Samba do Querer.

22 de outubro de 2013 às 00:23
Danilo Borges

Eu quero um samba pra desencantar,

essa magia que me faz sentir.

Uma rosa no peito sempre a brotar

como uma rima que toco a escandir.

 

Eu quero um partido alto para alcançar

o lençol da noite que vai nos cobrir,

e colher estrelas pra te presentear,

prender em pingentes te fazer sorrir.

 

Eu quero um charme pra poder sambar

e sua sapatilha azul bailando a colorir,

fazendo do chão céu, o pó da terra amar

e fazer dançar o povo desse meu país.

SONETO XI

Danilo Sérgio Borges

No sol a pino é que finjo a madrugada

como disse o poeta e o cancioneiro

na ilusão do limite pressinto a estrada

e sou todo liberdade, sou prisioneiro.

 

Essa condição de ser contrário é destarte

e tem um não sei quê de verdade; inteiro

vou me reconhecendo em qualquer parte,

em que não possa mirar-me pelo espelho.

 

E de tanto ser o oposto desta outra face

que ora se-me-veste tanto e tão me serve

assumo este outro rosto que me restou.

 

E quem sabe num instante, o desenlace

deste mistério secreto em mim reserve,

à carne viva do inconsciente, O QUE SOU!

 

São Paulo, 2013.

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evocações de corinto

Danilo Sérgio Borges


II

quem contra tua beleza faria desafio
ou mais uma criatura seria vaidosa
de ser um diamante inquebrável
um som de mar ao cair da tarde?

quem contra teu silêncio agrediria
uma só asa de vento que se escreva
ou uma inflexão de gesto incalculada
quem contra mim e tua figura se oporia?

quem além da tua alma debelada
seria tão contra ti como um punhal
que em qualquer regaço inofensivo
em teu lasso desespero é cruel espada?

quem, porém, a ti seria tão cegamente
heroi que lhe sussurrasse ítacas enfim
e os ciclopes do teu caminho detivesse
com o próprio corpo? quem além de mim?

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