08 de Dezembro de 1930: Se suicida Florbela Espanca – poetisa e anarquista

•12 dez 2017 • Deixe um comentário

IEL - Instituto de Estudos Libertários

“Sou pagã e anarquista, como não poderia deixar de ser uma pantera que se preza …”

Florbela Espanca

Em 8 de Dezembro de 1930, Florebela Espanca se suicida. A poetisa e anarquista nasceu e viveu em Portugal, no dia de hoje fazem 87 anos de sua morte. A IEL e o site anarcopunk.org vem prestar sua pequena homenagem a Florbela com algumas de suas poesias.

Volúpia

No divino impudor da mocidade,
Nesse êxtase pagão que vence a sorte,
Num frémito vibrante de ansiedade,
Dou-te o meu corpo prometido à morte!

A sombra entre a mentira e a verdade…
A núvem que arrastou o vento norte…
— Meu corpo! Trago nele um vinho forte:
Meus beijos de volúpia e de maldade!

Trago dálias vermelhas no regaço…
São os dedos do sol quando te abraço,
Cravados no teu peito como lanças!

E do meu corpo os leves arabescos
Vão-te envolvendo em círculos…

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Duas notas sobre a Palestina

•11 dez 2017 • Deixe um comentário

MATERIALISMO HISTÓRICO E GEOGRÁFICO

Deixo abaixo duas notas que fiz em minha página do facebook sobre a Palestina.

Sobre a “questão palestina”

Apenas acordo e, viciadíssimo nas redes sociais, abro a página do facebook onde encontro um post da “Eurasia – Rivista di Studi Geopolitici”, divulgando um número especial sobre a Palestina (edição n. 2, 2009). Nada mal, sabendo usar, até que as redes sociais podem contribuir para o nosso esclarecimento acerca deste “mundo grande e terrível”.

Único texto livre de pagamento, o editorial (Palestina, Provincia d’Eurasia) é bastante completo, até mesmo em termos de reconstituição histórica, e logo me põe a conhecer dados demográficos realmente aterradores. Vamos a eles.

Em 1880 a comunidade judaica na Palestina — que por esta época era uma estável província do Império Otomano, gozando mesmo de um importante desenvolvimento econômico, social e cultural — era de apenas cerca de 24 mil indivíduos; de 1880 a 1908 passa…

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Alunos de escolas públicas do Estado de São Paulo viram cobaias em experimento social

•9 dez 2017 • Deixe um comentário

Para especialistas, projeto de Alckmin estabelece relação perde-perde: perdem estudantes, perde o Estado imobilizado por quatro anos. Só não perdem banqueiros e suas assessorias educacionais.

A Secretaria da Educação do Estado de São Paulo (SEE-SP) abriu consulta pública sobre uma proposta de privatização parcial da gestão de 61 escolas em áreas de vulnerabilidade na região metropolitana da cidade de São Paulo, o chamado Contrato de Impacto Social (CIS). Anunciada com pompa e circunstância, a proposta de Parceria Público-Privada do governo paulista traz a pérfida novidade de transformar os estudantes da rede estadual em cobaias de experimentos empresariais.

O CIS foi pensado por uma coalizão formada por BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), o Banco Mundial, a ONG britânica Social Finance e o Insper, este com o braço de consultorias Insper Metricis, além da própria SEE-SP. A ideia é contratar, via licitação, pessoa jurídica – com ou sem fins lucrativos – que, ao final dos quatro anos de implementação da política, reduza em 7% as taxas de reprovação nas 61 escolas estaduais contempladas, sem redução da nota no Saresp (o Sistema de Avaliação do Rendimento Escolar do Estado de São Paulo), em comparação com outras 61 escolas de perfil semelhante que comporão o “grupo de controle”.

O agente privado será pago por resultados intermediários (25% em cada avaliação de progresso) e final (50% do valor), podendo receber até R$ 17,7 milhões pelo serviço. Na equipe de trabalho sugerida na minuta de Edital, consta, além da estrutura privada de administração e coordenação do projeto, a contratação terceirizada de coordenadores pedagógicos e educadores para as 61 escolas contempladas, que serão os responsáveis pela implementação do programa. Às 61 escolas do “grupo de controle” nenhum centavo de novos recursos é destinado. Para participar da concorrência é preciso comprovar o “bom desempenho anterior na gestão de serviços educacionais na educação básica que tenham envolvido 5.400 (cinco mil e quatrocentos) alunos” e um capital mínimo de R$ 1,7 milhão. Além disso, ao ganhador é permitido subcontratar boa parte dos serviços a serem ofertados.

Embora o documento mencione as altas taxas de evasão e reprovação escolar e os baixos índices de proficiência no Ensino Médio, supostos alvos da nova política, a série histórica de programas de educação “inovadores” implantados pelos governos do PSDB desde os anos 1990 em São Paulo se apoia em orientações de braços sociais de corporações privadas desde há muito. Tais programas, longe de enfrentarem o problema da qualidade da escola pública, têm aumentado o fosso das desigualdades educacionais no estado. A leitura da proposta de Edital nos leva a questionar em que medida reduzir a evasão escolar e melhorar o desempenho no Ensino Médio são de fato as preocupações da nova política. Pois, por “impacto social”, compreende-se a realização de investimentos que criem “estímulos econômicos para que o mercado invista em atividades com potencial de gerar ganhos sociais relevantes e que, ao mesmo tempo, sejam capazes de gerar retorno financeiro para os investidores”. Em outras palavras, trata-se de alienar os direitos sociais e as responsabilidades do Estado com a educação em um generoso balcão de negócios, formalizando a sujeição da educação pública à lógica da venture philantropy (filantropia de risco).

Cobaias escolares

O CIS se baseia no que, no campo de políticas públicas, denomina-se “avaliação de impacto social”. No caso em questão, estamos tratando de políticas educacionais e, portanto, de escolas públicas, de profissionais da educação e de estudantes.

A SEE-SP elegerá 122 unidades escolares com alto grau de evasão e baixo rendimento escolar entre alunas e alunos. Elas serão divididas em dois grupos de 61 escolas: as “escolas de tratamento” – gerenciadas pelo agente privado selecionado – e as “escolas de controle” – aquelas que não receberão as intervenções, mantendo-se no conjunto de políticas oferecidas pelo Estado -. Assim, para cada escola de tratamento haverá uma escola de controle. O objetivo é demonstrar, pelo contraste entre as escolas “pareadas”, o diferencial do desempenho das novas políticas de gestão escolar.

Dessa forma, o Estado de São Paulo contratualiza melhorias para 61 escolas em situação de vulnerabilidade e exclui, de forma deliberada, outras 61 unidades na mesma condição. E se o Estado decidisse assegurar às escolas do grupo de controle iguais condições na “disputa”? E se investisse em seus projetos político-pedagógicos, nas melhorias das condições de gestão, igualmente com a contratação de supervisores e educadores adicionais que trabalhariam para reduzir as taxas de reprovação e evasão? Estaria violando o contrato ao interferir no “grupo de controle”?

Amplamente utilizadas em estudos de estatística causal com dados públicos – muitos deles problemáticos, por sinal -, as técnicas de “pareamento” (matching) servem para mimetizar uma situação experimental que seria impossível de realizar na prática, por razões de ética científica. Pois a SEE-SP manda a ética às favas, e propõe realizar o irrealizável: um experimento social usando como cobaias os estudantes de sua própria rede de ensino. É inconstitucional e ilegal porque deliberadamente aspira produzir desigualdades, em sentido literalmente contrário aos objetivos do Estado e do ensino (Constituição, Art. 3º e Art. 206, I).

Só uma mentalidade tecnocrática obtusa pode desconsiderar a gravidade que é leiloar as vidas de milhares de estudantes, tornados cobaias da “engenharia social” de bancos, institutos empresariais e think tanks sem escrúpulos. Além de ilegal e imoral, é sinal dos tempos em que proliferam nas políticas educacionais as consultorias privadas de todo tipo, aliadas ao amadorismo dos gestores de plantão.

Avaliação de impacto social: Modus operandi

O agente privado selecionado seguirá um ciclo de gestão dividido entre o planejamento das ações, a sua implementação, o monitoramento e a avaliação, realizado a cada ano. Deverá atuar em “programas de ação” abrangendo dois eixos, famílias e alunos, e tendo em vista, segundo o edital em consulta:

  • Fornecer e implantar um canal direto de comunicação com as famílias;
  • Definir equipes de profissionais especializados para tratar de assuntos relacionados às famílias nas escolas;
  • Engajar e motivar os alunos a permanecerem nas escolas e entenderem a importância do aprendizado, podendo atuar no contraturno com atividades voltadas para a construção do projeto de vida e preparação da carreira dos jovens; para a mediação pedagógica em ações de reforço escolar aos alunos com baixo desempenho; e para o desenvolvimento do protagonismo juvenil.

Não é preciso muito esforço para descobrir os fios de algumas das estratégias que serão colocadas em prática nas 61 escolas “de tratamento” da rede estadual paulista. Alguns exemplos podem ser colhidos em matérias recentes da imprensa.

Para a melhoria da “qualidade de comunicação entre as famílias e a escola”, por exemplo, a matéria do caderno Mercado da Folha de S. Paulo, com o título “Escolas públicas de São Paulo usam teorias de Nobel para reduzir evasão” (15 out. 2017), apresenta o que seria a aplicação-piloto das teorias de economia comportamental de Richard Thaler (Prêmio Nobel de Economia) no controle da frequência escolar dos estudantes da rede estadual. Sem qualquer informação sobre a amostra ou preocupação com a ética na obtenção dos dados, o jornal reproduz que “na rede estadual” essa aplicação levou a uma redução de 3% nas reprovações, em comparação ao “grupo de controle”. Esse é o feito da startup social Mgov e de seu “EduqMais”, um projeto que envia “lembretes curtos via SMS para os pais sobre a importância da frequência escolar”. O desenvolvimento e, aparentemente, a aplicação-piloto recebeu o apoio da Fundação Lemann e da Omidyar. Também aparentemente, houve consentimento da SEE-SP para a realização desse experimento social na rede estadual.

No dia 12 de novembro, o mesmo jornal, no mesmo caderno, traz do Ceará a matéria “Treinar professor para diminuir bagunça na sala melhora aprendizado”. Dá conta de outro projeto-piloto, chamado “Gestão na Sala de Aula”, empacotado por Banco Mundial, Fundação Lemann e Elos Educacional. Segundo o jornal, testado em 2015, resultou que 175 escolas melhoraram em média 2 a 4 pontos no Spaece (avaliação estadual do Ceará), em comparação com as escolas não participantes: o grupo de controle. A inovação? Descobriram que formar os professores em serviço para o trabalho pedagógico em sala de aula (diminuir a bagunça), propiciando o diálogo sobre as práticas e a troca de experiências, melhora as condições de ensino-aprendizagem. Eureka! Por óbvio que seja para qualquer pessoa iniciada nos temas da política educacional, resultados modestos como esse tornam-se produtos educacionais vendáveis. A filantropia vai até o ponto em que se extraem os resultados comercializáveis. Daí em diante é negócio. O jornal, aliás, registra a desilusão da parceria empresarial com o governo do Ceará, que não se mostrou um cliente fiel: “Mesmo com bons resultados, nem todo programa vira política pública. (…) para a Fundação Lemann um desafio dos avaliadores é deixar mais claro para os gestores por quais canais foram obtidos os resultados”.

Eis o modus operandi dos mercadores da reforma educacional ancorada nas “avaliações de impacto”:

  1. Montam suas coalizões, de preferência envolvendo um banco internacional de desenvolvimento (BID ou BIRD), uma fundação empresarial local e um think tank do Sudeste brasileiro;
  2. Convencem um governo submisso ou aberto a “doações” a concordar com a aplicação de um projeto-piloto, um experimento, acompanhado por avaliação de impacto com grupo de controle;
  3. Registram os resultados, ainda que pífios, e encontram um canal de comunicação que tope divulgar nacionalmente o “produto”;
  4. Empacotam o produto e o levam à venda nas secretarias municipais e estaduais de educação, com publicidade orientada aos gestores educacionais e patrocinando eventos. Segundo os mercadores, os que não compram o fazem porque “não entenderam”, o velho argumento elitista. Os que entenderam, como no caso paulista, podem comprar diretamente ou lançar editais, como é o caso do CIS.

Quem garante é o mercado

A avaliação do CIS será, segundo a proposta, realizada por uma “terceira instituição”, evitando assim o conflito de interesses ora do Estado, ora de grupos próximos aos investidores sociais, criando condições para uma avaliação “independente”. O contrato define o perfil deste avaliador: uma “organização internacional com renomada reputação”, “experiência prévia na utilização de técnicas de avaliação” e o “domínio de métodos econométricos para realizar os testes estatísticos”.

É a partir do cumprimento das metas que o agente privado receberá o que lhe é devido. Conforme o próprio Governo do Estado procura justificar, o CIS não gera custo inicial para a SEE-SP, uma vez que “permite que as intervenções iniciais sejam financiadas por investidores privados, que podem vir a ser recompensados se o impacto social contratualizado for alcançado”. Destaca-se que o “ressarcimento” ou o pagamento pelo projeto ocorrerá caso as metas estipuladas sejam cumpridas, o que daria ao Estado uma “garantia no investimento”. Nada impede, entretanto, que ao final os parceiros extraiam volumosos lucros com o programa.

Dadas as características do organismo internacional descritas pelo CIS, é inescapável que o órgão avaliador seja, no mínimo, alguma entidade alinhada às políticas da OCDE ou do Banco Mundial, que concentram os “experts” e financiam governos na adaptação de seus projetos aos desenhos de seus investimentos. Basta para isso lembrar das recentes investidas dessas organizações para implantar novos modelos gerenciais nas escolas públicas brasileiras, como o contrato das organizações sociais (OS) nas escolas de Goiás e o modelo de pagamento por desempenho (PfR) no Ensino Médio da rede estadual do Ceará – este já emplacado pelo BID -.

(Re)produzindo desigualdades

Afinal, o que significam agentes privados gerindo, ainda que indiretamente, as escolas públicas? Em diversos momentos, a proposta do CIS expressa um certo cuidado quanto a isso. Nos termos, a contratada manterá relações pontuais com a direção da escola e seus professores. As atividades propostas não poderão ocorrer durante o turno das aulas, bem como deverão estar “integradas” ao projeto político-pedagógico da escola.

Atentemos aos detalhes. Para a realização do projeto, fica a cargo da escola a indicação de um de seus profissionais para o acompanhamento dos “empreendedores”, os quais, por sua vez, se responsabilizarão pelo contrato e pelo treinamento de suas equipes. Nada se diz sobre a contratação, em regime distinto, dos professores da escola.

É como se, dentro de uma mesma escola, passassem a existir dois modelos de ensino: um que é oferecido pelos professores da rede pública (que seguem o currículo oficial do Estado de São Paulo) e, conforme a dificuldade dos alunos, um que orienta a ação da equipe gestora externa. Fica a dúvida de até que ponto um investidor que assumiu o risco de perdas financeiras respeitará o acordado nos projetos político-pedagógicos das escolas, especialmente se as “metas” estiverem em risco. A proposta do CIS apresenta termos muito genéricos de proteção dos gestores e professores da escola, o que indicia a possibilidade de submissão da comunidade escolar às metas perseguidas pelo agente privado. Logo, o controle recairá sempre sobre o trabalho escolar, e jamais sobre o gestor privado, cuja meta maior é não levar prejuízo.

Os valores recebidos pelo agente privado selecionado no Edital são relativos ao desempenho no cumprimento das metas. O CIS poderá ser rescindido se as escolas “de tratamento” obtiverem índices inferiores às escolas do grupo de controle. Aplicando-se aos gestores privados a lógica que defendem para o setor público – competição e remuneração por desempenho –, as chances de que as escolas sofram a pressão decorrente desta lógica são enormes, e, como atesta a literatura especializada, com a produção de desigualdades educacionais ainda maiores.

Quando a necessária melhoria dos indicadores educacionais é assentada apenas na competitividade entre as escolas geridas pelo Estado e aquelas geridas pelo setor privado, nutridas pela lógica do mercado, a concorrência será sempre desleal, em vista da assimetria na destinação de recursos adicionais aos dois grupos de escolas. Tudo isso só leva água para o moinho das teses de que a educação básica pública será sempre de qualidade inferior à privada. Não nos enganemos: o CIS é um preâmbulo para a terceirização irrestrita na educação pública.

A atual SEE-SP já manifestou sua predileção por um Estado que muito ajuda quando não atrapalha, nas palavras de seu próprio secretário, José Renato Nalini. Mais ainda, é perverso o Estado que deixa de investir em políticas públicas e passa a apostar na sua própria desresponsabilização de garantir o direito à educação, utilizando deliberadamente seus recursos para produzir, de um lado, desigualdades planejadas, e de outro, lucro privado sobre as escolas públicas.

Salomão XimenesFernando Cássio e Silvio Carneiro são professores da UFABC e pesquisadores da Rede Escola Pública e Universidade e do Centro de Estudos Educação e Sociedade (CEDES)

Theresa Adrião é coordenadora do Grupo de Estudos e Pesquisas em Política Educacional(GREPPE) da Unicamp e do GT de Políticas Educacionais da ANPEd, pesquisadora do CEDES

via Políticos e banqueiros forjam “experimento social” – Carta Educação

Dama

•9 dez 2017 • Deixe um comentário

Stéphane Mallarmé

Soneto

Dama
sem tanto ardor embora ainda flamante
A rosa que cruel ou lacerada e lassa
Se deveste do alvor que a púrpura deslaça
Para em sua carne ouvir o choro do diamante

 

Sim sem crises de orvalho antes em doce alento
Nem brisa o fragor do céu leve ao fracasso
Com ciúme de criar não sei bem qual espaço
No simples dia o dia real do sentimento,

 

Não te ocorre, talvez, que a cada ano que passa
Quando em tua fronte se alça o encanto ressurreto
Basta-me um dom qualquer natural de tua graça

 

Como na alcova o cintilar de um leque inquieto
A reviver do pouco de emoção que grassa
Todo o nosso nativo e monótono afeto.

1887

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Resenha: “Casa de bonecas”, de Henrik Ibsen, baixe a obra grátis

•4 dez 2017 • Deixe um comentário

Muito importante ler essa obra, porque apesar de todas as conquistas, algumas mulheres ainda são tratadas como bonecas, como objetos, sem nem se dar conta. Um exemplo disso é que muitas vezes até os ideais feministas são usados como pretextos para invadir países, derrubar regimes, quando na verdade os reais motivos das guerras são intetesses econômicos. Talvez nunca consigamos fugir disso, mas pelo menos saber a verdade já é uma forma de libertação.

Falando em Literatura...

Vamos agilizar nossas leituras? Acumulou tudo, não é? Então vamos, falta pouco para terminar o ano!

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Quem ama literatura não vai deixar de se emocionar com esse tesouro: o manuscrito original de “Casa de bonecas” (1879), do dramaturgo norueguês Henrik Ibsen (Skien, 20/03/1828 – Oslo, 23/05/1906). Ibsen é o dramaturgo mais importante da Noruega, influenciou o teatro mundial, considerado o “pai do drama realista moderno”.

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Veja aqui o manuscrito de Ibsen, que era super organizado, caligrafia bonita, muito bom de apreciar (ainda que não saibamos norueguês)!

Vamos à resenha:

“Casa de Bonecas” é uma obra dramática escrita em três atos. Ibsen levou a realidade ao teatro, mostrando o cotidiano de uma família burguesa da época. A estreia dessa peça gerou muita polêmica, muita gente não gostou do espelho diante dos seus olhos. Ibsen foi crítico, corajoso e transgressor levando em conta a época em que foi escrita a obra.

Torvald Helmer…

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Embriague-se

•3 dez 2017 • Deixe um comentário

Charles Baudelaire

É preciso estar sempre embriagado. Aí está: eis a única questão. Para não sentirem o fardo horrível do Tempo que verga e inclina para a terra, é preciso que se embriaguem sem descanso.

Com quê? Com vinho, poesia ou virtude, a escolher. Mas embriaguem-se.

E se, porventura, nos degraus de um palácio, sobre a relva verde de um fosso, na solidão morna do quarto, a embriaguez diminuir ou desaparecer quando você acordar, pergunte ao vento, à vaga, à estrela, ao pássaro, ao relógio, a tudo que flui, a tudo que geme, a tudo que gira, a tudo que canta, a tudo que fala, pergunte que horas são; e o vento, a vaga, a estrela, o pássaro, o relógio responderão: É hora de embriagar-se!

Para não serem os escravos martirizados do Tempo, embriaguem-se; embriaguem-se sem descanso. Com vinho, poesia ou virtude, a escolher.

27. vinho

 

Schaudenfrewde

•2 dez 2017 • Deixe um comentário

Schaudenfrewde

 

Com uma gilete na jugular,

O encanto acabou.

A euforia acabou.

Acabou-se a alegria.

Acabou-se a folia.

E tudo aquilo que poderia e deveria ter sido

_ por força de lei, por decreto, por magia legítima,

formando uma absoluta rima,

criando simetria onde antes havia uma metade distorcida

_ agora se suicida!

 

Godoy

Net heart

Net heart, Alcy de Godoy

 

Colours

•1 dez 2017 • Deixe um comentário

Estou apaixonada por essa música de um obscuro grupo garimpado no youtube; nem um videoclipe tem. Achei própria para ouvir e relaxar numa sexta à noite.

Graffiti6

When I was feeling it so hard
I couldn’t see through my scars
You led the way through the dark
My eyes were opened with love

I’m seeing colours flowing through my mind
Colours, Colours
And I want to walk in your water
And I want to walk in your water

When I was feeling it so hard
I couldn’t see through my scars

Now I’m seeing colours flowing through my mind
Colours, Colours

I’m seeing colours,
Colours, colours, colours, colours, colours, colours

A Montanha Mágica de Thomas Mann

•28 nov 2017 • Deixe um comentário

Trechos de “A Montanha Mágica”

“Manifestam pouca cultura os viajantes que zombam dos costumes e dos conceitos dos povos que os acolhem; há muitos tipos de qualidades suscetíveis de conferir honra a quem as possui.”

“A música desperta o tempo; desperta a nós, para tirarmos do tempo um gozo mais refinado; desperta… e portanto é moral. A arte é moral na medida em que desperta.”

“Certamente é bom que o mundo conheça apenas a obra bela e não as suas origens nem as condições em que foi gerada; pois o conhecimento das fontes de onde provém a inspiração para o artista causaria frequentemente perturbação e espanto, neutralizando assim os efeitos da excelência.”

“Parece que será necessário procurar a moral não na virtude, quer dizer, não na razão, na disciplina, nos bons modos, na honestidade – mas sobretudo no contrário, eu quero dizer: no pecado; se lançando ao perigo, ao que é nocivo, àquilo que nos consome. Parece-nos que é mais moral se perder e mesmo se deixar debilitar do que se conservar. Os grandes moralistas não são virtuosos, mas aventureiros no mal, nos vícios, nos grandes pecados que tentam nos inclinar cristianamente diante da miséria. Tudo isso deve te desagradar muito, não é?”

“Oh, o amor, tu sabes… O corpo, o amor, a morte, esses três não se separam. Pois o corpo é a doença e a volúpia, e é ele que faz a morte, sim, eles são sensuais os dois, o amor e a morte, e seus terrores e sua grande magia! Mas a morte, tu compreendes, é, de um lado, uma coisa difamada, insolente, que nos faz corar e nos envergonha; e por outro lado é uma pulsação muito solene e muito majestosa – maior que a vida risonha de ganhar dinheiro e de encher a barriga – muito mais venerável que o progresso que tagarela pelo tempo – porque ela é a história e a nobreza e a piedade e o eterno e o sagrado que nos faz tirar o chapéu e andar com as pontas dos pés.”

Ebenalp

Se te amei um dia

•28 nov 2017 • Deixe um comentário

_Num dia, venci este teu jogo atroz.

Se te amei um dia, foi porque,

quando falavas com a boca cheia de alegria,

Iluminavas todos os meus dias.

Se te amei um dia, foi porque,

quando me beijavas e falavas de poesia,

Tua boca me afogava em lascívia.

Foi porque, atrás de fragilidades, vi tua força.

Foi porque, de trás da máscara, escapou um pouco da tua essência magnífica.

E vi nobreza, e vi falta de malícia, e vi a lua cheia escondida

E passei a persegui-la.

Por uma brecha, vi um lago plácido, atrás de tanta correria.

Vi teu ser todo completo, pelo vão da cortina do teu palco da agonia.

Porque, por uma fresta, vislumbrei o futuro.

Vislumbrei o Grande Homem que você seria um dia.

Se te amei um dia, foi porque você me ofereceu

Matéria bruta para a minha poesia.

A paixão de ler

Companhia de Moçambique de Pedramar

•26 nov 2017 • Deixe um comentário

Apresentação do Seu Nego, mestre do Grupo de Moçambique do bairro Pedramar em Jacareí, SP, e seus alunos na Escola Amância, ontem.

GrupodemoçambiquePedramar

 

Como é por dentro outra pessoa

•24 nov 2017 • Deixe um comentário

Fernando Pessoa

Como é por dentro outra pessoa
Quem é que o saberá sonhar?
A alma de outrem é outro universo
Como que não há comunicação possível,
Com que não há verdadeiro entendimento.

 
Nada sabemos da alma
Senão da nossa;
As dos outros são olhares,
São gestos, são palavras,
Com a suposição de qualquer semelhança
No fundo.

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Desaforismos de Oscar Wilde

•22 nov 2017 • Deixe um comentário

Penso que seria muito mais adequado chamar algumas tiradas de Wilde de “desaforismos”, visto que era um provocador, seu humor era uma embalagem para seus chistes.  Como ele próprio dizia, para não ser assassinado, deve-se dizer a verdade com um toque de humor.

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“Se soubéssemos quantas e quantas vezes as nossas palavras são mal interpretadas, haveria muito mais silêncio neste mundo.”

“Amar é ultrapassarmo-nos.”

“Há duas tragédias na vida: uma a de não satisfazermos os nossos desejos, a outra a de os satisfazermos.”

“A diferença entre a literatura e o jornalismo é que o jornalismo é ilegível e a literatura não é lida.”

“Toda a arte é completamente inútil.”

“A única maneira de nos livrarmos da tentação é ceder-lhe.”

“Se há no mundo alguma coisa mais irritante do que sermos alguém de quem se fala, é ninguém falar de nós.” Fonte – O Retrato de Dorian Gray

“Devia-se estar sempre apaixonado. É a razão pela qual nunca nos devíamos casar.”Fonte – Uma Mulher sem Importância

“Nenhum grande artista vê as coisas como realmente são. Caso contrário, deixaria de ser um artista.”Fonte – The Decay of Lying

“É absurdo dividir as pessoas em boas e más. As pessoas ou são encantadoras ou são aborrecidas.”Fonte – O Leque de Lady Windermere

“Há uma espécie de conforto na auto-condenação. Quando nos condenamos, pensamos que ninguém mais tem o direito de o fazer.”

“Nunca viajo sem o meu diário. É preciso ter sempre algo extraordinário para ler no comboio.”Fonte – A Importância de Ser Sério

“Aqueles que não fazem nada estão sempre dispostos a criticar os que fazem algo.”

Livro de Carolina Maria de Jesus é resgatado em vestibulares 40 anos após morte de escritora

•20 nov 2017 • Deixe um comentário

‘Quarto de despejo – Diário de uma favelada’ está nas listas obrigatórias de exames de duas universidades. Professores de literatura valorizam inclusão e possibilidade de reflexões.

Por G1 Campinas e região
07/05/2017 08h09 Atualizado 07/05/2017 08h09

Livro “Quarto de Despejo – Diário de uma favelada”, de Carolina Maria de Jesus, está entre as novidades dos próximos vestibulares da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). No ano em que a morte da escritora completa 40 anos, a obra resgatada está indisponível em algumas livrarias, mas a editora responsável pela impressão garante reposição e, à espera de alta na demanda, considera hipótese de elevar tiragem.
O diário foi anunciado na semana passada como uma das três alterações na lista da Unicamp para o vestibular 2019. Os outros dois livros inseridos na lista obrigatória de leituras são a poesia “A teus pés”, de Ana Cristina Cesar; e o romance “História do Cerco de Lisboa”, de José Saramago.
Já a UFRGS confirmou , em março, a inclusão do livro na edição 2018 do processo seletivo. A universidade renova anualmente a relação de obras com a substituição de quatro títulos.

Inovações
Carolina nasceu em Sacramento (MG), em 1914, e foi morar na capital paulista em 1947, época em que surgiram as primeiras favelas na cidade. Uma das primeiras e mais importantes escritoras negras do Brasil, ela reúne em “Quarto de Despejo” relatos de parte das experiências que viveu e observou na comunidade do Canindé, com três filhos. O lançamento ocorreu na década de 1960.

Para o professor de literatura Laudemir Guedes Fragoso, a inclusão da história da catadora de papel e sucatas nos processos seletivos representa inovações em abordagens de conteúdo e forma.
“Ela foi uma voz dissonante do Brasil marginalizado, é interessante se fazer paralelo com momento atual do país”, frisou o docente ao mencionar que vê tendência na abordagem de temas sociais nas provas, incluindo literatura indígena. Ele também lembrou a relevância na tratativa de um diário.
“É um gênero antigo, do século XV, e chama atenção a busca por novas formas literárias dentro da prova”, falou o professor do Colégio Objetivo ao lembrar da inclusão de “Minha vida de menina” na edição 2018 da Fuvest. A instituição já definiu a lista para o vestibular 2019 da USP e da Santa Casa.
Conexões
O professor de literatura Octávio da Matta, do Anglo, manteve o tom e valorizou a flexibilização dos vestibulares, que passaram a incluir não somente obras clássicas, mas também livros que retratam a história recente do país e as questões que seguem em debate, incluindo “Quarto de despejo”.
“A Unicamp e a Universidade Federal do Rio Grande do Sul estão convidando o estudante para uma reflexão. Carolina faz um relato autobiográfico, mas ainda hoje pode ser considerado atemporal por apresentar questionamentos sobre a violência, problema do alcoolismo e violência doméstica, a preocupação em conseguir sustentar os filhos e a revolta por não ter o que comer”, ressalta.

No caso da universidade em Campinas, em especial, o docente valorizou o fato de a mesma lista de livros contemplar a obra da escritora mineira, e “O espelho”, de Machado de Assis. ”

“É um fato gigantesco essa conexão, ele também teve uma origem humilde, foi autodidata. A Carolina aprendeu a ler pegando jornais e revistas e, diferentemente de uma obra do Aluísio Azevedo, apresenta um olhar de dentro dessa sociedade, demonstra sentimento, e não um pensamento de determinismo, instintivo. A versão dela é a mais pura realidade”.

Estoques

A assessoria de imprensa da Editora Ática informou, em nota, que recebeu uma nova reimpressão do livro na segunda quinzena de abril. O desabastecimento, segundo a empresa, ocorreu por causa do “espaço” entre esta etapa e a distribuição. “Em nosso e-commerce o livro já está disponível e ao longo das próximas semanas o livro voltará às livrarias. O livro está em sua décima edição”, diz nota.
Em relação à tiragem de “Quarto de despejo”, a editora mencionou que ela já foi elevada em 20%, em virtude da inclusão na lista da UFRGS. A expectativa é de que outra seja feita quando houver queda do estoque, por causa da colocação da obra entre os assuntos do vestibular da Unicamp.
“Esperamos que haja um aumento na procura pela obra, naturalmente, mas sabemos que obras de literatura não precisam ser necessariamente compradas novas, podem ser emprestadas de bibliotecas, de amigos ou adquiridas de segunda mão em sebos. Por isso, não temos previsão de nova tiragem enquanto tivermos estoque suficiente para atender as demandas”, informa texto.
Rede pública
Em 2013, o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) comprou e distribuiu, por meio do Programa Nacional Biblioteca da Escola (PNBE), 29 mil exemplares do livro para escolas públicas com alunos em anos finais do ensino fundamental. De acordo com o governo federal, não há reserva ou destaque de exemplares, nem previsão para novas aquisições do título.

“Por meio do PNBE, são beneficiadas todas as escolas públicas, sem necessidade de adesão. […] Os livros são encaminhados diretamente às escolas para a composição dos acervos das bibliotecas e disponibilização dos exemplares aos alunos, geralmente, por meio de empréstimos e consulta.”

Carolina Maria de Jesus, a catadora de letras

•20 nov 2017 • Deixe um comentário

por Aline Valek — publicado 15/03/2016 10h15

A escrita de Carolina Maria de Jesus é sua forma de se recusar a ser “despejo” em uma sociedade desigual que a empurrou para a miséria

Na segunda-feira, 14 de março, completaram-se 102 anos do nascimento de uma escritora brasileira de grande importância para a nossa literatura, mas que ainda nos dias de hoje permanece desconhecida para muita gente.

Foi numa comunidade rural em Sacramento, Minas Gerais, que nasceu Carolina Maria de Jesus. Mas foi numa favela em São Paulo que ela tornou-se escritora – e produziu a obra pela qual seria conhecida até hoje.

Quarto de despejo já piscava em letras neon diante de mim, de tantas recomendações acumuladas, como todos aqueles clássicos na minha prateleira mental de “não acredito que você não leu esse ainda”. Então eu li e entendi porque é uma obra tão importante da nossa literatura.

Carolina de Jesus

A escritora durante a noite de autógrafos do livro “Quarto de Despejo”, em São Paulo, 1960

Carolina Maria de Jesus foi uma das escritoras brasileiras mais expressivas, traduzida para mais de dez idiomas. No Japão, o livro ganhou o título de Karonina nikki, algo como O Diário de Carolina.

Quarto de Despejo foi seu maior sucesso, mesmo assim não é tarefa das mais fáceis encontrá-lo nas livrarias; é mais provável que seja encontrado nos sebos.

Não por acaso só recentemente pude descobrir sua história e sua escrita: se o trabalho das escritoras é geralmente subvalorizado e apagado, o trabalho de uma escritora negra, pobre e favelada encontra ainda mais dificuldades para superar a barreira da invisibilidade.

Catadora de lixo e moradora da favela do Canindé, em São Paulo, na segunda metade da década de 50, Carolina usava os cadernos que encontrava no lixo para escrever sobre seu cotidiano e pensamentos. Virou um diário que passou a ser publicado num jornal; há inclusive trechos em que os vizinhos vêm tirar satisfação com ela sobre algo que ela escreveu.

Entre as idas ao açougue para buscar restos de ossos que lhe davam, os dias catando papel nas ruas de São Paulo enquanto os três filhos ficavam sozinhos no seu barraco e as noites insones observando as estrelas, Carolina refletia sobre o cenário de desigualdade e escrevia sobre as pequenas coisas que compõem a condição humana.

A preocupação com o que vai se comer no dia. A repetição da busca da água todas as manhãs. A brutalidade do ambiente: a cidade, a favela, as pessoas.

O quarto de despejo surge como uma metáfora para a desigualdade que estabelece seu papel e sua posição nessa história: ela aponta que, enquanto o centro da cidade é a sala de visitas, a favela é o quarto onde se joga o indesejável, o entulho, tudo aquilo que se quer esconder. Sua escrita, no entanto, é sua forma de se recusar a ser “despejo”, a ser “resto”.

Sua voz é marcante não pelos “erros” gramaticais preservados pela edição (o que aliás me deixou a dúvida: isso teria sido uma forma de respeitar sua escrita, de mostrar que o texto tem valor independente de “norma culta”, de apontar que ela não precisa ser corrigida ou transformada em algo dentro do padrão, ou seria uma forma de apresentar uma escrita “autenticamente de favelado”? Realmente, não sei), mas sim pela sensibilidade para os detalhes normalmente desprezados pelo nosso olhar.

O olhar apurado de Carolina, de quem está acostumada a olhar para o lixo e ver o que tem valor ali, ou de quem procurava catar as luzes distantes das estrelas quando todos ao seu redor já estavam de olhos fechados, convida o leitor a ver humanidade nos lugares onde a cidade e a sociedade só nos ensinaram a ver miséria.

Carolina foi muito prolífica, para além do Quarto de Despejo; escrevia romances, contos, poemas, e, além daqueles que foram publicados – inclusive depois de sua morte, como Diário de Bitita –, ainda há milhares de páginas de material inédito de Carolina, entre eles, seis romances, mais de cem poemas e cerca de 67 crônicas.

Em todo esse trabalho, a escritora deixou marcada uma visão particularmente Caroliniana do mundo e de uma sociedade desigual, que pode ter se transformado de sua época para cá, mas que persiste discriminando, isolando e apagando minorias.

Na escrita, Carolina pode expressar a voz que era negada a quem vivesse em suas condições. Uma voz que, apesar de todas as dificuldades, preconceito e do insistente esquecimento que se estende até os dias de hoje, persiste como a base de uma obra autêntica e importante, mas, sobretudo, humana e verdadeira.

“Eu deixei o leito as 3 da manhã porque quando a gente perde o sono começa pensar nas miserias que nos rodeia. (…) Deixei o leito para escrever. Enquanto escrevo vou pensando que resido num castelo cor de ouro que reluz na luz do sol. Que as janelas são de prata e as luzes de brilhantes. Que a minha vista circula no jardim e eu contemplo as flores de todas as qualidades. (…) É preciso criar este ambiente de fantasia, para esquecer que estou na favela.

Fiz o café e fui carregar agua. Olhei o céu, a estrela Dalva já estava no céu. Como é horrível pisar na lama.

As horas que sou feliz é quando estou residindo nos castelos imaginarios.”

(trecho de Quarto de Despejo, 1960)

Além de minhas forças

•17 nov 2017 • Deixe um comentário

Além de minhas forças

Doce brisa trouxe até mim um pássaro canoro
Que coloriu meus dias amenos;
Que em minhas manhãs colocou um sorriso;
Que aspergiu vigor em meus membros
E aspirou de mim o cansaço.

Silêncio! Quero escutar sua serenata
Para embalar o meu sono sereno;
Elevar sobre mim meu espírito;
Fazê-lo pousar no meu braço.

Quero seu entusiasmo.
Quero seu sopro de vida divino,
Sua leveza, sua graça, seu brilho.
Sem querer, sob suas asas eu vivo!

aves exoticas 1

 

Ho’oponopono

•15 nov 2017 • Deixe um comentário

أنا أحبك

يغفر لي

أنا آسف جدا

أنا ممتن

اهلا وسهلا

 

A uma mulher amada

•27 out 2017 • Deixe um comentário
Poemas de Safo de Lesbos

Safo, de Gabriel Rossetti

A uma mulher amada

Safo

Ditosa que ao teu lado só por ti suspiro!
Quem goza o prazer de te escutar,
quem vê, às vezes, teu doce sorriso.
Nem os deuses felizes o podem igualar.
Sinto um fogo sutil correr de veia em veia
por minha carne, ó suave bem querida,
e no transporte doce que a minha alma enleia
eu sinto asperamente a voz emudecida.
Uma nuvem confusa me enevoa o olhar.
Não ouço mais. Eu caio num langor supremo;
E pálida e perdida e febril e sem ar,
um frêmito me abala… eu quase morro… eu tremo!

Safo (Σαπφώ), em “Eros, tecelão de mitos: a poesia de Safo de Lesbos”. [organização e tradução Joaquim Brasil Fontes Júnior]. São Paulo: Estação Liberdade, 1991.

À Palestina

•26 out 2017 • Deixe um comentário

À Palestina,

o sangue, que jorra das veias de seu povo,
É esquecido, é ignorado.
Até quando fingiremos que tudo é normal?
Até quando viraremos as costas àqueles que sofrem
de um grande mal?

“Assim caminha a humanidade”, uns dizem.
Outros permanecem calados,
Enquanto seus filhos se esquivam da morte sem
Saber se seus passos serão lembrados.
Todos eles serão só números quantificados?
Alguns ainda virarão teses de doutorado,
Mas sem nome, sem lar, nem água nem chão,
Todos seus filhos serão prisioneiros

em seu próprio torrão?
E todos nós sem a vergonha de deixar
que isso aconteça a um irmão?
11-07-À Palestina,2012

 

Mortal

•23 out 2017 • Deixe um comentário

Mortal

Num mundo paralelo, sei das sereias o canto pra te encantar.

Tenho a beleza de Vênus pra te seduzir;

A sabedoria e a castidade de Penélope pra te esperar;

as teias de Aracne pra te enlaçar;

e, pra te repetir, a fertilidade de Ceres.

 

Num mundo paralelo, sei os feitiços de Circe pra te enganar;

Tenho as asas de Pégaso pra te alcançar;

A coragem de amazonas para, por ti, lutar;

e, pra te defender, a fúria de Ares.

 

Mas neste mundo, sou uma simples Dulcineia camponesa.

Não tenho nenhum atributo em tão alto grau,

Mas uma parcela de tudo vive em mim,

Nas limitações de uma mortal.

12-07-2012

 

 

O grande equívoco de Jorge Luis Borges

•22 out 2017 • Deixe um comentário
Videla, Borges y Sábato - 1

Ditador Videla, Borges e Sábato, em um almoço em 1976, onde os convidados teriam expressado sua preocupação com escritores presos ou desaparecidos. Em 2012, Videla admitiu que foi responsável pela morte de 8000 pessoas.

É difícil imaginar o autor argentino como um rebelde, já que o senso comum acredita que ele era apenas um homem em sua biblioteca, um dândi alheio à política, em sua torre de marfim. Ele próprio dizia-se avesso à política e autodefiniu-se como um anarquista conservador.

Contudo, sua vida e suas escolhas polêmicas dizem o oposto. Borges foi diretor da Biblioteca Nacional entre 1955 e 1972. Por ser anti-peronista radical, o escritor foi demitido de seu cargo quando Perón assumiu seu terceiro mandato. Assim, os mais de 1000 livros doados de sua biblioteca pessoal para a Biblioteca Nacional foram “esquecidos” pelos funcionários peronistas e ficaram encaixotados por mais de 30 anos. Recentemente, uma busca tem revelado que outros livros foram doados por ele,  mas omitiram a identidade do doador. O autor “alienado” foi perseguido por suas posições políticas.

Borges tinha horror ao nazismo e às consequências da Segunda Grande Guerra. O guarda-costas de Evita Perón,  Otto Skorzeny havia sido o preferido de Hitler e de Mussolini. Otto auxiliou a fuga de vários nazistas para a Argentina com auxílio de Perón. Borges foi um forte opositor aos nazistas radicados na argentina que representavam, para ele, um perigo gravíssimo à comunidade judaica local. Por isso, Borges posicionou-se desastradamente a favor da ditadura na Argentina, acreditando que na época era a única alternativa ao peronismo. Além disso as perseguições, que sofreu por manifestar suas posições políticas em voz alta, causou uma ruptura irreconciliável com o governante populista.

Um almoço com o ditador Videla é o momento mais assustador de sua biografia, mas teria ele aprendido que a rebeldia não lhe valeria nada, apenas o desemprego? Condescendeu para não ter que fugir como outros escritores e poder escrever sem o bafo da censura em seu cangote? Foi ingênuo acreditando que dos males aquela Ditadura seria o menor? Ou foi arrivista? Enfim, só podemos constatar que a sociedade argentina não conseguiu pegar uma terceira via, criar opções políticas democráticas também por questões externas: o braço dos EUA e seu projeto para a América Latina.

No fim de sua vida, perguntaram-lhe que mensagem deixaria aos jovens, ele respondeu o seguinte: “Eu não soube administrar minha vida, então não posso dirigir a vida dos outros. Minha vida foi uma série de equívocos. Não posso dar conselhos. Ando um pouco à deriva. Quando penso no meu passado, sinto vergonha. Eu não transmito mensagens, os políticos transmitem mensagens.”

Sentiremos vergonha?

Contudo, a mensagem que podemos aprender desse terrível equívoco borgeano é o seguinte: no Brasil o ódio a certo partido político, tido como “populista”, pode nos levar ao pior dos pesadelos, já que temos assistido ao crescimento de um candidato com posicionamentos radicais, muito similares aos dos nazistas. Em seus comícios, tal candidato afirma que tornará o Brasil um país unicamente cristão e expulsará as minorias; Hitler também tentou eliminar todos os judeus ou qualquer um que fosse diferente do alemão típico, se é que isso existe. Este é Jair Bolsonaro que confessou ter recebido 200 milhões de reais em propina da JBS (dona da Friboi), além de ter planejado atentado contra o seu próprio quartel para falsamente acusar comunistas, na época em que era militar. Por isso foi expulso da corporação.

Teremos, então, uma teocracia, onde não  existirá mais o direito de professar sua fé livremente. Tal direito só pode ser defendido por um Estado laico que deveria proteger todas as religiões igualmente, inclusive o direito de não professar fé alguma. Nossa democracia, já rudimentar, está seriamente ameaçada, visto que a bancada evangélica ganha cada vez mais força, apelando para um pânico moralista ao invés de se ater às questões de interesse público que visem o bem comum. Corremos inocentemente para o abismo fazendo piadas, subestimando um homem perigoso, sem perceber que não há apanhadores no campo de centeio.

 

Godoy

Eurídice e Orfeu

•20 out 2017 • Deixe um comentário

Quando tudo parecia perdido

Quando tudo eram cinzas

E o mal do mundo invadia sua vida,

Não podia ver através de suas cicatrizes

Quanta luz havia fora de sua caverna.

O tempo parou e a poeira se acumulou sobre seus ombros

Como em mobília há muito esquecida

Porque você só desejava dormir.

 

Mas um dia a luz entrou por um engano:

Palavras que numa encruzilhada se desviaram do seu curso

Original por acaso

Um mal-entendido bom

Um mal-entendido bom o guiou até mim.

 

Orfeu enfim resgatado do abismo.

E bastou ver a luz do meu sorriso

E acreditar que eu precisava de você,

Mesmo sabendo que não.

Orfeu foi bom com a ninfa porque ela não olhou para trás.

Então, vários e antigos nós se desataram.

É o Universo recompensando por uma Temporada no Inferno?

O Tempo surgiu do Caos?

Nada sabe, só sabe que sorrir é resistir.

Morte-de-Orfeu

Morte de Orfeu

Orfeu e Eurídice

•15 out 2017 • Deixe um comentário

Quando tudo parecia perdido

Quando tudo eram cinzas

E o mal do mundo invadia minha vida,

Não podia ver através de minhas cicatrizes

Quanta luz havia fora de minha caverna.

O tempo parou e a poeira se acumulou sobre meus ombros

Como em mobília há muito esquecida

Porque eu só desejava dormir.

 

Mas um dia a luz entrou por um engano:

Palavras que numa encruzilhada se desviaram

do seu curso original por acaso

Um mal-entendido bom

Um mal-entendido bom

Um mal-entendido bom me guiou até você.

 

E bastou ver a luz do seu sorriso

E acreditar que precisava de mim,

Mesmo sabendo que não.

A vestal foi boa com Orfeu porque ele não olhou pra trás.

Eurídice enfim resgatada do abismo.

 

Então, vários nós se desataram.

É o Universo recompensando por uma Temporada no Inferno?

O Tempo surgindo do Caos?

Nada sei, só sei que sorrir é resistir.

orfeu-e-euridice

Auguste Rodin, Orpheus and Eurydice, 1893.

“Carece de ter coragem”

•12 out 2017 • Deixe um comentário

“Carece de ter coragem”¹

In memoriam de Faris Odeh, morto com apenas 14 anos, no dia 8 de novembro de 2000, por um sniper israelense

Sempre repetia minha madrinha: “O medo não é de Deus”

Olhos arregalados, completava ainda:

“O medo é a ausência de fé em Deus. Falta de uma fortaleza interna.”

Mesmo que minha fé me abandonasse vez ou outra, quando conseguia

Reconhecer minha covardia, lembrava: “O medo não é de Deus!”

Tememos muitas coisas: “Hesito, logo existo” é o bordão modernizado,

Por isso nos surpreende o gesto heroico.

Num átimo, o ser não duvida de nada.

Não duvida do que tem de fazer imediatamente,

Mesmo que isso seja irracional

Mesmo que isso seja loucura

Porque naquele instante,

Mesmo o mais vacilante,

passa a ter certeza do que deve, precisa e deseja fazer.

Ergue-se nele aquela fortaleza.

De onde ela vem?

Nem sempre da fé em um Deus,

Mas simplesmente da fé.

Fé na mudança

Fé no fim da injustiça

Fé em si mesmo

Fé em poder mudar o mundo.

Mesmo que seja apenas um menino e sua única arma, uma ingênua pedra

diante de um tanque,

diante de toneladas de ferro,

diante  de incalculável ódio

E, finalmente, diante do Medo.

1- Fala de Diadorim, personagem de Grande Sertão Veredas de Guimarães Rosa.

Estrela da Manhã

•7 out 2017 • Deixe um comentário

Estrela da Manhã

por Manuel Bandeira

Eu quero a estrela da manhã

Onde está a estrela da manhã?

Meus amigos meus inimigos

Pocurem a estrela da manhã

Ela desapareceu ia nua

Desapareceu com quem?

Procurem por toda parte

 

Digam que sou um homem sem orgulho

Um homem que aceita tudo

Que me importa? Eu quero a estrela da manhã

 

Três dias e três noites

Fui assassino e suicida

Ladrão, pulha, falsário

 

Virgem mal-sexuada

Atribuladora dos aflitos

Girafa de duas cabeças

Pecai por todos pecai com todos

 

Pecai com os malandros

Pecai com os sargentos

Pecai com os fuzileiros navais

Pecai de todas as maneiras

 

Com os gregos e com os troianos

Com o padre e com o sacristão

Com o leproso de Pouso Alto

 

Depois comigo

 

Te esperarei com mafuás novena cavalhadas comerei terra e direi coisas de uma ternura tão simples

Que tu desfalecerás

Procurem por toda parte

Pura ou degradada até a última baixeza

Eu quero a estrela da manhã.

manuel-bandeira

 

 

A vida

•23 set 2017 • Deixe um comentário

“A vida é uma tragédia quando vista de perto, mas uma comédia quando vista de longe.” Charlie Chaplin

Chaplin

Elixir dos Gnósticos: a existência da alma humana em Mullā Ṣadrā

•14 set 2017 • Deixe um comentário

Resumo da dissertação de Mestrado de Nathalia Novaes Alves, sob orientação de Michel Attie Filho e defendida no Departamento de Letras Orientais da Universidade de São Paulo (USP)

            Figura-chave da chamada “Escola de Isfahān”, Mullā Ṣadrā (979 H. / 1571-2 d.C ) ocupou papel de destaque durante a renascença safávida do reinado de Abbās I (d. 1039/1629). Acredita-se ter sido ele o principal responsável por revitalizar a filosofia da iluminação de Sūhrawardi naquele contexto, além de consolidar a junção entre sufismo e neoplatonismo. Foi responsável, ainda, pela elaboração de metodologia própria para a compreensão da realidade, tendo por base fontes filosóficas, teológicas e místicas, além de mesclar raciocínio lógico, inspiração espiritual e meditação profunda. Ṣadrā aplicou tal metodologia às principais obras da tradição xiita duodécima. Do ponto de vista filosófico, Ṣadrā percebe o conceito aristotélico de “substância” como processo, em constante mudança; nesse aspecto, o filósofo aproxima-se da leitura de traço neoplatônico, já presente em al-Fārābī e Ibn Sīnā. O modo como Ṣadrā relaciona as noções de “essência” e “existência” deu novas feições à discussão metafísica de tradição árabe-islâmica. Em sua doutrina, Ṣadrā acaba por transformar a metafísica construída a partir da primazia das substâncias, como elemento primordial da existência, em outra, fundada e movida por atos de existência. Apesar de perpassar esses e outros temas, a principal contribuição d’O Elixir dos Gnósticos diz respeito à ênfase do autor no autoconhecimento. Como Ibn Ἁrabī, Ṣadrā acredita que o conhecimento da alma / nafs – ou seja, o conhecimento de si mesmo – e o conhecimento de Deus estão interligados. Por esse motivo, o presente trabalho se preocupou principalmente em analisar a relação entre os existentes, a alma e a inteligência primeira, pois é a partir dessa relação que se torna possível vislumbrar e compreender as questões fundamentais da origem e do retorno à fonte doadora de existência. Do ponto de vista histórico, vale destacar que à fundação do império safávida acompanhou-se a conversão em massa da população ao xiismo. Para responder à demanda por instrução da multidão de novos convertidos – e igualmente firmar as bases da nova religião oficial -, grande número de religiosos foi trazido de áreas xiitas respeitadas pela doutrina e pela ortodoxia, tais como Líbano e Iraque. Esse clero árabe recém chegado, que teve Ṣadrā como herdeiro, foi responsável por incorporar novos elementos ao pensamento religioso vigente em terras persas e, assim, conformar ambiente propício para o desenvolvimento do pensamento filosófico de Ṣadrā.

Para ler a dissertação:  http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8159/tde-12052015-101441/pt-br.php

Entrance_of_Mulla_Sadra's_House_in_Kahak_Qom

A porta de entrada da casa, onde Mulla Sadra costumava viver durante o seu exílio em Kahak. Há uma frase acima da porta escrita em persa que diz “A casa do sábio, Mulla Sadra”.

Incubus

•12 set 2017 • Deixe um comentário

Incubus

No vale, uma sombra esgueira-se pelo silencioso jardim,

Passa diante da solitária janela  do campo.

 

Do indefeso corpo cansado de colher

O sono logo se apossa.

 

A inocência do repouso perturbada.

Vitalidade dragada à exaustão.

Espírito de satisfação sedento e preso sob o peso

De encantos enganosos

De deleites incertos

De horripilante prazer,

Num diabólico festim.

 

Thaís GM

Incubus

Mulher dormindo

Na Palestina: O velho, a árvore, o ônibus

•18 jul 2017 • Deixe um comentário

Poética de Botequim

À Abd Al-Hasib Atta Zaloum

Sobre o solo, jaz a carcaça do que um dia fora um ônibus.

Hoje, tornou-se abrigo do velho sem lar.

As estrelas no céu velam por eles à noite.

O frio passa pela vidraça estilhaçada,

Vem sorrateiro lhes acompanhar.

Assim que ficou pronta,

sua antiga morada foi demolida;

sua terra, por colonos, roubada.

Converteram-na em área de segurança.

Segurança para quem,

se o velho agora vive ao relento?

Não é o velho, de humanos, rebento?

Não necessita de segurança também?

É menos humano que as crianças da escola ali próxima?

Já que delas só recebe desdém?

Sob o sol escaldante, a sombra vem de uma árvore solitária.

A árvore de dia e o ônibus à noite são o seu reino,

Que nem o rei da Jordânia igual tem.

Como a vida que poderia ter tido foi interrompida,

Nesse solo só quer seus olhos cansados plantar

Ver o post original 9 mais palavras

O Dedo do meio de Deus

•12 jul 2017 • Deixe um comentário

Deus é brasileiro!

Temos seu dedo para provar.

Teremos o dedo do meio de Deus

Até o fim dos tempos?

Tanta beleza e destruição

desses exuberantes templos

Esculpidos em pedra!

O Paquequer em degradação.

Os descendentes de Ceci e Peri

pendurados nos morros

bem próximos à Granja Comari…

O zunido de helicópteros abafa o de mosquitos.

A Casa da Cultura às margens do rio serpente cercada de curumins, pipas, lixo e sorrisos, apesar de tudo.

Von Martius e seus livros foram esquecidos.

Emboloram mais e mais a cada nuvem que passa por esses picos.

A floresta se vinga das pessoas erradas, avançando sobre quem a amou e recuando diante dos inimigos!

Fomos amaldiçoados e proscritos?

Vivemos uma constante comédia de erros.

Nada é o que parece.

Complexo_Dedo_de_Deus_Bruno_Nepomuceno

TGM

 

 

 

O Sem-nome’

•11 out 2012 • Deixe um comentário
Entre as costelas, uma flor com pétalas grandes se abriu;
às vezes parece dor
às vezes só calor
às vezes um oco frio.
Falta sustentação.
Deito, solto o peso, flutuo.
Todo peso torna-se leve.
A cabeça solta para trás quer se encontrar com a outra ponta e ao círculo voltar.
Ondas vindo me afogar.
Medo, morro ou mais vivo?

Mergulho

•9 out 2012 • Deixe um comentário

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A memória me abisma.

Cativa-me a liberdade.

Deleita-me a doçura.

Seu desejo me arrebata.

Assim carrego o abstrato em minha mente,

Que é o verdadeiro coração de gente

Que quer não querendo de todo,

De gente que, privada de quase tudo,

Resolveu dar só um pouco de quase nada.

Como se mergulhasse, mas volta e meia,

emergisse para respirar.

Um lapso é a minha respiração,

É meu mergulho com vísceras insufladas.

O resto é agonia e desejo de respirar aliviada.

 
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