Terceira Visão

 

Dentro do olho a lente

Dentro da lente o olho!

O mundo cabe inteiro nesta visão,

mas se escolho o que quero ver,

Se os olhos buscam apenas o que sabem que desejam,

então à nossa alma chega apenas um flash fugaz da bela natureza!

 

Também completamos as ausências com nossa imaginação,

Por saudade de um sentido nunca visto.

 

Mas a lente se surpreende quando o porvir revela a verdade sem querer:

aquilo que quer uma aleatória sincronia

entre a mente, o mundo e a lente.

Quando eu morrer – Pauliceia Desvairada

 

English: Brazilian poet Mário de Andrade (far ...
Brazilian poet Mário de Andrade (far left) during his travel through Amazon rainforest, 1927.

 

 

Mario de Andrade

Quando eu morrer quero ficar,
Não contem aos meus inimigos,
Sepultado em minha cidade,
Saudade.

Meus pés enterrem na rua Aurora,
No Paissandu deixem meu sexo,

 

Na Lopes Chaves a cabeça
Esqueçam.

No Pátio do Colégio afundem
O meu coração paulistano:
Um coração vivo e um defunto
Bem juntos.

Escondam no Correio o ouvido
Direito, o esquerdo nos Telégrafos,
Quero saber da vida alheia,
Sereia.

O nariz guardem nos rosais,
A língua no alto do Ipiranga
Para cantar a liberdade.
Saudade…

Os olhos lá no Jaraguá
Assistirão ao que há de vir,
O joelho na Universidade,
Saudade…

As mãos atirem por aí,
Que desvivam como viveram,
As tripas atirem pro Diabo,
Que o espírito será de Deus.
Adeus.

Pico do Jaraguá, São Paulo, capital.

Cacida da Mulher Estendida

English: Lorca in white/Lorca en blancmyrtle l...
English: Lorca in white/Lorca en blancmyrtle looking (Photo credit: Wikipedia)
Federico Garcia Lorca
Federico Garcia Lorca (Photo credit: Barquisimeto – Ciudad Crepuscular)

Frederico Garcia Lorca

Despida ver-te é recordar a terra.
A terra lisa, limpa de cavalos.
A terra sem um junco, forma pura
ao futuro cerrada: argêntea fímbria.

Despida ver-te é compreender a ânsia
da chuva que procura débil talhe,
ou a febre do mar de imenso rosto
sem a luz encontrar de sua face.

O sangue soará pelas alcovas
e virá com espada fulgurante,
mas tu não saberás onde se oculta
o coração de sapo ou a violeta.

Teu ventre é uma luta de raízes,
teus lábios, uma aurora sem contorno,
por sob as rosas tépidas da cama
os mortos gemem esperando vez.

Federico García Lorca, in ‘Divã do Tamarit’
Tradução de Oscar Mendes

O Barco Ébrio – Arthur Rimbaud

 Tradução de Ivo Barroso


Como descesse ao léo nos Rios impassíveis,
Não me sentia mais atado aos sirgadores;
Tomaram-nos por alvo os Índios irascíveis,
Depois de atá-los nus em postes multicores.

Estava indiferente às minhas equipagens,
Fossem trigo flamengo ou algodão inglês
Quando morreu com a gente a grita dos selvagens,
Pelos Rios segui, liberto desta vez.

No iroso marulhar dessa maré revolta,
Eu, que mais lerdo fui que o cérebro de infantes,
Corria agora! e nem Penínsulas à solta
Sofreram convulsões que fossem mais triunfantes.

A borrasca abençoou minhas manhãs marítimas.
Como uma rolha andei das vagas nos lençóis
Que dizem transportar eternamente as vítimas,
Dez noites sem lembrar o olho mau dos faróis!

Mais doce que ao menino os frutos não maduros,
A água verde entranhou-se em meu madeiro, e então
De azuis manchas de vinho e vômitos escuros
Lavou-me, dispersando a fateixa e o timão.

Eis que a partir daí eu me banhei no Poema
Do Mar que, latescente e infuso de astros, traga
O verde-azul, por onde, aparição extrema
E lívida, um cadáver pensativo vaga;

Onde, tingindo em cheio a colcha azulecida,
Sob as rutilações do dia em estertor,
Maior que a inspiração, mais forte que a bebida,
Fermenta esse amargoso enrubescer do amor.

Sei de céus a estourar de relâmpagos, trombas,
Ressacas e marés; eu sei do entardecer,
Da Aurora a crepitar como um bando de pombas,
E vi alguma vez o que o homem pensou ver!

Eu vi o sol baixar, sujo de horrores místicos,
Para se iluminar de coagulações cianas,
E como um velho ator de dramas inartísticos
As ondas a rolar quais trêmulas persianas!

Sonhei com a noite verde em neves infinitas,
Beijo a subir do mar aos olhos com langores,
Toda a circulação das seivas inauditas
E a explosão auriazul dos fósforos cantores!

Segui, meses a fio, iguais a vacarias
Histéricas, a vaga a avançar nos rochedos,
Sem cogitar que os pés piedosos das Marias
Pudessem forcejar a fauce aos Mares tredos!

Bati, ficai sabendo, em Flóridas perdidas
Ante os olhos em flor de feras disfarçadas
De homens! Eu vi abrir-se o arco-íris como bridas
Refreando, no horizonte, às gláucicas manadas!

E vi o fermentar de enormes charcos, ansas
Onde apodrece, nos juncais, um Leviatã!
E catadupas dágua em meio das bonanças;
Longes cataratando em golfos de titãs!

Geleiras, sóis de prata, os bráseos céus! Abrolhos
Onde encalhes fatais fervilham de esqueletos;
Serpentes colossais devoradas de piolhos
A tombar dos cipós com seus perfumes pretos!

Bem quisera mostrar às crianças as douradas
Da onda azul, peixes de ouro, esses peixes cantantes.
- A espuma em flor berçou-me à saída de enseadas
E inefável o vento alçou-me por instantes.

Mártir que se cansou das zonas perigosas,
Aos soluços do mar em balouços parelhos,
Vi-o erguer para mim negra flor de ventosas
E ali fiquei qual fosse uma mulher de joelhos...

Quase ilha, a sacudir das bordas as arruaças
E o excremento a tombar dos pássaros burlões,
Vogava a ver passar, entre as cordagens lassas,
Afogados dormindo a descer aos recuões!...

Ora eu, barco perdido entre as comas das ansas,
Jogado por tufões no éter de aves ausente,
Sem ter um Monitor ou veleiro das Hansas
Que pescasse a carcaça, ébria de água, à corrente;

Livre, a fumar, surgindo entre as brumas violetas,
Eu que rasguei os rúbeos céus qual muro hostil
Que ostentasse, iguaria invulgar aos bons poetas,
Os líquenes do sol e as excreções do anil;

Que ia, de lúnulas elétricas manchado,
Prancha doida, a arrastar hipocampos servis,
Quando o verão baixava a golpes de cajado
O céu ultramarino em árdegos funis.

Que tremia, de ouvir, a dstâncias incríveis,
O cio dos Behemots e os Maelstroms suspeitos,
Eterno tecelão de azuis inamovíveis,
Da Europa eu desejava os velhos parapeitos!

Vislumbrei siderais arquipélagos! ilhas
De delirantes céus se abrindo ao vogador:
- Nessas noites sem fundo é que dormes e brilhas,
Ó Milhão de aves de ouro, ó futuro Vigor? -

Certo, chorei demais! As albas são cruciantes.
Amargo é todo sol e atroz é todo luar!
Agre amor embebeu-me em torpores ebriantes:
Que minha quilha estale! e que eu jaza no mar!

Se há na Europa uma água a que eu aspire, é a mansa,
Fria e escura poça, ao crepúsculo em desmaio,
A que um menino chega e tristemente lança
Um barco frágil como a borboleta em maio.

Não posso mais, banhado em teu langor, ó vagas,
A esteira perseguir dos barcos de algodões,
Nem fender a altivez das flâmulas pressagas,
Nem vogar sob a vista horrível dos pontões.

(Le Bateau Ivre; in: Poesia Completa. Tradução, prefácio e notas de Ivo Barroso. Rio de Janeiro: Topbooks, 1995. p.203-209)




Olhos

Nada substituirá teus internos olhos!

Não sabemos viver na certa estação.

Corpo no inverno, espírito no verão.

Impossível, ou incerto voltar num tempo

que não é eterno e o passo perfazer até um gélido leito.

Sem vãos remorsos de dar-se quase sempre na hora errada.

Os seus olhos não me olhavam,

E os meus viam quase nada.

Só sobras doam-se daquilo a que nós temos direito.

Nessa doce vida restam só os escolhos!

Poesia II

o espírito da poesia me acordou?
ou escrevo para poder dormir?
ou será que estou com fome?
leite morno, biscoito Nestlè Classic Duo!
calmantes conseguem explicar
e entender o que sentimos?

só dá para identificar com
certeza aquilo que dói
porque o pretérito imperfeito
é o meu tempo.

22 de novembro de 2012.
Jaraguá, exata 1980, de Evandro Carlos Martins

Aforismos ou “Desaforismos” de Oscar Wilde

Penso que seria muito mais adequado chamar algumas tiradas de Wilde de “desaforismos” visto que era um provocador, seu humor era uma embalagem para seus chistes.  Como ele próprio dizia para não ser assassinado deve-se dizer a verdade com um toque de humor.

“Se soubéssemos quantas e quantas vezes as nossas palavras são mal interpretadas, haveria muito mais silêncio neste mundo.”

“Amar é ultrapassarmo-nos.”

“Há duas tragédias na vida: uma a de não satisfazermos os nossos desejos, a outra a de os satisfazermos.”

“A diferença entre a literatura e o jornalismo é que o jornalismo é ilegível e a literatura não é lida.”

“Toda a arte é completamente inútil.”

“A única maneira de nos livrarmos da tentação é ceder-lhe.”

“Se há no mundo alguma coisa mais irritante do que sermos alguém de quem se fala, é ninguém falar de nós.” Fonte – O Retrato de Dorian Gray

“Devia-se estar sempre apaixonado. É a razão pela qual nunca nos devíamos casar.”Fonte – Uma Mulher sem Importância

“Nenhum grande artista vê as coisas como realmente são. Caso contrário, deixaria de ser um artista.”Fonte – The Decay of Lying

“É absurdo dividir as pessoas em boas e más. As pessoas ou são encantadoras ou são aborrecidas.”Fonte – O Leque de Lady Windermere

“Há uma espécie de conforto na auto-condenação. Quando nos condenamos, pensamos que ninguém mais tem o direito de o fazer.”

“Nunca viajo sem o meu diário. É preciso ter sempre algo extraordinário para ler no comboio.”Fonte – A Importância de Ser Sério

“Aqueles que não fazem nada estão sempre dispostos a criticar os que fazem algo.”

Cantiga sua partindo-se, Cancioneiro Geral

Joam Roiz de Castel-Branco

Senhora, partem tão tristes
meus olhos por vós, meu bem,
que nunca tão tristes vistes
outros nenhuns por ninguém.
      
Tão tristes, tão saudosos,
tão doentes da partida,
tão cansados, tão chorosos,
da morte mais desejosos
cem mil vezes que da vida.

Partem tão tristes os tristes,
tão fora d’ esperar bem,
que nunca tão tristes vistes
outros nenhuns por ninguém.

Cantiga de amigo

Arte e amanhã
Sem querer, o nosso abrigo
Transformou-se em artimanha
Para eu estar contigo
Ou você estar comigo,
Ainda outro amanhã.

Sem querer, estas palavras
Se combinam. Tanto faz
qual verdade lhe apraz
Definir tudo é maçante.

Só amigos sabem ouvir e aplicar a própria vida

Sem querer, meu amigo
Deixo que pense

Deixo que fale
Deixo que sinta

que você é o mais forte

e, por mim, carregue minha bagagem

Sem querer, o tempo todo,
Nem podia imaginar:
Que seu anseio era antigo,
Meu eterno e bom amigo!

Maria, Marias

Paisagem Imaginante. Pintura feita em 1941 por Guignard, é uma das emblemáticas composições do artista em que nuvens se fundem a montanhas e igrejas, numa versão de ‘mundo flutuante’ em que estabelece um diálogo artístico com o Oriente

Maria, Maria sem dons nem magias

Só uma pobre qualquer

Que carece de alegrias,

Mas hoje vou cantá-la

nos meus versos mais pobres ainda

Para fazer-lhe jus, esse poema

Não destoa a forma do seu tema.

Maria, Marias, quantas poesias

Já escreveram em tua homenagem?

Incontáveis, eu já sabia!

Mas essa Maria não é aquela

A quem todos dizem amém.

É uma que conheci em uma

Longínqua paisagem.

Onde as Marias e as poesias

Nascem, vivem, morrem

Sem que o restante do mundo

Se dê conta de que na terra

Elas estiveram de passagem.

“Paisagem imaginante” de Alberto da Veiga Guignard

Alegria!?

Aos índios Kaiowás

 

Quando a “indesejada das gentes”

Passa a não ser tão indesejada assim?

Há um momento em que o cansaço

Vence o entusiasmo e essa entidade

Passa a ser almejada até por povos inteiros!

Gente como a menina que deveria estudar,

trancada no quarto, ao invés de se enforcar.

Ou gente que vive agora

Na miséria mais degradante,

Que se esquece, num rompante,

De seus filhos a alimentar!

Gente como os índios Kaiowás

Dos quais, talvez, irão se lembrar

Apenas por algum nome de lugar:

Mogi, Itaboraí, Itaipava.

Num contexto mais funesto,

Vivem sem lei, sem rei e sem fé

que os protejam e abriguem tudo o que eles têm.

A “civilização” os extinguirá?

Horripilantemente, em museus de raros

espécimes, os conservará?

Mas há também gente assaz inocente

que, contra todas as expectativas,

Contra todas as probabilidades,

Resiste à insuportabilidade da vida.

Gente que canta, vive e sorri

E, nesse decrépito mundo,

Ainda encontra a Alegria!

Thaís de Godoy

Carta da comunidade Guarani-Kaiowá de Pyelito Kue/Mbarakay-Iguatemi-MS para o governo e Justiça do Brasil

Nós (50 homens, 50 mulheres e 70 crianças) comunidades Guarani-Kaiowá originárias de tekoha Pyelito kue/Mbrakay, viemos através desta carta apresentar a nossa situação histórica e decisão definitiva diante de da ordem de despacho expressado pela Justiça Federal de Navirai-MS, conforme o processo nº 0000032-87.2012.4.03.6006, do dia 29 de setembro de 2012. Recebemos a informação de que nossa comunidade logo será atacada, violentada e expulsa da margem do rio pela própria Justiça Federal, de Navirai-MS.

Assim, fica evidente para nós, que a própria ação da Justiça Federal gera e aumenta as violências contra as nossas vidas, ignorando os nossos direitos de sobreviver à margem do rio Hovy e próximo de nosso território tradicional Pyelito Kue/Mbarakay. Entendemos claramente que esta decisão da Justiça Federal de Navirai-MS é parte da ação de genocídio e extermínio histórico ao povo indígena, nativo e autóctone do Mato Grosso do Sul, isto é, a própria ação da Justiça Federal está violentando e exterminado e as nossas vidas. Queremos deixar evidente ao governo e Justiça Federal que por fim, já perdemos a esperança de sobreviver dignamente e sem violência em nosso território antigo, não acreditamos mais na Justiça brasileira. A quem vamos denunciar as violências praticadas contra nossas vidas? Para qual Justiça do Brasil? Se a própria Justiça Federal está gerando e alimentando violências contra nós. Nós já avaliamos a nossa situação atual e concluímos que vamos morrer todos mesmo em pouco tempo, não temos e nem teremos perspectiva de vida digna e justa tanto aqui na margem do rio quanto longe daqui. Estamos aqui acampados a 50 metros do rio Hovy onde já ocorreram quatro mortes, sendo duas por meio de suicídio e duas em decorrência de espancamento e tortura de pistoleiros das fazendas.

Moramos na margem do rio Hovy há mais de um ano e estamos sem nenhuma assistência, isolados, cercado de pistoleiros e resistimos até hoje. Comemos comida uma vez por dia. Passamos tudo isso para recuperar o nosso território antigo Pyleito Kue/Mbarakay. De fato, sabemos muito bem que no centro desse nosso território antigo estão enterrados vários os nossos avôs, avós, bisavôs e bisavós, ali estão os cemitérios de todos nossos antepassados.

Cientes desse fato histórico, nós já vamos e queremos ser mortos e enterrados junto aos nossos antepassados aqui mesmo onde estamos hoje, por isso, pedimos ao governo e Justiça Federal para não decretar a ordem de despejo/expulsão, mas solicitamos para decretar a nossa morte coletiva e para enterrar nós todos aqui.

Pedimos, de uma vez por todas, para decretar a nossa dizimação e extinção total, além de enviar vários tratores para cavar um grande buraco para jogar e enterrar os nossos corpos. Esse é nosso pedido aos juízes federais. Já aguardamos esta decisão da Justiça Federal. Decretem a nossa morte coletiva Guarani e Kaiowá de Pyelito Kue/Mbarakay e enterrem-nos aqui. Visto que decidimos integralmente a não sairmos daqui com vida e nem mortos.

Sabemos que não temos mais chance em sobreviver dignamente aqui em nosso território antigo, já sofremos muito e estamos todos massacrados e morrendo em ritmo acelerado. Sabemos que seremos expulsos daqui da margem do rio pela Justiça, porém não vamos sair da margem do rio. Como um povo nativo e indígena histórico, decidimos meramente em sermos mortos coletivamente aqui. Não temos outra opção esta é a nossa última decisão unânime diante do despacho da Justiça Federal de Navirai-MS.

Atenciosamente, Guarani-Kaiowá de Pyelito Kue/Mbarakay

Com Adital e Cimi

O operário que sonhava em ser poeta – parte I – In memoriam de Manir de Godoy

 

VIOLINISTA AZUL, de Marc Chagall

Era uma vez um menino meio nômade,

Que vivia entre o interior e a cidade grande.

O pai morrera de gangrena.

A mãe costureira sustentava com esforço seis filhos: Eupídio, Cássio, Dirce, Tó, Manir e Iracema.

Vendedor de doces no cinema, engraxate,

Chegou a operário de fábrica de chocolate.

Nada fantástica era a vida desse guri,

Que vivia em um cortiço no Pari.

Mas tudo mudou no dia em que encontrou

As letrinhas de metal jogadas na calçada,

Que formaram o primeiro poema do menino sentado no meio fio.

As letrinhas graciosas eram seu único brinquedo nas horas vagas.

Um dia, o dono das letras o viu

E chamou para trabalhar.

Ali, sua formação interrompida continuaria.

O menino-operário da tipografia,

Montava admirado textos de poetas, de romancistas e de aspirantes a artistas;

Panfletos dos primeiros socialistas.

Aprendia tudo de todos que viviam a sua volta.

Com muito esforço, lia de Lobato e Verne ao Príncipe Valente e Flash Gordon,

Assim foi se alfabetizando.

 

No cortiço, sua mãe temerária

Não levava desaforo pra casa!

Com ela aprendeu a ser valente.

 

Engajado na causa operária,

Começou a ler obras mais sisudas

Do que as que lera numa escola em Bragança Paulista.

Era taxado de comunista!

Admirava o “cavaleiro da esperança”…

Por isso, aos 16, fugiu de casa e fundou o PC em São João da Boa Vista.

Lá, via filmes do Mazzaropi,

Dormia em carros alheios,

Tocava violino na praça…

 

Thaís de Godoy, 12-04-2012.