Alceu de Metilene

Map of Lesbos by Giacomo Franco (1597).
Map of Lesbos by Giacomo Franco (1597). (Photo credit: Wikipedia)

Poeta grego (séculos VII-VI a.C.), nasceu em Lesbos, na cidade de Metilene.

Fragmentos:

Fragmento 42

Fragmento 96

Fragmento 357LP

Alceu de Metilene Fr. 42

Alceu Fr. 42 (trad.: C. Leonardo B. Antunes)

          Dizem que por feitos ruins, Helena,

Veio a dor pra Príamo e pra seus filhos.
Por tua causa Zeus destruiu a sacra
Ílio com fogo,

Não por conta da delicada virgem
Que esposou o ilustre rebento de Éaco
Frente aos deuses todos. Levando-a do
Lar de Nereu

Pro de Quíron, ele soltou-lhe as vestes
Puras e o amor de Peleu e da mais
Nobre das Nereidas então brotou.
Dentro de um ano,

Deu-lhe um filho: o mais poderoso semi-
Deus, feliz ginete de potros pardos.
Mas morreram graças a Helena os Frígios
E sua cidade.

 

Bust of Helen of Troy by Canova in the Copenhagen Museum
Bust of Helen of Troy by Canova in the Copenhagen Museum

Poemas de Safo de Lesbos

“Semelhante aos deuses parece-me que há de ser o feliz
mancebo que, sentado a tua frente, ou ao teu  lado,
te contemple e, em silêncio te ouça a argêntea voz
e o riso abafado do amor.Oh, isso-isso-só é  bastante
para ferir-me o perturbado coração, fazendo-o
tremer dentro do peito!
Pois basta que, por um instante, eu te veja
para que, como por magia, minha voz emudeça;
sim, basta isso, para que minha lingua se paralise,
e eu sinta sob a carne impalpável fogo
a incendiar-me as entranhas.
Meus olhos ficam cegos a um fragor de ondas
soa-me aos ouvidos;
o suor desce-me em rios pelo corpo, um tremor
(…)

Safo

SAFO
SAFO (Photo credit: Becante)

Safo de Lesbos

Convite de Alceu a Safo

“Oh! pura Safo, de violetas coroada e de suave sorriso, queria dizer-te algo, mas a vergonha me impede.”

Safo lhe respondeu:

“Se teus desejos fossem decentes e nobres e tua língua incapaz de proferir baixezas, não permitirias que a vergonha te nublasse os olhos – dirias claramente aquilo que desejasses”.

Poema de Safo dedicado a Átis

À Amada

Ventura que iguala aos deuses,

Em meu conceito desfruta

Quem junto de ti sentada,

As doces falas te escuta,

Goza teu mago sorrir.

Quando imagino em tal gosto

É minha alma um labirinto;

Expira-me a voz nos lábios;

Nas veias um fogo sinto;

Sinto os ouvidos zunir.

Gelado suor me inunda;

O corpo se me arrepia;

Fogem-me as cores do rosto,

Como ao vir da quadra fria

Entra a folha a desmaiar.

Respiro a custo, e já cuido

que se esvai a doce vida!

Arrisquemo-nos a tudo…

Contra uma angustia sofrida

Tudo se deve tentar. (tradução Castilho)

Leia mais poemas de Safo em:

safo-gabriel-rossetti

A estante deslocada V

 

Rafael F. Carvalho

            Um amigo meu estava de mudança e pediu para eu guardar um de seus quadros. Era um quadro que mostrava pequenos veleiros ancorados. Toda a vez que eu o visitava, aqueles barcos estavam lá, com suas velas abaixadas. Não neguei seu pedido, levei o quadro para ficar em minha casa. Um quadro não deve ficar guardado, nem no chão. Peguei um prego e um martelo. Ele começou a ser parte de tudo. Os veleiros ficaram comigo até eu perder a conta dos dias desde que foram erguidos. Passei muito a estimá-los. Um dia meu telefone tocou, havia uma voz dentro dele dizendo que queria o quadro de volta. Minha parede ficou vazia dos veleiros que esperavam seus marinheiros. Ao olhar a mancha do quadro na parede, desci a serra em direção ao mar em busca de veleiros, e naveguei para o nunca mais.

veleiros

Estante deslocada IV

Rafael F. Carvalho

Quando eu era pequeno, houve uma terrível seca em nossa terra. Nenhuma planta sobreviveu, exceto a figueira. Nada mais cresceu, nem hortas nem outras frutas. Só podíamos cultivar figos, logo eu, que sempre detestara figos. Talvez fosse um castigo divino, uma vingança ou um aprendizado que deveríamos passar, mas só me lembro dos figos. Nem mesmo por necessidade eu conseguia gostar de figos. Com o passar dos anos minha família ficou conhecida pelos figos que produzíamos, vendemos figos para pessoas que vinham de lugares muito

distantes. Eu aprendi a plantar, cuidar, proteger das pragas, colher, guardar e vender. Se perguntavam se ele era bom, eu dava um pedaço para experimentar, não tinha outro jeito de saber se eram bons. Todos gostavam e compravam sem mais perguntar. O único figo que comi foi um que não coube na cesta e fiquei com pena de jogar fora. Hoje tenho muitas figueiras e sou conhecido por aquilo que detesto.

 

Figo

Natércia Pontes lança livro no Espaço CULT

Ontem dia 05-02-2013, foi lançado no Espaço Cult livro “Copacabana Dreams” que compila contos da escritora cearense sobre o famoso bairro carioca. Para mais informações sobre esse evento clique no link:

http://revistacult.uol.com.br/home/2013/02/natercia-pontes-lanca-livro-no-espaco-cult/

Conheça títulos considerados indignos de leitura por autoridades

da Livraria da Folha

Ditadores e fanáticos religiosos são os inimigos históricos dos livros. Queimar exemplares em praça pública, tentar bani-los ou condenar um autor à morte não é lá grande novidade. Estranho é quando um Estado democrático passa a coibir a sua comercialização. Parece que Luiz Felipe Pondé tem razão: “politicamente correto é censura fascista”.

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No Brasil, mais de 900 mil livros foram comercializados em 80 dias
Trilogia erótica entra para a lista de “proibidões da literatura”

A apreensão de livros eróticos em Macaé (RJ) foi a mais recente de uma série. Lá, a Justiça do Rio de Janeiro do município, com ordem expedida pelo juiz Raphael Baddini de Queiroz Campos, retirou títulos considerados obscenos de duas livrarias.

O episódio, que ocorreu na segunda-feira passada (14), retirou e lacrou 64 exemplares. “Cinquenta Tons de Cinza”, “Algemas de Seda”, “50 Versões de Amor e Prazer” e “A Dama da Internet” estão entre os mais recentes “proibidões da literatura”.

Em breve, andar pelas ruas com um livro de Dalton Trevisan ou de Nelson Rodrigues pode acabar na delegacia.

No final de novembro do ano passado, a deputada distrital Celina Leão (PSD) encaminhou o pedido de suspensão da venda de “O Livro Maldito” à Procuradoria-Geral da República. A edição foi publicada no Brasil em 2011.

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Autor promete contar tudo o que você precisa saber se não for uma mané
Autor se fundamenta no nonsense para criar a cartilha do crime

Escrito pelo publicitário norte-americano Christopher Lee Barish, o texto é inspirado em “Grand Theft Auto” (GTA), um game no qual o protagonista se envolve em diversas atividades criminosas. Barish explica como produzir um filme pornô, abrir cofres, fazer ligação direta em carros e assaltar bancos.

Fora do Brasil, a Comissão Coreana de Ética Editorial proibiu a venda e ordenou a destruição dos exemplares de “Os 120 Dias de Sodoma”, escrito por marques de Sade no século 18 e publicado recentemente na Coreia do Sul.

O clássico apresenta linguagem mais obscena e descrições de atos sexuais mais polêmicos que os presentes na trilogia erótica “Cinquenta Tons de Cinza”. Considerado a obra-prima do marquês, o texto foi dado como perdido e publicado apenas no início do século 20. O romance inspirou “Salò” (1975), filme de Pier Paolo Pasolini (1922-1975).

Antonio Candido recebe prêmio como destaque cultural de SP

05/02/2013 – 14h33

Antonio Candido recebe prêmio como destaque cultural de SP

Publicado na Folha de São Paulo

DE SÃO PAULO

O crítico literário Antonio Candido, 94, foi o principal homenageado do Prêmio Governador do Estado para Cultura 2012, na noite de segunda-feira (4), no Theatro São Pedro, na Barra Funda.

O professor emérito da USP recebeu, pelo conjunto de sua obra, R$ 100 mil e um troféu.

Décio Figueiredo/Divulgação

Antonio Candido no prêmio Governador do Estado, na noite de segunda-feira (4)

Antonio Candido no Prêmio Governador do Estado, na noite de segunda-feira (4)

“O prêmio foi dado a alguém que recebeu de São Paulo infinitamente mais do que foi capaz de dar”, disse o carioca criado em Minas Gerais, que se instalou na capital paulista em 1936, aos 18 anos.

Foram premiados também durante a cerimônia os eleitos do júri e do público em nove categorias: artes visuais, cinema, circo, inclusão cultural, dança, música, teatro, instituição cultural e mecenato.

O compositor Luiz Tatit foi o único a vencer tanto na escolha dos jurados quanto pelo voto popular, via internet. Como os outros escolhidos pelo júri, recebeu R$ 60 mil. Os escolhidos pelo voto popular receberam apenas um troféu.

Veja a lista de vencedores:

Prêmio do Júri

Artes Visuais: Aracy Amaral, por “Exercícios de Olhar” (curadoria)
Cinema: Beto Brant e Renato Ciasca, por “Eu Receberia as Piores Notícias dos Seus Lindos Lábios”
Circo: Bruno Edson, por “Equilibrista”
Dança: Luís Arrieta, por “A Ponte”
Inclusão Cultural: Agência Solano Trindade, por ações de economia criativa
Música: Luiz Tatit, pela caixa com a discografia do Grupo Rumo e pelo espetáculo “Totatiando”, com Zélia Duncan
Teatro: Club Noir, por “Peep Classic Ésquilo

Votação popular

Artes Visuais: Regina Silveira, por intervenção na exposição “Gravuda em Campo Expandido”
Cinema: Cao Hamburguer, por “Xingu”
Circo: Verônica Tamaoki, pela exposição “Hoje Tem Espetáculo”
Dança: Cisne Negro Cia. de Dança, por “O Quebra Nozes”
Inclusão Cultural: Zulu Nation Brasil, pela Casa do Hip Hop
Música: Luiz Tatit, por “Totatiando” e pela caixa do Grupo Rumo
Teatro: Teatro da Vertigem, por “Bom Retiro 958 Metros”
Instituição Cultural: Sesc SP, pela programação cultural
Mecenato: Grupo Votorantim, por apoio a ações culturais

 

Autor de ‘As Aventuras de Pi’ é suspeito de plagiar brasileiro

da Livraria da Folha

Yann Martel, autor de “As Aventuras de Pi”, livro que inspirou o filme indicado ao Oscar (“Life of Pi”), é suspeito de ter plagiado a história de “Max e os Felinos”, de Moacyr Scliar (1937-2011).

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História de um náufrago e uma fera num minúsculo barco no meio do oceano
Divulgação

História de um náufrago e uma fera num minúsculo barco no meio do oceano

Essa história começou quando o título recebeu o prêmio Booker de 2002. Na época, a imprensa suspeitou de plágio.

Mais de dez anos depois –temendo que a lendária “memória curta” dos brasileiros tenha algum fundamento–, vale relembrar o episódio.

Em “As Aventuras de Pi”, um adolescente indiano, filho do dono de um zoológico, acaba em um bote após um naufrágio. Um tigre-de-bengala –que aparece na capa do livro– faz companhia ao protagonista.

Em “Max e os Felinos”, um jovem alemão, que está fugindo do nazismo num navio que transporta animais, acaba em um bote após um naufrágio. Um jaguar –que aparece na capa do livro– faz companhia ao protagonista.

Médico e escritor

Moacyr Jaime Scliar nasceu em Porto Alegre (RS), no Bom Fim, bairro judaico da cidade. Alfabetizado pela mãe, uma professora primária, Scliar cursou medicina na Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Autor de mais de 70 livros e colunista da Folha, o gaúcho escreveu de romances a crônicas, de literatura infantil a ensaios sobre história.

Passou a integrar a Academia Brasileira de Letras (ABL) em 2003. Recebeu prêmios Jabuti em 1988, 1993, 2000 e 2009. Scliar morreu no dia 27 de fevereiro de 2011, aos 73, no Hospital das Clínicas de Porto Alegre, onde estava internado.

Eleito em 2002 pelo National Yiddish Book Center, dos Estados Unidos, um dos cem melhores livros de temática judaica escritos nos últimos 200 anos, “O Centauro no Jardim” é um romance sobre uma família judia na qual nasce um ser metade homem, metade cavalo.

Leia trecho da introdução ao livro “Max e os Felinos” escrita após as denúncias.

Atenção: o texto reproduzido abaixo mantém a ortografia original do livro e não está atualizado de acordo com as regras do Novo Acordo Ortográfico. Conheça o livro “Escrevendo pela Nova Ortografia”.

*

INTRODUÇÃO
Moacyr Scliar

O Destino ainda bate à porta, claro, mas nesta época de comunicações instantâneas prefere o telefone. Na tarde de 30 de outubro de 2002, voltando para casa cansado de uma viagem, recebi uma ligação. Era uma jornalista do jornal O Globo, dando-me uma notícia que, a princípio, não entendi bem: parece que um escritor tinha ganho, na Europa, um prêmio importante com um livro baseado em um texto meu.

Minha primeira reação foi de estranheza: um escritor, e do chamado Primeiro Mundo, copiando um autor brasileiro? Copiando a mim? Ela se ofereceu para me dar mais detalhes, o que foi feito em telefonemas seguintes, e assim aos poucos fui mergulhando no que se revelaria, nos dias seguintes, um verdadeiro torvelinho, uma experiência pela qual eu nunca havia passado.

Sim, um escritor canadense chamado Yann Martel havia recebido, na Inglaterra, o prestigioso prêmio Booker, no valor de 55 mil libras esterlinas, conferido anualmente a autores do Common wealth britânico ou da República da Irlanda (entre outros: Ian McEwan, Michael Ondaatje, Kingsley Amis, J.M.Coetzee, Salman Rushdie, Iris Mur doch). Sim, ele dizia que havia se baseado em um livro meu, Max e os felinos, publicado no Brasil em 1981, pela L&PM (Porto Alegre), e traduzido poucos anos depois nos Estados Unidos como Max and the Cats (New York, Ballantine Books, 1990) e na França como Max et les Chats (Paris, Presses de la Renais sance, 1991). É uma pequena novela que escrevi com grande prazer – lembro-me de um fim de semana na serra gaúcha em que matraqueava animado a máquina de escrever, em todos os minutos em que não estava cuidando de meu filho, ainda pequeno.

Minha primeira reação não foi de contrariedade.

Ao contrário, de alguma forma senti-me envaidecido por ter alguém se entusiasmado pela idéia tanto quanto eu próprio me entusiasmara. Mas havia, na notícia, um componente desagradável e estranho, tão estranho quanto desagradável. Yann Martel não tinha, segundo suas declarações, lido a novela. Tomara conhecimento dela através de uma resenha do escritor John Updike para o New York Times, resenha desfavorável, segundo ele.

Esta afirmativa me perturbou. Max and the Cats não chegou a ser um best-seller, mas os artigos sobre o livro, que me haviam sido enviados pela editora, eram favoráveis – inclusive o do New York Times, assinado por Herbert Mitgang. Teria Updike escrito uma outra resenha – para o mesmo jornal? Se era esse o caso, por que eu não a recebera? Será que os editores só mandavam resenhas favoráveis?

À afirmativa seguia-se um comentário de Martel. Uma pena, dizia ele, que uma idéia boa tivesse sido estragada por um escritor menor. Mas, em seguida, levantava uma outra hipótese: e se eu não fosse um escritor menor? E se Updike tivesse se enganado? De qualquer maneira a idéia principal do livro serviu-lhe de ponto de partida para sua obra The Life of Pi. E qual é essa idéia?

O Max Schmidt de meu livro é um jovem alemão que está fugindo do nazismo e que embarca para o Brasil. O navio em que viaja, um velho cargueiro, transporta também animais de um zoológico. Há um naufrágio, criminoso, mas Max salva-se em um escaler. E de repente sobe a bordo um sobrevivente inesperado e ameaçador: um jaguar. Começa então a segunda parte da novela, que tem como título O jaguar no escaler.

Esta, a idéia que motivou Martel. O seu personagem, Piscine Molitor Patel, Pi, é um menino hindu cujo pai é dono de um zoológico. A família emigra para o Canadá, levando os animais a bordo. Há, na segunda parte do livro, um naufrágio (que depois será considerado criminoso). Pi salva-se. No mesmo barco estão um tigre de Bengala, um orangotango e uma zebra. O tigre liquida os três e Pi fica à deriva com o felino por mais de duzentos dias.

O texto de Martel é diferente do texto de Max e os felinos. Mas o leitmotiv é, sim, o mesmo. E aí surge o embaraçoso termo: plágio.

Embaraçoso não para mim, devo dizer logo. Na verdade, e como disse antes, o fato de Martel ter usado a idéia não chegava a me incomodar. Incomodava-me a suposta resenha e também a maneira pela qual tomei conheci mento do livro. De fato, não fosse o prêmio, eu talvez nem ficasse sabendo da existência da obra. No lugar de Martel eu procuraria avisar o autor. Aliás, foi o que fiz, em outra circunstância. Meu livro A mulher que escreveu a Bíblia teve como ponto de partida uma hipótese levantada pelo famoso scholar norte-americano Harold Bloom segundo a qual uma parte do Antigo Testamento poderia ter sido escrita por uma mulher, à época do rei Salomão. Tratava-se, contudo, de um trabalho teórico. Mesmo assim, coloquei o trecho de Bloom como epígrafe do livro – que enviei a ele (nunca respondeu – nem sei se recebeu -, mas eu cumpri minha obrigação). Martel agiu de maneira diferente. No prefácio, em que agradece a muitas pessoas, atribui a “fagulha da vida” (“the spark of life“) que o motivou a mim. Mas não entra em detalhes, não fala em Max e os felinos.

*

“Max e os Felinos”
Autor: Moacyr Scliar
Editora: L&PM
Páginas: 128
Quanto: R$ 13,90 (preço promocional*)
Onde comprar: pelo telefone 0800-140090 ou pelo site da Livraria da Folha

* Atenção: Preço válido por tempo limitado ou enquanto durarem os estoques. Não cumulativo com outras promoções da Livraria da Folha. Em caso de alteração, prevalece o valor apresentado na página do produto.

Texto baseado em informações fornecidas pela editora/distribuidora da obra.

Ler poesia é mais útil para o cérebro que livros de autoajuda, dizem cientistas

John Donne, one of the most famous Metaphysica...

John Donne, one of the most famous Metaphysical Poets. (Photo credit: Wikipedia)

Elizabeth Barrett Browning - Project Gutenberg...Elizabeth Barrett Browning – Project Gutenberg eText 16786 (Photo credit: Wikipedia)

PUBLICADO NA FOLHA DE SÃO PAULO

Ler autores clássicos, como Shakespeare, William Wordsworth e T.S. Eliot, estimula a mente e a poesia pode ser mais eficaz em tratamentos do que os livros de autoajuda, segundo um estudo da Universidade de Liverpool publicado nesta terça-feira (15).

Especialistas em ciência, psicologia e literatura inglesa da universidade monitoraram a atividade cerebral de 30 voluntários que leram primeiro trechos de textos clássicos e depois essas mesmas passagens traduzidas para a “linguagem coloquial”.

Reprodução
O poeta Thomas Stearns Eliot
O poeta Thomas Stearns Eliot

Os resultados da pesquisa, antecipados pelo jornal britânico “Daily Telegraph”, mostram que a atividade do cérebro “dispara” quando o leitor encontra palavras incomuns ou frases com uma estrutura semântica complexa, mas não reage quando esse mesmo conteúdo se expressa com fórmulas de uso cotidiano.

Esses estímulos se mantêm durante um tempo, potencializando a atenção do indivíduo, segundo o estudo, que utilizou textos de autores ingleses como Henry Vaughan, John Donne, Elizabeth Barrett Browning e Philip Larkin.

Os especialistas descobriram que a poesia “é mais útil que os livros de autoajuda”, já que afeta o lado direito do cérebro, onde são armazenadas as lembranças autobiográficas, e ajuda a refletir sobre eles e entendê-los desde outra perspectiva.

“A poesia não é só uma questão de estilo. A descrição profunda de experiências acrescenta elementos emocionais e biográficos ao conhecimento cognitivo que já possuímos de nossas lembranças”, explica o professor David, encarregado de apresentar o estudo.

Após o descobrimento, os especialistas buscam agora compreender como afetaram a atividade cerebral as contínuas revisões de alguns clássicos da literatura para adaptá-los à linguagem atual, caso das obras de Charles Dickens.

A Estante Deslocada III

Rafael F. Carvalho

         A vida se resume a momentos, simples como um dia que se vive bem, quando as horas passam sem percebê-las. Não quero a felicidade contínua, desejo um dia em que eu possa dizer: “hoje foi um dia bem vivido”. Se tudo fosse tão fácil assim! Quero que as semanas e os dias sejam plenos. Que tristeza procurar o impossível… trato eu de viver o dia com completude, pois o futuro está programado com a ressalva de saber que sou um homem de momentos. Sou um homem de momentos e realizo-me nas sementes que planto diariamente. Se alguém oferece algo, sem eu saber de nada, aceito de imediato. Se alguém oferece algo daqui a anos-luz, aceito de imediato igualmente. Sou um homem de imediatismos e programação, ambos sentam na mesma mesa como a coisa mais diária possível, fartando-se igualmente. Há dias em que alguns minutos valem por toda a vida e isso vale. Posso andar semanas em desertos monótonos para ver apenas uma pequena palmeira, posso navegar semanas em oceanos monótonos para chegar a uma ilha e nela permanecer poucas horas. Tenho apreço à gota d’água que cai no lago, mais que a um imenso diamante. Quando percebo, pequenas pedras brilhantes escorrem das árvores que plantei e o meu passado brilha com uma força descomunal.

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