evocações de corinto

Danilo Sérgio Borges II quem contra tua beleza faria desafio ou mais uma criatura seria vaidosa de ser um diamante inquebrável um som de mar ao cair da tarde? quem contra teu silêncio agrediria uma só asa de vento que se escreva ou uma inflexão de gesto incalculada quem contra mim e tua figura se …

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O cão sem plumas – João Cabral de Melo Neto

O cão sem plumas João Cabral de Melo Neto     I. Paisagem do Capibaribe   A cidade é passada pelo rio como uma rua é passada por um cachorro; uma fruta por uma espada.   O rio ora lembrava a língua mansa de um cão, ora o ventre triste de um cão, ora o …

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Uma Faca Só Lâmina

João Cabral de Melo Neto ou Serventia das idéias fixas Para Vinícius de Morais Assim como uma bala enterrada no corpo, fazendo mais espesso um dos lados do morto; assim como uma bala do chumbo pesado, no músculo de um homem pesando-o mais de um lado qual bala que tivesse um vivo mecanismo, bala que …

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A CANÇÃO DE AMOR DE J. ALFRED PRUFROCK

A CANÇÃO DE AMOR DE J. ALFRED PRUFROCK T. S. Eliot S'io credesse che mia risposta fosse A persona che mai tornasse al mondo, Questa fiamma staria senza piu scosse. Ma perciocche giammai di questo fondo Non torno vivo alcun, s'i'odo il vero, Senza tema d'infamia ti rispondo. Dante Alighieri. La divina Commedia Inferno, XXVII, 61-66 …

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Estrofes para uma dama com os poemas de Camões

George Gordon, Lord Byron Este penhor votivo, apreço amável, Talvez, menina! em mim possa estimar; Ele canta, do amor, o sonho afável, Tema que nunca iremos desprezar.     Quem o condena é o néscio invejoso, Uma idosa donzela decaída; Ou o êmulo em colégio aleivoso, Sob a pena da mágoa esmaecida?     Então …

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Gesta Maximalista

Jorge Luis Borges Desde los hombros curvos se arrojaron los rifles como viaductos. Las barricadas que cicatrizan las plazas vibran nervios desnudos El cielo se ha crinado de gritos y disparos. Solsticios interiores han quemado los cráneos. Uncida por el largo aterrizaje la catedral avión de multitudes quiere romper las amarras y el ejército fresca …

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“A Terra Desolada” de T.S. Eliot – tradução de Ivan Junqueira

1. O enterro dos mortos Abril é o mais cruel dos meses, germina Lilases da terra morta, mistura Memória e desejo, aviva Agônicas raízes com a chuva da primavera. O inverno nos agasalhava, envolvendo A terra em neve deslembrada, nutrindo Com secos tubérculos o que ainda restava de vida. O verão; nos surpreendeu, caindo do …

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