Monstro Invisíve

O Rappa

Monstro invisível que comanda a horda
Arrasando tudo o que é de praxe
Eu tô laje acima do cerol que trás a vida pra baixo
Brilhante ideia de uma cabeça nervosa
Grafitando outro muro de raiva
Eles já sabiam, mas deixaram a sina guiar a sorte.

Vejo a minha história com a sua comungar
Vejo a história, ela comungar
Vejo a minha história com a sua comungar

Ouça o lado sujo cria do descaso
Alimentando folhas em branco e preto
Outra epidemia desanima quem convive com medo
Botões, atalhos amplificam a distância
E a preguiça de estar lado a lado veste a armadura
Esse é o poder solitário.

Vejo a minha história com a sua comungar
Vejo a história, ela comungar
Vejo a minha história com a sua comungar
Vejo a história, ela comungar.

Epônimos Divinos

Poética de Botequim

Caesar van Everdingen - Four Muses and Pegasus on Parnassus - 1650 Caesar van Everdingen – Four Muses and Pegasus on Parnassus – 1650

Num insondável labirinto auricular, perdi minha língua

E em minha hélice deitaram-se doces palavras

A turbilhonar, mesmo quando as proferia sem pretensão.

Fui mortalmente ferida pelas oscilações de seu arco do cupido.

Escalar meu monte para em seguida se atolar

Em minhas covinhas de Vênus foi mais nefasto

Que me ferir o calcanhar de Aquiles.

De seu singelo céu da boca brotam,

Como de grutas escoiceadas, as águas da vida,

Aonde todas as ninfas vêm se banhar,

Nas horas quentes do dia.

Não me transformou em pedra por estarem

Abertas minhas meninas-dos-olhos

E, finalmente, atravessou triunfante o arco de minhas sobrancelhas.

Hilas e as Ninfas, de John William Waterhouse (1896)
Hilas e as Ninfas, de John William Waterhouse (1896)

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Feliz 2019!

Mais um ano em que a Terra girou em torno do Sol.
Um ano a mais, um ano a menos.
Um ano que no cômputo geral do Universo foi só um atmo
Um sopro elíptico
Um suspiro
Menos que um suspiro

E, no entanto, mesmo sendo só mais um de tantos
Foi um ano infinito
De visões que cada ser
Teve do precipício.
Em cada cabeça, uma centelha de ilusão
Multiplicada por espelhos cheios de esperanças.

Dele agora me retiro!
Voltemos agora ao início,

Ao balé de macabros rodopios,
Andando em círculos no sempre novo,

Sempre o mesmo ano novo!

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Godoy