A última noite

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Esta noite não seria eterna.

Com esta noite apenas,

Eu me contentaria.

Minha memória gravá-la-ia

Com fogo e sangue na superfície

Dos ossos do meu crânio,

Em tatuagens profundas.

Esta noite, eu levaria

A todos os lugares.

Esta noite alimentaria

O resto dos meus dias.

O lobo solitário II

Lobo-guará no cerrado
Lobo-guará no cerrado

 

Agora me tornei o lobo solitário.

Ele saiu de dentro de mim,

De onde estava entocado!

Com suas garras, com seus dentes,

Com sua fúria sem precedentes

Porque muito o atiçaram.

O lobo está cansado de sentir-se acuado!

Agora saiam da frente

Que a sujeição hoje é passado!

 

14-11-2012

Miragem

Oásis no Saara
Oásis no Saara

Tudo, o que pensei ser,

Agora não é mais nada

do que eu mesma construí.

Fiz-me uma outra pessoa

que nunca… jamais existi.

Fui uma personagem?

Fui uma miragem?

A mim mesma iludi.

28-07-2012

Mensagem

Leonardo da Vinci_Annunciation
Leonardo da Vinci_Annunciation

Arcanjo,

Você apenas
foi o mensageiro,
o mensageiro
do verdadeiro
Cria… dor.

Thaís G.

06.08.2012

Quimera

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Olhos de leão

Corpo de urso.

No leão nado.

O urso abraço.

O leão tarda.

O urso não falha,

Porque espera,

Mesmo sendo

Quimera!

Sol nascendo 18-12-2012

ONE

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Para ninguém mais neste mundo tal imagem tem sentido e sentimento igual!
 

 

Homenagem à minha irmã Alcyone em seu aniversário.


One, one, meu Deus! Quanto amor!

Nem sei ter palavras para abarcar.
Só me resta com seu nome brincar
E assim recordar sua infância.
All- começa com A de amigos
que tinham preguiça de, a palavra inteira, pronunciar!
Mesmo assim: por todos os olhares,
Que atrai em todos os seus dias, é All!

Cy – só esse pedaço é igual
Ao da amada de Macunaíma:
Cy - que também virou a estrela mais
brilhante, como o todo do seu nome.

One - no final é uma, única, una,
Embora em outro idioma.

Seu progenitor quis que fosse chamada assim,
nos dias em que, com o dom da vida, nos uniu!

Thaís GM

Os homens que odeiam as feministas

De onde vem tanta irritação com as mulheres independentes?

IVAN MARTINS

Noto que virou moda na imprensa brasileira falar mal das mulheres independentes. Qualquer um que deseje cinco minutos de fama desce o cacete no “feminismo”, entendido como a atitude auto-suficiente das mulheres em relação aos homens. No jornal que eu assino, houve na última semana dois artigos esculhambando mulheres que trabalham e não parecem interessadas em homens. Além do esforço deliberado para causar indignação – que virou praga no jornalismo brasileiro – acho que existe por trás dessas bobagens um verdadeiro sentimento reacionário.

Muitos homens gostariam de voltar ao período em que todos os empregos e todas as prerrogativas pertenciam a eles. Muitas mulheres estão cansadas – ou assustadas com a perspectiva – de trabalhar duro pelo resto da vida, acumulando funções de mãe, dona de casa e funcionária exemplar. Em meio a eles, milhões estão inseguros sobre o seu ponto de vista ou sua situação social. Minha impressão é que começamos a viver um tempo de nostalgia, alimentado pela sensação de que a relações entre homens e mulheres nunca mais serão como antes. Tem gente morrendo de medo de ficar obsoleto.

Para ler o texto inteiro: Revista Época

war-on-women-body-message-37-all-oppression-creates-a-state-of-war-simone-de-beauvoir

Da ardósia

 Da ArdósiaAdiantaria lhe dizer

Que o mais raro perfume

É oferecido nos menores frascos?

Ou que um bruto diamante,

é reduzido ao ser lapidado,

Até libertar seu lume

E virar brilhante?

Adiantaria falar que você é constituída

Pela mesma matéria das estrelas?

Que o macro contém o micro?

Ou que até os maiores astros

São formados por elementos

tão pequenos, que estão em todos

os lugares neste momento?

Cavaleiro Negro

Cavaleiro

 

Bravo cavaleiro, em tua
armadura prateada,
Tu não sabes que tua força
não te valerá de nada?

Primeiro um velho dragão,
Veio a nós cuspindo fogo,
para raptar a donzela
de nossa antiga morada,
Mas, como era feiticeira,
 Mudou o monstro terrível
 em um monturo de brasa.

Depois foi a vez de um feio
gigante fazer de nós
desprezível alimento.
Envenenamos um só
Que a todos nós livrou
Desse amargo sofrimento.

Agora vem cá o Senhor...
Quanto mais teu aríete
Forçar, de meu castelo
a entrada, mais se alçará a ponte
de minha altiva muralha.

29-09-2012

Se se morre de amor!

 Meere und Berge und Horizonte zwischen

den Liebenden – aber die Seelen versetzen

sích aus dem staubigen Kerker und treffen

sich im Paradiese der Liebe.

Schiller, Die Rüuber

Se se morre de amor! — Não, não se morre,

Quando é fascinação que nos surpreende

De ruidoso sarau entre os festejos;

Quando luzes, calor, orquestra e flores

Assomos de prazer nos raiam n’alma,

Que embelezada e solta em tal ambiente

No que ouve, e no que vê prazer alcança!

Simpáticas feições, cintura breve,

Graciosa postura, porte airoso,

Uma fita, uma flor entre os cabelos,

Um quê mal definido, acaso podem

Num engano d’amor arrebatar-nos.

Mas isso amor não é; isso é delírio,

Devaneio, ilusão, que se esvaece

Ao som final da orquestra, ao derradeiro

Clarão, que as luzes no morrer despedem:

Se outro nome lhe dão, se amor o chamam,

D’amor igual ninguém sucumbe à perda.

Amor é vida; é ter constantemente

Alma, sentidos, coração — abertos

Ao grande, ao belo; é ser capaz d’extremos,

D’altas virtudes, té capaz de crimes!

Compr’ender o infinito, a imensidade,

E a natureza e Deus; gostar dos campos,

D’aves, flores, murmúrios solitários;

Buscar tristeza, a soledade, o ermo,

E ter o coração em riso e festa;

E à branda festa, ao riso da nossa alma

Fontes de pranto intercalar sem custo;

Conhecer o prazer e a desventura

No mesmo tempo, e ser no mesmo ponto

O ditoso, o misérrimo dos entes;

Isso é amor, e desse amor se morre!

Amar, e não saber, não ter coragem

Para dizer que amor que em nós sentimos;

Temer qu’olhos profanos nos devassem

O templo, onde a melhor porção da vida

Se concentra; onde avaros recatamos

Essa fonte de amor, esses tesouros

Inesgotáveis, d’ilusões floridas;

Sentir, sem que se veja, a quem se adora,

Compr’ender, sem lhe ouvir, seus pensamentos,

Segui-la, sem poder fitar seus olhos,

Amá-la, sem ousar dizer que amamos,

E, temendo roçar os seus vestidos,

Arder por afogá-la em mil abraços:

Isso é amor, e desse amor se morre!

Se tal paixão porém enfim transborda,

Se tem na terra o galardão devido

Em recíproco afeto; e unidas, uma,

Dois seres, duas vidas se procuram,

Entendem-se, confundem-se e penetram

Juntas — em puro céu d’êxtases puros:

Se logo a mão do fado as torna estranhas,

Se os duplica e separa, quando unidos

A mesma vida circulava em ambos;

Que será do que fica, e do que longe

Serve às borrascas de ludíbrio e escárnio?

Pode o raio num píncaro caindo,

Torná-lo dois, e o mar correr entre ambos;

Pode rachar o tronco levantado

E dois cimos depois verem-se erguidos,

Sinais mostrando da aliança antiga;

Dois corações porém, que juntos batem,

Que juntos vivem, — se os separam, morrem;

Ou se entre o próprio estrago inda vegetam,

Se aparência de vida, em mal, conservam,

Ânsias cruas resumem do proscrito,

Que busca achar no berço a sepultura!

Esse, que sobrevive à própria ruína,

Ao seu viver do coração, — às gratas

Ilusões, quando em leito solitário,

Entre as sombras da noite, em larga insônia,

Devaneando, a futurar venturas,

Mostra-se e brinca a apetecida imagem;

Esse, que à dor tamanha não sucumbe,

Inveja a quem na sepultura encontra

Dos males seus o desejado termo!

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Poesia II
Ainda uma vez_Adeus!

Ainda uma vez — Adeus

English: Antônio Gonçalves Dias (August 10, 18...
English: Antônio Gonçalves Dias (August 10, 1823 — November 3, 1864) Português: (Photo credit: Wikipedia)

Gonçalves Dias

I

Enfim te vejo! — enfim posso,
Curvado a teus pés, dizer-te,
Que não cessei de querer-te,
Pesar de quanto sofri.
Muito penei! Cruas ânsias,
Dos teus olhos afastado,
Houveram-me acabrunhado
A não lembrar-me de ti!

II

Dum mundo a outro impelido,
Derramei os meus lamentos
Nas surdas asas dos ventos,
Do mar na crespa cerviz!
Baldão, ludíbrio da sorte
Em terra estranha, entre gente,
Que alheios males não sente,
Nem se condói do infeliz!

III

Louco, aflito, a saciar-me
D’agravar minha ferida,
Tomou-me tédio da vida,
Passos da morte senti;
Mas quase no passo extremo,
No último arcar da esp’rança,
Tu me vieste à lembrança:
Quis viver mais e vivi!

IV

Vivi; pois Deus me guardava
Para este lugar e hora!
Depois de tanto, senhora,
Ver-te e falar-te outra vez;
Rever-me em teu rosto amigo,
Pensar em quanto hei perdido,
E este pranto dolorido
Deixar correr a teus pés.

V

Mas que tens? Não me conheces?
De mim afastas teu rosto?
Pois tanto pôde o desgosto
Transformar o rosto meu?
Sei a aflição quanto pode,
Sei quanto ela desfigura,
E eu não vivi na ventura…
Olha-me bem, que sou eu!

VI

Nenhuma voz me diriges!…
Julgas-te acaso ofendida?
Deste-me amor, e a vida
Que me darias — bem sei;
Mas lembrem-te aqueles feros
Corações, que se meteram
Entre nós; e se venceram,
Mal sabes quanto lutei!

VII

Oh! se lutei! . . . mas devera
Expor-te em pública praça,
Como um alvo à populaça,
Um alvo aos dictérios seus!
Devera, podia acaso
Tal sacrifício aceitar-te
Para no cabo pagar-te,
Meus dias unindo aos teus?

VIII

Devera, sim; mas pensava,
Que de mim t’esquecerias,
Que, sem mim, alegres dias
T’esperavam; e em favor
De minhas preces, contava
Que o bom Deus me aceitaria
O meu quinhão de alegria
Pelo teu, quinhão de dor!

IX

Que me enganei, ora o vejo;
Nadam-te os olhos em pranto,
Arfa-te o peito, e no entanto
Nem me podes encarar;
Erro foi, mas não foi crime,
Não te esqueci, eu to juro:
Sacrifiquei meu futuro,
Vida e glória por te amar!

X

Tudo, tudo; e na miséria
Dum martírio prolongado,
Lento, cruel, disfarçado,
Que eu nem a ti confiei;
“Ela é feliz (me dizia)
“Seu descanso é obra minha.”
Negou-me a sorte mesquinha. . .
Perdoa, que me enganei!

XI

Tantos encantos me tinham,
Tanta ilusão me afagava
De noite, quando acordava,
De dia em sonhos talvez!
Tudo isso agora onde pára?
Onde a ilusão dos meus sonhos?
Tantos projetos risonhos,
Tudo esse engano desfez!

XII

Enganei-me!… — Horrendo caos
Nessas palavras se encerra,
Quando do engano, quem erra.
Não pode voltar atrás!
Amarga irrisão! reflete:
Quando eu gozar-te pudera,
Mártir quis ser, cuidei qu’era…
E um louco fui, nada mais!

XIII

Louco, julguei adornar-me
Com palmas d’alta virtude!
Que tinha eu bronco e rude
Co que se chama ideal?
O meu eras tu, não outro;
Stava em deixar minha vida
Correr por ti conduzida,
Pura, na ausência do mal.

XIV

Pensar eu que o teu destino
Ligado ao meu, outro fora,
Pensar que te vejo agora,
Por culpa minha, infeliz;
Pensar que a tua ventura
Deus ab eterno a fizera,
No meu caminho a pusera…
E eu! eu fui que a não quis!

XV

És doutro agora, e pr’a sempre!
Eu a mísero desterro
Volto, chorando o meu erro,
Quase descrendo dos céus!
Dói-te de mim, pois me encontras
Em tanta miséria posto,
Que a expressão deste desgosto
Será um crime ante Deus!

XVI

Dói-te de mim, que t’imploro
Perdão, a teus pés curvado;
Perdão!… de não ter ousado
Viver contente e feliz!
Perdão da minha miséria,
Da dor que me rala o peito,
E se do mal que te hei feito,
Também do mal que me fiz!

XVII

Adeus qu’eu parto, senhora;
Negou-me o fado inimigo
Passar a vida contigo,
Ter sepultura entre os meus;
Negou-me nesta hora extrema,
Por extrema despedida,
Ouvir-te a voz comovida
Soluçar um breve Adeus!

XVIII

Lerás porém algum dia
Meus versos d’alma arrancados,
D’amargo pranto banhados,
Com sangue escritos; — e então
Confio que te comovas,
Que a minha dor te apiade
Que chores, não de saudade,
Nem de amor, — de compaixão,

Doeu? Blogue

Muito bom o texto sobre os efeitos terapêuticos da escrita e de sua divulgação através dos blogs. Nota 10!

Avatar de naomiSOMENTE BOAS NOTÍCIAS

Da revista Mente & Cérebro:

A busca por uma vida mais saudável pode ser um dos motivos do enorme aumento do número de blogs. Estima-se que sejam cerca de 3 milhões por todo o planeta. Cientistas e escritores há anos conhecem os benefícios terapêuticos de escrever sobre experiências pessoais, pensamentos e sentimentos. Mas, além de servir como um mecanismo para aliviar o stress, expressar-se por meio da escrita traz muitos benefícios fisiológicos. Pesquisas mostram que com a prática da escrita é possível aprimorar a memória e o sono, estimular a atividade dos leucócitos e reduzir a carga viral de pacientes com aids e até mesmo acelerar a cicatrização após uma cirurgia. Um estudo publicado na revista científica Oncologist mostra que pessoas com câncer que escreviam para relatar seus sentimentos logo depois, se sentiam muito melhor, tanto mental quanto fisicamente, em comparação a pacientes que não se deram a esse trabalho.

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