No lugar da Aletheia

Este 04 de março de 2016 (sempre março!) tem tudo pra ser um dia histórico, desses que entram definitivamente para a memória política do país. Assim será porque, neste dia, as investigações sobre corrupção na Petrobras, realizadas pela Polícia, pelo Ministério Público e pela Justiça federais chegaram até o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva.

A requerimento do Ministério Público e por ordem da Justiça, a Polícia Federal realizou buscas e apreensões na casa do ex-presidente da república, na casa de seus familiares, e em seguida conduziu Lula da Silva, coercitivamente, para prestar esclarecimentos numa repartição da polícia em São Paulo.

O Ministério Público Federal, em nota divulgada durante o dia, disse que há indícios e evidências de que: (1) o ex-presidente Lula foi beneficiado com dinheiro desviado da Petrobras; (2) disse que ele recebeu dinheiro, sem justificativa, de empresas que têm contrato com a Petrobras; (3) disse que ele ocultou patrimônio que lhe foi doado por essas empresas; (4)  e disse ainda que ele, a título de palestras, recebeu “pagamentos vultosos” dessas empresas beneficiadas pelo esquema de corrupção na nossa petroleira.

Essas acusações são graves.

Cumpre agora ao órgão acusador prová-las em juízo. É preciso, pois, que o Ministério Público da União apresente ao juiz competente uma acusação formal, por meio de uma denúncia técnica, produzindo também as provas de suas alegações, pois o ônus da prova compete a quem alega, “probatio incumbit asserenti”, conforme já diziam os latinos no foro romano.

Do acusado, exige-se apenas que se defenda. A defesa é um direito, mas é também um ônus, tem que ser efetiva. O réu deve defender-se, mas não tem a obrigação de provar que é inocente, pois a sua inocência já está presumida na Constituição Federal, art. 5º, LVII, que diz: “ninguém será considerado culpado antes do trânsito em julgado de sentença penal condenatória”.

Esse “duelo” de alegações e provas, esse combate entre a acusação e a defesa, deve ser deslindado e decidido por um juiz imparcial. E aqui começa o drama do ex-presidente Lula da Silva porque, como se sabe, ele será julgado por um juiz que participou ativamente das investigações feitas pela polícia e pelo órgão acusador, um juiz cuja imparcialidade pode estar ameaçada ou mesmo comprometida.

Notem bem, por favor, ninguém está sustentando aqui a inocência do Lula nem a má-fé do magistrado que o julgará. O que se questiona é um fato objetivo, ou seja: um juiz que defere a produção de diligências investigatórias, que defere a realização de provas destinadas a embasar uma acusação, que atua lado a lado com acusadores e policiais, conseguirá julgar os fatos com isenção e imparcialidade? Um juiz comprometido com o sucesso das investigações não estará, automaticamente, comprometido também com o sucesso das acusações? Não será, portanto, um juiz propenso a condenar?

Nem aqueles que conhecem ou que julgam conhecer a alma, a natureza e as paixões humanas se atrevem a responder a tais perguntas. Por isso, o mais prudente, o mais sensato, o mais seguro, como já preveem algumas legislações processuais pelo mundo afora, é que nesse caso o julgamento fique a cargo de um outro juiz, que não se envolveu, de maneira nenhuma, com atividades investigatórias, cuja atribuição é exclusiva de policiais e acusadores.

Essas questões também são graves.

Acusações formalmente apresentadas, observância do contraditório e da ampla defesa, respeito às liberdades públicas, utilização de provas lícitas e julgamentos imparciais são condições indispensáveis ao “devido processo legal” – o processo das sociedades modernas, civilizadas e democráticas.

Mas, os indícios de que o ex-presidente Lula terá problemas (extras) com o “devido processo legal” são muito fortes. Por exemplo, alguém explica o motivo pelo qual o juiz, que julgará o ex-presidente da república, determinou a condução coercitiva dele na data de hoje? Era necessária essa condução espetaculosa, e todo esse circo midiático, em torno da diligência policial?

E tem mais: alguém explica por que a mídia privada e empresarial, no dia anterior à condução coercitiva do ex-presidente, “publicou” depoimentos sigilosos feitos no âmbito da Lava Jato? Alguém explica por que a Rede Globo, na véspera da “quase-prisão” do ex-presidente, fez um enorme escarcéu nos seus telejornais noturnos, preparando a opinião pública para acolher, e aplaudir, as ações da polícia?

Essa “parceria” entre os órgãos públicos do sistema de justiça e a mídia privada não tem nenhuma previsão na lei e são estranhas ao “devido processo legal”. Fica parecendo até que os órgãos públicos de investigação, acusação e julgamento convocam a mídia porque não têm capacidade de exercer, por si próprios, os seus misteres e funções. A que se deve essa participação das empresas privadas de comunicação nas tarefas públicas de administração da justiça?

Essas questões são ainda mais graves.

Todos os brasileiros bem-intencionados, imagino, querem que a verdade realmente prevaleça. Mas, cuidado. A verdade, aliás, a “verdade real”, também foi a obsessão dos processos criminais instaurados pelo Tribunal da Santa Inquisição na Idade Média, e dos processos instaurados e presididos pelos senhores de baraço e cutelo no feudalismo inquisitorial.

Se a busca da verdade, a tal da Aletheia, for feita sem a rigorosa observância do devido processo legal, sem a devida imparcialidade e isenção dos julgadores, com a colaboração sempre suspeita (e interessada) dos órgãos privados de comunicação de massa, e de maneira espetaculosa, quase circense, vai desculpar, mas o que acabará prevalecendo no final das contas é a dúvida… no lugar da verdade, no lugar da Aletheia.

https://avessoedireito.wordpress.com/2016/03/04/no-lugar-da-aletheia/

Chomsky: Este é o momento mais crítico na história da humanidade

Numa longa conversa, Chomsky analisa as principais tendências do cenário internacional, critica a escalada militarista do seu país e afirma que as alterações climáticas são o pior problema que a humanidade já enfrentou. Por Agustín Fernández Gabard e Raúl Zibechi

9 de Fevereiro, 2016 – 15:08h

Noam Chomsky e a propaganda.png

“Os Estados Unidos foram sempre uma sociedade colonizadora. Ainda antes de se constituir como Estado estava a eliminar a população indígena, o que significou a destruição de muitas nações originais”, sintetiza o linguista e ativista norte-americano Noam Chomsky quando se lhe pede que descreva a situação política mundial. Crítico acérrimo da política externa do seu país, argumenta que desde 1898 se virou para o cenário internacional com o controle de Cuba, “que converteu essencialmente em colônia”, para depois invadir as Filipinas, “assassinando milhares de pessoas”.

Continua a alinhavar uma espécie de contra-história do império: “Depois roubou o Hawai à sua população original, 50 anos antes de incorporá-la como mais um estado”. Imediatamente depois da segunda Guerra Mundial, os Estados Unidos converteram-se em potência internacional, “com um poder sem precedente na história, um incomparável sistema de segurança, controlava o hemisfério ocidental e os dois oceanos, e naturalmente traçou planos para tentar organizar o mundo de acordo com os seus desejos”.

Concorda que o poder da superpotência diminuiu em relação ao que tinha em 1950, o pico do seu poder, quando acumulava 50 por cento do produto interno bruto mundial, que agora caiu para 25 por cento. Ainda assim, parece-lhe necessário recordar que os Estados Unidos continuam a ser “o país mais rico e poderoso do mundo, e a nível militar é incomparável”.

Um sistema de partido único

Há algum tempo Chomsky comparou as votações no seu país com a escolha de uma marca de pasta de dentes num supermercado. “O nosso é um país de um só partido político, o partido da empresa e dos negócios, com duas facções, democratas e republicanos”, proclama. Mas acha que já não é possível continuar a falar de duas velhas comunidades políticas, já que as suas tradições sofreram uma mutação completa durante o período neoliberal.

“São os republicanos modernos que se fazem chamar democratas, enquanto a antiga organização republicana ficou fora do espectro, porque ambas as partes se deslocaram para a direita durante o período neoliberal, tal como aconteceu na Europa”. O resultado é que os novos democratas de Hillary Clinton adotaram o programa dos velhos republicanos, enquanto estes foram completamente tomados pelos neoconservadores. “Se você vir os espetáculos televisivos onde dizem debater, só gritam uns com os outros e as poucas políticas que apresentam são aterradoras”.

Os Estados Unidos continuam a ser “o país mais rico e poderoso do mundo, e militarmente é incomparável”

Por exemplo, ele aponta que todos os candidatos republicanos negam o aquecimento global ou são céticos, que apesar de não o negarem dizem que os governos não devem fazer algo sobre isso. “No entanto, o aquecimento global é o pior problema que a espécie humana jamais enfrentou, e nos dirigimos para um desastre completo”. Na opinião dele, as alterações climáticas têm efeitos só comparáveis com a guerra nuclear. Pior ainda, “os republicanos querem aumentar o uso de combustíveis fósseis. Não estamos perante um problema de centenas de anos, mas de uma ou duas gerações”.

A negação da realidade, que caracteriza os neoconservadores, corresponde a uma lógica semelhante à que impulsiona a construção de um muro na fronteira com o México. “Essas pessoas que tentamos afastar são as que fogem da destruição causada pelas políticas norte-americanas”.

“Em Boston, onde vivo, há um par de dias o governo de Obama deportou um guatemalteco que viveu aqui durante 25 anos; tinha uma família, uma empresa, era parte da comunidade. Tinha escapado da Guatemala destruída durante a administração Reagan. Em resposta, a ideia é construir um muro para proteger-nos. Na Europa é o mesmo. Quando vemos milhões de pessoas fugindo da Líbia e da Síria para a Europa, temos que nos interrogar sobre o que aconteceu nos últimos 300 anos para chegarmos a isto”.

Invasões e alterações climáticas retroalimentam-se

Há apenas 15 anos não existia o tipo de conflito que observamos hoje no Médio Oriente. “É consequência da invasão norte-americana do Iraque, que é o pior crime do século. A invasão britânico-norte-americana teve consequências horríveis, destruíram o Iraque, que agora é classificado como o país mais infeliz do mundo, porque a invasão tirou a vida a centenas de milhares de pessoas e criou milhões de refugiados, que não foram acolhidos pelos Estados Unidos e tiveram que ser recebidos pelos países vizinhos pobres, os quais foram encarregados de recolher as ruínas do que nós destruímos. E o pior de tudo é que instigaram um conflito entre sunitas e xiítas que não existia antes”.

As palavras de Chomsky recordam a destruição da Iugoslávia durante a década de 1990, instigada pelo Ocidente. Destaca que, tal como Sarajevo, Bagdá era uma cidade integrada, onde os diversos grupos culturais compartilhavam os mesmos bairros, se casavam com membros de diferentes grupos étnicos e religiões. “A invasão e as atrocidades que se seguiram instigaram a criação de uma monstruosidade chamada Estado Islâmico, que nasce com financiamento saudita, um dos nossos principais aliados no mundo”.

Um dos maiores crimes foi, em sua opinião, a destruição de grande parte do sistema agrícola sírio, que assegurava a alimentação, o que levou milhares de pessoas para as cidades, “criando tensões e conflitos que explodem mal começa a repressão”.

Uma das suas hipóteses mais interessantes consiste em cruzar os efeitos das intervenções armadas do Pentágono com as consequências do aquecimento global.

Na guerra no Darfur (Sudão), por exemplo, os interesses das potências convergem com a desertificação que expulsa populações inteiras das zonas agrícolas, o que agrava os conflitos. “Estas situações desembocam em crises horríveis, como acontece na Síria, onde se registra a maior seca da sua história que destruiu grande parte do sistema agrícola, gerando deslocamentos, exacerbando tensões e conflitos”, reflete.

Ainda não temos pensado profundamente, destaca, sobre o que implica esta negação do aquecimento global e os planos a longo prazo que os republicanos pretendem acelerar: “Se o nível do mar continua a subir e sobe mais rapidamente, vai engolir países como o Bangladesh, afetando centenas de milhões de pessoas. Os glaciares do Himalaia estão derretendo rapidamente, pondo em risco o abastecimento de água ao sul da Ásia. Que vai acontecer a essas milhões de pessoas? As consequências iminentes são horrendas, este é o momento mais importante na história da humanidade”.

Chomsky acredita que estamos perante uma curva da história em que os seres humanos têm que decidir se querem viver ou morrer: “Digo-o literalmente. Não vamos morrer todos, mas se destruiriam as possibilidades de vida digna, e temos uma organização chamada Partido Republicano que quer acelerar o aquecimento global. Não exagero – remata– é exatamente o que querem fazer”.

A seguir, cita o Boletim de Cientistas Atômicos e o seu Relógio do Apocalipse, para recordar que os especialistas sustentam que na Conferência de Paris sobre o aquecimento global era impossível conseguir um tratado vinculante, apenas acordos voluntários. “Por quê? Porque os republicanos não o aceitariam. Bloquearam a possibilidade de um tratado vinculante que poderia ter feito algo para impedir essa tragédia em massa e iminente, uma tragédia como nunca existiu na história da humanidade. É disso que estamos a falar, não são coisas de importância menor”.

Guerra nuclear, possibilidade certa

Chomsky não é das pessoas que se deixam impressionar por modas acadêmicas ou intelectuais; o seu raciocínio radical e sereno procura evitar furores e, talvez por isso, mostra-se avesso a aceitar a anunciada decadência do império. “Tem 800 bases em todo o mundo e investe no seu exército tanto como todo o resto do mundo. Ninguém tem algo assim, com soldados combatendo em todas as partes do mundo. A China tem uma política principalmente defensiva, não possui um grande programa nuclear, ainda que possa crescer”.

O caso de Rússia é diferente. É a principal pedra no sapato da dominação do Pentágono, “porque tem um sistema militar enorme”. O problema é que tanto a Rússia como os Estados Unidos estão a ampliar os seus sistemas militares, “ambos estão a atuar como se a guerra fosse possível, o que é uma loucura coletiva”. Pensa que a guerra nuclear é irracional e que só poderia acontecer em caso de acidente ou erro humano. No entanto, coincide com William Perry, ex-secretário da Defesa, que disse recentemente que a ameaça de uma guerra nuclear é hoje maior do que era durante a Guerra Fria. Chomsky considera que o risco se concentra na proliferação de incidentes que envolvem forças armadas de potências nucleares.

“A guerra esteve muito próxima inúmeras vezes”, admite. Um dos seus exemplos favoritos é o que aconteceu durante o governo de Ronald Reagan, quando o Pentágono decidiu por à prova a defesa russa mediante a simulação de ataques contra a União Soviética.

“Resultou que os russos levaram isso muito a sério. Em 1983, depois de os soviéticos automatizarem, os seus sistemas de defesa detectaram um ataque de míssil norte-americano. Nestes casos o protocolo é ir diretamente ao alto comando e lançar um contra-ataque. Havia uma pessoa que tinha que transmitir essa informação, Stanislav Petrov, mas decidiu que era um falso alarme. Graças a isso, estamos aqui falando”.

Aponta que os sistemas de defesa dos Estados Unidos têm erros sérios e há umas semanas foi divulgado um caso de 1979, quando se detectou um ataque em massa com mísseis a partir da Rússia. Quando o conselheiro de Segurança Nacional, Zbigniew Brzezinski, estava levantando o telefone para chamar o presidente James Carter e lançar um ataque de represália, chegou a informação de que se tratava de um falso alarme. “Há dezenas de falsos alarmes em cada ano”, assegura.

Neste momento as provocações dos Estados Unidos são constantes. “A NATO está realizando manobras militares a 200 metros da fronteira russa com a Estônia. Nós não toleraríamos algo assim que acontecesse no México”.

O caso mais recente foi o abate de um caça russo que estava a bombardeando forças jihadistas na Síria em fins de novembro. “Há uma parte da Turquia rodeada por território sírio e o bombardeiro russo voou através dessa zona durante 17 segundos, e derrubaram-no. Uma grande provocação que felizmente não foi respondida pela força, mas levaram o seu mais avançado sistema antiaéreo para a região, o que lhes permite derrubar aviões da NATO”. Argumenta que fatos semelhantes estão acontecendo diariamente no mar da China.

A impressão que emerge dos seus gestos e reflexões é que se as potências que são agredidas pelos Estados Unidos atuassem com a mesma irresponsabilidade que Washington, o destino estaria traçado.

Entrevista com Noam Chomsky, por Agustín Fernández Gabard e Raúl Zibechi, publicada no jornal La Jornada em 7 de fevereiro de 2016. Tradução de Carlos Santos com alterações de Thaís de Godoy para o português do Brasil

 

Revelação de segredos da “guerra contra o terror” provam: militares americanos são psicopatas

“Hunter Killer – Como os drones revolucionaram a guerra contra o terror’ e “Drone Papers” revelam psicopatia no exército americano

 

Apesar do título, que mais parece uma propaganda do exército  norte-americano (já que na realidade a guerra é contra inocentes civis e não contra o “terror”) o livro HUNTER KILLER – Como os drones revolucionaram a guerra contra o terror escrito por Kevin Maurer e T. Mark McCurley, revela segredos monstruosos relacionados aos ataques por drones.

Oficiais mal preparados brincam com a vida de seres humanos como se estivessem jogando videogame.

Para se ter uma ideia da incompetência dos oficiais que “pilotam” os drones, eles são chamados pelos próprios colegas de os “losers” (perdedores) da Força Aérea, pois são os únicos na área que, imediatamente após terminarem o treinamento, entram em combate.

A seguir resenha do livro no site da editora:

“Em uma narrativa eletrizante, um dos primeiros pilotos a transformar os drones em máquinas de guerra oferece uma visão fundamental sobre a vida na comunidade de aeronaves remotamente pilotadas. Antes de se juntar à equipe do Predator, o tenente-coronel Mark McCurley associava a ideia de drones a aviões de controle remoto. Não poderia estar mais enganado: com seus novecentos quilos, são máquinas complexas, que representam um desafio para os novatos – o próprio McCurley teve de reaprender a voar sem asas.
Narrando sua trajetória de aspirante a piloto da Força Aérea a autor do primeiro manual do Predator, o tentente-coronel também revela alguns dos momentos mais marcantes – e secretos – da história da aeronave, como a morte do terrorista Anwar al-Awlaki e a participação no resgate de Marcus Luttrell, cuja história inspirou o filme O grande herói.
Mesmo distante dos campos de guerra, os combates eram impactantes para McCurley, porque, diferentemente dos pilotos de caça, ele era capaz de enxergar de perto cada uma de suas vítimas: “Eu estava quase chegando em casa quando senti o baque. Parado num sinal de trânsito, me dei conta de que tinha tirado uma vida. Não havia como o Facilitador me ferir. Eu tinha todo o poder. Além do mais, ele não estava atirando contra tropas americanas naquele momento. Falava ao telefone com a mulher. Que pecado maior eu poderia cometer?”.

Neste relato inédito, McCurley mostra ainda a evolução da frota de Predators: com mais de novecentas missões ao redor do mundo e superando as 17 mil horas de combate, os drones mudaram para sempre a história da guerra.”

O livro foi lançado nos EUA em outubro de 2015, dois dias depois o jornalista Glen Greenwald revelou na internet documentos chamados de Drone Papers com informações chocantes que revelam a monstruosidade das ações do exército americano possibilitadas por seu novo brinquedinho de matar. Na verdade, os “ataques cirúrgicos” são uma carnificina desumana contra a população civil morta em 87% dos casos, essas execuções são chamadas friamente de “danos colaterais”. E os “prêmios”, como eles cruelmente chamam os supostos suspeitos, são “escolhidos” sem nenhuma prova de que sejam realmente culpados, baseando-se em informações vagas como e-mails e grampos em celulares. Em certa ocasião, por exemplo, eles assassinaram um pastor que viva numa aldeia afegã pelo simples fato de ele ser alto e usar barba como Osama Bin Laden.

Os vídeos das ações dos drones, chamados de Pred Porn (Pornografia do Predador), são populares entre os militares, que sentem prazer em assistir em alta resolução a morte lenta de seus alvos, como se assistissem a um filminho hollywoodiano.

Drone: O Monstro Cego
Drone: O Monstro Cego

 

 

A atriz Emma Watson, a Hermione de “Harry Potter”, cria um clube do livro sobre feminismo

Emmawatson

A atriz Emma Watson formada pela Universidade Brown em 2014 e porta voz da campanha “He for She”, da Organização das Nações Unidas, vem realizando esforços para aumentar o debate sobre a igualdade de gêneros. “A partir do meu trabalho com a ONU, comecei a ler tantos livros e ensaios sobre igualdade quanto pude. Tem tanta coisa incrível por ai! Eu tenho descoberto tanta coisa que, às vezes, sinto que a minha cabeça está prestes a explodir… Eu decidi criar um clube do livro feminista e queria compartilhar o que estou aprendendo e ouvir suas opiniões também.”

O nome do grupo criado no Goodreads é “Our Shared Shelf” (Nossa prateleira compartilhada). Para participar de debates, fazer resenhas de livros, estabelecer metas de leitura ou fazer listas de livros desejados ou já lidos, é necessário criar uma conta primeiro.

Para acessar clique no link: Goodreads

Ela decidiu que a primeira leitura será “My Life on the Road(Minha Vida na Estrada), da jornalista e ativista Gloria Steinem.

Entrevista de Noam Chomsky por Donahue & Pozner – 1ª e 2ª partes

 

Apesar de a imagem estar bastante distorcida publicarei partes da entrevista de Noam Chomsky a primeira parte está em inglês sem legendas; as demais, em português. Ela ajuda a entender o antiamericanismo crescente no mundo hoje.

Até a década de 1937, Departamento de Estado Americano dizia que os EUA deveriam apoiar Hitler, porque ele era um moderado entre os extremos da esquerda e da direita.

A crise econômica no Brasil resulta do fracasso da estratégia liberal

Talvez ajude algumas pessoas a entender melhor o assunto

Hum Historiador

Esta é a conclusão de Eduardo Fagnani, professor do Instituto de Economia da Unicamp e integrante da Plataforma Política Social.

O texto a seguir foi publicado no portal da Carta Maior e teve como base a entrevista concedida pelo professor à repórter Marilu Cabañas, da Rádio Brasil Atual.

O Hum Historiador repercute o texto na íntegra a seguir. No site da Carta Maior é possível ouvir o áudio da entrevista concedida à Rádio Brasil Atual.

LIBERAIS SÃO HIPÓCRITAS QUANDO SE DIZEM ASSUSTADOS COM A CRISE

Peter Ilicciev

São Paulo – Em entrevista à repórter Marilu Cabañas da Rádio Brasil Atual, o economista Eduardo Fagnani, professor do Instituto de Economia da Unicamp e integrante da Plataforma Política Social, considera hipocrisia sem tamanho a atitude de economistas liberais de se assustarem com a atual crise econômica no país. “O que foi feito nada mais é do que aquilo que eles sempre receitaram; acham amarga uma comida cuja receita eles…

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Um movimento genuíno pela mudança social

“A guerra é a saúde do Estado”, escreveu em um ensaio clássico o crítico social Randolph Bourne, quando os EUA ingressaram na Primeira Guerra Mundial:


“Ela automaticamente coloca em movimento, em toda a sociedade, aquelas forças irresistíveis pela uniformidade, pela cooperação apaixonada com o governo ao coagir grupos minoritários e indivíduos que não tenham o sentido de rebanho para que obedeçam… Outros valores como a criação artística, o conhecimento, a razão, a beleza, a valorização da vida são instantaneamente e quase por unanimidade sacrificados, e as classes significativas que se constituíram a si mesmas como agentes do Estado não apenas sacrificam esses valores para si, mas se engajam na coerção de todas as outras pessoas para que os sacrifiquem.”

E a intelligentsia estava a serviço das “classes significativas” da sociedade, “treinada no pragmatismo, imensamente pronta para ordens executivas de eventos, lamentavelmente despreparada para a interpretação intelectual ou para o foco idealista nos fins”.

Essas pessoas estão “alinhadas a serviço da técnica de guerra. Parece ter havido uma simpatia peculiar entre a guerra e estes homens. É como se estivessem esperando um pelo outro”.

O papel da intelligentsia técnica na tomada de decisões é predominante nas partes da economia que estão “a serviço da técnica de guerra” e intimamente ligadas ao governo, o que garante sua segurança e crescimento.

Não é de admirar, então, que a intelligentsia técnica, tipicamente, esteja comprometida com o que o sociólogo Barrington Moore, em 1968, chamou de “a solução predatória da reforma de token em casa e do imperialismo contrarrevolucionário no exterior”.

Moore ofereceu o seguinte resumo da “voz predominante dos EUA em casa e no exterior” -uma ideologia que expressa as necessidades da elite socioeconômica americana, que é proposta com várias gradações de sutileza por muitos intelectuais norte-americanos, e que ganha a adesão substancial por parte da maioria que obteve “alguma participação na sociedade afluente”:

“Você pode protestar com palavras o quanto quiser. Há apenas uma condição associada à liberdade que nós gostaríamos muito de encorajar: seus protestos podem ser tão barulhentos quanto possível, desde que continuem a ser ineficazes… Qualquer tentativa de remover seus opressores pela força é uma ameaça à sociedade civilizada e ao processo democrático… Se vocês recorrerem à força, nós vamos, se necessário, tirá-los da face da terra pela resposta comedida que faz chover fogo dos céus”.

Uma sociedade na qual esta é a voz predominante, só pode ser mantida por alguma forma de mobilização nacional, que pode variar em sua extensão desde um compromisso com recursos substanciais até uma verdadeira ameaça de uso da força e violência.

Tendo em conta as realidades da política internacional, esse compromisso pode ser mantido nos Estados Unidos apenas por uma forma de psicose nacional -uma guerra contra um inimigo que aparece em muitos disfarces: o Kremlin burocrata, o camponês asiático, o estudante latino-americano e, sem dúvida, a “guerrilha urbana” em casa.

O intelectual, tradicionalmente, fica preso entre as demandas conflitantes da verdade e do poder. Ele gosta de ver a si mesmo como um homem que procura discernir a verdade, de dizer a verdade como ele a vê e de agir –coletivamente, onde pode, e sozinho, onde deve– para se opor à injustiça e à opressão e ajudar a trazer uma ordem social melhor.

Se ele escolher este caminho, provavelmente será uma criatura solitária, ignorada ou injuriada. Se, por outro lado, usar seu talento em serviço do poder, pode alcançar prestígio e riqueza.

Ele também pode ter sucesso em persuadir a si mesmo –talvez, de vez em quando, de forma justa–  que poderá humanizar o exercício do poder pelas “classes significativas”. Talvez espere se juntar a elas ou até mesmo substituí-las no papel da gestão social, no interesse supremo da eficiência e da liberdade.

O intelectual que aspira a esse papel pode usar a retórica do socialismo revolucionário ou da engenharia social para o bem estar social em busca de uma “meritocracia”, na qual o conhecimento e capacidade técnica conferem poder.

Ele pode representar a si mesmo como parte de uma “vanguarda revolucionária”, abrindo o caminho para uma nova sociedade, ou como um especialista aplicando “a técnica gradativa” para a gestão de uma sociedade que pode responder aos seus problemas sem mudanças fundamentais.

Para alguns, a escolha talvez dependa de pouco mais do que uma avaliação da força relativa dos diferentes interesses sociais. Não surpreende, então, que os papéis comumente mudem; o estudante radical se torna especialista no combate à insurgência.

Suas reivindicações devem, de qualquer modo, ser vistas com desconfiança: ele está propondo uma ideologia que serve a si própria, de uma “elite meritocrática” que, na frase de Karl Marx (aplicada, neste caso, para a burguesia), define “as condições especiais de sua emancipação [como] as condições gerais através das quais a sociedade moderna pode se salvar”.

O papel de intelectuais e ativistas radicais, então, deve ser o de analisar e avaliar, de tentar persuadir e organizar, mas não de tomar o poder e o governo. Em 1904, Rosa Luxemburgo escreveu: “Historicamente, os erros cometidos por um movimento verdadeiramente revolucionário são infinitamente mais proveitosos do que a infalibilidade do Comitê Central mais inteligente”.

Estas observações são um guia útil para um intelectual radical. Elas também fornecem um antídoto refrescante ao dogmatismo tão típico do discurso à esquerda, com suas certezas áridas e fervor religioso sobre questões que são tão pouco compreendidas -a contrapartida da esquerda autodestrutiva à superficialidade presunçosa dos defensores do status quo que percebem que os seus próprios compromissos ideológicos não passam daquilo que um peixe pode perceber ao nada no mar.

Os pensadores radicais sempre deram como certo, e com toda a razão, que a ação política eficaz que ameaça os interesses sociais arraigados levará a “confrontação” e à repressão. Assim, é um sinal de falência intelectual a esquerda buscar construir “confrontos”; é uma clara indicação de que os esforços para organizar a ação social significativa falharam.

É particularmente censurável a ideia de projetar confrontos de modo a manipular os participantes inconscientes a aceitarem um ponto de vista que não nasce da experiência significativa, da verdadeira compreensão. Isso não é apenas um testemunho à irrelevância política, mas também, precisamente por ser manipuladora e coercitiva, é uma tática adequada apenas para um movimento que visa manter uma forma elitista e autoritária de organização.

As oportunidades para os intelectuais tomarem parte de um verdadeiro movimento de mudança social são muitas e variadas, e eu acho que certos princípios gerais estão claros. Os intelectuais devem estar dispostos a enfrentar os fatos e absterem-se de erigir fantasias convenientes.

Eles devem estar dispostos a realizar o trabalho intelectual árduo e sério que é necessário para uma real contribuição para o entendimento. Eles devem evitar a tentação de se unirem a uma elite repressiva e devem ajudar a criar a política de massa que vai neutralizar -e, por fim, controlar e substituir- as fortes tendências de centralização e autoritarismo que estão profundamente enraizadas, mas não são inescapáveis.

Eles devem estar preparados para enfrentar a repressão e para agir em defesa dos valores que professam. Em uma sociedade industrial avançada, existem muitas possibilidades para a participação popular ativa no controle de grandes instituições e na reconstrução da vida social.

Até certo ponto, podemos criar o futuro, em vez de meramente observar o fluxo de eventos. Dados os riscos, seria criminoso deixar passar oportunidades reais inexploradas.

Tradutor: Deborah Weinberg.

 

Noam Chomsky: EUA matavam quem praticava o que prega Papa Francisco

Por Travis Gettys, do The Raw Story | Tradução: Ítalo Piva

Os Estados Unidos declararam e lutaram uma amarga, brutal e violenta guerra contra a igreja, disse Chomsky

Os Estados Unidos lutaram por décadas uma guerra contra católicos que praticavam os ensinamentos que levaram o Papa Francisco a ser eleito personalidade do ano pela Times, segundo o filósofo político Noam Chomsky.

Segundo Chomsky, em 1962, a conferência Vaticano II reformou os ensinamentos da Igreja Católica pela primeira vez desde o século IV, quando o Império Romano adotou o cristianismo como sua religião oficial, e isso teve um profundo impacto nos líderes religiosos da América Latina.

Na semana passada, em uma entrevista com o ativista de justiça social Abel Collins, Chomsky explicou que padres e laicos latino-americanos formaram grupos com camponeses para estudar o Evangelho e reivindicar mais direitos das ditaduras militares da região – que ficaram conhecidos como Teologia da Libertação.

“Há uma razão porque cristãos foram perseguidos pelos primeiros três séculos,” disse Chomsky. “Os ensinamentos são radicais – de um texto radical – que pregam basicamente um pacifismo radical com opções preferenciais aos pobres.”

Ele reafirmou que praticantes da Teologia da Libertação foram sistematicamente martirizados, ao longo de mais de 20 anos por forças apoiadas pelos EUA, que tentavam evitar que nações latino-americanas instalassem governos socialistas em benefício de seus próprios povos, contrariando interesses norte-americanos.

“Os Estados Unidos declararam e lutaram uma amarga, brutal e violenta guerra contra a igreja,” disse Chomsky. “Se existisse imprensa livre, é assim que representariam a história.”

Ele explicou que os EUA apoiaram a “posse de governos e instituições ditatoriais com estilos neonazistas”, como parte de uma guerra que finalmente terminou em 1989 com a morte de seis jesuítas e duas mulheres na Universidade da América Central por tropas salvadorenhas.

Chomsky disse que aquelas tropas foram treinadas pelo governo norte-americano na Escola Kennedy de Guerra Contra a Insurgência, e agiram sob ordens oficiais do comando salvadorenho, que mantinha uma relação próxima com a embaixada norte-americana.

“Eu nem tenho que atribuir isso ao governo,” disse ele. “Já é aceito. A Academia das Américas, que treina oficiais militares latino-americanos – basicamente assassinos – um dos seus pontos de discussão é que o exército norte-americano ajudou a derrotar a Teologia da Libertação.”

O Papa Francisco, um jesuíta argentino, tem feito gestos simbólicos para uma nova aceitação da Teologia da Libertação na Igreja, depois de anos de condenação por suas aspirações políticas pelos papas João Paulo II e Bento XVI.

Seu recente Evangelii Gadium – ou Alegria do Evangelho – foi visto por muitos como um ataque ao capitalismo e economia de mercado livre, mas Chomsky acredita que até agora o Papa não transformou suas palavras em ações.

“Gosto do fato de que o discurso mudou, e de que há uma melhora na discussão sobre justiça social, mas temos que ver se isso chegará ao ponto de as pessoas se organizarem e insistirem por seus direitos percorrendo o caminho da opção preferencial pelos pobres, ou seja, de levar o Evangelho a sério.”

 

Papa discretamente recebe o líder da Teologia da Libertação

Ao receberem a informação sobre o encontro entre o Papa e Gutierrez, vários teólogos brasileiros e europeus perguntaram também de modo informal quem teria mudado, se teria sido Francisco ou os teólogos da libertação

Por Dermi Azevedo, na Carta Maior

Gustavo Gutierrez, integrante da Ordem Dominicana (Foto: Carta Maior)

O papa Francisco recebeu discretamente no Vaticano, há cerca de um mês, a visita do principal líder da Teologia da Libertação, o religioso peruano Gustavo Gutierrez. Integrante da Ordem Dominicana, o padre Gustavo tornou-se, nos anos 70, o primeiro teólogo a sistematizar essa corrente no interior da Igreja Católica Romana. A sua visita ao Papa aconteceu de modo informal, fora da agenda oficial do pontífice. Contudo o significado político dessa reunião é evidente e representa o apoio explícito dos teólogos da libertação à opção pelos pobres, já oficializada por Francisco como a diretriz fundamental de sua gestão como chefe da Igreja.

O apoio ao atual Papa vem sendo articulado desde antes da eleição vaticana. Quando o nome do cardeal Bergoglio foi anunciado, bispos. teólogos e outras personalidades ligadas à Teologia da Libertação deram publicamente declarações em que afirmavam a sua expectativa de uma administração que pudesse tirar o Catolicismo de sua pior crise desde o século 19.

Quem mudou?

Ao receberem a informação sobre o encontro entre o Papa e Gutierrez, vários teólogos brasileiros e europeus perguntaram também de modo informal quem teria mudado, se teria sido Francisco ou os teólogos da libertação. Na verdade, ambos mudaram. O Papa assumiu o discurso anticapitalista da Teologia da Libertação e confirmou a opção pelos pobres. Os teólogos reafirmaram de modo mais amenizado o recurso a categorias dialéticas para a leitura crítica da realidade.

Teologia da Libertação é a versão latino-americana de correntes progressistas na Igreja

Pela primeira vez, na história da Igreja Católica na América Latina, a doutrina foi sistematizada fora dos padrões e do controle do centro de poder romano. Isto aconteceu com o movimento teológico-político que se tornou conhecido como a Teologia da Libertação (TL), resultante de pesquisas, debates e de outras atividades de caráter ecumênico. A primeira formulação da TL foi feita pelo teólogo peruano Gustavo Gutierrez, em julho de 1968. Três anos depois foi publicado seu texto Teologia de La Liberación, que se tornou um sucesso editorial.

Um trabalho semelhante ao de Gutierrez também foi feito, nos primórdios da TL, por vários teólogos e filósofos católicos e evangélicos, entre os quais Rubem Alves, Hugo Assmann, Carlos Mesters, Leonardo e Clodovis Boff (Brasil), Jon Sobrino e Ignacio Ellacuria (El Salvador), Segundo Galilea, Juan Luis Segundo e Julio de Santa Ana (Uruguai), Ronaldo Muñoz (Chile), Pablo Richard (Chile e Costa Rica), José Miguel Bonino e Juan Carlos Scannone (Argentina), Enrique Dussel (Argentina e México). Entre os brasileiros, destacaram-se também, no campo evangélico, os nomes de Jether Pereira Ramalho, Zwinglio Dias, Hugo Assmann e Anivaldo Padilha.

É consenso entre esses teólogos que falar da Teologia da Libertação “é buscar uma resposta para a pergunta: que relação existe entre a salvação e o processo histórico de libertação do ser humano”. Essa obra tornou-se um paradigma para toda uma reflexão que muda o método teológico (não só a partir das ideias, mas a partir da realidade).

O sistema dominante na América Latina logo percebeu a dimensão sócio-política transformadora da TL. A sua expansão foi, por exemplo, um dos temas da Missão Rockfeller, que Nixon enviou à América Latina nos anos 60. As ditaduras militares latino-americanas também assumiram esta pauta em nome da contenção do “comunismo internacional”. Entretanto, como resultados concretos da TL surgiram e cresceram as Comunidades Eclesiais de Base e as pastorais sociais. Também, em grande parte, movimentos sociais como o dos Sem Terra são herdeiros dessa nova visão teológica.

Na Igreja, a reação contra a TL articulou-se já a partir de 1982 e ganhou força com a eleição de João Paulo II, em 1978. A influência da TL fez-se sentir em 1979 na vitória da Revolução Sandinista contra a ditadura de Somoza, na Nicarágua, que teve uma participação destacada de padres e leigos. Um dos principais seguidores da TL, o arcebispo salvadorenho d. Oscar Romero, foi assassinado em 24 de março de 1980, enquanto celebrava a missa.

Paralelamente, no Vaticano, a Congregação para Doutrina da Fé reagiu à TL, particularmente a partir de denúncias feitas por bispos latino-americanos voltadas, sobretudo, para os teólogos Gustavo Gutierrez e Leonardo Boff. O Vaticano tentou, sem sucesso, que os bispos peruanos condenassem Gutierrez. Boff, no entanto, foi silenciado e a Congregação publicou, em 6 de agosto de 1984, uma Instrução sobre alguns aspectos da teologia da libertação, que, apesar das críticas, afirma, em seu primeiro parágrafo; “A poderosa e quase irresistível aspiração dos povos a uma libertação constitui um dos principais sinais dos tempos que a Igreja deve discernir e interpretar à luz do Evangelho”.

Porém, o aspecto essencial da TL é seu enfoque político transformador, ao conceber o Cristianismo, não como uma ideologia legitimadora do status quo, mas como um suporte para a libertação concreta dos seres humanos, diante de todas as opressões a que é submetido. Recolhendo alguns eixos do pensamento marxista, a TL faz, igualmente, uma leitura dialética da realidade, sempre tendo a Bíblia como referência fundamental.

A descoberta do marxismo pelos cristãos progressistas e pela TL não foi um processo puramente intelectual ou universitário. O seu ponto de partida foi um fato social: a realidade da pobreza na América Latina e a tentativa de, ao identificar as causas dessa situação, tentar superá-la. Alguns dos teólogos da Libertação (influenciados por Althusser) referem-se ao marxismo simplesmente como uma (ou a) ciência social, utilizada, de modo estritamente instrumental, para conhecer melhor a realidade latino-americana.

Outros destacam, igualmente, os valores do marxismo, suas opções ético-políticas e seu anúncio de uma utopia. Esses teólogos são atraídos mais pelo neo-marxismo do que pelo marxismo ortodoxo e tradicional. Entre os autores marxistas, Emst Bloch é o mais citado nas obras da TL, registrando-se também referências a Althusser, Marcuse, Lukács, Gramsci, Henri Lefèbvre, Garaudy, Schaff, Kolakowski, Lombardo-Radice, Luporini, Sanches Vasquez, Fanon, Lucien Goldmann e Ernest Mandel. No marxismo latino-americano, as principais referências para a TL são o peruano José Carlos Mariátegui – com sua interpretação original do marxismo – a revolução cubana e a teoria da dependência, de Fernando Henrique Cardoso, André Gunder Franck, Theotônio dos Santos e Anibal Quijano.

Opção pelos pobres

No binômio opressor/oprimido, Gutierrez e os outros teólogos da libertação, priorizam os pobres como sujeito central de sua própria libertação. A preocupação pelos pobres remonta às origens do Cristianismo, mas os teólogos da libertação não os consideram como objeto de filantropia, mas como sujeito de sua própria emancipação.

Convergem, assim, para a ideia histórica marxista de que a emancipação dos trabalhadores será uma obra dos próprios trabalhadores. Por outra parte, esses teólogos manifestam um anticapitalismo mais radical e categórico que dos próprios partidos comunistas latino-americanos, ainda crentes no perfil progressista da burguesia industrial e no papel histórico do desenvolvimento industrial capitalista.

 

Entenda como a crise dos EUA afetará nossa vida

Noam Chomsky e o labirinto político dos Estados Unidos

Em entrevista, intelectual discorre sobre crise política, Síria e América Latina
da Opera Mundi
 Noam Chomsky é, aos 84 anos, um dos maiores intelectuais no mundo. Seu trabalho e suas realizações são bem conhecidos – ele é linguista norte-americano, professor emérito no Massachussets Institute of Technology (MIT) há mais de 60 anos, analista e ativista político constante, crítico original do capitalismo e da ordem mundial que tem como centro os Estados Unidos

Nesse entrevista, Chomsky debate a paralisação do governo norte-americano, por disputas incessantes no sistema político e, em especial, chantagem das forças de direita mais primitivas. Também aborda os sinais de perda de influência de Washington na Síria e da emegência, na América do Sul, de um conjunto de governos que afasta-se dos EUA, pela primeira vez em dois séculos.

Harrison Samphir: Gostaria de começar com a paralisação recente do governo dos EUA. Por que ela é diferente dessa vez, se já aconteceu no passado?

Noam Chomsky: Paul Krugman fez há dias, no New York Times, um ótimo comentário a respeito. Lembra que o partido republicano é minoritário entre a opinião pública. Controla a Câmara [House of Representatives, que junto do Senado representa o Legislativo nos EUA]. Está levando o governo à paralisação e talvez ao calote de suas dívidas. Conseguiu a maioria por conta de inúmeras artimanhas. Obteve uma minoria de votos, mas a maioria das cadeiras. Está se utilizando disso para impor uma agenda extremamente nociva para a sociedade. Foca particularmente a questão do sistema de saúde público.

Wikicommons

Intelectual discorre sobre crise política, Síria e América Latina

Os EUA são o único, entre os países ricos e desenvolvidos, que não possue um sistema nacional de saúde pública. O sistema norte-americano é escandaloso. Gasta o dobro de recursos de países comparáveis, para obter um dos piores resultados. E a razão para isso é ser altamente privatizado e não-regulado, tornando-se extremamente ineficiente e caro. Aquilo que alguns chamam de “Obamacare” é uma tentativa de mudar esse sistema de forma suave – não tão radicalmente como seria desejável – para torná-lo um pouco melhor e mais acessível.

O Partido Republicano escolheu o sistema de saúde como alavanca para conquistar alguma força política. Quer destruir o Obamacare. Essa posição não é unânime entre os republicanos, é de uma ala do partido – chamada de “conservadora”, de fato, profundamente reacionária. Norman Orstein, um dos principais comentaristas conservadores, descreve o movimento, corretamente, como uma “insurgência radical”.

Reprodução / OutrasPalavras.net

EUA passam por grave crise política

Então, há uma insurgência radical, que implica grande parte da base republicana, disposta a tudo – destruir o país, ou qualquer coisa, com o intuito de acabar com a Lei de Assistência Acessível (o Obamacare). É a única coisa a que foram capazes de se agarrar. Se falharem nisso, terão de dizer a sua base que mentiram para ela, ao longo dos últimos cinco anos. Por isso, estão dispostos a ir até onde for necessário. É um fato incomum – penso que único – na história dos sistemas parlamentaristas modernos. É muito perigoso para o país e para o mundo.

Como a paralisação poderia terminar?

Noam Chomsky: Bem, a paralisação por si só é ruim – mas não devastadora. O perigo real surgirá nas próximas semanas. Há, nos Estados Unidos, uma legislação rotineira – aprovada todo ano – que permite ao governo tomar dinheiro emprestado. Do contrário, ele não funciona. Se o Congresso não autorizar a continuação da tomada de empréstimos, talvez o governo peça moratória. Isso nunca aconteceu e um calote do governo norte-americano não seria muito prejudicial apenas aos EUA. Ele provavelmente afundaria o país, de novo, numa profunda recessão – mas talvez também quebre o sistema financeiro internacional. É possível que encontrem maneiras para contornar a situação, mas o sistema financeiro mundial depende muito da credibilidade do Departamento do Tesouro dos EUA. A credibilidade dos títulos de dívida emitidos pelos EUA é vista como “tão boa quanto ouro”: esses papéis são a base das finanças internacionais. Se o governo não conseguir honrá-los, eles não possuirão mais valor, e o efeito no sistema financeiro internacional poderá ser muito severo. Mas para destruir uma lei de saúde limitada, a extrema direita republicana, os reacionários, estão dispostos a fazer isso.

No momento, os EUA estão divididos sobre como o tema será resolvido. O ponto principal a observar é a divisão no Partido Republicano. O establishment republicano, junto com Wall Street, os banqueiros, os executivos de corporações não querem isso – de maneira nenhuma. É parte da base que deseja, e tem sido muito difícil controlá-la. Há uma razão para terem um grande grupo de delirantes em sua base. Nos últimos 30 ou 40 anos, ambos os partidos que comandam a política institucional dos EUA inclinaram-se para a direita. Os democratas de hoje são, basicamente, aquilo que se costumava chamar, há tempos, de republicanos moderados. E os republicanos foram tanto para a direita que simplesmente não conseguem votos, na forma tradicional.

Tornaram-se um partido dedicado aos muito ricos e ao setor corporativo – e você simplesmente não consegue votos dessa maneira. Por isso, têm sido compelidos a mobilizar eleitores que sempre estiveram presentes no sistema político, mas eram marginais. Por exemplo, os extremistas religiosos. Os EUA são um dos expoentes no que se refere ao extremismo religioso no mundo. Mais ou menos metade da população acredita que o mundo foi criado há alguns milhares de anos; dois terços da população está aguardando a segunda vinda de Cristo. A direita também teve de recorrer aos nativistas. A cultura das armas, que está fora de controle, é incentivada pelos republicanos. Tenta-se convencer as pessoas de que devem se armar, para nos proteger. Nos proteger de quem? Das Nações Unidas? Do governo? Dos alienígenas?

Uma enorme parcela da sociedade é extremamente irracional e agora foi mobilizada politicamente pelo establishment republicano. Os líderes presumem que podem controlar este setor, mas a tarefa está se mostrando difícil. Foi possível perceber isso nas primárias republicanas para a presidência, em 2012. O candidato do establishment era Romney, um advogado e investidor em Wall Street – mas a base não o queria. Toda vez que a base surgia com um possível candidato, o establishment fazia de tudo para destruí-lo, recorrendo, por exemplo, a ataques maciços de propaganda. Foram muitos, um mais louco que o outro. O establishment republicano não os quer, tem medo deles, conseguiu nomear seu candidato. Mas agora está perdendo controle sobre a base.

Sinto dizer que isso tem algumas analogias históricas. É mais ou menos parecido com o que aconteceu na Alemanha, nos últimos anos da República de Weimar. Os industriais alemães queriam usar os nazistas, que eram um grupo relativamente pequeno, como um animal de combate contra o movimento trabalhista e a esquerda. Acharam que podiam controlá-los, mas descobriram que estavam errados. Não estou dizendo que o fenômeno vai se repetir aqui, é um cenário bem diferente, mas algo similar está ocorrendo. O establishment republicano, o bastião corporativo e financeiro dos ricos, está chegando em um ponto em que não consegue mais controlar a base que mobilizou.

 

Na política externa, as notícias sobre a Síria sumiram da mídia convencional, desde a aprovação do acordo para confiscar as armas químicas do arsenal de Assad. Você pode comentar esse silêncio?

Noam Chomsky: Nos EUA, há pouco interesse sobre o que acontece fora das fronteiras. A sociedade é bem insular. A maioria das pessoas sabe bem pouco sobre o que acontece no mundo e não liga tanto para isso. Está preocupada com seus próprios problemas, não têm o conhecimento ou o compreensão sobre o mundo ou sobre História. Quando algo, no exterior, não é constantemente martelado pela mídia, esta maioria simplesmente não sabe nada a respeito.

A Síria vive uma situação muito ruim, atrocidades realmente terríveis, mas há lugares muito piores no mundo. As maiores atrocidades das últimas décadas têm ocorrido no Congo – na região oriental –, onde mais ou menos 5 milhões de pessoas foram mortas. Nós – os EUA – estamos envolvidos, indiretamente. O principal mineral em seu celular é o coltan, que vem daquela região. Corporações internacionais estão lá, explorando os ricos recursos naturais Muitas delas bancam milícias, que estão lutando umas contra as outras pelo controle dos recursos, ou de parte deles. O governo de Ruanda, que é um cliente dos EUA, está intervindo maciçamente, assim como Uganda. É praticamente uma guerra mundial na África. Bem, quantas pessoas sabem disso? Mal chega à mídia e as pessoas simplesmente não sabem nada a respeito.

Na Síria, o presidente Obama fez um discurso sobre o que chamou de sua “linha vermelha”: não se pode usar armas químicas; pode-se fazer de tudo, exceto utilizar armas químicas. Surgiram relatórios credíveis, afirmando que a Síria utilizou essas armas. Se é verdade, ainda está em aberto, mas muito provavelmente é. Nesse ponto, o que estava em jogo é o que se chama de credibilidade. A liderança política e os comentaristas de política externa indicavam, corretamente, que a credibilidade norte-americana estava em jogo. Algo precisava ser feito para mostrar que nossas ordens não podem ser violadas. Planejou-se um bombardeio, que provavelmente tornaria a situação ainda pior, mas manteria a credibilidade dos EUA.

O que é “credibilidade”? É uma noção bem familiar – basicamente, a noção principal para organizações como a Máfia. Suponha que o Poderoso Chefão decida que você terá que pagá-lo, para ter proteção. Ele tem de “bancar” essa afirmação. Não importa se precisa ou não do dinheiro. Se algum pequeno lojista, em algum lugar, decidir que não irá pagá-lo, o Poderoso Chefão não deixa a ousadia impune. Manda seus capangas espancá-lo sem piedade, ainda que o dinheiro não signifique nada para ele. É preciso estabelecer credibilidade: do contrário, o cumprimento de suas ordens tenderá a erodir. As relações exteriores funcionam quase da mesma maneira. Os EUA representam o Poderoso Chefão, quando dão essas ordens. Os outros que cumpram, ou sofram as consequências. Era isso que o bombardeio na Síria demonstraria.

Obama estava chegando a um ponto do qual, possivelmente, não seria capaz de escapar. Não havia quase apoio internacional nenhum – sequer da Inglaterra, algo incrível. A Casa Branca estava perdendo apoio internamente e foi compelida a colocar o tema em votação no Congresso. Parecia que seria derrotada, num terrível golpe para a presidência de Obama e sua autoridade. Para a sorte do presidente, os russos apareceram e o resgataram com a proposta de confiscar as armas químicas, que ele prontamente aceitou. Foi uma saída para a humilhação de encarar uma provável derrota.

Faço comentário adicional. Você perceberá que este é um ótimo momento para impor a Convenção sobre Proibição de Armas Químicas no Oriente Médio. A verdadeira convenção, não a versão que Obama apresentou em seu discurso, e que os comentaristas repetiram. Ele disse o básico, mas poderia ter feito melhor, assim como os comentaristas. A Convenção sobre Proibição de Armas Químicas exige que sejam banidas a produção, estocagem e uso delas – não apenas o uso. Por que omitir produção e estocagem? Razão: Israel produz e estoca armas químicas. Consequentemente, os EUA irão evitar que tal convenção seja imposta no Oriente Médio. É um assunto importante: na realidade, as armas químicas da Síria foram desenvolvidas para se contrapor às armas nucleares de Israel, o que também não foi mencionado.

Você afirmou recentemente que o poder norte-americano no mundo está em declínio. Para citar sua frase em Velhas e Novas Ordens Mundiais, de 1994, isso limitará a capacidade dos EUA para “suprimir o desenvolvimento independente” de nações estrangeiras? A Doutrina Monroe está completamente extinta?

Noam Chomsky: Bem, isso não é uma previsão, isso já aconteceu. E aconteceu nas Américas, muito dramaticamente. O que a Doutrina Monroe dizia, de fato, é que os EUA deviam dominar o continente. No último século isso de fato foi verdade, mas está declinando – o que é muito significativo. A América do Sul praticamente se libertou, na última década. Isso é um evento de relevância histórica. A América do Sul simplesmente não segue mais as ordens dos EUA. Não restou uma única base militar norte-americana no continente. A América do Sul caminha por si só, nas relações exteriores. Ocorreu uma conferência regional, cerca de dois anos atrás, na Colômbia. Não se chegou a um consenso, nenhuma declaração oficial foi feita. Mas nos assuntos cruciais, Canadá e EUA isolaram-se totalmente. Os demais países americanos votaram num sentido e os dois foram contra – por isso, não houve consenso. Os dois temas eram admitir Cuba no sistema americano e caminhar na direção da descriminalização das drogas. Todos os países eram a favor; EUA e Canadá, não.

O mesmo se dá em outros tópicos. Lembre-se de que, algumas semanas atrás, vários países na Europa, incluindo França e Itália, negaram permissão para sobrevoo do avião presidencial do boliviano Evo Morales. Os países sul-americanos condenaram veementemente isso. A Organização dos Estados Americanos, que costumava ser controlada pelos EUA, redigiu uma condenação ácida, mas com um rodapé: os EUA e o Canadá recusaram-se a subscrever. Estão agora cada vez mais isolados e, mais cedo ou mais tarde, penso que os dois serão, simplesmente, excluídos do continente. É uma brusca mudança em relação ao que ocorria há pouco tempo.

A América Latina é o atual centro da reforma capitalista. Esse movimento poderá ganhar força no Ocidente?

Você está certo. A América Latina foi quem seguiu com maior obediência as políticas neoliberais instituídas pelos EUA, seus aliados e as instituições financeiras internacionais. Quase todos os países que se orientaram por aquelas regras, incluindo nações ocidentais, sofreram – mas a América Latina padeceu particularmente. Seus países viveram décadas perdidas, marcadas por inúmeras dificuldades.

Parte do levante da América Latina, particularmente nos últimos dez a quinze anos, é uma reação a isso. Reverteram muitas daquelas medidas e se moveram para outra direção. Em outra época, os EUA teriam deposto os governos ou, de uma maneira ou de outra, interrompido seu movimento. Agora, não podem fazer isso.

Recentemente, os EUA testemunharam o surgimento de seus primeiros refugiados climáticos – os esquimós Yup’ ik – na costa sul na ponta do Alaska. Isso coloca em mórbida perspectiva o impacto humano no meio ambiente. Qual é sua posição acerca dos impostos sobre emissões carbono e quão popular pode ser tal medida nos EUA ou em outro país?

Acho que é basicamente uma boa ideia. Medidas muito urgentes têm de ser tomadas, para frear a contínua destruição do meio ambiente. Um imposto sobre carbono é uma maneira de fazer isso. Se isso se tornasse uma proposta séria nos EUA, haveria uma imensa propaganda contrária, desencadeada pelas corporações – as empresas de energia e muitas outras –, para tentar aterrorizar a população. Diriam que, em caso de criação do tributo, todo tipo de coisa terrível aconteceria. Por exemplo, “você não será mais capaz de aquecer sua casa”… Se isso terá sucesso ou não, dependerá da capacidade de organização dos movimentos populares.

(*) Texto originalmente publicado no portal Outras Palavras