Poesia III

Tirei minha Tristeza pra dançar. Dançamos uma valsa de silêncios dolorosos, Rodopiei por salas habitadas Por todas as partidas prematuras Em que ela me guiava, me girando pelos ares. Com um nó preso bem no fundo da garganta, Entreguei, sem luta e por cansaço, Minhas fibras à cadência de seus passos. Olhando bem no fundo …

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Destaque

Poeta obscuro

Imaginei como seria um poema escrito por meu pai em homenagem a Carlos Bueno Guedes e Federico Garcías Lorca, ambos artistas presos por regimes totalitários que esmagam pessoas idealistas e temem em excesso perigosos poetas. Infelizmente, meu pai faleceu e não teve oportunidade de conhecer a história de Carlos, seu teatro, seus milhares de poemas …

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Tabacaria

Álvaro de Campos Não sou nada. Nunca serei nada. Não posso querer ser nada. À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo. Janelas do meu quarto, Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é (E se soubessem quem é, o que saberiam?), Dais para o mistério …

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Poema em linha Reta

Álvaro de Campos Nunca conheci quem tivesse levado porrada. Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo. E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil, Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita, Indesculpavelmente sujo. Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho, Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo, …

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