À Palestina,

o sangue, que jorra das veias de seu povo,

é esquecido, é ignorado

até quando fingiremos que tudo é normal?

até quando viraremos as costas àqueles que sofrem

de um grande mal?

“assim caminha a humanidade”, uns dizem.

outros permanecem calados,

enquanto seus filhos se esquivam da morte sem

saber se seus passos serão lembrados

todos eles serão só números quantificados?

alguns ainda virarão dissertação ou teses de doutorado,

mas sem nome, sem lar

nem água nem chão,

todos seus filhos serão

prisioneiros em seu próprio torrão?

e todos nós sem a vergonha de deixar

que isso aconteça a um irmão?

12-07-2012

Quero ser a Palestina

Quero ser a Palestina

Quero ser a Palestina

Mas não quero ser a Palestina de Israel

Não seja para mim o que Israel

é para a Palestina.

Não me transforme em vítima das vítimas.

Quero ser aquela Palestina

Que você quer salvar...

 

  

 

 

 

 

 

 

Na Palestina: O velho, a árvore, o ônibus

À Abd Al-Hasib Atta Zaloum

Sobre o solo, jaz a carcaça do que um dia havia sido um ônibus.
Hoje, tornou-se abrigo do velho sem moradia.
As estrelas no céu velam por eles à noite.
O frio passa pelas vidraças estilhaçadas,
Vem sorrateiro seu rosto açoitar.

Sob o sol escaldante,
a sombra vem de uma árvore solitária.
O ônibus à noite e a árvore de dia
São todo o seu reino, como nem
o rei da Jordânia tem.

Assim que ficou pronta,
sua antiga casa foi demolida;
sua terra, por colonos, roubada.
Converteram seu território em "área de segurança".

Segurança pra quem,
se o velho agora vive ao relento?
Não é o velho, de humanos, rebento?
Não necessita de segurança também?
É menos humano que as crianças da escola
atrás daquela muralha, já que delas só recebe desdém?

Como a vida, que poderia ter tido, foi interrompida,
Perdeu sua costumeira esperança
e neste solo devastado só quer plantar seus olhos cansados
Para não verem mais a guerra assolar o seu lar.