“Lista” dos dez livros mais difíceis do “Mundo” ignora o Oriente

Listas sobre os livros mais relevantes do século, os mais criativos, os melhores do ano e os mais importantes de se ler antes de morrer. As relações são infinitas, embora muitas vezes bastante duvidosas, mas sempre populares no mercado editorial.
A mais recente foi divulgada esta semana pelo jornal britânico The Guardian. O site literário independente The Millions elegeu, após uma pesquisa de três anos, as dez obras consideradas por eles como as mais difíceis do mundo.
Para chegar a essa relação, o site teve como critério livros complicados de ler por conta de sua extensão, ou pelo estilo ou estranheza estrutural do texto, pela experimentação, além da abstração da linguagem.
Na lista, nada de Guerra e Paz, de Liev Tolstói, nem o tão aclamado Ulysses, de James Joyce. O autor irlandês até aparece, mas desta vez com Finnegans Wake. A escritora inglesa Virginia Woolf também está na relação. Desta vez, não foi citada pela brilhante (e difícil) obra A Viagem, por exemplo. Mas está na lista do The Millions com Ao Farol (título original To the Lighthouse).
No geral, apenas trabalhos europeus e norte-americanos foram relacionados. As outras obras consideradas como as mais difíceis do mundo, segundo o website, foram: Nightwood, da escritora norte-americana Djuna Barnes; A Tale of a Tub, de Jonathan Swift; A Fenomenologia do Espírito, de Hegel; Clarissa, de Samuel Richardson; Ser e Tempo, do filósofo alemão Martin Heidegger; The Faerie Queene, do inglês Edmund Spenser; The Making of Americans, de Gertrude Stein; e Women and Men, de Joseph McElroy.
Os organizadores da lista ignoraram totalmente obras monumentais como o Mahabarata dificílima quer por sua extensão,  quer pelas diferenças culturais, distanciamento temporal e significado esotérico. “A Grande História dos Bharatas”, como se traduz seu título, é o principal épico religioso da civilização indiana – e também o maior poema de todos os tempos, com cerca de 200 000 versos. Só para ter uma ideia, isso equivale a sete vezes a soma da Ilíada com a Odisseia, os dois épicos atribuídos ao poeta grego Homero que inauguraram a literatura ocidental.
Kurukshetra
Insira uma legenda

Manuscrito ilustrado da batalha de Kurukshetra, onde se vê o deus Krishna manejando o carro de combate do arqueiro pandava Arjuna, que dispara suas flechas contra os Kuravas

Homenagem ao dia das Mães

À minha amada mãe: Rosa Boccuzzi de Godoy

Eu gostaria de ter como amigo o filho que nunca resistiu às lágrimas de sua mãe. (Lacretalle)

Um beijo de mãe fez de mim um pintor. (Benjamin West)

Minha mãe foi a mulher mais bela que jamais conheci.Devo-lhe tudo que sou. Atribuo todo meu sucesso na vida à educação moral, intelectual e física que dela recebi. (George Washington)

Todo inseto é uma gazela aos olhos da mãe. (Provérbio árabe)

A mão que balança o berço é a mão que governa o mundo. (W.S. Ross)

O que a mãe nos canta junto ao berço acompanha-nos até a sepultura. (Henry Ward Beecher)

Como não podia estar em todos os lugares ao mesmo tempo, Deus criou as mães.(Provérbio judaico)

Quando pensou na Mãe, Deus deve ter sorrido de satisfação, e emoldurou-a imediatamente, tão rica de significado, tão divina, tão cheia de alma, poder e beleza era sua concepção.(Henry Ward Beecher)

 

 

SONETO DO AMOR TOTAL

Vinicius de Moraes, Rio de Janeiro, 1951

Amo-te tanto, meu amor… não cante

O humano coração com mais verdade…
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade.

Amo-te afim, de um calmo amor prestante,
E te amo além, presente na saudade.
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.

Amo-te como um bicho, simplesmente,
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente.

E de te amar assim muito e amiúde,
É que um dia em teu corpo de repente
Hei de morrer de amar mais do que pude.

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Eros e Psiquê

Ulisses

Ulisses

Fernando Pessoa

O mito é um nada que é tudo.
O mesmo sol que abre os céus
É o mito brilhante e mudo –
O corpo morto de Deus,
Vivo e desnudo.
Este, que aqui aportou,
Foi por não ser existindo.
Sem existir nos bastou.
Por não ter vindo foi vindo
E nos criou.
Assim a lenda se escorre
A entrar na realidade.
E a fecundá-la decorre.
Em baixo, a vida, metade
De nada morre.

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Asa de beija-flor

Silvio Rodrigues

 

Hoje eu me proponho fundar um partido de sonhos,

oficinas onde consertar asas de beija-flores

Admitem-se loucos, enfermos, gordos sem amor,

tolhidos, anões, vampiros e dias sem sol.

 

Hoje eu vou patrocinar a candura desenganada,

essa massa crítica de Deus que não é pós e nem moderna.

Admite-se proscritos, raivosos, povos sem lar,

desaparecidos devedores do banco mundial.

 

Por uma rua

descascada

por uma mão

bem apertada.

 

Hoje eu vou fazer uma assembléia de flores murchas,

de restos de festa infantil, de pinhatas usadas,

de almas penadas -do reino do natural-

que otorgam licença à qualquer artefato de amar.

 

Pelo levante,

pelo poente,

pelo desejo,

pela semente.

por tanta noite,

pelo sol diário,

em companhia

e em solitário.

 

Asa de beija-flor,

leve e pura.

Asa de beija-flor

para a cura.

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O Velho do Restelo – Camões

Eis a arenga do Velho do Restelo contra as viagens marítimas e a ambição desmedida e corrupção dos portugueses no livro Os Lusíadas de Luis Vaz de Camões, poeta português:

 

94

Mas um velho, de aspecto venerando,

Que ficava nas praias, entre a gente,

Postos em nós os olhos, meneando

Três vezes a cabeça, descontente,

A voz pesada um pouco alevantando,

Que nós no mar ouvimos claramente,

C’um saber só de experiências feito,

Tais palavras tirou do experto peito:

95

— “Ó glória de mandar! Ó vã cobiça

Desta vaidade, a quem chamamos Fama!

Ó fraudulento gosto, que se atiça

C’uma aura popular, que honra se chama!

Que castigo tamanho e que justiça

Fazes no peito vão que muito te ama!

Que mortes, que perigos, que tormentas,

Que crueldades neles experimentas!

96

— “Dura inquietação d’alma e da vida,

Fonte de desamparos e adultérios,

Sagaz consumidora conhecida

De fazendas, de reinos e de impérios:

Chamam-te ilustre, chamam-te subida,

Sendo digna de infames vitupérios;

Chamam-te Fama e Glória soberana,

Nomes com quem se o povo néscio engana!

97

— “A que novos desastres determinas

De levar estes reinos e esta gente?

Que perigos, que mortes lhe destinas

Debaixo dalgum nome preminente?

Que promessas de reinos, e de minas

D’ouro, que lhe farás tão facilmente?

Que famas lhe prometerás? que histórias?

Que triunfos, que palmas, que vitórias?

 

Partida das naus na praia do Restelo em Portugal e discurso da personagem da epopeia "Os Lusíadas" do poeta Camões
Partida das naus para as Índias da praia do Restelo em Portugal e discurso da personagem da epopeia “Os Lusíadas” do poeta Camões

Primeiro livro impresso colorido do mundo ganha versão digital – Follow the Colours

O 1º livro colorido impresso do mundo, chamado de ‘Manual de Caligrafia e Pintura’, foi aberto e digitalizado. Confira desenhos e páginas em alta resolução!

Fonte: Primeiro livro impresso colorido do mundo ganha versão digital – Follow the Colours

As Mil Mãos Bodhisattva

Dançarinas chinesas deficientes auditivas apresentam o espetáculo “Mil mãos de Bodhisattva” que no budismo é a pessoa capaz de alcançar o nirvana e salvar aqueles que sofrem.

Poesia em Movimento para maravilhar todos nós.

 

Belo belo

Manuel Bandeira

Belo belo minha bela
Tenho tudo que não quero
Não tenho nada que quero
Não quero óculos nem tosse
Nem obrigação de voto
Quero quero
Quero a solidão dos píncaros
A água da fonte escondida
A rosa que floresceu
Sobre a escarpa inacessível
A luz da primeira estrela
Piscando no lusco-fusco
Quero quero
Quero dar a volta ao mundo
Só num navio de vela
Quero rever Pernambuco
Quero ver Bagdá e Cusco
Quero quero
Quero o moreno de Estela
Quero a brancura de Elisa
Quero a saliva de Bela
Quero as sardas de Adalgisa
Quero quero tanta coisa
Belo belo
Mas basta de lero-lero
Vida noves fora zero.

Petrópolis, fevereiro de 1947

Nasce o Sol, e não dura mais que um dia

Nasce o Sol, e não dura mais que um dia,

Depois da Luz se segue a noite escura,

Em tristes sombras morre a formosura,

Em contínuas tristezas a alegria.

 

Porém se acaba o Sol, por que nascia?

Se formosa a Luz é, por que não dura?

Como a beleza assim se transfigura?

Como o gosto da pena assim se fia?

 

Mas no Sol, e na Luz, falte a firmeza,

Na formosura não se dê constância,

E na alegria sinta-se tristeza.

 

Começa o mundo enfim pela ignorância,

E tem qualquer dos bens por natureza

A firmeza somente na inconstância.

Gregório de Matos Guerra (1636-1696)

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Poema de Sete Faces

Quando nasci um anjo torto
desses que vive na sombra
disse: Vai, Carlos! Ser gauche na vida.

As casas espiam os homens
Que correm atrás de mulheres.
A tarde talvez fosse azul,
Não houvesse tantos desejos.

O bonde passa cheio de pernas:
Pernas brancas pretas amarelas.
Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração.

Porém meus olhos
não perguntam nada.
O homem atrás do bigode
é sério, simples e forte.
Quase não conversa.
Tem poucos, raros amigos
o homem atrás dos óculos e do bigode.

Meu Deus, por que me abandonaste
se sabias que eu não era Deus
se sabias que eu era fraco.

Mundo mundo vasto mundo,
se eu me chamasse Raimundo
seria uma rima, não seria uma solução.

Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração.
Eu não devia te dizer
mas essa lua
mas esse conhaque
botam a gente comovido como o diabo.

 

Perdão padre porque pequei!