Bares, cafés e clubes, a partir do século XIX, não eram apenas um ambiente para a happy hour. Eles foram o cenário onde questões políticas, filosóficas, movimentos artísticos revolucionários se espalharam. O propósito deste site é o mesmo: criar um espaço virtual para expressão livre de ideais, reflexões e sentimentos, com espírito crítico em relação a nossa Cultura.
Alguma coisa fez com que o quadrado de Sator, um dentre tantos palíndromos utilizados como passatempo pelos romanos, fosse considerado especial. Ele foi muito copiado, em livros, portas etc, mas seu significado original se perdeu. Estudiosos tentam reencontrá-lo há 150 anos, sem chegar a nenhuma conclusão que seja universalmente aceita.
Minha tradução livre seria “Deus mantém a roda da vida girando.”
O sábio Frei Lourenço tenta alertar os jovens amantes para não se precipitarem, para cultivar a paciência, algo tão difícil para os jovens impulsivos. Hoje, porém, com a velocidade da tecnologia e com os automatismos no uso de dispositivos eletrônicos, todos nós estamos sujeitos a rompantes, a gestos bruscos, impensados e impensáveis. Não existe mais um discreto Frei Lourenço para nos aconselhar. Temos a Literatura, pena que ninguém mais tenha paciência para a leitura, que deleita e ensina.
Quem sabe, neste momento, você não está apenas nascendo de novo para outra vida, trocando de roupagem?! Lutou o bom combate, agora descansará em paz! Sentiremos saudades!🌹
No filme, a personagem Paula Alquist, feita por Ingrid Bergman, é manipulada por seu marido a acreditar que está enlouquecendo
Por Ana Claudia Paixão Atualizado em 30 jul 2021, 15h40 – Publicado em 30 jul 2021, 14h00
Ingrid Bergman ganhou seu primeiro Oscar de Melhor Atriz, em 1944, com o filme À Meia-Luz, interpretando a personagem Paula Alquist. Nele, ela é manipulada por seu marido a acreditar que está enlouquecendo, o que quase acontece.
É sufocante ver o processo de distorção e maldade ao qual a personagem é submetida, sem poder reagir. O filme é espetacular, mas precisa de um pouco de paciência para encontrar nas plataformas, inclusive dá para assistir em Blu-Ray e DVD.
Ingrid divide as telas com Charles Boyer e Joseph Patten, dirigida por um preciso George Cukor. No original, À Meia-Luz se chama Gaslight, que, graças ao filme, é até hoje, mais de 80 anos depois, a tradução de um tipo de manipulação psicológica no qual uma pessoa consegue convencer a vítima a questionar a própria sanidade, memória ou percepções das coisas.
O manipulador induz à dúvida e – paradoxalmente – à certeza da loucura, acabando com autoestima e saúde mental da vítima indefesa.
Antes de ser referência pop, Gaslight tem uma explicação técnica. Em tempos de pré-eletricidade, para se ter luz só era possível à gás, que é o que Gaslight em inglês diz. Toda a metáfora de luz, de falha na iluminação e memória faz parte da narrativa, afinal o vilão age à noite, à meia-luz.
À Meia-Luz nasceu no teatro, em Londres, em 1938, e logo foi parar na Broadway com enorme sucesso. O primeiro filme, de 1940, se encontra com facilidade no YouTube.
Nesta versão, o destaque é o espetacular austríaco Anton Walbrook, que também brilhou em Sapatinhos Vermelhos, com roteiro fiel ao texto teatral e extremamente inteligente.
O sucesso dessa produção inspirou a MGM a comprar os direitos para realizar a versão americana, praticamente suspendendo a circulação do original britânico por muitos anos.
A versão de 1944 faz algumas adaptações da história, mas mantém a premissa original. Alguns consideram a melhor e devo concordar com sua superioridade, especialmente de Ingrid Bergman, brilhantemente frágil em um papel muito difícil.
À Meia-Luz chegou a ser indicado a oito categorias no Oscar, rendendo o primeiro de Melhor Atriz para Ingrid Bergman. Muitos consideram este um dos melhores filmes de George Cukor, um diretor detalhista que destacou com maior riqueza psicológica o processo sufocante e aterrorizador de manipulação. Tanto que, desde então, se alguém quer desacreditar outra pessoa, se diz que está “gaslighting”.
Vale muito a pena ver ambos os filmes para traçar as comparações, mesmo que fosse uma época em que as mulheres não tivessem voz. Com os dois filmes, entendemos o verdadeiro significado de “don’t gaslight me”, que quer dizer “não me faça parecer louca”. Em tempos de saúde mental, os clássicos ainda nos ensinam muita coisa.
Ai que tristeza! Eu costumava passar esta música para meus alunos, dentre muitas outras como Samba do Avião. Eu sempre preferia a interpretação dela a de todos os outros e queria que meus alunos a apreciassem como merece. Minhas aulas se tornaram muito melhores graças a esse talento sublime. Perdemos um tesouro inigualável. Tivemos muita sorte de ter vindo nesta terra tão carente de beleza e leveza. Obrigada por tudo e descanse em paz! Sentiremos saudades! Que sua passagem seja suave como as águas de Chovendo na Roseira. Te amarei pra sempre!
Segundo pensador italiano, o culto à tradição; a repulsa ao moderno; o machismo; o racismo; a guerra permanente são típicos do “fascismo eterno”. Ou seja, a ameaça já está implantada entre nós, mesmo que não siga seu nome
Tenho refletido e escrito sobre a perda de vitalidade da democracia. Mas acho que agora já entramos num perigoso caminho de desconstrução da democracia, uma ameaça que vem na esteira do golpe do impeachment e se expressa hoje no nosso governo híbrido, civil-militar, com sua agenda antidireitos. Claro, a institucionalidade democrática formal está mantida até aqui, mas algo por dentro vem corroendo os princípios e valores éticos e políticos vitais da democracia: o respeito incondicional da liberdade de ser, pensar e agir, a busca da maior igualdade possível, com direito à diversidade, convivendo em solidariedade coletiva e baseando tudo em ativa participação cidadã. Tais princípios constituem o substrato de qualquer democracia com potencial de transformar contradições e divergências, de potencial destrutivo, em forças construtivas de sociedades mais livres e justas.
Hoje reconheço um vírus implantado em nosso seio que pode acabar com a democracia e nos levar ao fascismo como regime político. Estamos diante de sinais inequívocos de tal vírus no campo de ideias e valores que foram se revelando e se condensaram na vitória eleitoral e nas falas do presidente e de integrantes do governo empossado. A leitura de um discurso de Umberto Eco, de 24 de abril de 1995, na Universidade de Columbia, Nova York, publicado em espanhol por Bitacora, sob o título Los 14 síntomas del fascismo eterno, me inspirou. Segundo Eco, as características típicas do “Ur-Fascismo” ou “fascismo eterno” não se enquadram num sistema, “…mas basta com que uma delas esteja presente para fazer coagular uma nebulosa fascista” (em tradução livre). Vou lembrar aqui apenas alguns dos indícios do eterno fascismo que Eco aponta e que deixo aos leitores desta minha crônica identificar as suas expressões na realidade brasileira.
Culto da tradição – como se toda a verdade já estivesse revelada há muito tempo e o que precisamos é ser fiéis a ela. O tradicionalismo é uma espécie de cartilha na disputa de hegemonia fascista sobre corações e mentes. O pensamento do principal guru dos “donos do poder”, a pregação das igrejas pentecostais e as falas – quando dizem algo – são impregnados de uma veneração da verdade já revelada em escritos sagrados e de valores espirituais mais tradicionais do cristianismo. “Deus, pátria, família e propriedade”, com a força que estão de volta como pregação, não deixam dúvida. Fascismo e fundamentalismo sempre vêm juntos.
Repulsa ao modernismo – que leva a considerar as conquistas humanas em termos de direitos e de emancipação social como perversidades da ordem natural. Nega-se, em consequência, a racionalidade e, com ela, toda a ciência e a tecnologia. Não falta gente com tal forma de pensar no governo e seus seguidores. Para eles, direitos iguais são um absurdo. Mudança climática é uma “invenção de comunistas”. E por aí vai.
Culto da ação pela ação – fazer e agir, acima de tudo. Como diz Eco, para fascistas “pensar é uma forma de castração”. Daí a atitude de suspeita à cultura, pois é vista como algo crítico. Em consequência, todo mundo intelectual é suspeito. Ainda Eco, “O maior empenho dos intelectuais fascistas oficiais consistia em acusar a cultura moderna e a intelligentsia liberal de ter abandonado os valores tradicionais”.
Não aceitação do pensamento crítico – pensar criticamente é fazer distinções e isto é sinal de modernidade, pois o desacordo é base do avanço do conhecimento científico. O fascismo eterno considera a divergência como traição. Deve-se aceitar a verdade da ordem estabelecida. Daí, “escola sem partido”, sem iniciação ao pensamento crítico e a liberdade de expressão e ação.
O racismo na essência – segundo Eco, com medo da diferença, o fascismo a explora e potencializa em nome da busca e da imposição do consenso. Os e as diferentes não são bem vindos. Por isso, o fascismo eterno é essencialmente racista e xenofóbico. Daí a identificar os diferentes como criminosos a linha é reta.
O apelo aos precarizados e frustrados – todos os fascismos históricos fizeram apelo aos grupos sociais que sofrem frustração e se sentem desleixados pela política. As mudanças no mundo do trabalho, promovidas pela globalização econômica e financeira, são terreno fértil para o fascismo.
O nacionalismo como identidade social – nação como lugar de origem, com os seus símbolos. Os e as que não se identificam com isso são inimigos da nação. Portanto, devem ser excluídos. Podem ser os nascidos fora da nação, como os imigrantes, ou por se articularem com forças externas – o tal “comunismo internacional” – ou, ainda, por não se enquadrarem no padrão “normal” de nacionalidade. O nacionalismo vulgar é o cimento agregador de qualquer fascismo.
A vida como guerra permanente – no fascismo, a gente não luta pela vida, liberdade, bem viver, mas vive para lutar. A violência é aceita como regra e a busca de paz uma balela. Vencem os mais fortes, armados. Há um culto pela morte na luta.
O heroísmo como norma – o herói, um ser excepcional, sem medo da morte, está em todas as mitologias. Aqui basta lembrar a exploração feita daquele atentado em Juiz de Fora. O herói vira mito real.
O machismo como espécie de virtude – em sendo difícil a guerra permanente e a demonstração de heroísmo, o fascismo potencializa as relações de poder na questão sexual, segundo Umberto Eco. Aqui também não faltam manifestações de patriarcalismo e machismo, com intolerância com o que é considerado divergente da norma em questões sexuais. Não há lugar para a liberdade de opção sexual e de gênero.
O líder se apresenta como intérprete único da vontade comum – o povo é o seu povo, o seu entendimento do que seja o povo e sua vontade comum. Como diz Eco, estamos diante de um populismo de ficção.
Chamei atenção aqui para indícios de fascismo total apontados por Umberto Eco – não todos, para não ser enfadonho e talvez desvirtuar o que o autor quis dizer – com a preocupação de dar atenção a ideias e imaginários que estão adquirindo legitimidade mobilizadora no nosso seio. Inspirado no atualmente renegado Antônio Gramsci, exatamente pelo emergente fascismo político e cultural, penso que a conquista de hegemonia no sentido de direção intelectual e moral precede o poder do fascismo pela força estatal. Ou seja, a ameaça de fascismo já está implantada entre nós, mesmo se o regime ainda não parece ser fascista.
A trabalho em Campo Grande pela primeira vez, o poeta e youtuber Allan Dias Castro foi convidado para participar da 34ª Noite da Poesia nesta quinta-feira (15). Sucesso nas redes sociais e integrando a lista de livros mais vendidos do País, o escritor reforçou que seu objetivo é desmistificar a criação literária e apoiar quem é visto como “louco” por seguir seus sonhos. – CREDITO: CAMPO GRANDE NEWS
observo as linhas da minha mão correndo águas a linha do amor do dinheiro
qual será a linha da loucura
o rio de traços finos falhos tremidos que revelam a mente sã
ensandecida
qual será a linha da loucura na palma da minha vida
qual será a veia herdada vendo a marca infligida
qual será a linha louca que corta o rio da minha mão
da minha mãe por quem fui parida
doze horas em trabalho de partida só pra nascer com o carimbo da mão em linha enlouquecida
qual será essa loucura costurada essa linha desmedida essa palma bordada
eu olho os rios da minha mão e enlouqueço calada
alta ajuda
dizem que são necessários trinta dias para que um novo hábito se torne rotina
dizem que o problema é a gordura que o açúcar refinado na verdade que todo açúcar que as frutas também tudo faz mal
e dizem que yoga e pilates exposições gatos cães pássaros livres e nadar com os golfinhos não
a natureza se desequilibra assim como bambeamos movidos a ansiolíticos e cafeína
até mesmo os que dizem que a meditação os parques as longas caminhadas na praia a água de coco o óleo de macadâmias as escovas elétricas e o chás feitos das ervas tiradas do chão fazem bem
até mesmo os que dizem que todas as religiões que a tolerância o ecumenismo as missas de sétimo dia as velas os filmes nacionais os editais o apoio do governo a importância dos movimentos sociais
até mesmo os que dizem que a indústria o consumo as leis a punição até os que sentem pena
até eles dizem que trinta dias passam mas não habituam a vida em quem de nada faz questão .
Dora
nunca esqueço de Dora de sua paralisia sua cegueira sua oposição transformada em patologia
como os homens amam os códigos que catalogam a loucura feminina
e distribuem sintomas por cima dos hematomas e taças de sangria
em suas camas forradas com mentiras e blocos de papel onde escrevem cárceres onde descrevem leitos onde Dora e eu e todas nós devemos deitar em espera
nunca esqueço do caso de Dora da coragem sufocada por mãos livros por páginas escritas por homens como ele com números que são camisolas à força e que mais cedo ou mais tarde acabamos por vestir
porque em seus blocos camas poltronas em seus estetoscópios eles escutam a rebeldia
porque Dora e eu e todas nós nos fazemos ouvir
duas cadeiras conte para mim sobre como tudo anda difícil e nem a cerveja se paga e nem a escrita se cria me conte
sobre os imprevistos e as curvas fechadas sobre os livros abandonados as exposições vazias de significado
me fale sobre a rotina que esmaga com as palavras que sempre as mesmas se usa
e sobre a cidade cinza os rios espumantes o quilo de sal caro que se come me conte
sobre as temperaturas altas e os corações apáticos sobre as relações de supermercado os produtos políticos
eu quero ouvir sobre as pequenas vidas os pequenos instantes de vida que ainda resistem aí
.
contato
a mente doente tem traços e partes de imagens incompletas - dizem e a gestalt pode ajudar porém todos buscamos a cura rápida os comprimidos os laudos para que sejam validados os momentos piores mais eremíticos
porque todos estamos jogados ao nosso pessoal veredicto
sentamos em poltronas cara a cara com o incógnito e abrimos portas que libertam carcaças serpentes formigas na boca
somos ouvidos e punhos suados trocamos os olhos pela voz embargada
não você não queria você não estaria ali se não fosse esse buraco bem no meio chamativo
não se preenche morte com vida e talvez não exista conteúdo para a mente evacuada
mas tente sentar responder sobre pais divórcios sobre aquele tio que tocou ali onde se partiram as louças
tente juntar as imagens infantilmente
foi aqui aponte onde - nessa boneca loira aqui aqui
segura nas cordas vocais a vontade de correr a tentação carnal de abandonar-se ...
somos ouvidos
com os punhos suados mas nossos punhos escrevem a verdade do mundo a beleza civilizatória
há ainda um pouco que segura o peso você pode dormir e jogar com os pesadelos
mas levante-se deixe os olhos pousarem as pernas vão chacoalhar mas um dia cara a cara com um ser familiar os tendões terão descanso
tudo será outra coisa nada novo mas outra estrutura
uma casa com aldavras vedada aos tios limpa de estilhaços um chão onde esticar a coluna — chorar
e isso será mais do que fora
e isso será o mais próximo da cura
Jarid Arraes
Nascida em Juazeiro do Norte, na região do Cariri (CE), em 12 de Fevereiro de 1991, Jarid Arraes é escritora, cordelista, poeta e autora dos livros “Um buraco com meu nome“, “As Lendas de Dandara” e “Heroínas Negras Brasileiras“. Curadora do selo literário Ferina, atualmente vive em São Paulo (SP), onde criou o Clube da Escrita Para Mulheres. Até o momento, tem mais de 60 títulos publicados em Literatura de Cordel.
Estes poemas, publicados na Mulheres que escrevem, foram escolhidos pela escritora, cordelista e poeta, Jarid Arraes, para não nos esquecermos do significado do Setembro Amarelo, mês que marca a campanha brasileira de prevenção ao suicídio, iniciada em 2015 em Brasília. É uma iniciativa do Centro de Valorização da Vida, do Conselho Federal de Medicina e da Associação Brasileira de Psiquiatria. Acreditamos que a escrita e a literatura têm um papel fundamental na conscientização e debate de questões tão importantes como esta. Caso precise de ajuda, não hesite, ligue para a CVV (188) ou procure a ajuda especializada. A saúde mental é um assunto sério e deve ser tratada com respeito e atenção. Agradecemos imensamente à Jarid Arraes por sempre abordar este tema com cuidado e seriedade.
Leia mais poemas, ensaios e entrevistas com a autora aqui: Mulheres que Escrevem entrevista Jarid Arraes "Eu quero que a gente olhe para essa feiura. Isso é sobre nós" medium.com
Três poemas de Jarid Arraes nós choramos, loucas de primeira viagem medium.com
Uma mulher negra escrevendo em busca de casa Resgatando um conti
No Vale Histórico Quem é lembrado? O sinhô Ou o escravizado? Viva quem chibatou Ou o chibatado? Quem comprou eu sei E quem foi comprado? "Um casarão de rei!" Feito em suor sangrado Sangue negro sagrado Sabor? Amargo Famílias findadas Amistad lotado Hoje: "vá embora" Ontem: "venha forçado" Angola, Benguela, Monjolo Criança, homem, moça Congo, Cabinda, Rebolo Todos vindo à força Onde cativeiro é lucro Sincretismo é fé Miscigenação? Estupro Tudo pelo café Séculos de labor Muita dor, sem ser pago E se a Lei Feijó vingar cruze os negros como gado Os últimos a abolir E de uma maneira torta No país da Lei de Terras A Lei Áurea nasce morta. "Livre" só de bens De herança o racismo Equidade é preciso Igualdade é cinismo Samba, comida e festa Cultura negra pro mundo "Me dá uma ajuda, sinhô" "Vai trabalhar, vagabundo" Onde preconceito é piada Falta uma que diz: O que é o que é um pontinho preto na fazenda? É um negro sustentando o país. ✊🏾
Por trás de seus olhos caramelo, Eu vislumbrei o segredo do mundo Devia dar as costas e fugir Do esplendor sinistro. Como despertar para uma verdade insuportável? Negando, negando, negando Como fez aquele discípulo...
O coração da treva nos cega.
Mas a doçura desses olhos derreteu meu medo Como um canto irresistível que arrasta àquele abismo onde toda esperança é abandonada no umbral das almas.
Então, compreendi ao menos um enigma: antes ser arrastado pelo turbilhão dos tempos A parar impassível observando os ventos.