A limpeza étnica da Palestina

Avatar de GodoyPoética de Botequim

DANIEL AVELAR
DE SÃO PAULO
27/04/2017 07h00

Israel não conseguirá manter o sistema ideológico que o sustenta para sempre. Quem faz o prognóstico é o historiador israelense Ilan Pappé.

Estamos em uma encruzilhada: as pessoas em Israel sabem do que o país fez no passado e faz no presente, mas a maioria ainda aceita isso e parece não se importar”, afirma o historiador, para quem pressões externas e “novas gerações” provocarão mudanças em Israel.

Pappé, 62, é um dos principais nomes dos chamados “novos historiadores israelenses”, grupo que analisa criticamente os eventos que levaram à fundação do Estado de Israel, em 1948, a partir do estudo de arquivos militares mantidos em sigilo até a década de 1980.

Ele escreveu o livro “A Limpeza Étnica na Palestina”, no qual argumenta que houve um processo planejado de expulsão e massacre de milhares de palestinos que viviam no território que…

Ver o post original 1.231 mais palavras

DIFICULDADES NO ENSINO DE LITERATURA — escritor958

Agência FAPESP – Por meio da análise de trabalhos acadêmicos realizados entre 1975 e 2004 e de estudos quantitativos e qualitativos com professores de português que lecionam no Ensino Médio da rede pública da cidade de São Paulo, a pesquisadora Gabriella Rodella de Oliveira, mestre em Linguagem e Educação pela Faculdade de Educação da Universidade […]

via DIFICULDADES NO ENSINO DE LITERATURA — escritor958

Revista Sincronistas – 2ª Edição

Avatar de Mariana Zambon BragaColetivo Sincronistas

A segunda edição da Revista Sincronistas já está disponível para os assinantes da newsletter.

Nesse mês das mulheres, a revista traz, em palavras, traços e cores, reflexões sobre feminilidade, feminismo, abuso, violência, desejo, sentidos e dimensões do que é ser mulher.

Que nesse momento de transformações sociais, possamos dialogar cada vez mais sobre feminismo, gênero e sexo, igualdade, respeito e parceria, buscando um mundo sem a opressão do machismo.

Para receber as nossas revistas bimestrais, basta assinar a nossa newsletter, clicando aqui. Lembre-se de confirmar o e-mail assim que fizer o seu cadastro, para que a revista chegue direitinho na sua caixa de mensagens.

Confira a capa dessa edição, ilustrada pela nossa sincronista Gisela Zaffalon (Gisme).

capa revista 2a ed.jpg

A próxima edição está prevista para a segunda semana de maio/2018.

Ver o post original

Revista Sincronistas – 3ª Edição

Saiu a 3ª edição da Revista Sincronistas, cujo tema é o Trabalho, em homenagem ao dia 1º de Maio. O coletivo Sincronistas é composto por escritoras do Vale do Paraíba, com a  colaboração da ilustradora Alcy de Godoy da cidade de São Paulo.

capa revista 3

Avatar de Mariana Zambon BragaColetivo Sincronistas

Para receber essa e as próximas edições da nossa revista, clique aqui e assine nossa newsletter.

————————–

Trabalho. Palavra tão pequena, mas com tão grandes implicações. Em nossa sociedade, é algo que nos define, que nos acompanha até a velhice, tão emaranhado em nossas vidas que fica difícil imaginar uma existência sem a obrigatoriedade de produzir algo.

Enquanto assistimos ao sucateamento dos direitos trabalhistas, à exploração desenfreada (dos seres humanos e da natureza) em nome do dinheiro, a pergunta que fica é: o que podemos fazer para mudar esse cenário? Embora não tenhamos as respostas, fazemos o que está ao nosso alcance, lutando com palavras, com a nossa arte e com resistência.

Na 3ª edição de nossa revista, abordamos o tema do trabalho sob diversos aspectos, trazendo reflexões sobre o papel da mulher trabalhadora, mães e o mercado de trabalho, desigualdade de gênero no trabalho, entre outros.

Esperamos que essa…

Ver o post original 44 mais palavras

Mancebo

Avatar de GodoyPoética de Botequim

12181781

Jacó trabalhou como pastor para Labão

Durante sete anos para merecer a mão

de sua filha Raquel, serrana bela.

Mas se não a visse novamente,

antes de a Terra girar quatro

vezes mais ao redor do Sol,

Jacó, dela, se lembraria?

Tudo o que os olhos não viram,

naquela época remota da juventude,

o peito, agora maduro, ainda desejaria?

Nosso menino, ao crescer, nem das saias

De sua impúbere menina se esqueceu.

Ao contrário do pai de Raquel _que não

premiou Jacó, matando-o por dentro

ao entregar-lhe a outra filha mais velha, Lia,

_ o remendo das pontas soltas da vida

É o presente que receberá por sua espera.

Febre de mancebo dura a vida toda!

06-09-2012

Contraponto a:

Trecho do texto de Gian Luca para ler o texto completo acesso o link – Clamor do Sexo

Poema de Wordsworth declamado por Deani no fim do filme:

“What though the…

Ver o post original 87 mais palavras

Poesia II

Recordando meu estado confuso de seis anos atrás.

Avatar de GodoyPoética de Botequim

Jaraguá, exata 1980, de Evandro Carlos Martins

O espírito da poesia me acordou?

Ou escrevo para poder dormir?

Ou será que estou com fome?

Leite morno, biscoito Nestlè Classic Duo!

Calmantes conseguem explicar

E entender o que sentimos?

Só dá para identificar com

Certeza aquilo que dói

porque o pretérito imperfeito

é o meu tempo.

22 de novembro de 2012.

 

Ver o post original

Sobrecarga

Avatar de Mariana Zambon BragaColetivo Sincronistas

Emoções em alta voltagem

Há um fio desencapado provocando faíscas no escuro.
O atrito das partículas que desencadeiam tais fagulhas zumbem e zunem como abelhas iluminadas.
Um chiado intermitente rouba o sono de toda a casa.

Toda vez que esse fio roça em algo metálico, o chiado retorna e desperta os viventes. É um grito inanimado, um curto-circuito. Todos acordam, buscando, desesperados, a origem dos ruídos. É preciso impedir que a eletricidade se alastre, impedir o incêndio, a desgraça.

Cuidando para não serem eletrocutados, os moradores apalpam às cegas o breu, tropeçam em objetos, memórias, em si mesmos, a urgência apressando seus passos para defender a residência em perigo. E embora haja o risco de serem mortos pela descarga elétrica, seguem, sonâmbulos, a trilha da eletricidade.

Até que um deles, após muito tatear, encontra o quadro de força e o desliga. Um outro chiado, de fósforo riscado, rompe o silêncio e…

Ver o post original 131 mais palavras

Tem dias

Avatar de Helen CoppiColetivo Sincronistas

Tem dias

Tem dias que tudo é esquisito…
Tem dias que nada quer fazer sentido:
o normal se desfaz em um mar de paradoxos.

Tem dias que eu não quero limpar a mesa,
e nem lavar a louça.

Tem dias que as lembranças me laçam pelo pescoço,
se enrolam pelo meu corpo, me possuem
me enlouquecem, arrancam meus suspiros, e se vão.

Tem dias que quero fumar um cigarro
encher o pulmão de veneno
para matar o que lacera por dentro…

Tem dias que está tudo bem, muito bem
mas algo ruim está sempre soprando
um bafo quente e pesado na nuca.

Tem dias que o choro acontece,
a língua endurece,
a boca emudece,
mas o coração não estremece…

Tem dias, e eu faço que tudo bem,
que a tempestade se faz e inunda minha alma.
Um rodemoinho violento me engole, tudo defaz.
No meu rosto, nada demais.

Tem dias, e isso todo mundo e todos os dias,
que ninguém conhece o turbilhão que vive
por trás da iris de cada um.

Ver o post original

Da série: mitos sobre o feminismo – final (provisório)

Avatar de Karla TEscritos Feministas

Conclusão da épica batalha contra algumas afirmações preconceituosas para desqualificar a luta feminista, que comecei aqui e aqui.

“Fim da Lei Maria da Penha! Homens também sofrem violência doméstica, vamos protegê-los!”

Em primeiro lugar, temos que entender que a violência doméstica contra a mulher não se trata de um ou outro caso isolado que só acontece entre gente ignorante. Trata-se de algo generalizado, que ocorre em níveis assustadoramente altos em todas as classes sociais e  em vários países, inclusive os ditos desenvolvidos . Não faz muito tempo, um homem poderia matar a esposa que o traísse sem enfrentar consequências legais, pois isso era considerado um crime passional feito em defesa da honra do indivíduo (mais informações aqui). Outro indicador de que a violência contra a mulher é um mal generalizado e ocorre há muito tempo é que uma das primeiras bandeiras feministas no Brasil foi resumida no slogan “quem…

Ver o post original 640 mais palavras

De Zukov à Nova Guerra Fria

Avatar de Marcos A. da Silvamaterialismo histórico-geográfico

A Eurasia – Rivsista di Studi Geopolitici divulgou hoje um interessante artigo voltado à temática das bases militares que os EUA (ao lado da OTAN) mantém no continente europeu, na bacia do Mediterrâneo e no que os europeus chamam o Oriente Próximo (cerca de 30 bases na Grã-Bretanha, 70 na Alemanha, 111 na Itália, e por aí vai… Veja-se aqui). O artigo é de 2005, mas nem por isso desatualizado.

Não faz muito tempo um professor de nossa área de trabalho — um geógrafo, pois — , referindo-se a uma região por ele visitada na Europa, muito comodamente me dizia que era a população local que desejava as bases militares estadunidenses em seu território, até por que elas deixavam recursos que de outro modo não poderiam ser obtidos, dada a pobreza regional.

Para além de uma pobre visão da União Européia, nada crítica do projeto de Europa que…

Ver o post original 894 mais palavras

Contos da Lua Vaga

Eurico de Barros

Há um tema contínuo e unificador na filmografia de Mizoguchi: a mulher, a sua situação na sociedade japonesa e a sua relação com os homens. O interesse dele pela condição feminina radica em dados biográficos: a mãe e a irmã mais velha, Suzuko, eram maltratadas pelo pai, que acabou por vender a filha para tornar-se gueixa

Foi com “Contos da Lua Vaga” (1953), exibido e premiado no Festival de Veneza, que Kenji Mizoguchi se deu a conhecer ao Ocidente, mostrando que Akira Kurosawa, que dois anos antes havia ganho o mesmo festival com “As Portas do Inferno”, não era o único grande realizador a trabalhar no cinema japonês e a divulgá-lo e popularizá-lo no estrangeiro. Só um terço da vasta obra de Mizoguchi (1898-1956) sobreviveu e está disponível hoje. Oito desses filmes, alguns já vistos em Portugal e outros inéditos, e exibidos em cópias restauradas, compõem o Ciclo Kenji Mizoguchi que estará no Espaço Nimas, em dois tempos. O primeiro, que pode ser visto até 10 de Maio, inclui “Contos da Lua Vaga”, “Os Amantes Crucificados” e “A Mulher de Quem se Fala”. O segundo, a partir de 11 de Maio, apresentará “Festa em Gion”, “A Senhora Oyu”, “A Imperatriz Yang Kwei Fei”, “O Intendente Sanshô”, “Rua da Vergonha” e “O Conto dos Crisântemos Tardios”, mantendo em cartaz “Os Amantes Crucificados”.

Depois da morte da mãe, foi Suzuko quem cuidou dele e dos irmãos mais novos, e lhe arranjou os primeiros empregos. A devoção e os sacrifícios da irmã marcaram profundamente Mizoguchi, que inscreveria a dedicação, a capacidade de amor e o sofrimento feminino nos seus filmes, de época (“jidaigeki”) ou contemporâneos. Estes sentimentos estão presentes em “Contos da Lua Vaga”, talvez o mais representativo do realizador, do seu estilo, das suas preocupações, do seu humanismo, do seu poder cinematográfico e do seu gênio.

Inspirado em dois contos fantásticos do escritor Ueda Akinari e num outro de Guy de Maupassant, “Contos da Lua Vaga” passa-se no Japão em guerra civil do século XVI e é ao mesmo tempo uma fábula moral, um filme realista e uma história sobrenatural, onde se revela uma tensão presente em toda a obra de Mizoguchi, entre o respeito pelos valores tradicionais e o impulso individualista. Tal como sucede nos filmes dos maiores mestres do cinema nipônico, como Kurosawa, Ozu, Naruse ou Ichikawa, “Contos da Lua Vaga” é uma narrativa intrínseca e inconfundivelmente japonesa, nas circunstâncias históricas, na realidade cultural, nos temperamentos e no plano mental, mas que assume ressonâncias universais, exemplo de um cinema que expressa a identidade mais própria e funda de um povo, mas que se transcende para uma representação de toda a humanidade.

Escrito por Mizoguchi e pelo seu habitual colaborador Yoshikata Yoda, e fotografado pelo lendário Kazuo Miyagawa, que também trabalhou com Kurozawa, Ozu e Ichikawa, “Contos da Lua Vaga” é a história de um oleiro ganancioso, da mulher, do seu filho pequeno, do seu vizinho — um camponês que sonha ser samurai — e da mulher deste. A guerra civil obriga-os a fugir da aldeia e separa uns dos outros.O oleiro deixa-se seduzir por uma bela aristocrata, que na realidade é um fantasma, e esquece a mulher e o filho, enquanto que o camponês rouba a cabeça decapitada de um general e consegue tornar-se samurai, mas a sua mulher é violada por um grupo de soldados e forçada a prostituir-se numa casa de gueixas para conseguir sobreviver.

cuentos de la luna palida 3

Em “Contos da Lua Vaga”, os homens concentram em si todos os defeitos, são gananciosos, violentos, inconscientes, ingratos e arrogantes, enquanto que as mulheres, com as quais Mizoguchi se identifica e apresenta como modelos, são vítimas. Sofrem, sacrificam-se, nunca deixam de amar os maridos e temer por eles, e personificam o bom senso. A simpatia e a compaixão do realizador estendem-se até aos espectros, já que a aristocrata fantasma que seduz o oleiro, a bela Senhora Wakasa, longe de ser um espírito maligno, é ela também vítima da guerra e morreu sem conhecer o amor, que agora procura entre os vivos, sem o qual estará condenada a penar para sempre, acompanhada pela sua fidelíssima serva (duas das atrizes favoritas de Mizoguchi, Tanaka Kinuyo e Michiko Kyô, desempenham dois dos principais papéis femininos).

Realizador pictórico por excelência, e avesso a malabarismos e exibicionismos, Mizoguchi enche “Contos da Lua Vaga” de momentos visuais inesquecíveis, uns belíssimos na sua poesia etérea, como a fuga dos camponeses de barco num rio amortalhado em nevoeiro, o piquenique dos amantes numa natureza irreal de tão idílica, ou ainda o sublime plano final do menino junto à campa da mãe; outros tremendos na sua crueza, caso do ataque dos soldados à mulher que carrega o filho às costas, ou do exorcismo no solar assombrado. A sua câmara tem uma eloquência reservada, uma elegância eficiente e uma fluidez invisível. Com ela, dizia o cineasta, procurava “retratar o extraordinário de forma realista”.Filme realista e extraordinário, poético e cruel, de rosto humano e textura sobrenatural, “Contos da Lua Vaga” é a melhor porta de entrada para a obra de Kenji Mizoguchi.