O Portal da Vida e da Morte
Quando estava perdido, Tentando conciliar a dor e a alegria, O corpo e o espírito, Você e eu, Soube que existe um lugar, Um lugar onde há um portal, O “Portal da Vida e da Morte”. O portal que nos levará à Revolução tão esperada, Quando, finalmente, o claro e o escuro, a pedra e a pluma, o céu e a terra serão parte de um mesmo todo, Sem se digladiar. Mas onde o Portal da Vida e da Morte estará? Só sei que é perto do “Ponto de Ouro de um Milhão". Esse é o segredo da vida, que há pouco intuí, mas nunca completo vi.
Bizarro
Dói tanto em mim a dor da tua solidão,
Dói tanto, que se, para ti,
Tomasses outra pessoa qualquer,
Através dela, sentiria que estamos
juntos numa perfeita comunhão.
Como gêmeos que habitam o mesmo corpo
Ou entidade que incorpora alguém,
através dela, moveria meu ser
E sentiria que tu me possuis também.
Ao sentir essa mulher,
Porque serei uma, se te convêm,
Formaríamos uma fraternidade,
Uma santíssima trindade
tão sagrada, que todos teriam de dizer amém.
Até mesmo tu, que não acreditas em ninguém…
Olhos de Paisagem
Com seus cílios pinto
Uma paisagem atemporal,
estou me esvaindo por seus rios,
estou sendo arrastada
por sua correnteza,
Estou sucumbindo.
Sobre as árvores rostos observam curiosos
E impassíveis minha queda.
Nenhum ombro me ampara.
Pensam que flutuo na torrente,
Que, à superfície, se assemelha
A um lago plácido.
Mas,submerso, um turbilhão
retorce minhas entranhas.
Quem poderia me salvar de ser dragada
E impedir que eu seja afogada
em suas íris?
“Indescrição”
Não sou um cão
Ou uma dama de negro,
impassíveis do inferno,
tampouco boas.
cachorra e homicida?
uma dessas coisas,
Poesia
O que importa
Pouco importa se isto
vem do suor dos escravos
Ou das lágrimas fingidas dos nobres!
Que me importa se a origem disto
é o lodo fosco do pântano
Ou o brilho reluzente
do ouro e do diamante?
Que importância há se isto
brota do êxtase de um santo
Ou da humilhação
de um rejeitado amante?
Do néctar das flores
ou do pus dos ferimentos
de um mendigo?
Se isto foi extraído do sangue
de uma presa abatida,
Do frescor ou da podridão?
Se do belo corpo ou da carcaça?
Quem dá mais importância à pedreira de onde
O escultor retirou a pedra, do que à vida
que ele arrancou de dentro dela
Nasceu cego, mas não sabe!

Mulher dormindo
Na noite calada, quando o silêncio visita as moradas, um ladrão invadiu o sossego do meu sono.
Depôs seus bens ao chão.
Ajoelhou-se sobre a criança, que volto a ser, quando durmo.
Desnudou meu sono, sem se importar em violar-me os olhos puros.
Num susto, acordo, mas já foge longe meu ladrão de sonhos.









![[SCM]actwin,11,11,16,16;](https://poeticadebotequim.com/wp-content/uploads/2012/09/henryfuseli-suic3a7a-1741-1825o-pesadelo-1781-ost-102x126instituto-de-belas-artes-de-detroit-eua.jpg?w=300)