Bares, cafés e clubes, a partir do século XIX, não eram apenas um ambiente para a happy hour. Eles foram o cenário onde questões políticas, filosóficas, movimentos artísticos revolucionários se espalharam. O propósito deste site é o mesmo: criar um espaço virtual para expressão livre de ideais, reflexões e sentimentos, com espírito crítico em relação a nossa Cultura.
É um homem que tem hábitos, penso de repente, deve vir com relativa frequência a este quarto, é um homem que deve fazer muito amor, um homem que tem medo, deve fazer muito amor para lutar contra o medo. Eu lhe digo que gosto da ideia de que ele tenha muitas mulheres, de estar entre estas mulheres, confundido entre elas. Nos olhamos. Ele entende o que acabo de dizer. O olhar subitamente alterado, desfocado, arrebatado, a morte.
Digo que venha, que ele deve me tomar de novo. Ele vem. Ele cheira bem, a cigarro inglês, a perfume caro, ele cheira a mel, sua pele adquiriu à força o cheiro da seda, o perfume frutado do tussor de seda, do ouro, ele é desejável. Eu lhe falo desse desejo por ele. E fala, diz que soube imediatamente, desde a travessia do rio, que eu seria assim após meu primeiro amante, que eu amaria o amor, diz que já sabe que eu o enganarei e que enganarei também todos os homens com quem estiver. Diz que, quanto a si, ele foi o instrumento de sua própria desgraça. Fico feliz com tudo que ele me anuncia e lhe digo. Ele se torna brutal, seu sentimento é desesperado, ele se atira sobre mim, come os seios de criança, grita, insulta. Penso: está acostumado a isso, é o que faz na vida, o amor, só isso. As mãos são experientes, maravilhosas, perfeitas. É como uma profissão que ele tivesse, sem saber ele teria a exata noção do que deve fazer, do que deve dizer. Ele me chama de puta, de nojenta, diz que sou seu único amor, e é isso o que ele deve dizer e é isso o que se diz quando se deixa o dizer acontecer, quando se deixa o corpo fazer e buscar e encontrar e tomar o que quer, e aí tudo é bom, não há restos, os restos são recobertos, tudo arrastado pela torrente, pela força do desejo. “O Amante”, Marguerite Duras
Viver não é necessário; o que é necessário é criar.
Não conto gozar a minha vida; nem em gozá-la penso.
Só quero torná-la grande,
ainda que para isso tenha de ser o meu corpo e a (minha alma) a lenha desse fogo.
Só quero torná-la de toda a humanidade;
ainda que para isso tenha de a perder como minha.
Cada vez mais assim penso.
Cada vez mais ponho da essência anímica do meu sangue
o propósito impessoal de engrandecer a pátria e contribuir
para a evolução da humanidade.
É a forma que em mim tomou o misticismo da nossa Raça.
[Nota de SF “Navigare necesse; vivere non est necesse” – latim, frase de Pompeu, general romano, 106-48 aC., dita aos marinheiros, amedrontados, que recusavam viajar durante a guerra, cf. Plutarco, in Vida de Pompeu]
“Os avarentos não acreditam numa vida futura, o presente é tudo para eles. Esta reflexão joga uma horrível clareza sobre a época atual em que, mais que em qualquer outro tempo, o dinheiro domina as leis, a política e os costumes. Instituições, livros, homens e doutrinas, tudo conspira para solapar a crença numa vida futura, sobre a qual o edifício social se apoia há mil e oitocentos anos. Atualmente, a sepultura é uma transição pouco temida. O amanhã que nos esperava além do Requiem foi transportado para o presente. Chegar per fas et nefas [por todos os meios] ao paraíso terrestre do luxo e das vaidosas alegrias, petrificar o coração e macerar o corpo em busca de bens passageiros como outrora se suportava o martírio em busca dos bens eternos, eis o pensamento geral. Pensamento que, aliás, está escrito em toda parte, até nas leis, que perguntam ao legislador: “Que pagas?” em vez de indagar: “Que pensas?” Quando essa doutrina tiver passado da burguesia ao povo, que será do país?”
Resposta a Balzac
Quase duzentos anos depois, eu responderia a Balzac que esse pensamento passou ao povo muito antes do que ele poderia imaginar e não apenas o povo francês, mas foi globalizado.
Assistindo aos canais neo-pentecostais no fim das noites, pode-se observar fieis recostados a carros de luxo, afirmarem que graças a Igreja Universal do Reino de Deus, ou outra do mesmo naipe, conquistaram o paraíso terreno. Ninguém fala em ser bom para salvar sua alma para o vindouro Paraíso e a graça divina que não é “de graça” depende do seu engajamento nesta ou naquela congregação, mas tem que ser “pra já”, tem que ser agora, ninguém quer esperar.
Acredito, porém, nas exceções e a própria Eugènie Grandet, personagem do livro de onde esse trecho foi extirpado, é um exemplo de uma rara exceção, perdoem o pleonasmo, já que ela dá todo o dinheiro dela para seu amado Carlos fazer fortuna na colônia a fim de poderem se casar. Quando Carlos, finalmente, volta riquíssimo, casasse com outra moça aristocrata pobre, para dar lastro ao seu nome plebeu e possibilitar entrada dele na política.
O nome Eugènie, de boa origem, e o sobrenome, Grandet, semelhante a grand, grande em francês, indicam que Balzac criou uma personagem excepcional por sua rara generosidade curtida no sofrimento causado por seu pai riquíssimo, mas tão avarento que deixa a filha e a esposa passarem fome e frio para continuar acumulando seu capital.
A ironia do romance de Balzac é que a grandeza da heroína passa despercebida ou menosprezada pelo mundo mesquinho a sua volta, por seu pai e por seu noivo ganancioso. Ninguém a observa ou é capaz de entender e admirar seu gesto: é uma heroína anônima, exceto para o autor e o leitor que se identificar com ela, caso contrário a verão apenas como uma moça tola e ingênua que perdeu sua vida por confiar demais na humanidade.
ثورة الياسمين
Em memória de Tarek el-Tayeb Mohamed Bouazizi, um vendedor de frutas ambulante tunisiano que se incendiou em 17 de dezembro de 2010 e se tornou um catalisador para a Revolução de Jasmim na Tunísia e a Primavera Árabe contra regimes autoritários. Sua autoimolação foi uma resposta ao confisco de seus produtos e ao assédio e humilhação infligidos a ele por um funcionário municipal e seus assessores.
A púrpura tirou-lhe o pão
E a humilde banca de frutas.
Sem meios para o sustento,
Azizi vende dor "a todos Aqueles que sonham com a liberdadE".
Nos muros, palavras oníricas viraram
concretas pelo concreto
Ou virarão algum dia?
Ele imaginou o saldo de seu gesto?
Se soubesse, novamente se imolaria?
Nas Revoluções com nomes de cores e flores
O sinistro e o sublime se misturam:
quão apavorante é a arrastada miséria humana,
que um arrepiante gesto de horror instantâneo aliviaria?
Ascende o novo modo velho de ser e de pensar.
O que se perderá, o que se ganhará?
As belezas naturais e femininas encobertas
aos filhos mestiços de antigos fenícios,
são visitadas pelos curiosos
e reveladas aos peregrinos pagãos.
A esse lirismo brutal e pronto me debruço,
Esperando, desse jasmineiro, o fruto.
10-09-2012
A pirâmide de aprendizagem de William Glasser: Você sabia que quando ensinamos, é quando mais aprendemos? Conheça a pirâmide de aprendizagem de William Glasser.
O psiquiatra americano William Glasser (1925-2013) aplicou sua teoria da escolha para a educação. De acordo com esta teoria, o professor é um guia para o aluno e não um chefe .
Glasser explica que não se deve trabalhar apenas com memorização, porque a maioria dos alunos simplesmente esquecem os conceitos após a aula. Em vez disso, o psiquiatra sugere que os alunos aprendem efetivamente com você, fazendo.
Além disso, Glasser também explica o grau de aprendizagem de acordo com a técnica utilizada.
A pirâmide de aprendizagem de William Glasser
A teoria de William Glasser vem amplamente sendo divulgada e aplicada por professores e pedagogos mundo afora, é uma das muitas teorias de educação existentes, e uma das mais interessantes, pois ela demonstra que ensinar, é aprender!
“A boa educação é aquela em que o professor pede para que seus alunos pensem e se dediquem a promover um diálogo para promover a compreensão e o crescimento dos estudantes” (William Glasser)
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21 de setembro…… sem palavras,
frio como uma navalha,
17 anos de ausência, uma lágrima
17 anos de angústia e saudades
Triste primavera foi aquela…
Longos os anos, pesado o fardo,
Pois mesmo certo da tua cura,
A dor em ondas me afoga.
Que a luz esteja contigo, pois eu ainda demoro…
Excertos do Canto IX d’Os Lusíadas de Luís de Camões
De uma os cabelos de ouro o vento leva
Correndo, e de outra as fraldas delicadas;
Acende-se o desejo, que se ceva
Nas alvas carnes súbito mostradas;
Uma de indústria cai, e já releva,
Com mostras mais macias que indignadas,
Que sobre ela, empecendo, também caia
Quem a seguiu pela arenosa praia.
Outros, por outra parte, vão topar
Com as Deusas despidas, que se lavam:
Elas começam súbito a gritar,
Como que assalto tal não esperavam.
Umas, fingindo menos estimar
A vergonha que a força, se lançavam
Nuas por entre o mato, aos olhos dando
O que às mãos cobiçosas vão negando.
Outra, como acudindo mais depressa
A vergonha da Deusa caçadora,
Esconde o corpo n’água; outra se apressa
Por tomar os vestidos, que tem fora.
Tal dos mancebos há, que se arremessa,
Vestido assim e calçado (que, coa mora
De se despir, há medo que ainda tarde)
A matar na água o fogo que nele arde.
Qual cão de caçador, sagaz e ardido,
Usado a tomar na água a ave ferida,
Vendo no rosto o férreo cano erguido
Para a garcenha ou pata conhecida,
Antes que soe o estouro, mal sofrido
Salta n’água, e da presa não duvida,
Nadando vai e latindo: assim o mancebo
Remete à que não era irmã de Febo.
Leonardo, soldado bem disposto,
Manhoso, cavaleiro e namorado,
A quem amor não dera um só desgosto,
Mas sempre fora dele maltratado,
E tinha já por firme pressuposto
Ser com amores mal afortunado,
Porém não que perdesse a esperança
De ainda poder seu fado ter mudança,
Quis aqui sua ventura, que corria
Após Efire, exemplo de beleza,
Que mais caro que as outras dar queria
O que deu para dar-se a natureza.
Já cansado correndo lhe dizia:
“Ó formosura indigna de aspereza,
Pois desta vida te concedo a palma,
Espera um corpo de quem levas a alma.[…}
Já não fugia a bela Ninfa, tanto
Por se dar cara ao triste que a seguia,
Como por ir ouvindo o doce canto,
As namoradas mágoas que dizia.
Volvendo o rosto já sereno e santo,
Toda banhada em riso e alegria,
Cair se deixa aos pés do vencedor,
Que todo se desfaz em puro amor.
Ó que famintos beijos na floresta,
E que mimoso choro que soava!
Que afagos tão suaves, que ira honesta,
Que em risinhos alegres se tornava!
O que mais passam na manhã, e na sesta,
Que Vênus com prazeres inflamava,
Melhor é experimentá-lo que julgá-lo,
Mas julgue-o quem não pode experimentá-lo.
Hilas e as Ninfas, de John William Waterhouse (1896)
“O corpo é o templo onde a natureza pede para ser reverenciada.”
“Livrez-vous, Eugénie; abandonnez tous vos sens au plaisir; qu’il soit le seul dieu de votre existence; c’est à lui seul qu’une jeune fille doit tout sacrifier, et rien à ses yeux ne doit être aussi sacré que le plaisir.”
“As paixões humanas não passam dos meios que a natureza utiliza para atingir os seus fins.”
La Philosophie dans le boudoir (1795) deDonatien Alphonse François, marquis de Sade
“De todas as taras sexuais, não existe nenhuma mais estranha do que a abstinência.” Millôr Fernandes Revista Veja 155 (25 de agosto de 1971)