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O jogo dos mares de vidro

 

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Venha viver meus perigos,

Venha provar minhas chagas

E lamber minhas feridas,

Que lhe darei um mar cristalino!

 

Estamos sedentos, estamos famintos.

Vamos aumentar nossos medos?

E queimar nossos ninhos?

 

Se você viver meus infernos,

Se você se tornar minha amante,

Se me venerar esta noite,

Farei, com mil olhos de vidro,

Ladrilhos pra você passear

Por tortuosos caminhos.

 

Godoy

 

Destaque

Aqui

Na pequena vargem mineira,

Não se veem nem anjos barrocos

Nem discos voadores nem alienígenas.

 

Retornando ao Vale, cinco pequenos pássaros atacaram um gavião na estrada.

Na antiguidade, diriam “esse é o sinal de que um poderoso

Será destronado pelo povo.”

 

Mas não, nada.

Para nós, os céus estão mudos.

E o único anjo é nosso amigo que quebrou suas Asas da Mantiqueira

Num coqueiro da praia.

 

Oramos para nosso céu, com mais estrelas,

Para nossos campos com mais flores

E só vemos o fogo de uma Geena

Que aos mais pobres condena.

Aqui, o véu nunca será rasgado?

Nem se verá a ira do cordeiro

Que, todo fim de ano, vira doloroso assado?

Aquele que é, que era e que vem, está há séculos atrasado,

mais uma triste prova de que Ele é mesmo um brasileiro!

O livro, aqui, é amargo na boca e no estômago também.

Todos, sem paz, foram pacificados e continuam repetindo amém.

 

Satanás (1)

11-2017