Mês: outubro 2012
Mergulho

A memória me abisma.
Cativa-me a liberdade.
Deleita-me a doçura.
Seu desejo me arrebata.
Assim carrego o abstrato em minha mente,
Que é o verdadeiro coração de gente
Que quer não querendo de todo,
De gente que, privada de quase tudo,
Resolveu dar só um pouco de quase nada.
Como se mergulhasse, mas volta e meia,
emergisse para respirar.
Um lapso é a minha respiração,
É meu mergulho com vísceras insufladas.
O resto é agonia e desejo de respirar aliviada.
Duplo Carimbo
Quando insisto que preciso
Ser as roupas que te envolvem,
Ninguém entende o motivo.
À tua pele estaria colada,
Te revestindo, te protegendo
Do frio, do sol, da chuva,
De olhares que alhures
Pudessem perturbar teu pudor
E enciumar esta distante
Imaginação que te perscruta.
Ao me perfumar, teus doces bálsamos,
Curariam a ânsia que me domina.
O espectro de tua presença
Se impregnaria em meus
Tecidos me acompanhando.
Tuas formas se desenhariam em mim,
Grudadas ao entrelaçamento de meus fios,
Guardando a memória residual de tua estada.
Também meus botões, fechos,
Costuras marcariam tua pele.
Assim, viveríamos numa troca
eterna: ora te sigo
Ora me segues,
Como duplo carimbo.
O Portal da Vida e da Morte
Quando estava perdido, Tentando conciliar a dor e a alegria, O corpo e o espírito, Você e eu, Soube que existe um lugar, Um lugar onde há um portal, O “Portal da Vida e da Morte”. O portal que nos levará à Revolução tão esperada, Quando, finalmente, o claro e o escuro, a pedra e a pluma, o céu e a terra serão parte de um mesmo todo, Sem se digladiar. Mas onde o Portal da Vida e da Morte estará? Só sei que é perto do “Ponto de Ouro de um Milhão". Esse é o segredo da vida, que há pouco intuí, mas nunca completo vi.



