Além de minhas forças

•17 nov 2017 • Deixe um comentário

Além de minhas forças

 

Doce brisa trouxe até mim um pássaro canoro
Que coloriu meus dias amenos;
Que em minhas manhãs colocou um sorriso;
Que aspergiu vigor em meus membros
E aspirou de mim o cansaço.

 

Silêncio! Quero escutar sua serenata
Para embalar o meu sono sereno;
Elevar sobre mim meu espírito;
Fazê-lo pousar no meu braço.

 

Quero seu entusiasmo.
Quero seu sopro de vida divino,
Sua leveza, sua graça, seu brilho.
Sem querer, sob suas asas eu vivo!

aves exoticas 1

 

Ho’oponopono

•15 nov 2017 • Deixe um comentário

أنا أحبك

يغفر لي

أنا آسف جدا

أنا ممتن

اهلا وسهلا

 

Vício

•14 nov 2017 • Deixe um comentário
528px-Punishment_sisyph

Sísifo, de Ticiano, 1549

 

Sim, sempre tenho um vício.

Subscrevo, confesso, admito!

Sim, sou viciada, mas não naquilo que imagina o meritíssimo.

Mas sim em querer coisas que nunca existiram.

Viciada em fingir um poema para cada ser que gostaria de ser eterno:

 

Cada pequena folha que de uma árvore cai sem fazer alarde;

Cada música que em mim provoca um sentimento terno;

Cada cão sarnento que em minha rua late;

Cada carcaça cansada que em minha cama arde;

Cada cabeça que rola,  secando ao sol e esfriando ao relento…

 

É vício porque é inútil como trabalho de Sísifo.

Se me proponho a fazê-lo, porém, saia do meu caminho,

senão eu  ……………!

 

04-01-2013

Rocha

•9 nov 2017 • Deixe um comentário

_Tu, estátua, sonhas sonhos vãos:

Queres ser pluma…a rocha é tua sepultura.

 

Nem mesmo a espuma do mar, por séculos e séculos,

escavará nela desvãos, por onde a luz possa penetrar,

Até desabrochar o ser que no interior da pedra se produz.

 

24

Evolução

•8 nov 2017 • Deixe um comentário

ANTERO DE QUENTAL

Fui rocha em tempo, e fui no mundo antigo
tronco ou ramo na incógnita floresta?
Onda, espumei, quebrando-me na aresta
Do granito, antiquíssimo inimigo…

Rugi, fera talvez, buscando abrigo
Na caverna que ensombra urze e giesta;
O, monstro primitivo, ergui a testa
No limoso paul, glauco pascigo…

Hoje sou homem – e na sombra enorme
Vejo, a meus pés, a escada multiforme,
Que desce, em espirais, da imensidade…

Interrogo o infinito e às vezes choro…
Mas estendendo as mãos no vácuo, adoro
E aspiro unicamente à liberdade.

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Las manos de la protesta, de Oswaldo Guayasamín, 1968

Entrudo midiático, “show dos atrasados” é a nova jabuticaba brasileira

•6 nov 2017 • Deixe um comentário

Sadismo em relação a atrasados no Enem é filho direto da cobertura espetacularizada da imprensa, que agora retroalimenta essa implosão ética e estética

Por Alceu Luís Castilho (@alceucastilho)

entrudoEsse sadismo em relação aos atrasados do Enem é filho direto da dramatização irresponsável feita anualmente pelos veículos de imprensa. Ano a ano fomos vendo essa reprodução de imagens (fotógrafos e cinegrafistas invadindo as vidas dos estudantes, em nome da notícia-mercadoria), banalizando-as, até que pessoas suficientemente canalhas construíram o tal “show dos atrasados”.

O tema esteve entre os destaques mundiais do Twitter, no domingo. Com a ajuda da imprensa, consolida-se o hábito de zombar de quem chega atrasado no vestibular. O drama pessoal dos demais – um ano inteiro de estudos, os planos profissionais adiados – se torna apenas um motivo para diversão. Uma diversão baseada na humilhação. Em São Paulo, em Porto Alegre, os sádicos se multiplicam.

Difícil imaginar muitas outras coisas que ilustrem o momento de implosão ética em que vivemos no Brasil. E nesse caso temos de falar de Brasil, sim. Podem mudar aquele chavão do “país das jabuticabas”, a fruta a ilustrar nossas características únicas. Somos o país do “show dos atrasados” – de gente abjeta que se orgulha dessa condição, da naturalização da psicopatia como comportamento social. Do orgulho da boçalidade.

A SOCIEDADE BRUTA E O JORNALISMO BUFO

Os pauteiros sem imaginação (ou conformados com diretrizes toscas de seus patrões) construíram parte dessa narrativa durante décadas. Evadiram choros, rostos desesperados. No limite do grotesco. Essa invasão foi e é também uma invasão estética, um atentado simultâneo ao bom gosto e à compaixão. Os psicopatazinhos não sabem, mas foram gestados por essa era de reprodutibilidade do constrangimento.

enem-camarote

Estamos diante de uma sociedade bruta acorrentada a um jornalismo bufo, ambos a exibir seus simulacros de dentes, suas bocas arreganhadas cheias de desprezo, seus cérebros deformados e seu coração exibicionista. Regride-se porque alguém apontou para esse caminho antes, não apenas porque 200 – ou 2 milhões de – imbecis tiveram a ideia “genial” de troçar da desgraça alheia.

(Nunca isoladamente, claro. Não fariam isso sozinhos. Pois são covardes. O movimento é de massa. Atos que esses jovens não fariam individualmente são feitos sob a blindagem da “festa popular”. E das redes sociais.)

ZOMBETEIROS NEM ORIGINAIS SÃO

E agora chegamos àquela parte onde o pai homenageia o filho – dando a ele cobertura. Só que o “show dos atrasados” não é o filho, é o pai. A imprensa já fazia esse show, os filhos fiéis (e não degenerados, portanto) somente embaralharam os sentimentos que já eram espetacularizados. Essas tristes faces que vemos zombando dos atrasados, portanto, nem originais são, são variações em torno da mesma falta de horizontes.

Como uma manchete do Notícias Populares dos anos 90, feita por jornalistas cínicos: “Retalhou a orelha do aluninho”. Sobre um crime cometido por uma professora. Qual a diferença em relação ao sadismo atual? A institucionalização e o singelo fato de que profissionais da comunicação deveriam estar entre os primeiros a promover direitos elementares. Hoje retratam os que zombam, emprestam a eles seus 15 segundos de curtidas.

Os sorrisos e gargalhadas não são sorrisos e gargalhadas, são contrações faciais parentes das mesmas contrações faciais protocolares de antes. A empatia anterior não era exatamente autêntica. Podia até mobilizar empatias autênticas, mas era uma farsa. Os novos cafajestes apenas capturaram esse desprezo no ar e o transformaram em carnaval. É o bloco na rua que eles têm para hoje.

LEMBRAM-SE DE BONINHO?

enem-boninho

Como se estivéssemos assistindo a um entrudo, um entrudo midiatizado. Qualquer semelhança com Boninho atirando ovos em pedestres não será mera coincidência. Engana-se quem pensa que os vestibulandos atrasados são as únicas vítimas. Somos todos nós, os que vivemos sob a órbita dessa mentalidade regressiva. Do jeito que vai teremos de lutar com clavas contra ela, até que o último portão da caverna nos separe.

A uma mulher amada

•27 out 2017 • Deixe um comentário
Poemas de Safo de Lesbos

Safo, de Gabriel Rossetti

A uma mulher amada

Safo

Ditosa que ao teu lado só por ti suspiro!
Quem goza o prazer de te escutar,
quem vê, às vezes, teu doce sorriso.
Nem os deuses felizes o podem igualar.
Sinto um fogo sutil correr de veia em veia
por minha carne, ó suave bem querida,
e no transporte doce que a minha alma enleia
eu sinto asperamente a voz emudecida.
Uma nuvem confusa me enevoa o olhar.
Não ouço mais. Eu caio num langor supremo;
E pálida e perdida e febril e sem ar,
um frêmito me abala… eu quase morro… eu tremo!

Safo (Σαπφώ), em “Eros, tecelão de mitos: a poesia de Safo de Lesbos”. [organização e tradução Joaquim Brasil Fontes Júnior]. São Paulo: Estação Liberdade, 1991.

À Palestina

•26 out 2017 • Deixe um comentário

À Palestina,

o sangue, que jorra das veias de seu povo,
É esquecido, é ignorado.
Até quando fingiremos que tudo é normal?
Até quando viraremos as costas àqueles que sofrem
de um grande mal?

“Assim caminha a humanidade”, uns dizem.
Outros permanecem calados,
Enquanto seus filhos se esquivam da morte sem
Saber se seus passos serão lembrados.
Todos eles serão só números quantificados?
Alguns ainda virarão dissertação ou teses de doutorado,
Mas sem nome, sem lar
Nem água nem chão,
Todos seus filhos serão
prisioneiros em seu próprio torrão?
E todos nós sem a vergonha de deixar
que isso aconteça a um irmão?
11-07-À Palestina,2012

 

Mortal

•23 out 2017 • Deixe um comentário

Mortal

Num mundo paralelo, sei das sereias o canto pra te encantar.

Tenho a beleza de Vênus pra te seduzir;

A sabedoria e a castidade de Penélope pra te esperar;

as teias de Aracne pra te enlaçar;

e, pra te repetir, a fertilidade de Ceres.

 

Num mundo paralelo, sei os feitiços de Circe pra te enganar;

Tenho as asas de Pégaso pra te alcançar;

A coragem de amazonas para, por ti, lutar;

e, pra te defender, a fúria de Ares.

 

Mas neste mundo, sou uma simples Dulcineia camponesa.

Não tenho nenhum atributo em tão alto grau,

Mas uma parcela de tudo vive em mim,

Nas limitações de uma mortal.

12-07-2012

 

 

O grande equívoco de Jorge Luis Borges

•22 out 2017 • Deixe um comentário
Videla, Borges y Sábato - 1

Ditador Videla, Borges e Sábato, em um almoço em 1976, onde os convidados teriam expressado sua preocupação com escritores presos ou desaparecidos. Em 2012, Videla admitiu que foi responsável pela morte de 8000 pessoas.

É difícil imaginar o autor argentino como um rebelde, já que o senso comum acredita que ele era apenas um homem em sua biblioteca, um dândi alheio à política, em sua torre de marfim. Ele próprio dizia-se avesso à política e autodefiniu-se como um anarquista conservador.

Contudo, sua vida e suas escolhas polêmicas dizem o oposto. Borges foi diretor da Biblioteca Nacional entre 1955 e 1972. Por ser anti-peronista radical, o escritor foi demitido de seu cargo quando Perón assumiu seu terceiro mandato. Assim, os mais de 1000 livros doados de sua biblioteca pessoal para a Biblioteca Nacional foram “esquecidos” pelos funcionários peronistas e ficaram encaixotados por mais de 30 anos. Recentemente, uma busca tem revelado que outros livros foram doados por ele,  mas omitiram a identidade do doador. O autor “alienado” foi perseguido por suas posições políticas.

Borges tinha horror ao nazismo e às consequências da Segunda Grande Guerra. O guarda-costas de Evita Perón,  Otto Skorzeny havia sido o preferido de Hitler e de Mussolini. Otto auxiliou a fuga de vários nazistas para a Argentina com auxílio de Perón. Borges foi um forte opositor aos nazistas radicados na argentina que representavam, para ele, um perigo gravíssimo à comunidade judaica local. Por isso, Borges posicionou-se desastradamente a favor da ditadura na Argentina, acreditando que na época era a única alternativa ao peronismo. Além disso as perseguições, que sofreu por manifestar suas posições políticas em voz alta, causou uma ruptura irreconciliável com o governante populista.

Um almoço com o ditador Videla é o momento mais assustador de sua biografia, mas teria ele aprendido que a rebeldia não lhe valeria nada, apenas o desemprego? Condescendeu para não ter que fugir como outros escritores e poder escrever sem o bafo da censura em seu cangote? Foi ingênuo acreditando que dos males aquela Ditadura seria o menor? Ou foi arrivista? Enfim, só podemos constatar que a sociedade argentina não conseguiu pegar uma terceira via, criar opções políticas democráticas também por questões externas: o braço dos EUA e seu projeto para a América Latina.

No fim de sua vida, perguntaram-lhe que mensagem deixaria aos jovens, ele respondeu o seguinte: “Eu não soube administrar minha vida, então não posso dirigir a vida dos outros. Minha vida foi uma série de equívocos. Não posso dar conselhos. Ando um pouco à deriva. Quando penso no meu passado, sinto vergonha. Eu não transmito mensagens, os políticos transmitem mensagens.”

Sentiremos vergonha?

Contudo, a mensagem que podemos aprender desse terrível equívoco borgeano é o seguinte: no Brasil o ódio a certo partido político, tido como “populista”, pode nos levar ao pior dos pesadelos, já que temos assistido ao crescimento de um candidato com posicionamentos radicais, muito similares aos dos nazistas. Em seus comícios, tal candidato afirma que tornará o Brasil um país unicamente cristão e expulsará as minorias; Hitler também tentou eliminar todos os judeus ou qualquer um que fosse diferente do alemão típico, se é que isso existe. Este é Jair Bolsonaro que confessou ter recebido 200 milhões de reais em propina da JBS (dona da Friboi), além de ter planejado atentado contra o seu próprio quartel para falsamente acusar comunistas, na época em que era militar. Por isso foi expulso da corporação.

Teremos, então, uma teocracia, onde não  existirá mais o direito de professar sua fé livremente. Tal direito só pode ser defendido por um Estado laico que deveria proteger todas as religiões igualmente, inclusive o direito de não professar fé alguma. Nossa democracia, já rudimentar, está seriamente ameaçada, visto que a bancada evangélica ganha cada vez mais força, apelando para um pânico moralista ao invés de se ater às questões de interesse público que visem o bem comum. Corremos inocentemente para o abismo fazendo piadas, subestimando um homem perigoso, sem perceber que não há apanhadores no campo de centeio.

 

Godoy

Eurídice e Orfeu

•20 out 2017 • Deixe um comentário

Quando tudo parecia perdido

Quando tudo eram cinzas

E o mal do mundo invadia sua vida,

Não podia ver através de suas cicatrizes

Quanta luz havia fora de sua caverna.

O tempo parou e a poeira se acumulou sobre seus ombros

Como em mobília há muito esquecida

Porque você só desejava dormir.

 

Mas um dia a luz entrou por um engano:

Palavras que numa encruzilhada se desviaram do seu curso

Original por acaso

Um mal-entendido bom

Um mal-entendido bom o guiou até mim.

 

Orfeu enfim resgatado do abismo.

E bastou ver a luz do meu sorriso

E acreditar que eu precisava de você,

Mesmo sabendo que não.

Orfeu foi bom com a ninfa porque ela não olhou para trás.

Então, vários e antigos nós se desataram.

É o Universo recompensando por uma Temporada no Inferno?

O Tempo surgiu do Caos?

Nada sabe, só sabe que sorrir é resistir.

Morte-de-Orfeu

Morte de Orfeu

Orfeu e Eurídice

•15 out 2017 • Deixe um comentário

Quando tudo parecia perdido

Quando tudo eram cinzas

E o mal do mundo invadia minha vida,

Não podia ver através de minhas cicatrizes

Quanta luz havia fora de minha caverna.

O tempo parou e a poeira se acumulou sobre meus ombros

Como em mobília há muito esquecida

Porque eu só desejava dormir.

 

Mas um dia a luz entrou por um engano:

Palavras que numa encruzilhada se desviaram

do seu curso original por acaso

Um mal-entendido bom

Um mal-entendido bom

Um mal-entendido bom me guiou até você.

 

E bastou ver a luz do seu sorriso

E acreditar que precisava de mim,

Mesmo sabendo que não.

A vestal foi boa com Orfeu porque ele não olhou pra trás.

Eurídice enfim resgatada do abismo.

 

Então, vários nós se desataram.

É o Universo recompensando por uma Temporada no Inferno?

O Tempo surgindo do Caos?

Nada sei, só sei que sorrir é resistir.

orfeu-e-euridice

Auguste Rodin, Orpheus and Eurydice, 1893.

Feliz dia das crianças!

•12 out 2017 • Deixe um comentário

“Carece de ter coragem”

In memoriam de Faris Odeh, morto com apenas 13 anos, no dia 8 de novembro de 2000, por um sniper israelense

Sempre repetia minha madrinha: “O medo não é de Deus”

Olhos arregalados, completava ainda:

“O medo é a ausência de fé em Deus. Falta de uma fortaleza interna.”

Mesmo que minha fé me abandonasse vez ou outra, quando conseguia

Reconhecer minha covardia, lembrava: “O medo não é de Deus!”

Tememos muitas coisas: “Hesito, logo existo” é o bordão modernizado,

Por isso nos surpreende o gesto heroico.

Num átimo, o ser não duvida de nada.

Não duvida do que tem de fazer imediatamente,

Mesmo que isso seja irracional

Mesmo que isso seja loucura

Porque naquele instante,

Mesmo o mais vacilante,

passa a ter certeza do que deve, precisa e deseja fazer.

Ergue-se nele aquela fortaleza.

De onde ela vem?

Nem sempre da fé em um Deus,

Mas simplesmente da fé.

Fé na mudança

Fé no fim da injustiça

Fé em si mesmo

Fé em poder mudar o mundo.

Mesmo que seja apenas um menino e sua única arma, uma ingênua pedra

diante de um tanque,

diante de toneladas de ferro,

diante  de incalculável ódio

E, finalmente, diante do Medo.

“Carece de ter coragem”

Estrela da Manhã

•7 out 2017 • Deixe um comentário

Estrela da Manhã

por Manuel Bandeira

Eu quero a estrela da manhã

Onde está a estrela da manhã?

Meus amigos meus inimigos

Pocurem a estrela da manhã

Ela desapareceu ia nua

Desapareceu com quem?

Procurem por toda parte

 

Digam que sou um homem sem orgulho

Um homem que aceita tudo

Que me importa? Eu quero a estrela da manhã

 

Três dias e três noites

Fui assassino e suicida

Ladrão, pulha, falsário

 

Virgem mal-sexuada

Atribuladora dos aflitos

Girafa de duas cabeças

Pecai por todos pecai com todos

 

Pecai com os malandros

Pecai com os sargentos

Pecai com os fuzileiros navais

Pecai de todas as maneiras

 

Com os gregos e com os troianos

Com o padre e com o sacristão

Com o leproso de Pouso Alto

 

Depois comigo

 

Te esperarei com mafuás novena cavalhadas comerei terra e direi coisas de uma ternura tão simples

Que tu desfalecerás

Procurem por toda parte

Pura ou degradada até a última baixeza

Eu quero a estrela da manhã.

manuel-bandeira

 

 

A vida

•23 set 2017 • Deixe um comentário

“A vida é uma tragédia quando vista de perto, mas uma comédia quando vista de longe.” Charlie Chaplin

Chaplin

Elixir dos Gnósticos: a existência da alma humana em Mullā Ṣadrā

•14 set 2017 • Deixe um comentário

Resumo da dissertação de Mestrado de Nathalia Novaes Alves, sob orientação de Michel Attie Filho e defendida no Departamento de Letras Orientais da Universidade de São Paulo (USP)

            Figura-chave da chamada “Escola de Isfahān”, Mullā Ṣadrā (979 H. / 1571-2 d.C ) ocupou papel de destaque durante a renascença safávida do reinado de Abbās I (d. 1039/1629). Acredita-se ter sido ele o principal responsável por revitalizar a filosofia da iluminação de Sūhrawardi naquele contexto, além de consolidar a junção entre sufismo e neoplatonismo. Foi responsável, ainda, pela elaboração de metodologia própria para a compreensão da realidade, tendo por base fontes filosóficas, teológicas e místicas, além de mesclar raciocínio lógico, inspiração espiritual e meditação profunda. Ṣadrā aplicou tal metodologia às principais obras da tradição xiita duodécima. Do ponto de vista filosófico, Ṣadrā percebe o conceito aristotélico de “substância” como processo, em constante mudança; nesse aspecto, o filósofo aproxima-se da leitura de traço neoplatônico, já presente em al-Fārābī e Ibn Sīnā. O modo como Ṣadrā relaciona as noções de “essência” e “existência” deu novas feições à discussão metafísica de tradição árabe-islâmica. Em sua doutrina, Ṣadrā acaba por transformar a metafísica construída a partir da primazia das substâncias, como elemento primordial da existência, em outra, fundada e movida por atos de existência. Apesar de perpassar esses e outros temas, a principal contribuição d’O Elixir dos Gnósticos diz respeito à ênfase do autor no autoconhecimento. Como Ibn Ἁrabī, Ṣadrā acredita que o conhecimento da alma / nafs – ou seja, o conhecimento de si mesmo – e o conhecimento de Deus estão interligados. Por esse motivo, o presente trabalho se preocupou principalmente em analisar a relação entre os existentes, a alma e a inteligência primeira, pois é a partir dessa relação que se torna possível vislumbrar e compreender as questões fundamentais da origem e do retorno à fonte doadora de existência. Do ponto de vista histórico, vale destacar que à fundação do império safávida acompanhou-se a conversão em massa da população ao xiismo. Para responder à demanda por instrução da multidão de novos convertidos – e igualmente firmar as bases da nova religião oficial -, grande número de religiosos foi trazido de áreas xiitas respeitadas pela doutrina e pela ortodoxia, tais como Líbano e Iraque. Esse clero árabe recém chegado, que teve Ṣadrā como herdeiro, foi responsável por incorporar novos elementos ao pensamento religioso vigente em terras persas e, assim, conformar ambiente propício para o desenvolvimento do pensamento filosófico de Ṣadrā.

Para ler a dissertação:  http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8159/tde-12052015-101441/pt-br.php

Entrance_of_Mulla_Sadra's_House_in_Kahak_Qom

A porta de entrada da casa, onde Mulla Sadra costumava viver durante o seu exílio em Kahak. Há uma frase acima da porta escrita em persa que diz “A casa do sábio, Mulla Sadra”.

Incubus

•12 set 2017 • Deixe um comentário

Incubus

No vale, uma sombra esgueira-se pelo silencioso jardim,

Passa diante da solitária janela  do campo.

 

Do indefeso corpo cansado de colher

O sono logo se apossa.

 

A inocência do repouso perturbada.

Vitalidade dragada à exaustão.

Espírito de satisfação sedento e preso sob o peso

De encantos enganosos

De deleites incertos

De horripilante prazer,

Num diabólico festim.

 

Thaís GM

Incubus

Mulher dormindo

O Dedo do meio de Deus

•12 jul 2017 • Deixe um comentário

Deus é brasileiro!

Temos seu dedo para provar.

Teremos o dedo do meio de Deus

Até o fim dos tempos?

Tanta beleza e destruição

desses exuberantes templos

Esculpidos em pedra!

O Paquequer em degradação.

Os descendentes de Ceci e Peri

pendurados nos morros

bem próximos à Granja Comari…

O zunido de helicópteros abafa o de mosquitos.

A Casa da Cultura às margens do rio serpente cercada de curumins, pipas, lixo e sorrisos, apesar de tudo.

Von Martius e seus livros foram esquecidos.

Emboloram mais e mais a cada nuvem que passa por esses picos.

A floresta se vinga das pessoas erradas, avançando sobre quem a amou e recuando diante dos inimigos!

Fomos amaldiçoados e proscritos?

Vivemos uma constante comédia de erros.

Nada é o que parece.

Complexo_Dedo_de_Deus_Bruno_Nepomuceno

TGM

 

 

 

 
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