Miragem

Oásis no Saara
Oásis no Saara

Tudo, o que pensei ser,

Agora não é mais nada

do que eu mesma construí.

Fiz-me uma outra pessoa

que nunca… jamais existi.

Fui uma personagem?

Fui uma miragem?

A mim mesma iludi.

28-07-2012

Mensagem

Leonardo da Vinci_Annunciation
Leonardo da Vinci_Annunciation

Arcanjo,

Você apenas
foi o mensageiro,
o mensageiro
do verdadeiro
Cria… dor.

Thaís G.

06.08.2012

Quimera

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Olhos de leão

Corpo de urso.

No leão nado.

O urso abraço.

O leão tarda.

O urso não falha,

Porque espera,

Mesmo sendo

Quimera!

Sol nascendo 18-12-2012

Poemas minimalistas

Pingo

Um pingo

É um dilúvio

Para um cílio
Gota

Uma gota

É coisa pouca

Mas encerra

O sal da boca

Lágrima com cílio

Por quê?

desespero

 

 

 

 

 

 

Por que não ligo mais?

Por que não ligo para minha honra?

Por que perdi sonhos,

Perdi a vergonha?

Por que fujo de alcançar os fins,

Se ainda estou no começo?

Sei que posso, sei que sou capaz.

Só preciso querer o que eu quero…

Querer o que quero, quando quero

E quando já não quero mais.

Vivo a dor e o mal-estar

De suspender a vida

Enquanto afundar.

 

Abril de 2012.

ONE

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Para ninguém mais neste mundo tal imagem tem sentido e sentimento igual!
 

 

Homenagem à minha irmã Alcyone em seu aniversário.


One, one, meu Deus! Quanto amor!

Nem sei ter palavras para abarcar.
Só me resta com seu nome brincar
E assim recordar sua infância.
All- começa com A de amigos
que tinham preguiça de, a palavra inteira, pronunciar!
Mesmo assim: por todos os olhares,
Que atrai em todos os seus dias, é All!

Cy – só esse pedaço é igual
Ao da amada de Macunaíma:
Cy - que também virou a estrela mais
brilhante, como o todo do seu nome.

One - no final é uma, única, una,
Embora em outro idioma.

Seu progenitor quis que fosse chamada assim,
nos dias em que, com o dom da vida, nos uniu!

Thaís GM

A ministra e a prostituta

Olimpia (Pintura Impresionista, último 1/3 del siglo XIX) de Édouard Manet
Olimpia (Pintura Impresionista, último 1/3 del siglo XIX) de Édouard Manet

Ao propor “abolir” a prostituição na França, o governo socialista reacendeu o debate, tão velho quanto atual, sobre a quem pertence o corpo da mulher

Quem acompanha a polêmica que se desenrola na França, pode estar se perguntando: por que, a essa altura, a prostituição ainda move tantas paixões? É uma boa pergunta, com muitas respostas possíveis. Se os argumentos contra o sexo pago são bem conhecidos e enraizados na sociedade ocidental, inclusive na brasileira, o debate francês tem sido uma excelente oportunidade para conhecer os argumentos a favor. Manifestos tanto de “trabalhadoras do sexo” como de intelectuais renomados têm invocado questões profundas do nosso tempo: até onde o Estado pode intervir na vida privada, ainda que supostamente “em nome do bem”, é uma delas.

O estopim da polêmica foi uma declaração da ministra dos Direitos das Mulheres e porta-voz do governo da França, Najat Vallaud-Belkacem. Ela afirmou, em julho: “A questão não é a de saber se queremos abolir a prostituição: a resposta é ‘sim’. Mas temos de nos dar os meios de fazê-lo. Meu desejo, assim como o do Partido Socialista, é o de ver a prostituição desaparecer”. Aqui é preciso notar que ela usa o verbo “abolir”. A escolha é proposital: na opinião da ministra, assim como de parte dos socialistas e de parte do movimento feminista, a prostituição é uma forma de escravidão. Logo, não basta proibir – é preciso “abolir”.

Aos 35 anos, bonita, mãe de gêmeos, Najat é dona de uma biografia interessante: nascida em um vilarejo rural do Marrocos, numa família de sete filhos, ela emigrou para a França ainda criança, formou-se em Ciências Políticas na badalada Sciences Po e tornou-se uma ativista dos direitos humanos. Assim que fez a declaração, tornou-se alvo de uma ofensiva das prostitutas organizadas, que saíram às ruas para protestar. Entre elas, uma francesa de 25 anos, pós-graduanda em Literatura, chamada Morgane Merteuil. Secretária-geral do Sindicato das Trabalhadoras do Sexo (Strass), prostituta que atende em domicílio em programas combinados pela internet, ela lançou em setembro um manifesto provocativo chamado: “Liberem o feminismo!”.

Logo na abertura do texto, Morgane diz: “No meu emprego de recepcionista de um bar americano, eu rapidamente me dei conta de que, se eu quisesse ganhar mais de 20 euros por noite, eu teria que fazer sexo oral. Ao refletir, não vi nenhum inconveniente, preferindo fazer isso para pagar meus estudos do que tanto outros empregos piores”.

Em seu manifesto, Morgane acusa as feministas de impor “uma imagem mainstream e burguesa da mulher”. Segundo ela, parte do movimento feminista construiu uma propaganda em torno de um ideal de dignidade e de um modelo de emancipação para a qual “todas as mulheres supostamente deveriam ser irresistivelmente atraídas”. Em contraposição, Morgane defende “um feminismo plural”, que acolha as diferenças entre as mulheres e compreenda que nem todas elas compartilham das mesmas aspirações. A Strass, que Morgane Merteuil representa, chegou a pedir a demissão da ministra Najat Vallaud-Belkacem.

Para ler o texto inteiro: Revista Época

Os homens que odeiam as feministas

De onde vem tanta irritação com as mulheres independentes?

IVAN MARTINS

Noto que virou moda na imprensa brasileira falar mal das mulheres independentes. Qualquer um que deseje cinco minutos de fama desce o cacete no “feminismo”, entendido como a atitude auto-suficiente das mulheres em relação aos homens. No jornal que eu assino, houve na última semana dois artigos esculhambando mulheres que trabalham e não parecem interessadas em homens. Além do esforço deliberado para causar indignação – que virou praga no jornalismo brasileiro – acho que existe por trás dessas bobagens um verdadeiro sentimento reacionário.

Muitos homens gostariam de voltar ao período em que todos os empregos e todas as prerrogativas pertenciam a eles. Muitas mulheres estão cansadas – ou assustadas com a perspectiva – de trabalhar duro pelo resto da vida, acumulando funções de mãe, dona de casa e funcionária exemplar. Em meio a eles, milhões estão inseguros sobre o seu ponto de vista ou sua situação social. Minha impressão é que começamos a viver um tempo de nostalgia, alimentado pela sensação de que a relações entre homens e mulheres nunca mais serão como antes. Tem gente morrendo de medo de ficar obsoleto.

Para ler o texto inteiro: Revista Época

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Bem-te-vi

Bem-Te-Vi (Kiskadee/Qu´est ce)
Bem-Te-Vi (Kiskadee/Qu´est ce) (Photo credit: giumaiolini)

Bem-te-vi, vieste cantar

À minha janela e brinco

em meus pensamentos:

_Por que nunca criaram

Outros nomes semelhantes

Para te fazer companhia?

Para não ficares aí solitário,

Passarinho sem irmãos

Pelo nome e sobrenome?

 

Bem-te-vi, tu poderias

Ter um amigo bem-te-ouvi

E, para uma história se contar,

Bem-te-vi;

bem-te-toquei;

bem-te-provei;

E, por fim, bem-te-esqueci.

 

Ou para teu círculo aumentar,

Passarinho sem parentes,

Mal-te-vi, mal-te-toquei, mau-te-provei

E, por fim, mau-te-esqueci.

 

Mancebo

Jacó trabalhou como pastor para Labão
Durante sete anos para merecer a mão
de sua filha Raquel, serrana bela.
Mas se não a visse novamente,
antes de a Terra girar quatro
vezes mais ao redor do Sol,
Jacó, dela, se lembraria?

Tudo o que os olhos não viram,
naquela época remota da juventude,
o peito, agora maduro, ainda desejaria?
Nosso menino, ao crescer, nem das saias
De sua impúbere menina se esqueceu.

Ao contrário do pai de Raquel _que não
premiou Jacó, matando-o por dentro
ao entregar-lhe a outra filha mais velha, Lia,

_ o remendo das pontas soltas da vida
É o presente que receberá por sua espera.
Febre de mancebo dura a vida toda!

Thaís GM

06-09-2012

 

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Contraponto a:

Trecho do texto de Gian Luca para ler o texto completo acesso o link – Clamor do Sexo

Poema de Wordsworth declamado por Deani no fim do filme:

“What though the radiance which was once so bright Be now for ever taken from my sight, Though nothing can bring back the hour Of splendour in the grass, of glory in the flower; We will grieve not, rather find Strength in what remains behind”

Tradução.

“O que de esplendor outrora tão brilhante agora seja tomado de minha vista para sempre. Apesar de que nada pode trazer de volta a hora de esplendor na relva, de glória numa flor, não nos afligiremos. Encontraremos forças no que ficou para trás.” Wordsworth

 

 

 

 

Da ardósia

 Da ArdósiaAdiantaria lhe dizer

Que o mais raro perfume

É oferecido nos menores frascos?

Ou que um bruto diamante,

é reduzido ao ser lapidado,

Até libertar seu lume

E virar brilhante?

Adiantaria falar que você é constituída

Pela mesma matéria das estrelas?

Que o macro contém o micro?

Ou que até os maiores astros

São formados por elementos

tão pequenos, que estão em todos

os lugares neste momento?

Cavaleiro Negro

Cavaleiro

 

Bravo cavaleiro, em tua
armadura prateada,
Tu não sabes que tua força
não te valerá de nada?

Primeiro um velho dragão,
Veio a nós cuspindo fogo,
para raptar a donzela
de nossa antiga morada,
Mas, como era feiticeira,
 Mudou o monstro terrível
 em um monturo de brasa.

Depois foi a vez de um feio
gigante fazer de nós
desprezível alimento.
Envenenamos um só
Que a todos nós livrou
Desse amargo sofrimento.

Agora vem cá o Senhor...
Quanto mais teu aríete
Forçar, de meu castelo
a entrada, mais se alçará a ponte
de minha altiva muralha.

29-09-2012

Se se morre de amor!

 Meere und Berge und Horizonte zwischen

den Liebenden – aber die Seelen versetzen

sích aus dem staubigen Kerker und treffen

sich im Paradiese der Liebe.

Schiller, Die Rüuber

Se se morre de amor! — Não, não se morre,

Quando é fascinação que nos surpreende

De ruidoso sarau entre os festejos;

Quando luzes, calor, orquestra e flores

Assomos de prazer nos raiam n’alma,

Que embelezada e solta em tal ambiente

No que ouve, e no que vê prazer alcança!

Simpáticas feições, cintura breve,

Graciosa postura, porte airoso,

Uma fita, uma flor entre os cabelos,

Um quê mal definido, acaso podem

Num engano d’amor arrebatar-nos.

Mas isso amor não é; isso é delírio,

Devaneio, ilusão, que se esvaece

Ao som final da orquestra, ao derradeiro

Clarão, que as luzes no morrer despedem:

Se outro nome lhe dão, se amor o chamam,

D’amor igual ninguém sucumbe à perda.

Amor é vida; é ter constantemente

Alma, sentidos, coração — abertos

Ao grande, ao belo; é ser capaz d’extremos,

D’altas virtudes, té capaz de crimes!

Compr’ender o infinito, a imensidade,

E a natureza e Deus; gostar dos campos,

D’aves, flores, murmúrios solitários;

Buscar tristeza, a soledade, o ermo,

E ter o coração em riso e festa;

E à branda festa, ao riso da nossa alma

Fontes de pranto intercalar sem custo;

Conhecer o prazer e a desventura

No mesmo tempo, e ser no mesmo ponto

O ditoso, o misérrimo dos entes;

Isso é amor, e desse amor se morre!

Amar, e não saber, não ter coragem

Para dizer que amor que em nós sentimos;

Temer qu’olhos profanos nos devassem

O templo, onde a melhor porção da vida

Se concentra; onde avaros recatamos

Essa fonte de amor, esses tesouros

Inesgotáveis, d’ilusões floridas;

Sentir, sem que se veja, a quem se adora,

Compr’ender, sem lhe ouvir, seus pensamentos,

Segui-la, sem poder fitar seus olhos,

Amá-la, sem ousar dizer que amamos,

E, temendo roçar os seus vestidos,

Arder por afogá-la em mil abraços:

Isso é amor, e desse amor se morre!

Se tal paixão porém enfim transborda,

Se tem na terra o galardão devido

Em recíproco afeto; e unidas, uma,

Dois seres, duas vidas se procuram,

Entendem-se, confundem-se e penetram

Juntas — em puro céu d’êxtases puros:

Se logo a mão do fado as torna estranhas,

Se os duplica e separa, quando unidos

A mesma vida circulava em ambos;

Que será do que fica, e do que longe

Serve às borrascas de ludíbrio e escárnio?

Pode o raio num píncaro caindo,

Torná-lo dois, e o mar correr entre ambos;

Pode rachar o tronco levantado

E dois cimos depois verem-se erguidos,

Sinais mostrando da aliança antiga;

Dois corações porém, que juntos batem,

Que juntos vivem, — se os separam, morrem;

Ou se entre o próprio estrago inda vegetam,

Se aparência de vida, em mal, conservam,

Ânsias cruas resumem do proscrito,

Que busca achar no berço a sepultura!

Esse, que sobrevive à própria ruína,

Ao seu viver do coração, — às gratas

Ilusões, quando em leito solitário,

Entre as sombras da noite, em larga insônia,

Devaneando, a futurar venturas,

Mostra-se e brinca a apetecida imagem;

Esse, que à dor tamanha não sucumbe,

Inveja a quem na sepultura encontra

Dos males seus o desejado termo!

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