Nós

Thaís de Godoy Chegamos até aqui fomos longe demais... nossa vida tripla, ano após ano, nos uniu eu você e nós e os nossos nós nós dos nossos dedos tortos apontam um futuro incerto nos esquecemos de duvidar das nossas dúvidas de questionar nossos questionamentos... Alexandre ainda procura com sua espada aquele nó górdio que …

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Interregno

        Em memória de Paulo de Godoy Na hora da Lua Vazia, você nos abandonou! A lua cheia era uma cabeça pendurada no ar Perfeitamente alinhada a dois pingentes de diamantes. Você escolheu um lindo dia Você escolheu um lindo lusco-fusco Uma linda noite de indescritível silêncio capsular Você escolheu absoluto o …

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Poesia III

Tirei minha Tristeza pra dançar. Dançamos uma valsa de silêncios dolorosos, Rodopiei por salas habitadas Por todas as partidas prematuras Em que ela me guiava, me girando pelos ares. Com um nó preso bem no fundo da garganta, Entreguei, sem luta e por cansaço, Minhas fibras à cadência de seus passos. Olhando bem no fundo …

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Apenas palavras

As palavras são nada. Em si, carecem de sentidos, se os gestos não as acompanharem. Assim calar é louvável a alguns algures. Imprudência confiar nas palavras, já que quem mente mergulha a todos em fantasia? Sonha que a todos ludibria? Para si, ciladas cria? Mas não ilude plenamente: há uma gota de verdade em cada mentira. …

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Destaque

Poeta obscuro

Imaginei como seria um poema escrito por meu pai em homenagem a Carlos Bueno Guedes e Federico Garcías Lorca, ambos artistas presos por regimes totalitários que esmagam pessoas idealistas e temem em excesso perigosos poetas. Infelizmente, meu pai faleceu e não teve oportunidade de conhecer a história de Carlos, seu teatro, seus milhares de poemas …

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Quarto de despejo e a norma culta

Thaís de Godoy Abaixo há um trecho do diário de Carolina Maria de Jesus, moradora da favela do Canindé, em São Paulo, catadora de lixo e mãe de três filhos. Suas palavras foram transcritas letra por letra, desconsiderando o fato de que ela escreve fora da norma culta e no ano de 1955, antes da …

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Insônia

<img class="img-responsive img-rounded" style="box-sizing:border-box;border:0;vertical-align:middle;display:block;max-width:100%;height:200px;border-radius:6px;float:left;width:200px;margin-right:10px;margin-bottom:10px;" title="Álvaro de Campos (Heterónimo de Fernando Pessoa)" src="http://www.citador.pt/images/autorid21244.jpg"> Álvaro de Campos Insónia Não durmo, nem espero dormir. Nem na morte espero dormir. Espera-me uma insónia da largura dos astros, E um bocejo inútil do comprimento do mundo. Não durmo; não posso ler quando acordo de noite, Não posso escrever quando acordo …

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Diversão

Eu escuto uma música colorida Ela invade minha mente Eu quero dançar até amanhecer Pra não pensar em você Aumento o volume daquela música Eu dedilho minhas cordas Até meus dedos sangrarem Quero estourar minhas caixas Pra silenciar meus pensamentos A paisagem desliza ao nosso lado Correm montanhas Os rios passam voando Tento ler as …

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Somos Professores

Não sei a autoria deste texto, que está sendo divulgado nas redes sociais anonimamente. Como professora, eu me identifiquei totalmente com a mensagem. Somos professores e recebemos palpites e julgamentos de todo mundo. Do ministro da educação, do jornalista, do pai do aluno, das famílias. Aquela piadinha que o professor tem regalias, duas férias por …

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Destaque

Incubus

  Incubus No vale, uma sombra esgueira-se pelo silencioso jardim, Passa diante da solitária janela  do campo. Do indefeso corpo cansado de colher O sono logo se apossa. A inocência do repouso perturbada. Vitalidade dragada à exaustão. Espírito de satisfação sedento e preso sob o peso De encantos enganosos De deleites incertos De horripilante prazer, Num …

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