Como a criança aprende
COMO A CRIANÇA APRENDE
Se tivesse que definir uma criança com apenas uma palavra,eu a definiria como ¨MOVIMENTO¨.O movimento na criança é contínuo. Ela quer descobrir e manipular tudo o que a rodeia, desde objetos, situações e pessoas.
O dia para ela é curto e, mesmo dormindo, ela vivencia o que ocorreu durante o dia. Para ela, o espaço é rico de situações das quais quer se apossar. Balançar, escalar, rabiscar, etc… são experiências que lhe permitem construir e destruir em busca de novas tentativas e construções.Essa vivência será a base do desenvolvimento da inteligência, da criatividade e formará pessoas capacitadas a fazer uma leitura de mundo.
O pensar e o fazer, a teoria e a prática, o conceito e a ação darão a ela a noção do todo no desenvolvimento e tornará o indivíduo um ser global.
Inicialmente a criança rabisca pelo prazer de rabiscar. Usa o lápis num…
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Millôr para a Academia Brasileira de Letras
Votamos em Millôr Fernandes!
Millôr escreveu e publicou milhares de toneladas de textos, incríveis e infernais textos, usando uma máquina datilográfica. Um gênio pré-histórico sem igual, sobretudo por sua eterna atualidade. Data vênia, aliás, máxima vênia, respeitando a sensibilidade dos mais pudicos (que não devem prosseguir lendo), selecionamos um de seus escritos mais memoráveis, sua tese de doutorado para aplicar xingamentos no momento certo. Para vocês, segue o “FODA-SE“, autoria do maior filósofo carioca de todos os tempos.
“O nível de stress de uma pessoa é inversamente proporcional a quantidade de foda-se! que ela fala. Existe algo mais libertário do que o conceito do foda-se!? O foda-se! aumenta minha autoestima, me torna uma pessoa melhor. Reorganiza as coisas. Me liberta.
─ Não quer sair comigo? Então, foda-se!
─ Vai querer decidir essa merda sozinho(a) mesmo? Então, foda-se!
O direito ao “foda-se!”…
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Epifania
minha arrogância me fez desdenhar das paixões. os descomedidos Romeu, Werther, Paolo e Francesca eram para mim caricaturas disformes e descontroladas, eram para mim fracos seres irracionais, eram para mim loucos... admirava suas experiências que me atingiam pela beleza. eis a que se resumia minha propalada sensibilidade para o lirismo. cínica que eu fui, em tempos cínicos. a ironia e o sarcasmo são nossas heranças. ah! tola! nem imaginava que tudo que eu havia sentido até então eram mediocridades pela distância pelo orgulho causados pelo medo vital. acha-me sábia e experiente superior por me preocupar com as dores de amores dos desvairados. superior a ponto de sentir raiva dos descontroles alheios que ferem, que escandalizam, que levam ao suplício. “O calor dos animais aqueceu melhor o menino Jesus na manjedoura” do que eu a meus afetos... só agora entendo profundamente o que significa: a experiência de Santa Tereza, as pulsões que inspiraram “Uma temporada no Inferno”, que reli na Livraria Cultura entre lágrimas, por ter recebido essa graça desconhecida da maioria por só agora entender, não cerebralmente por só agora entender não com o covarde “cauteloso pouco a pouco” burguês ou com a aurea mediocritas clássica; por só agora entender vivendo o que significa “The road of excess leads to the palace of wisdom; for we never know what is enough until we know what is more than enough.” chorei por só agora entender, não com a mente, mas com cada fibra do meu corpo que agora, só agora pulsa em outra frequência. meu coração caiu a quatro palmos do lugar original. tudo que eu li, tudo que vi, tudo que toquei e degustei, precisarei provar novamente agora.

Os aromas da cidade
Na cidade que rescende à resina de araucária,
Delicados beija-flores duelam ferozmente
pelo néctar com os floretes de seus bicos.
Na cidade que exala a flor de cerejeira,
Os habitantes da construção holandesa,
adornada pelo jardim japonês, são nipônicos.
Na cidade que cheira a chocolate,
Coelhos assustados cruzam estradas;
Nuvens de algodão envolvem
casas, árvores, cabeças.
Marias-fumaça encorpam nuvens baixas
E evocam tempos antigos.
Na cidade que ostenta aroma de forno a lenha,
Barracos, pousadas, castelos e Palácios
nos lembram de coisas que nunca
existiram em seu tempo certo ali.
Telhados inclinados esperam
para sempre a neve que nunca virá.
Numa estrada da cidade que exala a cerveja
feita a mão Baden Baden,
cai um homem
E os montesinos não o acodem.
Na cidade de pesadelo e sonho,
Nessa dança de aromas doces e acres,
Os enamorados se escondem.
“Carece de ter coragem”
Sempre repetia minha madrinha: “O medo não é de Deus”! Olhos arregalados, completava ainda: “O medo é a ausência de fé em Deus. Falta de uma fortaleza interna!” Mesmo que minha fé me abandonasse Vez ou outra, quando conseguia Reconhecer minha covardia, lembrava: “O medo não é de Deus!” Tememos muitas coisas. “Hesito, logo existo” É o bordão modernizado. Por isso nos surpreende o gesto heroico. Num átimo, o ser não duvida de nada. Não duvida do que tem de fazer imediatamente, Mesmo que isso seja irracional. Mesmo que isso seja loucura Porque, naquele instante, Mesmo o mais vacilante passa a ter certeza do que deve, precisa e deseja fazer. Então ergue-se nele essa fortaleza. De onde ela vem? Nem sempre da fé em um Deus, Mas simplesmente da fé: Fé na mudança Fé no fim da injustiça Fé em si mesmo Fé em poder mudar o mundo! Mesmo que seja apenas um menino e sua única arma uma ingênua pedra diante de um tanque, diante de toneladas de ferro, diante de incalculável ódio E, finalmente, diante do medo. In memoriam de Faris Odeh, morto com apenas 13 anos, no dia 8 de novembro de 2000, por um sniper israelense
O Sem-nome’
Mergulho

A memória me abisma.
Cativa-me a liberdade.
Deleita-me a doçura.
Seu desejo me arrebata.
Assim carrego o abstrato em minha mente,
Que é o verdadeiro coração de gente
Que quer não querendo de todo,
De gente que, privada de quase tudo,
Resolveu dar só um pouco de quase nada.
Como se mergulhasse, mas volta e meia,
emergisse para respirar.
Um lapso é a minha respiração,
É meu mergulho com vísceras insufladas.
O resto é agonia e desejo de respirar aliviada.



