White Lies – Is my love enough?

•19 set 2018 • Deixe um comentário

Lições de como enfrentar Bolsonaro e a extrema-direita sem fortalecê-los — Blog do Gerson Nogueira

•11 set 2018 • Deixe um comentário

Por João Filho – The Intercept_Brasil O jornalista Reinaldo Azevedo fez uma pergunta bastante simples sobre dívida interna para Bolsonaro, mas que o fez perder o chão. Durante o minuto de resposta, o candidato ficou tenso como se estivesse acabado de ficar nu diante de todo o país. O mito da força e da ordem derreteu ao vivo e se transformou em um garotinho assustado, com olhar vazio. Ficou perdido como o meme do John Travolta. Foi possível enxergar em seu semblante “sofrimento interior”, ‘desequilíbrio emocional” e “angústia”— os mesmos sentimentos que o acometeram quando o deputado do PSB carioca Carlos Minc o chamou de machista, homofóbico e racista, como consta no processo que abriu contra o ex-ministro.

Entre um silêncio interminável e outro, falou qualquer coisa que lhe veio à cabeça, sem nenhuma conexão com a pergunta, e apresentou soluções constrangedoramente infantis como: “fazer com que empregados e patrões sejam amigos, e não inimigos”. Escolhido para comentar a resposta, Ciro Gomes teve a chance de escancarar ainda mais o despreparo de um candidato minúsculo, mas preferiu ser cortês, talvez para não parecer arrogante aos olhos do eleitor. Se uma pergunta trivial sobre economia causou todo esse estrago no emocional de Bolsonaro, não é difícil imaginar como seria o seu comportamento na hora de tomar grandes decisões, administrar conflitos e atender demandas complexas de uma sociedade que passa por crises de toda ordem.

O avanço recente da extrema-direita no mundo tem suscitado discussões sobre como os líderes políticos que emergem desse espectro devem ser abordados. Nos EUA, Europa e agora no Brasil, jornalistas tentam descobrir a melhor maneira de entrevistá-los sem oferecer palanque para suas propostas antidemocráticas. A experiência americana com Trump indica que confrontar os absurdos racistas e homofóbicos, por exemplo, não funciona e só ajuda a alimentar a fúria dos seus seguidores. Primeiro porque o confronto em si é uma das principais estratégias da extrema-direita, que busca a briga com a imprensa a todo custo para poder posar de vítima perseguida pelo establishment. Segundo porque todo extremista é, via de regra, intelectualmente limitado e se perde ao ser convocado a falar sobre temas que estão fora da sua caixinha moralista.

Há uma tendência da imprensa mundial em querer em apontar os absurdos dos extremistas, mas são exatamente esses mesmos absurdos que têm aumentado os seus capitais políticos. Grandes temas fundamentais acabam ficando em segundo plano, o que não acontece com políticos não extremistas.

Uma pergunta banal de Reinaldo Azevedo revelou a fragilidade do Bolsonaro, coisa que a bancada inteira do Roda Viva inteiro não conseguiu em horas de entrevista. Os entrevistadores do programa da TV Cultura se focaram nos mais famosos episódios de agressividade e preconceito do candidato, o que o fez nadar de braçada. É justamente por causa desses episódios que o candidato está onde está. Reforçá-los não ajuda em nada.

No ano passado, o partido alemão de extrema-direita AfD conquistou seus primeiros assentos no parlamento explorando um sentimento anti-refugiados de parte da sociedade alemã. Há duas semanas, Alexander Gauland, dirigente do partido, participou de uma entrevista atípica na televisão. O jornalista Thomas Walde da ZDF conduziu o programa sem em nenhum momento tocar no tema dos refugiados, a principal bandeira do partido. Durante 19 minutos, o extremista se viu obrigado a tratar de assuntos que estão fora da sua zona de conforto, como previdência, mudanças climáticas e digitalização — temas muito mais relevantes para a Alemanha do que a questão dos refugiados. O desempenho de Gauland foi péssimo.

A jornalista americana Emily Schultheis, que atualmente mora em Berlim, escreveu um artigo para o The Atlantic citando essa entrevista e analisando as dificuldades que a mídia internacional tem encontrado ao lidar com extremistas de direita: “A mídia alemã (e europeia) tem sido criticada por dar um enfoque sensacionalista nas questões de refugiados e migração. O constante foco da mídia nessas questões ajuda a mantê-las na mente das pessoas, mesmo depois que o fluxo de refugiados tenha diminuído de forma significativa.”

Quando perguntado sobre a fala de um correligionário que propôs uma “mudança no sistema previdenciário”, Gauland se limitou a dizer que o “partido ainda está discutindo” e que não há “nenhum conceito determinado”. O jornalista insistiu no tema e perguntou se o partido não tinha, de fato, uma proposta para as aposentadorias. O líder extremista respondeu que “agora, não”, mas que apresentaria uma após a próxima reunião do partido.

Em outra pergunta, Walde se referiu à retórica nacionalista que prega a proteção do povo alemão (e que geralmente explora a perda de empregos para imigrantes) e perguntou sobre como os locatários locais serão protegidos das grandes empresas internacionais de locação como o Airbnb, que fizeram os aluguéis em Berlim dispararem. Mais uma resposta melancólica: “Não posso lhe dar uma resposta no momento. Isso não foi votado no programa do partido.”

Sobre a digitalização — tema importante na Alemanha, já que o país tem uma infraestrutura digital bastante precária em relação a outros países europeus —, a resposta seguiu o padrão vergonhoso das anteriores.  “Eu não posso explicar isso. Você precisa perguntar a um deputado”, acrescentando que ele próprio não tem “nenhuma familiaridade com a internet”.

Depois da entrevista, Gauland sentiu o golpe e resmungou publicamente. Disse que o jornalista foi “excessivamente tendencioso” e “absolutamente anti-jornalístico”. As perguntas simples e técnicas irritaram também o exército de militantes virtuais de extrema-direita, que atacaram o jornalista alemão em suas redes sociais — exatamente o que o fã-clube de Bolsonaro fez com Reinaldo Azevedo.

No mês passado, Luciano Caramori, um redator publicitário com experiência em campanhas eleitorais, escreveu uma série de tweetspropondo um modo de como abordar Bolsonaro. Trata-se basicamente da mesma estratégia utilizada por Azevedo e por Walde.

“Por mais absurdo que seja, os comportamentos RACISTA, HOMOFÓBICO, VIOLENTO do candidato não me parecem os melhores argumentos contra ele. Infelizmente, existe uma tendência mundial em relevar essas atitudes. O que interessa é SEGURANÇA, EMPREGO, SAÚDE. O argumento que ele não fez NADA pela segurança do Rio de Janeiro em 30 anos de mandato vai ser mais eficaz do que comentar que ele espancaria o próprio filho se fosse gay.”

Essa deve ser a postura dos jornalistas ao abordar não só Bolsonaro, mas todos os candidatos de extrema-direita que têm pipocado por aí. Questões básicas e técnicas sobre segurança, economia e saúde, que demandam respostas complexas, são as principais armas contra o extremismo. Políticos que exaltam a ditadura militar e propõem que fazendeiros se armem com fuzis e tanques de guerra, por exemplo, devem ser confrontados com perguntas técnicas sobre segurança pública, sem ter espaço para o proselitismo ideológico de sempre. É só oferecer a corda que o extremista se enforca sozinho.

Depois de ter sido nocauteado por uma pergunta simples e, temendo que o fato se repita nos próximos debates, Bolsonaro anunciou que é melhor já ir se acostumando com sua possível ausência nos próximos debates. O presidente do PSL justificou dizendo que seu candidato é diferente, que não apresenta soluções fáceis, “mas novos direcionamentos para um Brasil, que está sofrendo com a esquerdopatia que está aí há mais de duas décadas”. Apelou até para a convocação do comunismo imaginário para justificar a fuga do seu Dom Quixote.

O fato de Bolsonaro não ter a mínima noção dos problemas básicos que poderá vir a enfrentar como presidente deve ser cada vez mais exposto. Ele está há quase 30 anos na vida pública parlamentar sem ter feito nada de relevante — nem em favor de suas odiosas bandeiras, diga-se — e até hoje não adquiriu a mínima noção de economia. O povo quer emprego, segurança e comida na mesa, e para isso é preciso que fique claro que o polemismo por si só não resolverá essas questões.

Que Bolsonaro continue pregando para convertidos apenas em suas bolhas nas redes sociais. Quando sair delas, deve ser confrontado com questões técnicas e práticas do mundo real. Não dá pra ser presidente de um país em profunda crise econômica cumprindo exclusivamente o papel de guardinha da moral e dos bons costumes, enquanto na economia cumpre o de fantoche. Não se governa um país do posto Ipiranga.

 

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Banco norte-americano avisa, bitcoin é como bolha econômica dos anos 2000, só que 15 vezes mais volátil — Diário Causa Operária

•11 set 2018 • Deixe um comentário

A empresa financeira Morgan Stanley comparou a crise dos bitcoin com a bolha econômica de 2000. A diferença para ela, é que no caso da bitcoin a escalada dos eventos da crise acontecerão ainda mais rapidamente. Recentemente, a cripto-moeda bitcoin teve uma queda que a fez perder 70% de seu valor. “O decorrer da crise tanto […]

via Banco norte-americano avisa, bitcoin é como bolha econômica dos anos 2000, só que 15 vezes mais volátil — Diário Causa Operária

A Conferência dos pássaros

•2 set 2018 • Deixe um comentário

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A heartbreak

•30 ago 2018 • Deixe um comentário

O operário que sonhava ser poeta – parte I

•12 ago 2018 • 2 Comentários

Homenagem ao meu amado pai, Manir. Quanta saudade que não cabe em mim! Procurei seguir seu último pedido feito a mim: o de escrever um poema sobre ele. Embora eu tenha sido, até aquele dia derradeiro, apenas uma leitora, me esforcei na tarefa, cujo resultado está muito aquém do valor desse grande homem.

 

In memoriam de Manir de Godoy

 

Era uma vez um menino meio nômade,

Que vivia entre o interior e a cidade grande.

O pai morrera de gangrena.

A mãe costureira sustentava

Com esforço seis filhos:

Eupídio , Cássio, Dirce,

Tó, Manir e Iracema!

 

Vendedor de doces no cinema, engraxate,

Chegou a operário de fábrica de chocolate.

Nada fantástica era a vida desse guri,

Que vivia em um cortiço no Pari.

 

Mas tudo mudou no dia em que encontrou

As letrinhas de metal jogadas na calçada

Que formaram o primeiro poema

do menino sentado no meio fio.

As letrinhas graciosas eram

seu único brinquedo nas horas vagas.

 

Um dia o dono das letras o viu e chamou pra trabalhar.

Ali, sua formação interrompida continuaria.

O menino-operário da tipografia,

Montava admirado textos de poetas e aspirantes;

Panfletos dos primeiros socialistas do país

Que viviam gravitando a sua volta.

Com muito esforço, lia de Lobato e Verne

ao Príncipe Valente e Flash Gordon,

Assim foi se alfabetizando.

 

No cortiço sua mãe se arriscava,

Não levava desaforo pra casa!

Engajado na causa operária,

Começou a ler obras mais sisudas

Do que as que lera numa escola em Bragança.

 

Considerava sincero apenas o “cavaleiro da esperança”…

Por isso, aos 16, fugiu de casa e fundou

o PC em São João da Boa Vista.

Lá via filmes do Mazzaropi,

Dormia em carros alheios,

Tocava violino na praça…

 

Ps.: Por coincidência ou não eu também saí de casa aos 16 anos.

Um dia talvez eu consiga continuar, mas me falta inspiração no momento.

Jaraguá1968

Meu pai me contava que, quando eu era bebê, eu ria até perder o fôlego e ficavam todos com medo de eu sufocar de tanto rir por causa de uma brincadeira do meu irmãozinho Ibsen, que imitava o som das explosões das pedreiras próximas, falando: “Peleila: bum!”

Cervejas artesanais brasileiras obtêm reconhecimento internacional | Agência Brasil

•11 ago 2018 • Deixe um comentário

Vou procurar postar, de hoje me diante, informações positivas sobre o Brasil. Chega de escolher apenas notícias que nos rebaixam e só acabam com nossa autoestima! Chega de ter “complexo de vira-lata”, como nos descrevia Nelson Rodrigues para mostrar como nos rebaixamos diante de todos os outros países e dos estrangeiros. Chega dessa visão preconceituosa sobre nós mesmos pois incorporamos a visão racista e eurocêntrica sobre nós mesmos. Vamos divulgar o que o Brasil tem de melhor, mas ainda é desconhecido. Não estou falando de adotar um nacionalismo raso e sem críticas, mas sim de ter noção também de nossas coisas valorosas. Só assim seremos capazes de melhorar nossa vida e diminuir nossas mazelas. 

Godoy


O sucesso internacional de um estilo de cerveja cuja fórmula foi desenvolvida no Brasil é responsável pelo bom momento vivido pelas cervejarias artesanais no país. Desenvolvida por produtores de Santa Catarina a partir de um dos mais tradicionais estilos da Alemanha, a Berliner Weisse, a chamada Catharina Sour é a primeira receita tipicamente brasileira incluída no catálogo da Beer Judge Certification Program (BJPC).

Considerada uma das principais organizações mundiais de certificação de juízes cervejeiros, a BJPC publica um guia de estilos da bebida que serve de parâmetro para os produtores caseiros, artesanais e industriais. Com o reconhecimento da Catharina Sour, fabricantes de todo o mundo poderão inscrever seus produtos em concursos que julgam a qualidade da bebida. Em 2016, uma das primeiras cervejarias brasileiras a apostar na fórmula, a Blumenau, faturou uma medalha de prata no Prêmio Internacional de Cerveja da Austrália, uma das mais importantes competições da atualidade.

Para continuar a ler

via Cervejas artesanais brasileiras obtêm reconhecimento internacional | Agência Brasil

Relógio do Rosário

•8 ago 2018 • Deixe um comentário

Relógio do Rosário

Carlos Drummond de Andrade

Era tão claro o dia, mas a treva,
do som baixando, em seu baixar me leva

pelo âmago de tudo, e no mais fundo
decifro o choro pânico do mundo,

que se entrelaça no meu próprio chôro,
e compomos os dois um vasto côro.

Oh dor individual, afrodisíaco
sêlo gravado em plano dionisíaco,

a desdobrar-se, tal um fogo incerto,
em qualquer um mostrando o ser deserto,

dor primeira e geral, esparramada,
nutrindo-se do sal do próprio nada,

convertendo-se, turva e minuciosa,
em mil pequena dor, qual mais raivosa,

prelibando o momento bom de doer,
a invocá-lo, se custa a aparecer,

dor de tudo e de todos, dor sem nome,
ativa mesmo se a memória some,

dor do rei e da roca, dor da cousa
indistinta e universa, onde repousa

tão habitual e rica de pungência
como um fruto maduro, uma vivência,

dor dos bichos, oclusa nos focinhos,
nas caudas titilantes, nos arminhos,

dor do espaço e do caos e das esferas,
do tempo que há de vir, das velhas eras!

Não é pois todo amor alvo divino,
e mais aguda seta que o destino?

Não é motor de tudo e nossa única
fonte de luz, na luz de sua túnica?

O amor elide a face… Ele murmura
algo que foge, e é brisa e fala impura.

O amor não nos explica. E nada basta,
nada é de natureza assim tão casta

que não macule ou perca sua essência
ao contacto furioso da existência.

Nem existir é mais que um exercício
de pesquisar de vida um vago indício,

a provar a nós mesmos que, vivendo,
estamos para doer, estamos doendo.

Mas, na dourada praça do Rosário,
foi-se, no som, a sombra. O columbário

já cinza se concentra, pó de tumbas,
já se permite azul, risco de pombas.

Brooke-Shaden-2

ANDRADE, Carlos Drummond de. “Claro enigma”. In:_____Poesia completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2002.

O que é a loucura?

•7 ago 2018 • Deixe um comentário

“Loucura, eu penso, é sempre um extremo de lucidez. Um limite insuportável. Você compreende, compreende, compreende e compreende cada vez mais, e o que você vai compreendendo é cada vez mais aterrorizante – então você “pira”. Para não ter que lidar com o horror.” Caio Fernando Abreu

Particular 043

Anjo barroco

•31 jul 2018 • Deixe um comentário

Meu anjo,

Meu anjo barroco,

Tem cabeça mas não tem corpo.

Se não tem corpo, não tem coração.

Se não tem coração, não sente amor.

O que importa

Camille Claudel

Se não sente amor, já está morto.

 

“Pense positivo!”

•29 jul 2018 • Deixe um comentário

É Cândido pensar que basta pensar positivo pra tudo se resolver!

“Se algo vai mal, a culpa é sua porque não pensou positivo.”

“Se alguém te ferrou, a responsabilidade é toda sua porque é muito negativo e atrai coisa ruim.”

“Se você repetir 10.000 vezes que tudo vai dar certo, tudo dará certo porque o universo gira conforme a sua vontade.”

 

Mas e se a sua vontade for contrária à do seu vizinho, que também pensa positivo? A quem o Universo irá obedecer?

-A quem for o mais bonito!

 

Quando você, o inocente, pensar que  a sua cota de porrada nesta vida se esgotou, o “Destino” lhe gritará, como num comercial de facas guinsu, “Mas espere, tem mais!”

-Trabalho árduo pra quê?

-Lutas encarniçadas pra quem?

-Mudanças intestinas nem pensar!

-Melhor evitar conflitos!

-Não entre em pânico, meu amor, tudo é simples, tudo se resolve facilmente: basta pensar positivo!

Pensar positivo pode ajudar você sim…

Pensar positivo ajuda você a não entrar em desespero quando estiver fodido.

Ajuda a ter esperança de um dia sair da lama.

Ajuda a livrar a cara dos verdadeiros culpados de muitas tragédias.

Pensar positivo ajuda os autores dos livros de autoajuda.

Nada muda de verdade, só ajuda a aceitar passivamente todas as desgraças e, assim, continuar vivo.

Net heart

 

 

 

Escritor, eis a sua chance: 3ª Edição do Prêmio Kindle de Literatura – Anatomia da Palavra

•28 jul 2018 • Deixe um comentário

 

O Prêmio Kindle de Literatura é a oportunidade para você, aspirante a escritor, ter um livro publicado por uma grande editora! Aproveite essa chance!

via Escritor, eis a sua chance: 3ª Edição do Prêmio Kindle de Literatura – NML #02 — Anatomia da Palavra

O jogo dos mares de vidro

•26 jul 2018 • Comentários desativados em O jogo dos mares de vidro

 

Vidro_HOME

Venha viver meus perigos,

Venha provar minhas chagas

E lamber minhas feridas,

Que lhe darei um mar cristalino!

 

Estamos sedentos, estamos famintos.

Vamos aumentar nossos medos?

E queimar nossos ninhos?

 

Se você viver meus infernos,

Se você se tornar minha amante,

Se me venerar esta noite,

Farei, com mil olhos de vidro,

Ladrilhos pra você passear

Por tortuosos caminhos.

 

Godoy

 

Mini me

•19 jul 2018 • Deixe um comentário

O gato que ri.

A pedra que chora.

Agora, de tudo já vi!

O Portal da Vida e da Morte

•19 jul 2018 • Deixe um comentário

Poética de Botequim

Quando estava perdido, Tentando conciliar a dor e a alegria,

O corpo e o espírito,

Você e eu,

Soube que existe um lugar,

Um lugar onde há um portal,

O “Portal da Vida e da Morte”.

O portal que nos levará à Revolução tão esperada,

Quando, finalmente,

O claro e o escuro,

a pedra e a pluma,

o céu e a terra

Serão parte de um mesmo

Todo, sem se digladiar.

Mas onde o Portal da Vida e da Morte estará?

Só sei que é perto do “Ponto de Ouro de um Milhão”.

Esse é o segredo da vida, que há pouco intuí, mas nunca completo vi.

Montanha Tianmem, China

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Aqui

•10 jul 2018 • Deixe um comentário

Na pequena vargem mineira,

Não se veem nem anjos barrocos

Nem discos voadores nem alienígenas.

 

Retornando ao Vale, cinco pequenos pássaros atacaram um gavião na estrada.

Na antiguidade, diriam “esse é o sinal de que um poderoso

Será destronado pelo povo.”

 

Mas não, nada.

Para nós, os céus estão mudos.

E o único anjo é nosso amigo que quebrou suas Asas da Mantiqueira

Num coqueiro da praia.

 

Oramos para nosso céu, com mais estrelas,

Para nossos campos com mais flores

E só vemos o fogo de uma Geena

Que aos mais pobres condena.

Aqui, o véu nunca será rasgado?

Nem se verá a ira do cordeiro

Que, todo fim de ano, vira doloroso assado?

Aquele que é, que era e que vem, está há séculos atrasado,

mais uma triste prova de que Ele é mesmo um brasileiro!

O livro, aqui, é amargo na boca e no estômago também.

Todos, sem paz, foram pacificados e continuam repetindo amém.

 

Satanás (1)

11-2017

A limpeza étnica da Palestina

•15 maio 2018 • Deixe um comentário

Poética de Botequim

DANIEL AVELAR
DE SÃO PAULO
27/04/2017 07h00

Israel não conseguirá manter o sistema ideológico que o sustenta para sempre. Quem faz o prognóstico é o historiador israelense Ilan Pappé.

Estamos em uma encruzilhada: as pessoas em Israel sabem do que o país fez no passado e faz no presente, mas a maioria ainda aceita isso e parece não se importar”, afirma o historiador, para quem pressões externas e “novas gerações” provocarão mudanças em Israel.

Pappé, 62, é um dos principais nomes dos chamados “novos historiadores israelenses”, grupo que analisa criticamente os eventos que levaram à fundação do Estado de Israel, em 1948, a partir do estudo de arquivos militares mantidos em sigilo até a década de 1980.

Ele escreveu o livro “A Limpeza Étnica na Palestina”, no qual argumenta que houve um processo planejado de expulsão e massacre de milhares de palestinos que viviam no território que…

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Poesia III

•8 maio 2018 • Deixe um comentário

Recordando meu estado confuso de seis anos atrás.

Poética de Botequim

Jaraguá, exata 1980, de Evandro Carlos Martins

O espírito da poesia me acordou?

Ou escrevo para poder dormir?

Ou será que estou com fome?

Leite morno, biscoito Nestlè Classic Duo!

Calmantes conseguem explicar

E entender o que sentimos?

Só dá para identificar com

Certeza aquilo que dói

porque o pretérito imperfeito

é o meu tempo.

22 de novembro de 2012.

 

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À Síria

•5 maio 2018 • Deixe um comentário

Palmira, tuas palmeiras há muito não balançam ao vento!

O vento só traz até ti pó, cinzas, farelos

Que sobram das ambições de todos os tempos.

Culpada por demorar-te no meio do caminho.

 

Como tua irmã, anciã entre as localidades;

Lar dos fundadores da Acádia,

Essa coroa de fogo da deusa do amor e da guerra.

 

Alepo, algo mais nefasto que o mais nefasto

Dos terremotos perscruta teus filhos;

Sonda tuas antigas ágoras,

que viraram catedrais

que agora são mesquitas!

Em vão perguntas “por quem definho?”

 

Como tua vizinha Ebla, rocha branca,

Berço de onde partimos, nosso ninho!

Nem 5 milênios tanto dano causou a tua ancestral alegria.

Ser ruína de ruínas é teu destino?

 

Tua terra é a desejada de todas as gentes:

Persas, macedônios, romanos, árabes,

Bizantinos, cruzados, mongóis, mamelucos,

Turcos, franceses, ingleses,

Russos, estadunidenses.

Foi o que os ventos trouxeram a teus pés

E sobre tua cabeça, pobre Síria: louco desatino!

 

Lares divididos, subdivididos,

Todos somos teus descendentes.

Quebra-cabeças de venais interesses!

Joias deste Oriente, quem sentirá tua agonia?

Godoy

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Os aromas da cidade

•4 maio 2018 • Deixe um comentário
Campos 093

Maria Fumaça

Godoy

Na cidade que rescende à resina de araucária,

Delicados beija-flores duelam ferozmente

com os floretes de seus bicos.

Na cidade que exala a flor de cerejeira,

Os habitantes da construção holandesa,

adornada pelo jardim japonês, são nipônicos.

Na cidade que cheira a chocolate,

Coelhos assustados cruzam estradas;

Nuvens de algodão envolvem

casas, árvores, cabeças.

Marias-fumaça encorpam nuvens baixas

E evocam tempos antigos.

Na cidade que ostenta aroma de forno a lenha,

Barracos, pousadas, Palácios

nos lembram de coisas que nunca

existiram em seu tempo certo ali.

Telhados inclinados esperam

para sempre a neve que nunca virá.

Numa estrada da cidade que exala a cerveja feita a mão Baden Baden,

cai um homem…

Os montesinos não o socorrem.

Na cidade de pesadelos e sonhos,

Numa dança de aromas doces e acres,

Os enamorados se escondem.

 

Campos do Jordão, outubro de 2012.

Eduardo Galeano e a guerra na Síria: os EUA matam para roubar

•16 abr 2018 • Deixe um comentário

Cinesofia

Eduardo Galeano (Montevidéu, 3 de setembro de 1940 – Montevidéu, 13 de abril de 2015), quando vivo, era um farol de lucidez e inteligência abaixo dos trópicos. Jornalista de formação, escritor por ofício e vocação, conseguia escrever com muita aspereza e leveza sobre temas que nos acoçam enquanto latino americanos. Porque não se engane você; ter a pele clara, bochecha rosada, olhos verdes, ser bem nutrido, cabelos castanhos, boa escolaridade… nada disto te torna europeu. Talvez isto lhe incomode, mas se buscarmos a fundo em seu passado e antepassados é muito provável que encontremos um bisavô guarani kaiowá, uma tataravó escrava, ou, ainda pior, um antepassado capataz ou senhor de engenho. Eu pessoalmente prefiro ter minha biografia de vida marcada pelo açoite do que manchada pela mão que o segura. De qualquer forma, mesmo que só existam europeus nórdicos em sua família, se o seu local de nascimento for um…

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Cabeças trocadas

•10 mar 2018 • Deixe um comentário

No templo da deusa Kali, o odor doce e quente

De pus, sêmen, sangue não causou mais horror

Em Sita, o sulco, do que a imagem

De teus longilíneos ossos a estalarem,

Como gravetos secos no inverno, causou em mim!

As cabeças dos dois amigos rolando

Uma ao lado da outra, para saciar a onipresente,

Não têm par com  a imagem dos anelos

De teus cabelos molhados pelo  líquido rubro e espesso.

O fervor brutal que animou a espada no templo,

No entanto, é o mesmo que te elevou e levou!

Do teu talhe entalhado em pele resta

Agora o interrompido crânio  quase intacto.

Antes um David, agora um grotesco riso descarnado!

A que Deus sombrio foste imolado?

Em que pensavas?

Contra quem tenho blasfemado?

Nenhum, Nada, Ninguém!

O adiado ódio deste ato não tem para onde correr nem se manifesta.

Assim, o sagrado alimento, as águas, os campos se infectam com tuas cinzas.

kali

Som e fúria

•9 mar 2018 • 2 Comentários

Sound and fury

Macbeth:

“Tomorrow and tomorrow and tomorrow,
Creeps in this petty pace from day to day
To the last syllable of recorded time,
And all our yesterdays have lighted fools
The way to dusty death. Out, out, brief candle!
Life’s but a walking shadow, a poor player
That struts and frets his hour upon the stage
And then is heard no more: it is a tale
Told by an idiot, full of sound and fury,
Signifying nothing.”

Som e Fúria

 

Seyton:

A rainha, meu senhor, está morta.

Macbeth:

“Ela deveria ter morrido mais tarde. Teria havido uma hora para essa palavra. Amanhã, e amanhã, e amanhã
Arrastam-se nessa passada trivial do dia para a noite, da noite para o dia,
Até a última sílaba do registro dos tempos.
E todos os nossos ontens não fizeram mais que iluminar para os tolos
o caminho que leva ao pó da morte. Apaga-te, apaga-te, chama breve!
A vida não passa de uma sombra que caminha, um pobre ator
Que se pavoneia e se aflige sobre o palco –
Faz isso por uma hora e, depois, não se escuta mais sua voz:
É uma história contada por um idiota, cheia de som e fúria
Significando nada”.

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Conspiradores como os Macbeths caem mais cedo ou mais tarde.

Refugiados

•18 fev 2018 • Deixe um comentário

Você, que é tão erudito,

recite-me versos suaves, por piedade,

para recuperar de viver a vontade!

 

Você, você que é tão ajuizado,

Por misericórdia, me dite os santos escritos,

Nos templos ouvidos,

Para alimentar desgraçados proscritos!

 

Você, que é tão são,

por compaixão, reze-me uma oração

para alentar a quem vive ao relento;

a quem se negou a terra de onde tirar o sustento;

a quem nunca recuperou seu pródigo rebento.

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Meus olhos

•16 fev 2018 • 1 Comentário

 

Aainy, meus olhos!

Aainy, meu amado!

Meu olho d’água num deserto de humanidade!

Minha devoção, feito cachoeira, transborda e cai dos meus olhos,

Em você, meu lago translúcido, no oásis em que sempre vou beber,

Depois de atravessar estes ermos.

Beba, então, também estas águas

Porque elas o refrescarão do seu deserto.

Depois vamos rir juntos de tudo;

Vamos rir como só são capazes os loucos.

Não porque desconhecemos o mal,

E somos ingênuos, imaginando que tudo está certo,

Mas sim porque, em meio a girassóis e miosótis, estamos um no outro.

 

Feliz aniversário, Fernando!

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Pressagiando

•14 fev 2018 • Deixe um comentário

Thaís GM

Encontro fúnebre entre o Sim e o Não.

Não tarda a chacina dos lírios do campo.

Não tarda o terremoto a aplanar

A montanha do sermão.

 

Tranquilamente se torce a trama,

Caretas transidas de compaixão.

Treme e trança a turba agora enfurecida

Em espasmos convulsos e roucos.

Barafunda de iagos pisoteados

Por manada de unicórnios prata.

Sarabanda sacrossanta e temerária.

 

Queres ver os estilhaços dos vasos

Salpicados de esperanças?

Sabes que a prisão dá vida

Àquele que não tem para onde ir?

Nos prados, as presas dos gatos

Dominam o mundo pressagiando.

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“Corrupt” de Salvador Dali, ilustração da divina Comédia de Dante

 

Santa Maria

•8 fev 2018 • Deixe um comentário

Santa Maria, cheia de desgraças,

O horror é convosco.

Maldita sois vós dentre as cidades?

Vossas chamas nos consomem.

Os benditos frutos do vosso

Ventre tombaram prematuros.

 

Santa Maria, não rogueis por aqueles

Que zombam da ruína de vossos filhos.

Santa Maria, não rogueis por assassinos

Que desprezam a mocidade.

Santa Maria, não rogueis por carniceiros

que de sangue vivem sedentos.

 

Santa Maria, rogai por vossas mulheres

tão cheias de graça quanto vós!

Santa Maria, aplacai a dor dessas mães

na hora do beijo da morte que é agora.

Amém.

 

 

Thaís de Godoy Morais

 

Brinde A Baco

•8 fev 2018 • Deixe um comentário

Poemas inspirados na mitologia greco-romana.

Poética de Botequim

Brinde A Baco.

800px-William-Adolphe_Bouguereau_(1825-1905)_-_The_Youth_of_Bacchus_(1884) O Jovem Baco (1884), pintura de William-Adolphe Bouguereau

Ver o post original

Sonho de Verão

•27 jan 2018 • Deixe um comentário

Agora é verão,

Mas é primavera em meu coração!

Recolho safiras que caem dos céus.

Piso rubis que brotam pelas estradas.

Apanho esmeraldas espalhadas nos prados.

 

Douradas borboletas e libélulas,

Anjos de asas translúcidas,

Em meus ombros e braços vêm pousar.

 

À sua descuidada mãe, as devolvo.

Nos brilhantes cabelos, porém, duas ficam perdidas.

E, quando são descobertas,

De papel e espelho, tentam se disfarçar.

 

Thaís GM

 

Jacareí, 27 de janeiro de 2018

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Desfecho – São Sebastião

•20 jan 2018 • Deixe um comentário

São Sebastião – Continuação de Causos de família
Isaias ia ser removido para São Paulo, para o julgamento. Quando a colônia italiana de Bragança soube, se reuniu em peso na pequena estação para um linchamento. As autoridades, com muita dificuldade, escoltaram-no sob os gritos de assassino. A turba enfurecida se dependurou nos vagões tentando inutilmente virá-los.
Chegando à capital, o rapaz foi condenado à pena máxima. O tempo foi passando, mas a dor não: Maria Leiteira chorava dia e noite. Segundo diziam os que voltavam da capital, Isaias era torturado diariamente também: uma goteira pingava continuamente sobre sua cabeça. Isso é de enlouquecer.
Maria benzia crianças com quebranto, tornou-se a Maria Benzadeira. Quem sabe se, ajudando os mais necessitados, sua dor passaria, porém nada resolvia. Até que um dia ela teve um sonho muito vívido, uma comunicação. Seus dois filhos, Pedro e Nicola, vinham por uma longa estrada carregando dois baldes pesadíssimos cada um. Quando se aproximaram, andando com muita dificuldade, ela lhes perguntou o que era aquilo que levavam.
_São suas lágrimas. Vamos carregá-las até que pare de chorar por nós. Faça algo em nossa intenção que tudo passará.
A partir desse dia, 20 de janeiro, dia de São Sebastião, minha tataravó passou a pedir esmolas de casa em casa e a entregá-las a crianças carentes. Um dia Maria decidiu visitar Isaias na prisão. Ele pediu desculpas à mãe que perdoou o assassino de dois de seus filhos. Conta-se que ele, por bom comportamento, passou a ser muito querido na prisão onde tornou-se cozinheiro, mas nunca foi solto.
Para viver, ela passou a plantar verduras no seu quintal e vendê-las na feira. Maria Verdureira um dia falou que sabia o dia em que ia morrer. Meses antes falou ao sogro de sua neta Lúcia, Francisco Boccuzzi, que não queria ninguém triste em seu velório e ele, por ser muito divertido, deveria ser o encarregado de animar seu passamento.
Na data prevista, tomou banho, foi ao quintal e agradeceu-lhe pelo alimento nele gerado, escolheu suas roupas e um par de meias com as quais queria ser enterrada. Conforme havia previsto, no dia 6 de maio de 1947, Maria Caporrino Linardi deitou-se em sua cama e faleceu tranquilamente.

No velório, meu bisavô teve que beber muito para ser o palhaço da festa.

 

Thaís de Godoy

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Martírio de São Sebastião de Giuseppe Giorgetti, 1671.

 

Liberato

•13 jan 2018 • Deixe um comentário

Zeus, por favor, me cubra;
Por piedade me cubra com seu manto protetor no frio!
No calor me cubra com sua chuva refrescante.
Nas viagens me cubra com suas acolhedoras penas.
Por favor, por amor me proteja de toda a dor, de todo mal.
Senão juro, por Juno, enlouquecerei e sairei rumo ao Oriente desnudo
Até mil lobos me estraçalharem,
Como minhas seguidoras fizeram a Orfeu
Ou talvez não.

Talvez seja curado por Cybelle.
Talvez meu vinho embebede as turbas.
Talvez triunfe sobre Tebas,
Talvez fique e desfile pelas avenidas no carnaval
E crie o drama, a tragédia e a comédia.
Amém!

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A flor de Coleridge

•5 jan 2018 • Deixe um comentário

De Jorge Luis Borges

 

Em 1938, Paul Valéry escreveu: “a história da literatura não deveria ser a história dos autores e dos acidentes da sua carreira ou da carreira de suas obras, mas a história do Espírito como produtor ou consumidor de literatura”. Não era a primeira vez que o Espírito formulava essa observação; em 1844, na aldeia de Concord, outro de seus amanuenses havia anotado: “Dir-se-ia que uma única pessoa redigiu todos os livros que há no mundo; tamanha unidade central há entre eles que é inegável que sejam obra de um só cavalheiro onisciente” (Emerson: Essays, 2, VIII). Vinte anos antes, Shelley sentenciou que todos os poemas do passado, do presente e do porvir, são episódios ou fragmentos de um único poema infinito, erigido por todos os poetas do orbe (A Defence of Poetry, 1821).

 

Essas considerações (implícitas, naturalmente, no panteísmo) permitiriam um inacabável debate; eu, agora, as invoco para executar um modesto propósito: a história da evolução de uma ideia, através dos textos heterogêneos de três autores. O primeiro texto é uma nota de Coleridge; ignoro se este a escreveu ao final do século XVIII ou a princípios de XIX. Diz, literalmente:

“Se um homem atravessasse o Paraíso num sonho, e lhe dessem uma flor como prova de que havia estado ali, e se ao despertar ele encontrasse essa flor na sua mão… e então?”

Não sei o que pensará o leitor desta imaginação; eu a julgo perfeita. Usá-la como base para outras invenções felizes parece de antemão impossível; ela tem a integridade e a unidade de um terminus ad quem, de uma meta alcançada. Está claro que é assim; na ordem da literatura, como nas outras, não há ato que não seja coroação de uma infinita série de causas e manancial de uma infinita série de efeitos. Por trás da invenção de Coleridge está a geral e antiga invenção das gerações de amantes que pedem como prenda uma flor.

O segundo texto que apresentarei é uma novela que Wells esboçou em 1887 e reescreveu sete anos depois, no verão de 1894. A primeira versão intitulou-se The Chronic Argonauts (neste título abolido, chronic tem o valor etimológico de temporal); a definitiva, The Time Machine. Wells, nessa novela, dá continuidade e reforma uma antiquíssima tradição literária: a previsão de fatos futuros. Isaías vê a desolação da Babilônia e a restauração de Israel; Enéias, o destino militar de sua posteridade, os romanos; a profetisa da Edda Saemundi, a volta dos deuses que, depois da cíclica batalha em que nossa terra perecerá, descobrirão, jogadas no pasto de uma nova pradaria, as peças de xadrez com que anteriormente haviam jogado. O protagonista de Wells, à diferença desses espectadores proféticos, viaja fisicamente ao porvir. Volta cansado, empoeirado e machucado; volta de uma remota humanidade que se bifurcou em espécies que se odeiam (os ociosos eloi, que habitam em palácios dilapidados e em ruinosos jardins. os subterrâneos e nictalopes morlocks, que se alimentam dos primeiros); volta com as têmporas grisalhas e traz do porvir uma flor murcha. Esta é a segunda versão da imagem de Coleridge. Mais incrível do que uma flor celestial ou que a flor de um sonho é a flor futura, a contraditória flor cujos átomos agora outros lugares e ainda não se combinaram.

A terceira versão que comentarei, a mais trabalhada, é invenção de um escritor fartamente mais complexo do que Wells, embora menos dotado dessas agradáveis virtudes que é costume chamar de clássicas. Refiro-me ao autor de A humilhação dos Northmore, o triste e labiríntico Henry James. Este, ao morrer, deixou inconclusa uma novela de caráter fantástico, The Sense of the Past, que é uma variação ou elaboração de The Time Machine1. O protagonista de Wells viaja ao porvir num inconcebível veículo que avança ou retrocede no tempo como os outros veículos no espaço; o de James regressa ao passado, ao século XVIII, à força de compenetrar-se nesta época (os dois procedimentos são impossíveis, porém o menos arbitrário é o de James). Em The Sense of the Past, o nexo entre o real e o imaginativo (entre a atualidade e o passado) não é uma flor, como nas ficções anteriores; é um retrato que data do século XVIII e que misteriosamente representa o protagonista. Este, fascinado por essa tela, consegue trasladar-se à data em que a executaram. Entre as pessoas que encontra figura, necessariamente, o pintor; este o pinta com temor e com aversão, pois intui algo incomum e anômalo nessas feições futuras… James cria, assim, um incomparável regressus in infinitum, já que seu herói, Ralph Pendrel, se traslada ao século XVIII. A causa é posterior ao efeito, o motivo da viagem é uma das consequências da viagem.

Wells, verossimilmente, desconhecia o texto de Coleridge; Henry James conhecia e admirava o texto de Wells. Claro está que se é válida a doutrina de que todos os autores são um autor2, tais fatos são insignificantes. Rigorosamente falando, não é indispensável ir tão longe; o panteísta que declara que a pluralidade dos autores é ilusória encontra inesperado apoio no classicista, segundo o qual essa pluralidade importa muito pouco. Para as mentes clássicas, a literatura é o essencial, não os indivíduos. George Moore e James Joyce incorporaram em suas obras páginas e sentenças alheias; Oscar Wilde costumava presentear enredos para que outros executassem; ambas as condutas, embora superficialmente contrárias, podem evidenciar um mesmo sentido da arte. Um sentido ecumênico, impessoal… Outro testemunho da unidade profunda do Verbo, outro negador dos limites do sujeito, foi o insigne Ben Jonson, que empenhado na tarefa de formular seu testamento literário e os ditames propícios ou adversos que mereciam seus contemporâneos, limitou-se a combinar fragmentos de Sêneca, de Quintiliano, de Justo Lipsio, de Vives, de Erasmo, de Maquiavel, de Bacon e dos escalígeros.

Uma observação, última. Aqueles que minuciosamente copiam um escritor o fazem impessoalmente, o fazem porque confundem esse escritor com a literatura, o fazem porque suspeitam que apartar-se dele num ponto é apartar-se da razão e da ortodoxia. Durante muitos anos, cri que a quase infinita literatura estava num único homem. Esse homem foi Carlyle, foi Johannes Becher, foi Whitman, foi Rafael Cansinos-Asséns, foi De Quincey3.

Jorge Luis Borges, Otras Inquisiciones (1957)

De A Bacia das Almas, notas de Paulo Brado, 2011

NOTAS
1. Não li The Sense of the Past, mas conheço a suficiente análise de Stephen Spender, em sua obra The Destructive Element (páginas 105-110). James foi amigo de Wells; para sua relação se pode consultar o vasto Experiment in Autobiography deste.
2. Em meados do século XVII o epigramista do panteísmo Angelus Silesius disse que todos os bem-aventurados são um (Cherubinischer Wandersmann, V. 7), e que todo cristão deve ser Cristo (op. cit., V, 9).
3. Esse homem, naturalmente, nunca vai deixar de ser Borges. (Nota do tradutor)

Leitura ostentação

•23 dez 2017 • Deixe um comentário

Acabei de adquirir Crônica de um amor louco: ereções, ejaculações, exibicionismos – Parte I, do Bukowski. Exibicionismo é a cara da nossa era e não posso ficar de fora, então aí está. Não acredito que só agora resolvi ler sua obra. Vamos ver se é um livro “maldito” mesmo ou um maldito livro. É provável que seja as duas coisas. Já vou tomar um dramin antes, por via das dúvidas. Depois de ler, farei uma resenha, se alguém estiver interessado na obra do “Velho Safado”* ou na droga da minha opinião (já estou ficando com o jeitão dele).

*  Essa expressão maldosa não é minha, é como Bukowski ficou conhecido no meio literário.

Primeiro conto: A mulher mais linda da cidade

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Embriague-se

•3 dez 2017 • Deixe um comentário

Charles Baudelaire

É preciso estar sempre embriagado. Aí está: eis a única questão. Para não sentirem o fardo horrível do Tempo que verga e inclina para a terra, é preciso que se embriaguem sem descanso.

Com quê? Com vinho, poesia ou virtude, a escolher. Mas embriaguem-se.

E se, porventura, nos degraus de um palácio, sobre a relva verde de um fosso, na solidão morna do quarto, a embriaguez diminuir ou desaparecer quando você acordar, pergunte ao vento, à vaga, à estrela, ao pássaro, ao relógio, a tudo que flui, a tudo que geme, a tudo que gira, a tudo que canta, a tudo que fala, pergunte que horas são; e o vento, a vaga, a estrela, o pássaro, o relógio responderão: É hora de embriagar-se!

Para não serem os escravos martirizados do Tempo, embriaguem-se; embriaguem-se sem descanso. Com vinho, poesia ou virtude, a escolher.

27. vinho

 

Schaudenfrewde

•2 dez 2017 • Deixe um comentário

Schaudenfrewde

 

Com uma gilete na jugular,

O encanto acabou.

A euforia acabou.

Acabou-se a alegria.

Acabou-se a folia.

E tudo aquilo que poderia e deveria ter sido

_ por força de lei, por decreto, por magia legítima,

formando uma absoluta rima,

criando simetria onde antes havia uma metade distorcida

_ agora se suicida!

 

Godoy

Net heart

Net heart, Alcy de Godoy

 

Como é por dentro outra pessoa

•24 nov 2017 • Deixe um comentário

Fernando Pessoa

Como é por dentro outra pessoa
Quem é que o saberá sonhar?
A alma de outrem é outro universo
Como que não há comunicação possível,
Com que não há verdadeiro entendimento.

 
Nada sabemos da alma
Senão da nossa;
As dos outros são olhares,
São gestos, são palavras,
Com a suposição de qualquer semelhança
No fundo.

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Desaforismos de Oscar Wilde

•22 nov 2017 • Deixe um comentário

Penso que seria muito mais adequado chamar algumas tiradas de Wilde de “desaforismos”, visto que era um provocador, seu humor era uma embalagem para seus chistes.  Como ele próprio dizia, para não ser assassinado, deve-se dizer a verdade com um toque de humor.

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“Se soubéssemos quantas e quantas vezes as nossas palavras são mal interpretadas, haveria muito mais silêncio neste mundo.”

“Amar é ultrapassarmo-nos.”

“Há duas tragédias na vida: uma a de não satisfazermos os nossos desejos, a outra a de os satisfazermos.”

“A diferença entre a literatura e o jornalismo é que o jornalismo é ilegível e a literatura não é lida.”

“Toda a arte é completamente inútil.”

“A única maneira de nos livrarmos da tentação é ceder-lhe.”

“Se há no mundo alguma coisa mais irritante do que sermos alguém de quem se fala, é ninguém falar de nós.” Fonte – O Retrato de Dorian Gray

“Devia-se estar sempre apaixonado. É a razão pela qual nunca nos devíamos casar.”Fonte – Uma Mulher sem Importância

“Nenhum grande artista vê as coisas como realmente são. Caso contrário, deixaria de ser um artista.”Fonte – The Decay of Lying

“É absurdo dividir as pessoas em boas e más. As pessoas ou são encantadoras ou são aborrecidas.”Fonte – O Leque de Lady Windermere

“Há uma espécie de conforto na auto-condenação. Quando nos condenamos, pensamos que ninguém mais tem o direito de o fazer.”

“Nunca viajo sem o meu diário. É preciso ter sempre algo extraordinário para ler no comboio.”Fonte – A Importância de Ser Sério

“Aqueles que não fazem nada estão sempre dispostos a criticar os que fazem algo.”

Ho’oponopono

•15 nov 2017 • Deixe um comentário

أنا أحبك

يغفر لي

أنا آسف جدا

أنا ممتن

اهلا وسهلا

 

Mortal

•23 out 2017 • Deixe um comentário

Mortal

Num mundo paralelo, sei das sereias o canto pra te encantar.

Tenho a beleza de Vênus pra te seduzir;

A sabedoria e a castidade de Penélope pra te esperar;

as teias de Aracne pra te enlaçar;

e, pra te repetir, a fertilidade de Ceres.

 

Num mundo paralelo, sei os feitiços de Circe pra te enganar;

Tenho as asas de Pégaso pra te alcançar;

A coragem de amazonas para, por ti, lutar;

e, pra te defender, a fúria de Ares.

 

Mas neste mundo, sou uma simples Dulcineia camponesa.

Não tenho nenhum atributo em tão alto grau,

Mas uma parcela de tudo vive em mim,

Nas limitações de uma mortal.

12-07-2012

 

 

O grande equívoco de Jorge Luis Borges

•22 out 2017 • Deixe um comentário
Videla, Borges y Sábato - 1

Ditador Videla, Borges e Sábato, em um almoço em 1976, onde os convidados teriam expressado sua preocupação com escritores presos ou desaparecidos. Em 2012, Videla admitiu que foi responsável pela morte de 8000 pessoas.

É difícil imaginar o autor argentino como um rebelde, já que o senso comum acredita que ele era apenas um homem em sua biblioteca, um dândi alheio à política, em sua torre de marfim. Ele próprio dizia-se avesso à política e autodefiniu-se como um anarquista conservador.

Contudo, sua vida e suas escolhas polêmicas dizem o oposto. Borges foi diretor da Biblioteca Nacional entre 1955 e 1972. Por ser anti-peronista radical, o escritor foi demitido de seu cargo quando Perón assumiu seu terceiro mandato. Assim, os mais de 1000 livros doados de sua biblioteca pessoal para a Biblioteca Nacional foram “esquecidos” pelos funcionários peronistas e ficaram encaixotados por mais de 30 anos. Recentemente, uma busca tem revelado que outros livros foram doados por ele,  mas omitiram a identidade do doador. O autor “alienado” foi perseguido por suas posições políticas.

Borges tinha horror ao nazismo e às consequências da Segunda Grande Guerra. O guarda-costas de Evita Perón,  Otto Skorzeny havia sido o preferido de Hitler e de Mussolini. Otto auxiliou a fuga de vários nazistas para a Argentina com auxílio de Perón. Borges foi um forte opositor aos nazistas radicados na argentina que representavam, para ele, um perigo gravíssimo à comunidade judaica local. Por isso, Borges posicionou-se desastradamente a favor da ditadura na Argentina, acreditando que na época era a única alternativa ao peronismo. Além disso as perseguições, que sofreu por manifestar suas posições políticas em voz alta, causou uma ruptura irreconciliável com o governante populista.

Um almoço com o ditador Videla é o momento mais assustador de sua biografia, mas teria ele aprendido que a rebeldia não lhe valeria nada, apenas o desemprego? Condescendeu para não ter que fugir como outros escritores e poder escrever sem o bafo da censura em seu cangote? Foi ingênuo acreditando que dos males aquela Ditadura seria o menor? Ou foi arrivista? Enfim, só podemos constatar que a sociedade argentina não conseguiu pegar uma terceira via, criar opções políticas democráticas também por questões externas: o braço dos EUA e seu projeto para a América Latina.

No fim de sua vida, perguntaram-lhe que mensagem deixaria aos jovens, ele respondeu o seguinte: “Eu não soube administrar minha vida, então não posso dirigir a vida dos outros. Minha vida foi uma série de equívocos. Não posso dar conselhos. Ando um pouco à deriva. Quando penso no meu passado, sinto vergonha. Eu não transmito mensagens, os políticos transmitem mensagens.”

Sentiremos vergonha?

Contudo, a mensagem que podemos aprender desse terrível equívoco borgeano é o seguinte: no Brasil o ódio a certo partido político, tido como “populista”, pode nos levar ao pior dos pesadelos, já que temos assistido ao crescimento de um candidato com posicionamentos radicais, muito similares aos dos nazistas. Em seus comícios, tal candidato afirma que tornará o Brasil um país unicamente cristão e expulsará as minorias; Hitler também tentou eliminar todos os judeus ou qualquer um que fosse diferente do alemão típico, se é que isso existe. Este é Jair Bolsonaro que confessou ter recebido 200 milhões de reais em propina da JBS (dona da Friboi), além de ter planejado atentado contra o seu próprio quartel para falsamente acusar comunistas, na época em que era militar. Por isso foi expulso da corporação.

Teremos, então, uma teocracia, onde não  existirá mais o direito de professar sua fé livremente. Tal direito só pode ser defendido por um Estado laico que deveria proteger todas as religiões igualmente, inclusive o direito de não professar fé alguma. Nossa democracia, já rudimentar, está seriamente ameaçada, visto que a bancada evangélica ganha cada vez mais força, apelando para um pânico moralista ao invés de se ater às questões de interesse público que visem o bem comum. Corremos inocentemente para o abismo fazendo piadas, subestimando um homem perigoso, sem perceber que não há apanhadores no campo de centeio.

 

Godoy

Eurídice e Orfeu

•20 out 2017 • Deixe um comentário

Quando tudo parecia perdido

Quando tudo eram cinzas

E o mal do mundo invadia sua vida,

Não podia ver através de suas cicatrizes

Quanta luz havia fora de sua caverna.

O tempo parou e a poeira se acumulou sobre seus ombros

Como em mobília há muito esquecida

Porque você só desejava dormir.

 

Mas um dia a luz entrou por um engano:

Palavras que numa encruzilhada se desviaram do seu curso

Original por acaso

Um mal-entendido bom

Um mal-entendido bom o guiou até mim.

 

Orfeu enfim resgatado do abismo.

E bastou ver a luz do meu sorriso

E acreditar que eu precisava de você,

Mesmo sabendo que não.

Orfeu foi bom com a ninfa porque ela não olhou para trás.

Então, vários e antigos nós se desataram.

É o Universo recompensando por uma Temporada no Inferno?

O Tempo surgiu do Caos?

Nada sabe, só sabe que sorrir é resistir.

Morte-de-Orfeu

Morte de Orfeu

Preâmbulos

•6 jan 2013 • Deixe um comentário

 

Tenho que contar esta história, antes que seja tarde!

Antes que a pessoa que ma relatou não possa mais confirmar se acertei depois de tudo escrito. Como falta-lhe já a luz dos olhos, quero ler essa história para ela confirmar se escrevi direito.

Preciso contar, mesmo que ninguém leia depois; mesmo que ninguém a receba em seus ocupados ouvidos.Tão ocupados, que não podem parar tudo o que estão fazendo e ler uma simples história.

Simples nada! Esta história me arrepiou os cabelos, um frio correu minha espinha, por saber que era real e que aconteceu no seio de minha família. Embora seus protagonistas já estejam todos embaixo da terra e eu não os tenha conhecido, nunca pensei que havia tanto drama, tragédia, sangue e mortes horríveis em uma família a qual eu, por muito tempo, considerei pacata!

Há coisas que os parentes só revelam em último caso e, no meu caso, precisaram me contar esta história para torná-la um exemplo; contaram para que eu superasse a minha tragédia, vendo que existiam tragédias ainda piores e os sofredores envolvidos sobreviveram, portanto eu também seria capaz de sobreviver. Também para me educar e talvez para herdar uma tradição familiar que surgiu desta tragédia não-grega, mas ítalo-brasileira ou ítalo-bragantinha.

Sei lá, só sei que, neste  momento, tenho que contar e sairá tudo de qualquer jeito, sem nenhuma preocupação com a forma, porque se eu morrer enquanto estiver escrevendo esta história, os interessados (pelo menos dois, eu tenho certeza) poderão ler o esqueleto dela.

A tia de minha mãe, Tia duas vezes (ela era irmã de minha avó e casou-se com o irmão de meu avô, isto é, duas irmãs da família de Bellis se casaram com dois irmãos da Boccuzzi*) Maria de Bellis Boccuzzi, assim me contou a história de minha tataravó, Maria Caporrino Linardi, ou Maria Leiteira, como era conhecida:

Continuação: Caim e Abel

*Essa é outra história, que parece tirada do Livro das 1001 noites, mas é cheia de coincidências, ou sincronias reais fantásticas: A história das sete irmãs e um irmão e dos sete irmãos e uma irmã (ainda a ser redigida). αΩ

Maria leiteira

 

Flim

•16 set 2018 • Deixe um comentário

Jarid Arraes, Ellen Oléria, Sônia Sultante e as Sincronistas na Flim de São José dos Campos.

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