Bares, cafés e clubes, a partir do século XIX, não eram apenas um ambiente para a happy hour. Eles foram o cenário onde questões políticas, filosóficas, movimentos artísticos revolucionários se espalharam. O propósito deste site é o mesmo: criar um espaço virtual para expressão livre de ideais, reflexões e sentimentos, com espírito crítico em relação a nossa Cultura.
Quem é você?
Quem sou eu?
Da mistura de nós dois,
Nasceu um lago tranquilo
Que encobriu vilas,
Torres e cruzes
Nasceu um campo de flores,
Um bosque e um pasto
Nasceu um sol, uma nuvem e um vento fresco.
21 de setembro…… sem palavras,
frio como uma navalha,
17 anos de ausência, uma lágrima
17 anos de angústia e saudades
Triste primavera foi aquela…
Longos os anos, pesado o fardo,
Pois mesmo certo da tua cura,
A dor em ondas me afoga.
Que a luz esteja contigo, pois eu ainda demoro…
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade.
Amo-te afim, de um calmo amor prestante,
E te amo além, presente na saudade.
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.
Amo-te como um bicho, simplesmente,
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente.
E de te amar assim muito e amiúde,
É que um dia em teu corpo de repente
Hei de morrer de amar mais do que pude.
“Oh! pura Safo, de violetas coroada e de suave sorriso, queria dizer-te algo, mas a vergonha me impede.”
Safo lhe respondeu:
“Se teus desejos fossem decentes e nobres e tua língua incapaz de proferir baixezas, não permitirias que a vergonha te nublasse os olhos – dirias claramente aquilo que desejasses”.
Jacó trabalhou como pastor para Labão
Durante sete anos para merecer a mão
de sua filha Raquel, serrana bela.
Mas se não a visse novamente,
antes de a Terra girar quatro
vezes mais ao redor do Sol,
Jacó, dela, se lembraria?
Tudo o que os olhos não viram,
naquela época remota da juventude,
o peito, agora maduro, ainda desejaria?
Nosso menino, ao crescer, nem das saias
De sua impúbere menina se esqueceu.
Ao contrário do pai de Raquel _que não
premiou Jacó, matando-o por dentro
ao entregar-lhe a outra filha mais velha, Lia,
_ o remendo das pontas soltas da vida
É o presente que receberá por sua espera.
Febre de mancebo dura a vida toda!
Thaís GM
06-09-2012
Contraponto a:
Trecho do texto de Gian Luca para ler o texto completo acesso o link – Clamor do Sexo
Poema de Wordsworth declamado por Deani no fim do filme:
“What though the radiance which was once so bright Be now for ever taken from my sight, Though nothing can bring back the hour Of splendour in the grass, of glory in the flower; We will grieve not, rather find Strength in what remains behind”
Tradução.
“O que de esplendor outrora tão brilhante agora seja tomado de minha vista para sempre. Apesar de que nada pode trazer de volta a hora de esplendor na relva, de glória numa flor, não nos afligiremos. Encontraremos forças no que ficou para trás.” Wordsworth
Enfim te vejo! — enfim posso,
Curvado a teus pés, dizer-te,
Que não cessei de querer-te,
Pesar de quanto sofri.
Muito penei! Cruas ânsias,
Dos teus olhos afastado,
Houveram-me acabrunhado
A não lembrar-me de ti!
II
Dum mundo a outro impelido,
Derramei os meus lamentos
Nas surdas asas dos ventos,
Do mar na crespa cerviz!
Baldão, ludíbrio da sorte
Em terra estranha, entre gente,
Que alheios males não sente,
Nem se condói do infeliz!
III
Louco, aflito, a saciar-me
D’agravar minha ferida,
Tomou-me tédio da vida,
Passos da morte senti;
Mas quase no passo extremo,
No último arcar da esp’rança,
Tu me vieste à lembrança:
Quis viver mais e vivi!
IV
Vivi; pois Deus me guardava
Para este lugar e hora!
Depois de tanto, senhora,
Ver-te e falar-te outra vez;
Rever-me em teu rosto amigo,
Pensar em quanto hei perdido,
E este pranto dolorido
Deixar correr a teus pés.
V
Mas que tens? Não me conheces?
De mim afastas teu rosto?
Pois tanto pôde o desgosto
Transformar o rosto meu?
Sei a aflição quanto pode,
Sei quanto ela desfigura,
E eu não vivi na ventura…
Olha-me bem, que sou eu!
VI
Nenhuma voz me diriges!…
Julgas-te acaso ofendida?
Deste-me amor, e a vida
Que me darias — bem sei;
Mas lembrem-te aqueles feros
Corações, que se meteram
Entre nós; e se venceram,
Mal sabes quanto lutei!
VII
Oh! se lutei! . . . mas devera
Expor-te em pública praça,
Como um alvo à populaça,
Um alvo aos dictérios seus!
Devera, podia acaso
Tal sacrifício aceitar-te
Para no cabo pagar-te,
Meus dias unindo aos teus?
VIII
Devera, sim; mas pensava,
Que de mim t’esquecerias,
Que, sem mim, alegres dias
T’esperavam; e em favor
De minhas preces, contava
Que o bom Deus me aceitaria
O meu quinhão de alegria
Pelo teu, quinhão de dor!
IX
Que me enganei, ora o vejo;
Nadam-te os olhos em pranto,
Arfa-te o peito, e no entanto
Nem me podes encarar;
Erro foi, mas não foi crime,
Não te esqueci, eu to juro:
Sacrifiquei meu futuro,
Vida e glória por te amar!
X
Tudo, tudo; e na miséria
Dum martírio prolongado,
Lento, cruel, disfarçado,
Que eu nem a ti confiei;
“Ela é feliz (me dizia)
“Seu descanso é obra minha.”
Negou-me a sorte mesquinha. . .
Perdoa, que me enganei!
XI
Tantos encantos me tinham,
Tanta ilusão me afagava
De noite, quando acordava,
De dia em sonhos talvez!
Tudo isso agora onde pára?
Onde a ilusão dos meus sonhos?
Tantos projetos risonhos,
Tudo esse engano desfez!
XII
Enganei-me!… — Horrendo caos
Nessas palavras se encerra,
Quando do engano, quem erra.
Não pode voltar atrás!
Amarga irrisão! reflete:
Quando eu gozar-te pudera,
Mártir quis ser, cuidei qu’era…
E um louco fui, nada mais!
XIII
Louco, julguei adornar-me
Com palmas d’alta virtude!
Que tinha eu bronco e rude
Co que se chama ideal?
O meu eras tu, não outro;
Stava em deixar minha vida
Correr por ti conduzida,
Pura, na ausência do mal.
XIV
Pensar eu que o teu destino
Ligado ao meu, outro fora,
Pensar que te vejo agora,
Por culpa minha, infeliz;
Pensar que a tua ventura
Deus ab eterno a fizera,
No meu caminho a pusera…
E eu! eu fui que a não quis!
XV
És doutro agora, e pr’a sempre!
Eu a mísero desterro
Volto, chorando o meu erro,
Quase descrendo dos céus!
Dói-te de mim, pois me encontras
Em tanta miséria posto,
Que a expressão deste desgosto
Será um crime ante Deus!
XVI
Dói-te de mim, que t’imploro
Perdão, a teus pés curvado;
Perdão!… de não ter ousado
Viver contente e feliz!
Perdão da minha miséria,
Da dor que me rala o peito,
E se do mal que te hei feito,
Também do mal que me fiz!
XVII
Adeus qu’eu parto, senhora;
Negou-me o fado inimigo
Passar a vida contigo,
Ter sepultura entre os meus;
Negou-me nesta hora extrema,
Por extrema despedida,
Ouvir-te a voz comovida
Soluçar um breve Adeus!
XVIII
Lerás porém algum dia
Meus versos d’alma arrancados,
D’amargo pranto banhados,
Com sangue escritos; — e então
Confio que te comovas,
Que a minha dor te apiade
Que chores, não de saudade,
Nem de amor, — de compaixão,
minha arrogância me fez desdenhar das paixões.
os descomedidos Romeu, Werther, Paolo e Francesca
eram para mim caricaturas disformes e descontroladas,
eram para mim fracos seres irracionais,
eram para mim loucos...
admirava suas experiências
que me atingiam pela beleza.
eis a que se resumia minha propalada
sensibilidade para o lirismo.
cínica que eu fui,
em tempos cínicos.
a ironia e o sarcasmo são nossas heranças.
ah! tola! nem imaginava que tudo que eu havia
sentido até então eram mediocridades
pela distância
pelo orgulho
causados pelo medo vital.
acha-me sábia e experiente
superior por me preocupar com as dores de amores dos desvairados.
superior a ponto de sentir raiva dos descontroles alheios
que ferem,
que escandalizam,
que levam ao suplício.
“O calor dos animais aqueceu melhor o menino Jesus
na manjedoura” do que eu a meus afetos...
só agora entendo profundamente o que significa:
a experiência de Santa Tereza,
as pulsões que inspiraram “Uma temporada no Inferno”,
que reli na Livraria Cultura entre lágrimas,
por ter recebido essa graça desconhecida da maioria
por só agora entender, não cerebralmente
por só agora entender não com o covarde
“cauteloso pouco a pouco” burguês
ou com a aurea mediocritas clássica;
por só agora entender vivendo o que significa
“The road of excess leads to the palace of wisdom;
for we never know what is enough
until we know what is more than enough.”
chorei por só agora entender, não com a mente,
mas com cada fibra do meu corpo
que agora, só agora pulsa em outra frequência.
meu coração caiu a quatro palmos do lugar original.
tudo que eu li,
tudo que vi,
tudo que toquei e degustei,
precisarei provar novamente agora.
Quando estava perdido,
Tentando conciliar a dor e a alegria,
O corpo e o espírito,
Você e eu,
Soube que existe um lugar,
Um lugar onde há um portal,
O “Portal da Vida e da Morte”.
O portal que nos levará à Revolução tão esperada,
Quando, finalmente, o claro e o escuro,
a pedra e a pluma,
o céu e a terra serão parte de um mesmo todo,
Sem se digladiar.
Mas onde o Portal da Vida e da Morte estará?
Só sei que é perto do “Ponto de Ouro de um Milhão".
Esse é o segredo da vida, que há pouco intuí, mas nunca completo vi.