Revolução de Jasmim, in memoriam de Mohamed Bouazizi

ثورة الياسمين

A púrpura tirou-lhe o pão

E a humilde banca de frutas.

Sem meios para o sustento,

Azizi vende dor “a todos aqueles que sonham com a liberdade”.

 

Nos muros, palavras oníricas viraram concreto pelo concreto

Ou virarão algum dia?

Ele imaginou o saldo de seu gesto?

Se soubesse, novamente se imolaria?

 

Nas Revoluções com nomes de cores e flores

O sinistro e o sublime se misturam:

quão apavorante é a arrastada miséria humana,

que um arrepiante gesto de horror instantâneo aliviaria?

 

Ascende o novo modo velho de ser e de pensar.

O que se perderá, o que se ganhará?

As belezas naturais e feminis encobertas aos filhos mestiços de antigos fenícios,

são visitadas pelos curiosos e reveladas aos peregrinos pagãos.

 

A esse lirismo brutal e pronto me debruço,

Esperando, desse jasmineiro, o fruto.

10-09-2012

Jasmine-Oil-Arabian-jasmine-

Vive dentro de mim

Dentro de mim há mundos,

Dentro de mim moram seres,

que ninguém nunca viu.

Mora um duende caolho

E uma girafa cambeta,

Duplas meninas de trança

E um menino perneta.

 

Dentro de mim vivem vovós

já cansadas de viver

E moças que já são vós

sem nem filhos ter.

 

Dentro de mim, moram todos que conheci,

Guardados a sete chaves.

De vez em quando, alguém escapa,

Mas outro alguém  sempre o resgata.

 

12-04-2012