A que está sempre alegre

Charles Baudelaire Teu ar, teu gesto, tua fronte São belos qual bela paisagem; O riso brinca em tua imagem Qual vento fresco no horizonte. A mágoa que te roça os passos Sucumbe à tua mocidade, À tua flama, à claridade Dos teus ombros e dos teus braços. As fulgurantes, vivas cores De tuas vestes indiscretas …

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Os ombros suportam o mundo

Drummond Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus. Tempo de absoluta depuração. Tempo em que não se diz mais: meu amor. Porque o amor resultou inútil. E os olhos não choram. E as mãos tecem apenas o rude trabalho. E o coração está seco.   Em vão mulheres batem à porta, …

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Poesia III

Tirei minha Tristeza pra dançar. Dançamos uma valsa de silêncios dolorosos, Rodopiei por salas habitadas Por todas as partidas prematuras Em que ela me guiava, me girando pelos ares. Com um nó preso bem no fundo da garganta, Entreguei, sem luta e por cansaço, Minhas fibras à cadência de seus passos. Olhando bem no fundo …

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Apenas palavras

As palavras são nada. Em si, carecem de sentidos, se os gestos não as acompanharem. Assim calar é louvável a alguns algures. Imprudência confiar nas palavras, já que quem mente mergulha a todos em fantasia? Sonha que a todos ludibria? Para si, ciladas cria? Mas não ilude plenamente: há uma gota de verdade em cada mentira. …

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