Poemas de Safo de Lesbos

“Semelhante aos deuses parece-me que há de ser o feliz
mancebo que, sentado a tua frente, ou ao teu  lado,
te contemple e, em silêncio te ouça a argêntea voz
e o riso abafado do amor.Oh, isso-isso-só é  bastante
para ferir-me o perturbado coração, fazendo-o
tremer dentro do peito!
Pois basta que, por um instante, eu te veja
para que, como por magia, minha voz emudeça;
sim, basta isso, para que minha lingua se paralise,
e eu sinta sob a carne impalpável fogo
a incendiar-me as entranhas.
Meus olhos ficam cegos a um fragor de ondas
soa-me aos ouvidos;
o suor desce-me em rios pelo corpo, um tremor
(…)

Safo

SAFO
SAFO (Photo credit: Becante)

Natércia Pontes lança livro no Espaço CULT

Ontem dia 05-02-2013, foi lançado no Espaço Cult livro “Copacabana Dreams” que compila contos da escritora cearense sobre o famoso bairro carioca. Para mais informações sobre esse evento clique no link:

http://revistacult.uol.com.br/home/2013/02/natercia-pontes-lanca-livro-no-espaco-cult/

Conheça títulos considerados indignos de leitura por autoridades

da Livraria da Folha

Ditadores e fanáticos religiosos são os inimigos históricos dos livros. Queimar exemplares em praça pública, tentar bani-los ou condenar um autor à morte não é lá grande novidade. Estranho é quando um Estado democrático passa a coibir a sua comercialização. Parece que Luiz Felipe Pondé tem razão: “politicamente correto é censura fascista”.

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No Brasil, mais de 900 mil livros foram comercializados em 80 dias
Trilogia erótica entra para a lista de “proibidões da literatura”

A apreensão de livros eróticos em Macaé (RJ) foi a mais recente de uma série. Lá, a Justiça do Rio de Janeiro do município, com ordem expedida pelo juiz Raphael Baddini de Queiroz Campos, retirou títulos considerados obscenos de duas livrarias.

O episódio, que ocorreu na segunda-feira passada (14), retirou e lacrou 64 exemplares. “Cinquenta Tons de Cinza”, “Algemas de Seda”, “50 Versões de Amor e Prazer” e “A Dama da Internet” estão entre os mais recentes “proibidões da literatura”.

Em breve, andar pelas ruas com um livro de Dalton Trevisan ou de Nelson Rodrigues pode acabar na delegacia.

No final de novembro do ano passado, a deputada distrital Celina Leão (PSD) encaminhou o pedido de suspensão da venda de “O Livro Maldito” à Procuradoria-Geral da República. A edição foi publicada no Brasil em 2011.

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Autor promete contar tudo o que você precisa saber se não for uma mané
Autor se fundamenta no nonsense para criar a cartilha do crime

Escrito pelo publicitário norte-americano Christopher Lee Barish, o texto é inspirado em “Grand Theft Auto” (GTA), um game no qual o protagonista se envolve em diversas atividades criminosas. Barish explica como produzir um filme pornô, abrir cofres, fazer ligação direta em carros e assaltar bancos.

Fora do Brasil, a Comissão Coreana de Ética Editorial proibiu a venda e ordenou a destruição dos exemplares de “Os 120 Dias de Sodoma”, escrito por marques de Sade no século 18 e publicado recentemente na Coreia do Sul.

O clássico apresenta linguagem mais obscena e descrições de atos sexuais mais polêmicos que os presentes na trilogia erótica “Cinquenta Tons de Cinza”. Considerado a obra-prima do marquês, o texto foi dado como perdido e publicado apenas no início do século 20. O romance inspirou “Salò” (1975), filme de Pier Paolo Pasolini (1922-1975).

Ler poesia é mais útil para o cérebro que livros de autoajuda, dizem cientistas

John Donne, one of the most famous Metaphysica...

John Donne, one of the most famous Metaphysical Poets. (Photo credit: Wikipedia)

Elizabeth Barrett Browning - Project Gutenberg...Elizabeth Barrett Browning – Project Gutenberg eText 16786 (Photo credit: Wikipedia)

PUBLICADO NA FOLHA DE SÃO PAULO

Ler autores clássicos, como Shakespeare, William Wordsworth e T.S. Eliot, estimula a mente e a poesia pode ser mais eficaz em tratamentos do que os livros de autoajuda, segundo um estudo da Universidade de Liverpool publicado nesta terça-feira (15).

Especialistas em ciência, psicologia e literatura inglesa da universidade monitoraram a atividade cerebral de 30 voluntários que leram primeiro trechos de textos clássicos e depois essas mesmas passagens traduzidas para a “linguagem coloquial”.

Reprodução
O poeta Thomas Stearns Eliot
O poeta Thomas Stearns Eliot

Os resultados da pesquisa, antecipados pelo jornal britânico “Daily Telegraph”, mostram que a atividade do cérebro “dispara” quando o leitor encontra palavras incomuns ou frases com uma estrutura semântica complexa, mas não reage quando esse mesmo conteúdo se expressa com fórmulas de uso cotidiano.

Esses estímulos se mantêm durante um tempo, potencializando a atenção do indivíduo, segundo o estudo, que utilizou textos de autores ingleses como Henry Vaughan, John Donne, Elizabeth Barrett Browning e Philip Larkin.

Os especialistas descobriram que a poesia “é mais útil que os livros de autoajuda”, já que afeta o lado direito do cérebro, onde são armazenadas as lembranças autobiográficas, e ajuda a refletir sobre eles e entendê-los desde outra perspectiva.

“A poesia não é só uma questão de estilo. A descrição profunda de experiências acrescenta elementos emocionais e biográficos ao conhecimento cognitivo que já possuímos de nossas lembranças”, explica o professor David, encarregado de apresentar o estudo.

Após o descobrimento, os especialistas buscam agora compreender como afetaram a atividade cerebral as contínuas revisões de alguns clássicos da literatura para adaptá-los à linguagem atual, caso das obras de Charles Dickens.

18 HAICAI – A POESIA CLÁSSICA DO HYAKUNIN-ISSHU

Jogo de cartas inspirado no Hyakunin-Isshu
Jogo de cartas inspirado no Hyakunin-Isshu

Por Regina Bostulim

O Hyakunin-Isshu é uma antologia de cem wakas[1], escritos entre os séculos VII e XIII, período em que Fujiwara no Teika (1162-1241) juntou a coleção. Os poemas são cem tankas, compostos por 31 sílabas (5-7-5-7-7)[2].

Hyakunin significa cem pessoas e isshu significa poemas (sendo shu a contagem do número de poemas). O Hyakunin-Isshu é a antologia dos poemas dos cem maiores poetas do período Heian. Os poemas estão em ordem do ano 670 até 1235, ano de sua compilação.

O nobre Fujiwara no Teika, que compilou as poesias sob as ordens do imperador, viveu durante a transição do período Heian, que foi aristocrático, ao período Kamakura, de característica guerreira, dominado pelo shogunato. Mais tarde seu filho Fujiwara no Tameie efetuou uma revisão do livro. A marca deixada por Fujiwara no Teika na obra é o tanka 97, de sua autoria.

Cerca de metade das poesias têm como tema o amor, pois foram originalmente escritas como cartas de amor. Outros temas presentes são a natureza e as estações do ano. O Hyakunin Isshu (Cem poemas de 100 poetas) é tão importante para a literatura japonesa, que influenciou obras como os Contos de Gengi e os Contos de Ise. Os versos também inspiraram um jogo de cartas (karuta), que consistia em juntar os versos de cada poema.

Os poemas foram escritos por cortesãos ou por pessoas da família imperial. Nos velhos tempos, somente nobres, altos dignatários, e o clero escreviam versos. Era suposto que os pobres desconhecessem tudo sobre arte.

Porém os poemas eram amados pelo povo, que os conhecia de cor. Uma vez um rei que passava por um campo, recebeu um ramo de flores de uma camponesa que lhe disse algumas palavras. Mais tarde, o rei se deu conta de que as palavras ditas pela camponesa eram versos do Hyakunin Isshu. E a admirou pela sua perspicácia, não esperava que alguém tão simples pudesse saber de literatura.

POEMAS

Para saber mais:

PORTER, William N. A Hundred Verses from Old Japan. (The Hyakunin-isshiu).  London: Clarendon Press, 1909. Kindle edition published by Evinity Publishing Inc, 2009.

Regina Bostulim é pesquisadora do Centro de Estudos Clássicos e Humanísticos de Coimbra.

[1] O waka (literalmente poema japonês), é um tipo de poesia da literatura japonesa clássica. Escrito em japonês, contrasta com a poesia conhecida como kanshi, escrita em chinês, que foi popular no período Heian.

[2] Os hai-kais, de 17 sílabas, começaram a ter proeminência no século XVII.

Leia mais no site do jornal:

Memai | Jornal de Letras e Artes Japonesas

A Estante Deslocada-II

Rafael F. Carvalho

             Minha casa não tem mais nenhum móvel, livros, estantes fora do lugar, mesa, cadeiras, quadros. Tudo é livre como meus sentimentos e o meu olhar. Não quero ter mais nada para ver, para descansar, para apoiar o meu corpo. Minha cama é apenas um velho cobertor sem travesseiros. Despojei tudo porque a simplicidade das coisas está distante e assim o teto, o chão e as paredes conversam comigo. O ar circula. Eu o sigo pela casa. Sozinha de objetos a casa só se importa com o objeto vivente e atuante. Sou o único móvel de decoração que não enfeita. Quer vir e dormir comigo? Pode vir e se acostume com o lugar. Se não posso ter uma vida simples, que a casa seja assim. Ora, não tenho vocação para asceta ou uma vida religiosa. Eles optaram por viver assim e eu escolhi viver sem nada não para alcançar a iluminação. Quero que o lugar em que vivo seja dedicado à simplicidade. Quando receber amigos, eles ficarão surpresos. Quando meu amor vier, ela dormirá sem conforto. Vejo as coisas do piso frio, de baixo para cima. Minha casa é a iluminada, eu sou um mero hóspede.

estante de livros

A Estante Deslocada

Rafael F. Carvalho

Eu tenho uma estante de livros. A maioria deles foram sequer abertos, mas eles sempre estiveram comigo. Podia tê-los jogado fora ou dar de presente. Os livros não eram meus, pertenceram ao meu pai e à minha mãe. Alguns eram mais velhos do que eu e eu briguei por eles. Sequer abertos. Peguei uma vassoura e uma pá para limpar atrás da estante e assim, desloquei-a, tomando cuidado para não deixar os livros cair. Demorei quase uma hora para movê-la, mas não consegui colocar de volta. Anos passaram e a estante deslocada permaneceu em seu não-lugar, no meio de tudo.

Para conhecer mais contos deste autor consulte a REVISTA SAMIZDAT

estante-de-livros-ao-estilo-escher

Graciliano Ramos, livro reúne 81 textos inéditos – por luís antonio giron / são paulo.sp

“Garrancho – Achados inéditos de Graciliano Ramos” traz escritos de todas as fases do autor de “Vidas secas

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“Garrancho – Achados inéditos de Graciliano Ramos” traz escritos de todas as fases do autor de “Vidas secas”

O escritor Graciliano Ramos, em foto de 1972, e a capa do livro "Garrancho - Achados inéditos de Graciliano Ramos" (Foto: Acervo Editora Globo e divulgação/Editora Record)O escritor Graciliano Ramos, em foto de 1972, e a capa do livro “Garrancho –
Achados inéditos de Graciliano Ramos”
(Foto: Acervo Editora Globo e divulgação/Editora Record)

Pesquisar textos desconhecidos de autores consagrados em revistas antigas e arquivos virou uma atividade reconhecida – e em plena moda. As efemérides dão a deixa para buscar novidades. Neste anos, saíram inéditos de contos e diários de Lúcio Cardoso e crônicas de Nelson Rodrigues, autores cujos centenários foram comemorados recentemente. Os 120 anos do escritor alagoano Graciliano Ramos (1892-1953), bem como os 60 anos de sua morte ano que vem, servem como ocasião para lançamento do livro Garrancho – Achados inéditos de Graciliano Ramos (editora Record, 378 páginas, R$ 49,90). O volume é o resultado de uma longa pesquisa de Thiago Mio Salla…

Ver o post original 260 mais palavras

Henri de Toulouse-Lautrec

Lautrec é um dos que mais merecem engajar-se neste boteco, teria inventado uma bebida chamada “Tremblement de Terre” (terremoto): uma mistura potente de 1/2 parte de absinto e 1/2 parte de conhaque, servido em copo de vinho sobre cubos de gelo ou batido com gelo em coqueteleira.

É claro que ao beber isso e contrair sífilis não conseguiria passar dos 36 anos, infelizmente. O que ele poderia ter feito se vivesse um bocadinho mais?

Veja mais aqui Henri de Toulouse-Lautrec.

William Shakespeare

English: Cobbe portrait, claimed to be a portr...
English: Cobbe portrait, claimed to be a portrait of William Shakespeare done while he was alive Lëtzebuergesch: Uelegporträt vum William Shakespeare am Alter vu 46 Joer, gemoolt 1610 zu Liefzäite vum Dichter, haut am Besëtz vum Konschtrestaurator Alec Cobbe. (Photo credit: Wikipedia)

SONETO LXXXVIII

William Shakespeare

Quando me tratas mau e, desprezado,

Sinto que o meu valor vês com desdém,

Lutando contra mim, fico a teu lado

E, inda perjuro, provo que és um bem.

 

Conhecendo melhor meus próprios erros,

A te apoiar te ponho a par da história

De ocultas faltas, onde estou enfermo;

Então, ao me perder, tens toda a glória.

 

Mas lucro também tiro desse ofício:

Curvando sobre ti amor tamanho,

Mal que me faço me traz benefício,

 

Pois o que ganhas duas vezes ganho.

Assim é o meu amor e a ti o reporto:

Por ti todas as culpas eu suporto.

JULES JOSEPH LEFEBVRE, Ophelia
JULES JOSEPH LEFEBVRE, Ophelia