Mancebo

Poética de Botequim

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Jacó trabalhou como pastor para Labão

Durante sete anos para merecer a mão

de sua filha Raquel, serrana bela.

Mas se não a visse novamente,

antes de a Terra girar quatro

vezes mais ao redor do Sol,

Jacó, dela, se lembraria?

Tudo o que os olhos não viram,

naquela época remota da juventude,

o peito, agora maduro, ainda desejaria?

Nosso menino, ao crescer, nem das saias

De sua impúbere menina se esqueceu.

Ao contrário do pai de Raquel _que não

premiou Jacó, matando-o por dentro

ao entregar-lhe a outra filha mais velha, Lia,

_ o remendo das pontas soltas da vida

É o presente que receberá por sua espera.

Febre de mancebo dura a vida toda!

06-09-2012

Contraponto a:

Trecho do texto de Gian Luca para ler o texto completo acesso o link – Clamor do Sexo

Poema de Wordsworth declamado por Deani no fim do filme:

“What though the…

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A Ilha dos amores

A Ilha dos Amores

Excertos do Canto IX d’Os Lusíadas de Luís de Camões

De uma os cabelos de ouro o vento leva
Correndo, e de outra as fraldas delicadas;
Acende-se o desejo, que se ceva
Nas alvas carnes súbito mostradas;
Uma de indústria cai, e já releva,
Com mostras mais macias que indignadas,
Que sobre ela, empecendo, também caia
Quem a seguiu pela arenosa praia.

 

Outros, por outra parte, vão topar
Com as Deusas despidas, que se lavam:
Elas começam súbito a gritar,
Como que assalto tal não esperavam.
Umas, fingindo menos estimar
A vergonha que a força, se lançavam
Nuas por entre o mato, aos olhos dando
O que às mãos cobiçosas vão negando.

 

Outra, como acudindo mais depressa
A vergonha da Deusa caçadora,
Esconde o corpo n’água; outra se apressa
Por tomar os vestidos, que tem fora.
Tal dos mancebos há, que se arremessa,
Vestido assim e calçado (que, coa mora
De se despir, há medo que ainda tarde)
A matar na água o fogo que nele arde.

 

Qual cão de caçador, sagaz e ardido,
Usado a tomar na água a ave ferida,
Vendo no rosto o férreo cano erguido
Para a garcenha ou pata conhecida,
Antes que soe o estouro, mal sofrido
Salta n’água, e da presa não duvida,
Nadando vai e latindo: assim o mancebo
Remete à que não era irmã de Febo.

 

Leonardo, soldado bem disposto,
Manhoso, cavaleiro e namorado,
A quem amor não dera um só desgosto,
Mas sempre fora dele maltratado,
E tinha já por firme pressuposto
Ser com amores mal afortunado,
Porém não que perdesse a esperança
De ainda poder seu fado ter mudança,

 

Quis aqui sua ventura, que corria
Após Efire, exemplo de beleza,
Que mais caro que as outras dar queria
O que deu para dar-se a natureza.
Já cansado correndo lhe dizia:
“Ó formosura indigna de aspereza,
Pois desta vida te concedo a palma,
Espera um corpo de quem levas a alma.[…}

 

Já não fugia a bela Ninfa, tanto
Por se dar cara ao triste que a seguia,
Como por ir ouvindo o doce canto,
As namoradas mágoas que dizia.
Volvendo o rosto já sereno e santo,
Toda banhada em riso e alegria,
Cair se deixa aos pés do vencedor,
Que todo se desfaz em puro amor.

 

Ó que famintos beijos na floresta,
E que mimoso choro que soava!
Que afagos tão suaves, que ira honesta,
Que em risinhos alegres se tornava!
O que mais passam na manhã, e na sesta,
Que Vênus com prazeres inflamava,
Melhor é experimentá-lo que julgá-lo,
Mas julgue-o quem não pode experimentá-lo.

Hylas_and_the_Nymphs
Hilas e as Ninfas, de John William Waterhouse (1896)

O Velho do Restelo – Camões

Eis a arenga do Velho do Restelo contra as viagens marítimas e a ambição desmedida e corrupção dos portugueses no livro Os Lusíadas de Luis Vaz de Camões, poeta português:

 

94

Mas um velho, de aspecto venerando,

Que ficava nas praias, entre a gente,

Postos em nós os olhos, meneando

Três vezes a cabeça, descontente,

A voz pesada um pouco alevantando,

Que nós no mar ouvimos claramente,

C’um saber só de experiências feito,

Tais palavras tirou do experto peito:

95

— “Ó glória de mandar! Ó vã cobiça

Desta vaidade, a quem chamamos Fama!

Ó fraudulento gosto, que se atiça

C’uma aura popular, que honra se chama!

Que castigo tamanho e que justiça

Fazes no peito vão que muito te ama!

Que mortes, que perigos, que tormentas,

Que crueldades neles experimentas!

96

— “Dura inquietação d’alma e da vida,

Fonte de desamparos e adultérios,

Sagaz consumidora conhecida

De fazendas, de reinos e de impérios:

Chamam-te ilustre, chamam-te subida,

Sendo digna de infames vitupérios;

Chamam-te Fama e Glória soberana,

Nomes com quem se o povo néscio engana!

97

— “A que novos desastres determinas

De levar estes reinos e esta gente?

Que perigos, que mortes lhe destinas

Debaixo dalgum nome preminente?

Que promessas de reinos, e de minas

D’ouro, que lhe farás tão facilmente?

Que famas lhe prometerás? que histórias?

Que triunfos, que palmas, que vitórias?

 

Partida das naus na praia do Restelo em Portugal e discurso da personagem da epopeia "Os Lusíadas" do poeta Camões
Partida das naus para as Índias da praia do Restelo em Portugal e discurso da personagem da epopeia “Os Lusíadas” do poeta Camões

Estrofes para uma dama com os poemas de Camões

English: Young Lord Byron
English: Young Lord Byron (Photo credit: Wikipedia)

George Gordon, Lord Byron

Este penhor votivo, apreço amável,

Talvez, menina! em mim possa estimar;

Ele canta, do amor, o sonho afável,

Tema que nunca iremos desprezar.

 

 

Quem o condena é o néscio invejoso,

Uma idosa donzela decaída;

Ou o êmulo em colégio aleivoso,

Sob a pena da mágoa esmaecida?

 

 

Então leia, menina! ao sentir leia,

Como aqueles você não há de ser;

A você em vão nada mais pleiteio

Em dó pelo poeta a padecer.

 

 

Ele deveras era um vero bardo;

Não era ele fictícia, fraca flama.

Dele, o amor seria teu resguardo,

Mas não igual teu desgraçado drama.

Deutsch: Lord Byron, britischer Poet
Deutsch: Lord Byron, britischer Poet (Photo credit: Wikipedia)