Conheça títulos considerados indignos de leitura por autoridades

da Livraria da Folha

Ditadores e fanáticos religiosos são os inimigos históricos dos livros. Queimar exemplares em praça pública, tentar bani-los ou condenar um autor à morte não é lá grande novidade. Estranho é quando um Estado democrático passa a coibir a sua comercialização. Parece que Luiz Felipe Pondé tem razão: “politicamente correto é censura fascista”.

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No Brasil, mais de 900 mil livros foram comercializados em 80 dias
Trilogia erótica entra para a lista de “proibidões da literatura”

A apreensão de livros eróticos em Macaé (RJ) foi a mais recente de uma série. Lá, a Justiça do Rio de Janeiro do município, com ordem expedida pelo juiz Raphael Baddini de Queiroz Campos, retirou títulos considerados obscenos de duas livrarias.

O episódio, que ocorreu na segunda-feira passada (14), retirou e lacrou 64 exemplares. “Cinquenta Tons de Cinza”, “Algemas de Seda”, “50 Versões de Amor e Prazer” e “A Dama da Internet” estão entre os mais recentes “proibidões da literatura”.

Em breve, andar pelas ruas com um livro de Dalton Trevisan ou de Nelson Rodrigues pode acabar na delegacia.

No final de novembro do ano passado, a deputada distrital Celina Leão (PSD) encaminhou o pedido de suspensão da venda de “O Livro Maldito” à Procuradoria-Geral da República. A edição foi publicada no Brasil em 2011.

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Autor promete contar tudo o que você precisa saber se não for uma mané
Autor se fundamenta no nonsense para criar a cartilha do crime

Escrito pelo publicitário norte-americano Christopher Lee Barish, o texto é inspirado em “Grand Theft Auto” (GTA), um game no qual o protagonista se envolve em diversas atividades criminosas. Barish explica como produzir um filme pornô, abrir cofres, fazer ligação direta em carros e assaltar bancos.

Fora do Brasil, a Comissão Coreana de Ética Editorial proibiu a venda e ordenou a destruição dos exemplares de “Os 120 Dias de Sodoma”, escrito por marques de Sade no século 18 e publicado recentemente na Coreia do Sul.

O clássico apresenta linguagem mais obscena e descrições de atos sexuais mais polêmicos que os presentes na trilogia erótica “Cinquenta Tons de Cinza”. Considerado a obra-prima do marquês, o texto foi dado como perdido e publicado apenas no início do século 20. O romance inspirou “Salò” (1975), filme de Pier Paolo Pasolini (1922-1975).

Antonio Candido recebe prêmio como destaque cultural de SP

05/02/2013 – 14h33

Antonio Candido recebe prêmio como destaque cultural de SP

Publicado na Folha de São Paulo

DE SÃO PAULO

O crítico literário Antonio Candido, 94, foi o principal homenageado do Prêmio Governador do Estado para Cultura 2012, na noite de segunda-feira (4), no Theatro São Pedro, na Barra Funda.

O professor emérito da USP recebeu, pelo conjunto de sua obra, R$ 100 mil e um troféu.

Décio Figueiredo/Divulgação

Antonio Candido no prêmio Governador do Estado, na noite de segunda-feira (4)

Antonio Candido no Prêmio Governador do Estado, na noite de segunda-feira (4)

“O prêmio foi dado a alguém que recebeu de São Paulo infinitamente mais do que foi capaz de dar”, disse o carioca criado em Minas Gerais, que se instalou na capital paulista em 1936, aos 18 anos.

Foram premiados também durante a cerimônia os eleitos do júri e do público em nove categorias: artes visuais, cinema, circo, inclusão cultural, dança, música, teatro, instituição cultural e mecenato.

O compositor Luiz Tatit foi o único a vencer tanto na escolha dos jurados quanto pelo voto popular, via internet. Como os outros escolhidos pelo júri, recebeu R$ 60 mil. Os escolhidos pelo voto popular receberam apenas um troféu.

Veja a lista de vencedores:

Prêmio do Júri

Artes Visuais: Aracy Amaral, por “Exercícios de Olhar” (curadoria)
Cinema: Beto Brant e Renato Ciasca, por “Eu Receberia as Piores Notícias dos Seus Lindos Lábios”
Circo: Bruno Edson, por “Equilibrista”
Dança: Luís Arrieta, por “A Ponte”
Inclusão Cultural: Agência Solano Trindade, por ações de economia criativa
Música: Luiz Tatit, pela caixa com a discografia do Grupo Rumo e pelo espetáculo “Totatiando”, com Zélia Duncan
Teatro: Club Noir, por “Peep Classic Ésquilo

Votação popular

Artes Visuais: Regina Silveira, por intervenção na exposição “Gravuda em Campo Expandido”
Cinema: Cao Hamburguer, por “Xingu”
Circo: Verônica Tamaoki, pela exposição “Hoje Tem Espetáculo”
Dança: Cisne Negro Cia. de Dança, por “O Quebra Nozes”
Inclusão Cultural: Zulu Nation Brasil, pela Casa do Hip Hop
Música: Luiz Tatit, por “Totatiando” e pela caixa do Grupo Rumo
Teatro: Teatro da Vertigem, por “Bom Retiro 958 Metros”
Instituição Cultural: Sesc SP, pela programação cultural
Mecenato: Grupo Votorantim, por apoio a ações culturais