Quero ser a Palestina Quero ser a Palestina Mas não quero ser a Palestina de Israel Não seja para mim o que Israel é para a Palestina. Não me transforme em vítima das vítimas. Quero ser aquela Palestina Que você quer salvar...
Autor: Godoy
Sonho de menina
tão pequenina
de menina têm de morrer um dia?
Erijam-se templos em sua homenagem!
Revolução de Jasmim, in memoriam de Mohamed Bouazizi
ثورة الياسمين
A púrpura tirou-lhe o pão e a humilde banca de frutas.
Sem meios para o sustento, Azizi vende dor
“a todos aqueles que sonham com a liberdade”.
Imagens oníricas viraram concreto pelo concreto
Ou virarão algum dia?
Ele imaginou o saldo de seu gesto?
Se soubesse, novamente se imolaria?
Nas Revoluções com nomes de flores o sinistro e o sublime se misturam.
Quão apavorante é a arrastada miséria humana,que um arrepiante gesto
de horror instantâneo aliviaria?
Ascende o novo modo velho de ser e de pensar.
O que se perderá, o que se ganhará?
As belezas naturais e feminis,
encobertas aos filhos mestiços de antigos fenícios,
são visitadas pelos curiosos;
reveladas aos peregrinos pagãos.
A esse lirismo brutal e pronto me debruço,
Esperando, desse jasmineiro, o fruto.
10-09-2012
Vive dentro de mim
Amoras nos muros
A meu primo Marcelo Balberde Boccuzzi
Como é difícil colher amoras!
— É muito perigoso!
Há pontas de cacos
de vidro nos muros
os quais só alguns podem pular.
Só eles podem subir
na árvore e alcançar
seus frutos maduros.
O sangue do crime
nas mãos rubras de amoras!
Ah! Quem dera ser maior e mais forte!
Os galhos do outro lado
do muro cortante alcançar!
Mas, ainda assim, precisaria enfrentar
as aranhas nas folhas escondidas,
os escorpiões, as cobras,
peçonhas esperando
mãozinhas inocentes e limpas.
Quem pode com elas?
Só eles… eles podem!
as mais maduras, pesadas,
dos altos galhos que pendem do lado
de cá da muralha intransponível.
Mas seu gosto amassado, passado
O tempo estragou!
No ladrilho vermelho,
seu sumo jaz esparramado.
As tenras e frescas,
só eles podem comer.
Dia escuro, nuvens cinza-carregadas,
Cascatas de suco rolam as escadas.
_ Com ácido, limpa-se tudo!
Asas, asas, dêem-me asas para alcançá-las.
Ah! quebrar os cacos, derrubar
o muro a machadadas,
e elas, todas aqui, assim!
15 de setembro de 1998
Perdão, padre, porque pequei!
_Perdão, padre, porque pequei!
Tive um sentimento vergonhoso,
não consigo contar.
_O que foi, minha filha?
Deus é misericordioso.
_Tive innnvejjaa.
_O quê? Inveja?
_Sim, inveja.
_De quem?
_Da cantineira de minha escola.
_Mas por quê?
_Porque ela sabe virar
panquecas no ar…
_Só isso?
_Não, também tive inveja
Das moças que dormem…
_Como?
_Sim padre, das moças que dormem.
_Só isso?
_Não, tive também dos pássaros que voam,
Dos peixes que podem ir
a lugares onde não posso estar.
Tenho inveja de tanta coisa…
Das roupas de meu amado,
Do ar que ele respira.
Nem a luz escapa.
E dos mortos todos
que talvez já saibam
de coisas que eu não sei
e talvez estejam reunidos em algum altar
aonde eu não sei quando vou chegar,
Ou talvez já não sintam mais
O mundo todo fora do lugar…
Na Palestina: O velho, a árvore, o ônibus
À Abd Al-Hasib Atta Zaloum Sobre o solo, jaz a carcaça do que um dia havia sido um ônibus. Hoje, tornou-se abrigo do velho sem moradia. As estrelas no céu velam por eles à noite. O frio passa pelas vidraças estilhaçadas, Vem sorrateiro seu rosto açoitar. Sob o sol escaldante, a sombra vem de uma árvore solitária. O ônibus à noite e a árvore de dia São todo o seu reino, como nem o rei da Jordânia tem. Assim que ficou pronta, sua antiga casa foi demolida; sua terra, por colonos, roubada. Converteram seu território em "área de segurança". Segurança pra quem, se o velho agora vive ao relento? Não é o velho, de humanos, rebento? Não necessita de segurança também? É menos humano que as crianças da escola atrás daquela muralha, já que delas só recebe desdém? Como a vida, que poderia ter tido, foi interrompida, Perdeu sua costumeira esperança e neste solo devastado só quer plantar seus olhos cansados Para não verem mais a guerra assolar o seu lar.








