Os aromas da cidade

Maria Fumaça

 

Na cidade que rescende à resina de araucária,

Delicados beija-flores duelam ferozmente

pelo néctar com os floretes de seus bicos.

Na cidade que exala a flor de cerejeira,

Os habitantes da construção holandesa,

adornada pelo jardim japonês, são nipônicos.

Na cidade que cheira a chocolate,

Coelhos assustados cruzam estradas;

Nuvens de algodão envolvem

casas, árvores, cabeças.

Marias-fumaça encorpam nuvens baixas

E evocam tempos antigos.

Na cidade que ostenta aroma de forno a lenha,

Barracos, pousadas, castelos e Palácios

nos lembram de coisas que nunca

existiram em seu tempo certo ali.

Telhados inclinados esperam

para sempre a neve que nunca virá.

Numa estrada da cidade que exala a cerveja

feita a mão Baden Baden,

cai um homem

E os montesinos não o acodem.

Na cidade de pesadelo e sonho,

Nessa dança de aromas doces e acres,

Os enamorados se escondem.

À Palestina,

o sangue, que jorra das veias de seu povo,

É esquecido, é ignorado.

Até quando fingiremos que tudo é normal?

Até quando viraremos as costas àqueles que sofrem

de um grande mal?

“Assim caminha a humanidade”, uns dizem.

Outros permanecem calados,

Enquanto seus filhos se esquivam da morte sem

Saber se seus passos serão lembrados.

Todos eles serão só números quantificados?

Alguns ainda virarão dissertação ou teses de doutorado,

Mas sem nome, sem lar

Nem água nem chão,

Todos seus filhos serão

prisioneiros em seu próprio torrão?

E todos nós sem a vergonha de deixar

que isso aconteça a um irmão?

11-07-2012