Rumo ao desconhecido: endividamento mundial, crise monetária e colapso capitalista — Blog da Boitempo

Por Maurilio Lima Botelho / “No coração do capitalismo mundial está se desenvolvendo não apenas uma crise gigantesca graças ao patamar de endividamento alcançado, mas também um incalculável crash imobiliário e acionário. A crise que se avizinha deve ser uma espécie de síntese monstruosa de todos os grandes colapsos da história.”

via Rumo ao desconhecido: endividamento mundial, crise monetária e colapso capitalista — Blog da Boitempo

Professores lançam abaixo assinado contra o golpe

#nãovaitergolpe

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Professores universitários acabam de lançar abaixo assinado contra o golpe. A lista, encabeçada por Antonio Cândido, da USP, foi lançada com quase 500 adesões.

No texto, os professores reafirmam que “o impeachment, instituto reservado para circunstâncias extremas, é um instrumento criado para proteger a democracia. Por isso, ele não pode jamais ser utilizado para ameaçá-la ou enfraquecê-la, sob pena de incomensurável retrocesso político e institucional”.

Os signatários reconhecem a situação de crise no país, mas acreditam que “a melhor forma de enfrentá-la é com o aprofundamento da democracia e da transparência, com respeito irrestrito à legalidade”.

Afirmando acompanhar “tudo com olhos vigilantes”, eles concluem dizendo esperar que “ao final do processo, a presidente da República possa terminar seu mandato”.

Confira o texto e saiba como assinar

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Noam Chomsky: EUA matavam quem praticava o que prega Papa Francisco

Por Travis Gettys, do The Raw Story | Tradução: Ítalo Piva

Os Estados Unidos declararam e lutaram uma amarga, brutal e violenta guerra contra a igreja, disse Chomsky

Os Estados Unidos lutaram por décadas uma guerra contra católicos que praticavam os ensinamentos que levaram o Papa Francisco a ser eleito personalidade do ano pela Times, segundo o filósofo político Noam Chomsky.

Segundo Chomsky, em 1962, a conferência Vaticano II reformou os ensinamentos da Igreja Católica pela primeira vez desde o século IV, quando o Império Romano adotou o cristianismo como sua religião oficial, e isso teve um profundo impacto nos líderes religiosos da América Latina.

Na semana passada, em uma entrevista com o ativista de justiça social Abel Collins, Chomsky explicou que padres e laicos latino-americanos formaram grupos com camponeses para estudar o Evangelho e reivindicar mais direitos das ditaduras militares da região – que ficaram conhecidos como Teologia da Libertação.

“Há uma razão porque cristãos foram perseguidos pelos primeiros três séculos,” disse Chomsky. “Os ensinamentos são radicais – de um texto radical – que pregam basicamente um pacifismo radical com opções preferenciais aos pobres.”

Ele reafirmou que praticantes da Teologia da Libertação foram sistematicamente martirizados, ao longo de mais de 20 anos por forças apoiadas pelos EUA, que tentavam evitar que nações latino-americanas instalassem governos socialistas em benefício de seus próprios povos, contrariando interesses norte-americanos.

“Os Estados Unidos declararam e lutaram uma amarga, brutal e violenta guerra contra a igreja,” disse Chomsky. “Se existisse imprensa livre, é assim que representariam a história.”

Ele explicou que os EUA apoiaram a “posse de governos e instituições ditatoriais com estilos neonazistas”, como parte de uma guerra que finalmente terminou em 1989 com a morte de seis jesuítas e duas mulheres na Universidade da América Central por tropas salvadorenhas.

Chomsky disse que aquelas tropas foram treinadas pelo governo norte-americano na Escola Kennedy de Guerra Contra a Insurgência, e agiram sob ordens oficiais do comando salvadorenho, que mantinha uma relação próxima com a embaixada norte-americana.

“Eu nem tenho que atribuir isso ao governo,” disse ele. “Já é aceito. A Academia das Américas, que treina oficiais militares latino-americanos – basicamente assassinos – um dos seus pontos de discussão é que o exército norte-americano ajudou a derrotar a Teologia da Libertação.”

O Papa Francisco, um jesuíta argentino, tem feito gestos simbólicos para uma nova aceitação da Teologia da Libertação na Igreja, depois de anos de condenação por suas aspirações políticas pelos papas João Paulo II e Bento XVI.

Seu recente Evangelii Gadium – ou Alegria do Evangelho – foi visto por muitos como um ataque ao capitalismo e economia de mercado livre, mas Chomsky acredita que até agora o Papa não transformou suas palavras em ações.

“Gosto do fato de que o discurso mudou, e de que há uma melhora na discussão sobre justiça social, mas temos que ver se isso chegará ao ponto de as pessoas se organizarem e insistirem por seus direitos percorrendo o caminho da opção preferencial pelos pobres, ou seja, de levar o Evangelho a sério.”

 

“Monumento às Bandeiras homenageia aqueles que nos massacaram”, diz liderança indígena

Em carta, Marcos Tupã, coordenador da Comissão Guarani Yvyrupá, responde às críticas sobre a intervenção em escultura ao lado do Parque Ibirapuera, em São Paulo

Da Redação

Leia também: Empurra-empurra! Sobre a morte das estátuas

Nesta semana, a obra do escultor ítalo-brasileiro Victor Brecheret recebeu tintas vermelhas, em um protesto realizado por índios do estado contra a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 215, que retira do governo federal a autonomia da demarcação de terras, transferindo para o Congresso Nacional. O monumento, inaugurado em 1953, presta uma homenagem aos bandeirantes, responsáveis pelo assassinato de índios, nos séculos 17 e 18. Leia abaixo a carta de Marcos Tupã:

Monumento à resistência do povo guarani

Para nós, povos indígenas, a pintura não é uma agressão ao corpo, mas uma forma de transformá-lo. Nós, da Comissão Guarani Yvyrupa, organização política autônoma que articula o povo guarani no sul e sudeste do país, realizamos no último dia 02 de outubro, na Av. Paulista, a maior manifestação indígena que já ocorreu em São Paulo desde a Confederação dos Tamoios. Mais de quatro mil pessoas ocuparam a Av. Paulista, sendo cerca de quinhentas delas dos nossos parentes, outros duzentos de comunidades quilombolas e mais de três mil apoiadores não-indígenas, que viram a força e a beleza do nosso movimento. Muitos meios de comunicação, porém, preferiram noticiar nossa manifestação como se tivesse sido uma depredação de algo que os brancos consideram ser uma obra de arte e um patrimônio público.

Saindo da Av. Paulista, marchamos em direção a essa estátua de pedra, chamada de Monumento às Bandeiras, que homenageia aqueles que nos massacraram no passado. Lá subimos com nossas faixas, e hasteamos um pano vermelho que representa o sangue dos nossos antepassados, que foi derramado pelos bandeirantes, dos quais os brancos parecem ter tanto orgulho. Alguns apoiadores não-indígenas entenderam a força do nosso ato simbólico, e pintaram com tinta vermelha o monumento. Apesar da crítica de alguns, as imagens publicadas nos jornais falam por si só: com esse gesto, eles nos ajudaram a transformar o corpo dessa obra ao menos por um dia. Ela deixou de ser pedra e sangrou. Deixou de ser um monumento em homenagem aos genocidas que dizimaram nosso povo e transformou-se em um monumento à nossa resistência. Ocupado por nossos guerreiros xondaro, por nossas mulheres e crianças, esse novo monumento tornou viva a bonita e sofrida história de nosso povo, dando um grito a todos que queiram ouvir: que cesse de uma vez por todas o derramamento de sangue indígena no país! Foi apenas nesse momento que esta estátua tornou-se um verdadeiro patrimônio público, pois deixou de servir apenas ao simbolismo colonizador das elites para dar voz a nós indígenas, que somos a parcela originária da sociedade brasileira. Foi com a mesma intensão simbólica que travamos na semana passada a Rodovia dos Bandeirantes, que além de ter impactado nossa Terra Indígena no Jaraguá, ainda leva o nome dos assassinos.

A tinta vermelha que para alguns de vocês é depredação já foi limpa e o monumento já voltou a pintar como heróis, os genocidas do nosso povo. Infelizmente, porém, sabemos que os massacres que ocorreram no passado contra nosso povo e que continuam a ocorrer no presente não terminaram com esse ato simbólico e não irão cessar tão logo. Nossos parentes continuam esquecidos na beira das estradas no Rio Grande do Sul. No Mato Grosso do Sul e no Oeste do Paraná continuam sendo cotidianamente ameaçados e assassinados a mando de políticos ruralistas que, com a conivência silenciosa do Estado, roubam as terras e a dignidade dos que sobreviveram aos ataques dos bandeirantes. Também em São Paulo esse massacre continua, e perto de vocês, vivemos confinados em terras minúsculas, sem condições mínimas de sobrevivência. Isso sim é vandalismo.

Ficamos muito tristes com a reação de alguns que acham que a homenagem a esses genocidas é uma obra de arte, e que vale mais que as nossas vidas. Como pode essa estátua ser considerada patrimônio de todos, se homenageia o genocídio daqueles que fazem parte da sociedade brasileira e de sua vida pública? Que tipo de sociedade realiza tributos a genocidas diante de seus sobreviventes? Apenas aquelas que continuam a praticá-lo no presente. Esse monumento para nós representa a morte. E para nós, arte é a outra coisa. Ela não serve para contemplar pedras, mas para transformar corpos e espíritos. Para nós, arte é o corpo transformado em vida e liberdade e foi isso que se realizou nessa intervenção.

Aguyjevete pra todos que lutam!

Marcos dos Santos Tupã, 43, é liderança indígena e Coordenador Tenondé da Comissão Guarani Yvyrupa (CGY).

Matéria publicada pela Revista Forum em 05-10-2013

 

Brasileiras desafiam guerra na Síria para cuidar de civis

Mariana Della Barba

Da BBC Brasil em São Paulo

 

Atualizado em  3 de outubro, 2013 – 06:56 (Brasília) 09:56 GMT
  • Civis na Síria

Civis ajudados por brasileiras sofriam com a falta total de atendimento básico de saúde

As brasileiras Bianca Dias Amaral e Letícia Pokorny percorreram durante horas um trajeto perigoso para entrar ilegalmente em um país de onde 2 milhões de pessoas já fugiram: a Síria.

Com alguns meses de diferença, as duas partiram da Turquia com o mesmo objetivo: chegar a dois hospitais no norte do país para ajudar civis, vítimas da guerra ou de problemas decorrentes dela, como a escassez total de serviços básicos de saúde.

Como os dois hospitais – ambos mantidos pela ONG Médicos Sem Fronteiras (MSF) – ficavam em áreas controladas pelos rebeldes, as duas tiveram que cruzar a fronteira ilegalmente.

“Foi muito assustador. Atravessei um descampado por umas três horas e, o tempo todo, ia ouvindo os bombardeios, sem parar. Quando cheguei em uma rodovia de terra, tive de correr por uns 500 metros, sem olhar para trás”, conta Bianca, uma obstetra de 30 anos que, para o desespero de sua família, foi para Síria em sua primeira missão no MSF.

Já a fisioterapeuta Letícia, de 37 anos, havia acabado de passar alguns meses na Líbia quando foi chamada para ir para Síria, sua 11º missão para a ONG.

Com bagagens diferentes, elas contam à BBC Brasil os desafios que enfrentaram, os medos e também os momentos recompensadores.

Bianca Dias Amaral

 

BBC Brasil – Como você foi chamada para ir à Síria?

Bianca Dias Amaral – Quando o pessoal do MSF me ligou perguntando se eu queria ir para a Síria, fiquei muito surpresa, porque normalmente eles mandariam pessoas mais experientes para um local assim. Então pedi um dia para pensar. Após 12 horas, estava convicta de que não iria. Porque mesmo indo com uma ONG desse porte, há coisas contras as quais você não pode se proteger. Quando liguei para comunicar minha decisão, conversando com a coordenadora, eu aceitei, pois vi que era exatamente isso que eu queria. Embarquei no começo de abril e fiquei até o fim de junho.

BBC Brasil – Como era sua rotina lá?

Bianca – Meu trabalho envolvia justamente a área da saúde básica, algo que ficou totalmente comprometido com a guerra, já que os hospitais foram destruídos e a maioria dos profissionais fugiu. Fazia partos, pré-natal, consultas. O ritmo de trabalho era intenso, porque além do trabalho durante o dia, também corria para o hospital toda vez que uma grávida chegava para ter o bebê. Em 9 semanas, só em 3 noites não fui chamada.

BBC Brasil – Você sentia que estava em um país em guerra?

Bianca – Após um mês e meio, houve um grande ataque. Bombas caíram perto do hospital. As paredes tremiam e o barulho era ensurdecedor. Atendemos dezenas de feridos. Depois, ficamos sabendo que as tropas do governo estavam marchando em nossa direção. E não sabíamos se iam conseguir nos tirar de lá ou não. Esse foi meu pior momento. Uma hora, percebi que estava respirando muito ofegante, mas eu não estava correndo nem nada, estava sentada na minha cama, parada. Estava em pânico.

BBC Brasil – E vocês foram retirados no final? Como foi?

Bianca – Sim. Quando saí, senti um misto de alívio por deixar aquele lugar, algo bem egoísta, com uma sensação frustração, por estar abandonando as pessoas que já haviam sido abandonadas por todo mundo. Mas a situação melhorou e voltamos depois de alguns dias.

BBC Brasil – Como foi trabalhar em um país muçulmano?

Bianca – Eu usava véu e blusa cobrindo os braços, o que às vezes era complicado por causa do calor. Mas nunca sofri nenhum tipo de preconceito por ser mulher. Também me fez aprender um pouco de árabe, principalmente os termos ligados a parto, seja alguma palavra técnica até a saudação que eles fazem quando o bebê nasce. E achei curioso que, em vez do marido, é a sogra que acompanha a gestante na hora do parto.

BBC Brasil – No que essa missão te marcou?

Bianca – Fiquei muito impressionada com o comprometimento dos sírios que, apesar de tudo, decidiram ficar no país e resolveram ajudar, como a minha tradutora, que era estudante de literatura em Aleppo antes de a guerra estourar. Meu jeito de trabalhar não mudou tanto, mas, pessoalmente, sou outra. Mudou tudo. Minhas preocupações, minhas prioridades.

BBC Brasil – Pra onde você vai agora?

Bianca – Vou para o Quênia por 14 meses. E estou torcendo para minha mãe ter esquecido sobre o ataque ao shopping da capital. Mas é uma missão mais tranquila, em que serei a supervisora de saúde da mulher, com serviços como pré-natal, parto, ações relacionadas ao HIV, violência sexual.

Noam Chomsky: “Obama está executando a maior operação terrorista da história”

A Casa Branca “se dedica a aumentar o terrorismoao redor do mundo através de seus “ataques terroristas” com drones no exterior, de acordo com o proeminente acadêmico americano Noam Chomsky.

Falando à emissora de TV estadunidense sobre liberdade de expressão na política externa da Casa Branca, o filósofo, linguista e ativista Noam Chomsky disse que “a Administração Obama se dedica a aumentar o terrorismo em todo o mundo.“Obama está realizando, talvez a maior operação terrorista da história: os assassinatos realizados por drones são apenas uma parte dela […] Todas essas operações são de terror […] porque aterrorizar essas regiões.

“Eles estão gerando as operações mais terroristas“, disse Chomsky. As pessoas reagem” quando se perde um ente querido em um ataque aéreo dos EUA, disse ele. Eles não dizem: Bem, eu não me importo se o meu primo foi morto.” Eles se tornam o que chamamos de terroristas. Este é entendido no mais alto nível. “.

Ele lembrou o recente depoimento ao Congresso de um homem chamado Fárea Iemenita al-Muslimi, que informou que um único ataque de drones’ conseguiu radicalizar” todo o seu povo contra os Estados Unidos.

As pessoas odeiam os países que as  aterrorizam”, disse Chomsky. “Isso não é uma surpresa. É a maneira como as pessoas reagem a atos de terror.

English: A portrait of Noam Chomsky that I too...
English: A portrait of Noam Chomsky that I took in Vancouver Canada. Français : Noam Chomsky à Vancouver au Canada en 2004. (Photo credit: Wikipedia)

 

O texto completo em:

http://actualidad.rt.com/actualidad/view/98075-chomsky-obama-operacion-terrorista#.UiQOI4yxuYM.facebook