Maria Caporrino Linardi, ou Maria Leiteira, como era conhecida:

Continuação: Caim e Abel

*Essa é outra história, que parece tirada do Livro das 1001 noites, mas é cheia de coincidências, ou sincronias reais fantásticas: A história das sete irmãs e um irmão e dos sete irmãos e uma irmã (ainda a ser redigida). αΩ

Maria leiteira

 

Tweet de CEMCentrodaMetropole (@CEM_CMS)

CEMCentrodaMetropole (@CEM_CMS) tweetou: Reunimos em nosso site todos os episódios da série de animações produzidas pelo Ciência USP, feitas com base no livro do CEM “Trajetórias das desigualdades: como o Brasil mudou nos últimos 50 anos”, que está em sua quarta edição pela @editoraunesp Veja! – https://t.co/o6DtQY9XF4 https://t.co/eZFQsrFePn https://twitter.com/CEM_CMS/status/1082276977048838145?s=17

Perspecticídio: a técnica de lavagem cerebral usada por manipuladores

É importantíssimo entendermos o que é lavagem cerebral e suas técnicas para podermos nos defender de pessoas manipuladoras. Essa técnica tem sido usada em diversos setores de nossa vida pública e privada: na religião, na política, no exército, em comerciais e até mesmo em relacionamentos afetivos. Haja vista o que tem acontecido com seguidores de João de Deus e da Cientologia, por exemplo. Sem essa compreensão, nunca seremos livres.

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Pensar Contemporâneo
    
Por Jennifer Delgado Suárez / traduzido de rinconpsicologia.com

Viver ou se relacionar com pessoas controladoras e manipuladoras pode ser uma experiência extremamente confusa e exaustiva. Essas pessoas podem tornar-se autênticas especialistas em manipulação mental, culpando sua vítima absolutamente por tudo e até tirando o direito de pensar autonomamente, discordar e tomar suas próprias decisões.

Na verdade, uma das estratégias de manipulação mais perigosa que existe é a de mudar a nossa maneira de perceber o mundo, um fenômeno que a psicóloga da Universidade de Massachusetts, Lisa Aronson Fontes, chama de “perspecticídio” que refere-se a uma mudança de perspectiva tão radical que somos incapazes de estar conscientes do que sabemos e somos.

O que exatamente é o perspecticídio?

O termo “perspecticídio” é um neologismo, mas na realidade não é inteiramente novo desde que foi usado pela primeira vez para se referir à lavagem cerebral a que foram submetidos os prisioneiros de guerra. Também tem sido usado para explicar os mecanismos psicológicos que levam as pessoas a ficarem presas nas redes de seitas.

Na prática, o perspecticídio implica perder a perspectiva e até mesmo pensar que não temos o direito de ter nossas ideias, crenças e sentimentos. É um fenômeno assustador porque com o passar do tempo podemos esquecer nossas opiniões, objetivos e pensamentos para adotar os da pessoa dominante. Como resultado, nós não apenas renunciamos a nossos sonhos e objetivos na vida, mas até perdemos nossa própria identidade.

Como o perspecticídio é produzido?

O Perspecticídio sempre implica um relacionamento abusivo, controle e / ou manipulação, de modo que ao longo do tempo a pessoa dominante muda o modo de pensar e ver de sua vítima. O manipulador termina definindo o mundo do sujeito. Define o que é o amor, como deve ser o relacionamento e até determina o que a outra pessoa deve pensar.

Claro, não é sobre a influência mútua que ocorre naturalmente em todos os relacionamentos íntimos, é um fenômeno muito mais prejudicial e unilateral, onde uma pessoa domina completamente e a outra perde sua identidade e capacidade de decidir sobre sua vida.

Pouco a pouco, o manipulador está restringindo o mundo de sua vítima. Isso não apenas o isola dos outros, de modo que eles não podem alertá-lo sobre o perigo que você está correndo, mas também começa a julgar suas idéias e sentimentos. Deste modo, o manipulador impõe sua visão do mundo e da pessoa.

As técnicas mais comuns são:

– Decidir como a vítima deve investir seu tempo. Pouco a pouco, o manipulador convence sua vítima de que vale a pena gastar tempo nas atividades que ele aceita. Desta forma, a vítima abandona muitas das coisas que ela queria, a fim de cumprir os desejos do outro, que ela acaba assumindo como seu.

 Controle obsessivo sobre todos os detalhes do dia. O manipulador geralmente exerce um controle obsessivo sobre cada detalhe da vida de sua vítima, a tal ponto que ela perde todo o poder de tomar decisões, mesmo sobre os aspectos mais insignificantes do dia a dia, que são ditados por quem tem controle.

– Define os termos do relacionamento. O manipulador não concilia ou negocia, impõe os termos do relacionamento que são impostos. Submete sua vítima impondo suas regras e sua visão de como deve ser o relacionamento. A outra pessoa tem apenas duas opções: se submeter ou quebrar o vínculo.

– Mudança de autoconceito. O manipulador se assegura de “roubar” o autoconceito de sua vítima, colocando a sua em seu lugar. Desta forma, a percepção da vítima muda, que começa a se ver com os olhos da outra pessoa, o que pode levá-la a acreditar, por exemplo, que realmente não é capaz de realizar nada ou precisa desesperadamente que a outra pessoa seja feliz .

Pessoas presas em suas próprias vidas

O perspecticídio é uma situação de controle e manipulação difícil de detectar, porque geralmente vem das pessoas mais próximas, com quem temos laços emocionais profundos. Além disso, em muitos casos, essa relação de controle não é baseada na violência, mas sim nas mensagens cheias de “boas intenções”.

O manipulador faz sua vítima acreditar que ele está certo e que ele faz tudo “para seu próprio bem”. Freqüentemente ele também se apresenta como o “salvador” ou “guardião” da pessoa “desprotegida” que supostamente precisa de ajuda.

Sua estratégia é nos fazer sentir fracos, impotentes, desamparados e inseguros para assumir o comando. Assim, nós nos tornamos prisioneiros de nossa própria vida, sem dificilmente perceber, porque acabamos usando os rótulos que o manipulador colocou em nós, assumimos a identidade que ele cuidadosamente fabricou para nós.

O manipulador repetirá até a fadiga mensagens diferentes, com o objetivo de que estas se tornem nossa verdade. Muitas vezes você acaba exagerando os fatos, para usá-los a seu favor. Frases como: ” você não é nada sem mim ” ou ” se eu não te defender, os outros se aproveitarão de você ” são comuns e fazem a pessoa se sentir impotente. Esses tipos de frases mudam o autoconceito da vítima, fazendo-a duvidar de suas habilidades e ter medo de tudo. O manipulador não capacita nem permite que a pessoa próxima a ele cresça, pelo contrário, o humilha e esmaga.

Vale a pena esclarecer que nem sempre você chega a esses extremos. Em alguns casos, a vítima retém um certo poder de decisão, mas sente-se permanentemente culpada pelas decisões que toma, porque sabe que não satisfará a outra pessoa.

Existem alguns sinais de aviso que podem indicar que você está sendo vítima de uma situação de sujeição emocional e mental :

– Cada vez que você se sente mais inseguro de suas decisões ou elas geram um grande sentimento de culpa.

– Você sente que está perdendo os pontos de referência, é como se estivesse andando na areia movediça porque começa a duvidar de suas crenças mais profundamente arraigadas, só porque elas não correspondem às da outra pessoa.

– Você está desenvolvendo uma dependência emocional dessa outra pessoa, permitindo que ela controle pequenos detalhes de sua vida.

– Você se sente incapaz de conseguir grandes coisas sozinho, e cada vez que você precisa de mais a opinião do outro.

– Você sente que não se reconhece mais ou começou a aplicar rótulos negativos que não permitem que você cresça ou se fortaleça.

– Você começa a duvidar de suas opiniões e habilidades, adotando como verdades a visão do mundo da outra pessoa.

Como sair dessa situação?

Muitas vezes, quando a pessoa descobre que foi vítima de uma situação de perspecticídio, seu mundo desmorona. Ela não só verifica que foi manipulada e abusada por alguém em quem confiou, mas também está confusa e isolada, com a árdua tarefa de reconstruir sua identidade.

Quando esta situação se prolonga por anos, a pessoa perde seus pontos de referência de identidade, por isso é necessário recorrer à terapia psicológica para processar esses traumas emocionais e encontrar novamente confiança e autoconfiança.

No entanto, o primeiro passo é cortar todos os tipos de relacionamentos com o manipulador e tentar reconstruir uma rede de suporte social com amigos e familiares. Devemos lembrar que quando um relacionamento limita e sufoca uma das pessoas, em vez de fortalecê-la e ajudá-la a crescer, chegou a hora de questioná-la e mudar de rumo, antes que seja tarde demais.

Biblioteca Digital Mundial é lançada pela Unesco

A NOTÍCIA DO LANÇAMENTO NA INTERNET DA WDL, A BIBLIOTECA DIGITAL MUNDIAL.
QUE PRESENTE DA UNESCO PARA A HUMANIDADE INTEIRA !!!

Já está disponível na Internet, através do site  www.wdl.org

É uma notícia QUE NÃO SÓ VALE A PENA REENVIAR MAS SIM É UM DEVER
ÉTICO, FAZÊ-LO!

Reúne mapas, textos, fotos, gravações e filmes de todos os tempos e explica em sete idiomas as jóias e relíquias culturais de todas as bibliotecas do planeta.

Tem, sobretudo, caráter patrimonial” , antecipou em LA NACION Abdelaziz Abid, coordenador do projecto impulsionado pela UNESCO e outras 32 instituições. A BDM não oferecerá documentos correntes, a não ser “com valor de  patrimônio, que permitirão apreciar e conhecer melhor as culturas do mundo em idiomas diferentes:árabe, chinês, inglês, francês, russo, espanhol e português. Mas há documentos em linha em mais de 50 idiomas”.

Os tesouros incluem o Hyakumanto darani , um documento em japonês publicado no ano 764 e considerado o primeiro texto impresso da história; um relato dos azetecas que constitui a primeira menção do Menino Jesus no Novo Mundo; trabalhos de cientistas árabes desvelando o mistério da álgebra; ossos utilizados como oráculos e esteiras chinesas; a Bíblia de Gutenberg; antigas fotos latino-americanas da Biblioteca Nacional do Brasil e a célebre Bíblia do Diabo, do século XIII, da Biblioteca Nacional da Suécia.

Embora seja apresentado oficialmente  na sede da UNESCO, em Paris, a Biblioteca Digital Mundial já está disponível na Internet, através do sítio:

http://www.wdl.org

O acesso é gratuito e os usuários podem ingressar directamente pela Web , sem necessidade de se registrarem..

Permite ao internauta orientar a sua busca por épocas, zonas geográficas, tipo de documento e instituição. O sistema propõe as explicações em sete idiomas (árabe, chinês, inglês, francês, russo, espanhol e português), embora os originas existam na sua língua original.

Desse modo, é possível, por exemplo, estudar em detalhe o Evangelho de São Mateus traduzido em aleutiano pelo missionário russo Ioann Veniamiov, em 1840. Com um simples clique, podem-se passar as páginas um livro, aproximar ou afastar os textos e movê-los em todos os sentidos. A excelente definição das imagens permite uma leitura cômoda e minuciosa.

Entre as jóias que contem no momento a BDM está a Declaração de Independência dos Estados Unidos, assim como as Constituições de numerosos países; um texto japonês do século XVI considerado a primeira impressão da história; o jornal de um estudioso veneziano que acompanhou Fernão de Magalhães na sua viagem ao redor do mundo; o original das “Fábulas” de La Fontaine , o primeiro livro publicado nas Filipinas em espanhol e tagalog, a Bíblia de Gutemberg, e umas pinturas rupestres africanas que datam de 8.000 A .C.

Os seus responsáveis afirmam que a BDM está sobretudo destina
da a investigadores, professores e alunos.

Somos Professores

Não sei a autoria deste texto, que está sendo divulgado nas redes sociais anonimamente. Como professora, eu me identifiquei totalmente com a mensagem.

Somos professores e recebemos palpites e julgamentos de todo mundo. Do ministro da educação, do jornalista, do pai do aluno, das famílias. Aquela piadinha que o professor tem regalias, duas férias por ano, que ganha bem , que não deveria se aposentar…A sensação é de que estamos sós.
É preciso mandar um “aguente firme” para os professores de verdade.
Pra quem dá aula em duas ou três escolas e almoça no caminho.
Pra quem não consegue almoçar e engole um salgado enquanto assina o ponto.
Pra quem fica acordado na madrugada baixando vídeo e música pra usar na aula.
Pra quem faz as cópias na sua impressora.
Pra quem compra o material da aula com grana do bolso.
Pra quem passa do horário pra ajudar no evento.
Pra quem passa o final de semana corrigindo.
Pra aquele que leva as atividades na viagem do final de semana.
Pra aquele que leva um lanchinho a mais na excursão, para o aluno que não tem condições.
Pra aquele que compra livros pra turma.
Pra aquele que vai trabalhar doente porque não quer deixar os alunos na mão aquele dia.
Pra aquele que não falta de jeito nenhum…
Pra aquele que vê o aluno se perdendo na quebrada e tenta salvar aquela alma.
Pra aquele que briga com a família até levarem o pequeno no médico.
Pra aquele que deixa seus problemas em casa, porque sabe que na escola tem abuso sexual e físico, fome, violência e doença pra mediar.
Pra aquele que já teve o carro roubado indo pro trabalho.
Pra aquele que já foi agredido verbalmente por alunos e familiares.
Pra aquele que é xingado enquanto dá aula.
Pra aquele que não é respeitado enquanto dá aula.
Pra aquele que é compromissado com o processo de aprendizagem, mesmo que seus alunos não sejam.
Pra aquele que vê mais seus alunos que os seus filhos.
Pra aquele que mesmo passando por tudo isso, não desiste!
“Aguente firme”, esse país não te merece, mas precisa MUITO de você.(desconheço a autoria).
Se você é professor e tem orgulho de ser, copie e cole no seu mural. E você que não exerce esta profissão mas quer nos dar um incentivo, apoio e encorajamento também podes fazê-lo.
Copiado e colado com louvor…

Unknown

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