Porque o vinho é o espelho dos homens — poemas de Alceu de Mitilene — vício da poesia

Na alegria, como na tristeza ou no desespero, o vinho é companhia e confidente dos homens desde os alvores da civilização. E a sua presença na poesia é quase um universal, olhado o arco geográfico e temporal onde ela surge. Comecemos uma volta por esta tradição poética com alguns poemas e fragmentos de Alceu de […]

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Três traduções de poemas de Alceu de Metilene- Fragmento 96 Diehl

English: King of the Gods, Zeus, at the Getty ...
English: King of the Gods, Zeus, at the Getty Villa. Roman, Italy, A.D. 1 – 100. (Photo credit: Wikipedia)

Fragmento 96 Diehl

bebamos!

não fazem falta lâmpadas!

basta um dedo de dia para as grandes

copas multiadornadas vamos

ergue-as! o

filho de sêmele e zeus

diôniso

nos deu aos homens vinho

lassidão contra a dor – olvido:

a cada parte de água duas

só de vinho assim

plenas até a borda

bebamos –

uma após a outra – copas

e mais copas!

Tradução de Haroldo de Campos

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Bebamos! Porque aguardamos as lucernas? Já só há

Um palmo de dia. Retira, célere, dos pregos, as grandes taças.

O vinho que dissipa aflições, doou-o aos homens o filho

de Zeus e Sémele. Deita-o nas taças, uma parte para duas,

cheias até à borda, e que um cálice

empurre o outro.

Tradução de Maria Helena da Rocha Pereira

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Bebamos! Por que a noite e as tochas aguardamos?

Estala, é um polegar tão breve o dia!

Pega, meu belo, as coloridas, grandes taças

Pois que o filho de Sêmele e Zeus

O vinho vela-mágoa para os homens deu.

Mistura e versa um terço de água em dois de vinho,

E jorra ao copa até que a espuma ensope a borda,

E quando um copo seca, o próximo transborde.

Tradução: Antônio Medina Rodrigues.

(Fr.346 Lobel-Page)

Para conhecer mais traduções de poetas clássicos: Primeiros escritos

 

Zeus with a laurel crown. Gold stater from Lam...
Zeus with a laurel crown. Gold stater from Lampsacus, Mysia (ca. 360–340 BC), obverse. (Photo credit: Wikipedia)

Alceu de Metilene – Fragmento 357 LP

Alceu – Fr.357 LP

Reluz em bronze a sala.De elmos brilhantes todo o teto está

apinhado, onde se ondeiam crinas alvas de cavalo, que hão de

ornar a testa dos guerreiros. E dos ganchos penduradas, mil luzidas

caneleiras são o aval contra uma lança poderosa. De linho

novo revestidas,as couraças juncam-se no chão, em meio a

côncavos escudos. Espadas da Calcídia pelos lados, montes de

túnicas e cinturões. Que não se esqueça coisa alguma, que a

peleja se aproxima.


[Tradução: Antônio Medina Rodrigues] 

Alceu – A décima musa

ó

coroada de violetas

sorriso-mel

sagrada

Safo

Tradução: Haroldo de Campos

Alceu de Metilene Fr. 42

Alceu Fr. 42 (trad.: C. Leonardo B. Antunes)

          Dizem que por feitos ruins, Helena,

Veio a dor pra Príamo e pra seus filhos.
Por tua causa Zeus destruiu a sacra
Ílio com fogo,

Não por conta da delicada virgem
Que esposou o ilustre rebento de Éaco
Frente aos deuses todos. Levando-a do
Lar de Nereu

Pro de Quíron, ele soltou-lhe as vestes
Puras e o amor de Peleu e da mais
Nobre das Nereidas então brotou.
Dentro de um ano,

Deu-lhe um filho: o mais poderoso semi-
Deus, feliz ginete de potros pardos.
Mas morreram graças a Helena os Frígios
E sua cidade.

 

Bust of Helen of Troy by Canova in the Copenhagen Museum
Bust of Helen of Troy by Canova in the Copenhagen Museum