O Sem-nome’

Entre as costelas, uma flor com pétalas grandes se abriu;
às vezes parece dor
às vezes só calor
às vezes um oco frio.
Falta sustentação.
Deito, solto o peso, flutuo.
Todo peso torna-se leve.
A cabeça solta para trás quer se encontrar com a outra ponta e ao círculo voltar.
Ondas vindo me afogar.
Medo, morro ou mais vivo?

Poesia

Até quando tudo será um pedaço de outra coisa?
Até quando velaremos fragmentos?
Cacos, puzzles inacabados e reticências?
Histórias sem meio nem final.
Tudo será sempre só o início
De algo que poderia ter sido?
Uma promessa?
Uma esperança?
O Nada
Ou pior que o nada:
Sugestões de coisas diversas
do que são na verdade.
O improviso de um amador
que se esqueceu como é viver
Quando sentiu que vivia.

O Nada

Thaís de Godoy
Nada se extingue.
Tudo o que há
É um reflexo
Do que já houve.
O que já houve
São ecos ressoando
No presente...


Se aqui ninguém
Seu tinir ouve,
É porque nada,
Na dor de um ser ausente,
Se distingue.


19 de junho de 2007