Henri de Toulouse-Lautrec

Lautrec é um dos que mais merecem engajar-se neste boteco, teria inventado uma bebida chamada “Tremblement de Terre” (terremoto): uma mistura potente de 1/2 parte de absinto e 1/2 parte de conhaque, servido em copo de vinho sobre cubos de gelo ou batido com gelo em coqueteleira.

É claro que ao beber isso e contrair sífilis não conseguiria passar dos 36 anos, infelizmente. O que ele poderia ter feito se vivesse um bocadinho mais?

De Henri de Toulouse-Lautrec, Retrato de Vincent van Gogh de 1887
De Henri de Toulouse-Lautrec, Retrato de Vincent van Gogh de 1887
Henri de Toulouse-Lautrec 008
Henri de Toulouse-Lautrec 008 (Photo credit: Wikipedia)
Lautrec at the Moulin Rouge, "Two women waltzing" de 1892
Lautrec at the Moulin Rouge, “Two women waltzing” de 1892
Lautrec, In Bed, 1893

Lautrec, In Bed, 1893

Alone, de Lautrec, 1896
Alone, de Lautrec, 1896

Escute as melhores frases de Stephen Hawking – na voz do próprio

“O grande inimigo do conhecimento não é a ignorância, é a ilusão de ter conhecimento.”

“The greatest enemy of knowledge is not ignorance, it is the illusion of knowledge.”

“Eu não compararia [o prazer de uma descoberta científica] ao sexo, mas ele dura mais”

“I wouldn’t compare it to sex, but it lasts longer.”

  • Esta última frase é ambígua, porque não fica claro se o que dura mais é o prazer da descoberta científica ou do sexo.

Ouça mais frases com a “voz” dele no link abaixo:

https://wp.me/p7L6lP-Qwx

O futuro perde o peso quando conjugado no passado

Avatar de Mariana Zambon BragaColetivo Sincronistas

Não sou poeta, mas hoje a poesia nasceu em mim

Um dia
No futuro esfumaçado
Que não consigo vislumbrar
Cuja existência é certa, sabida
Ainda que estrangeira
Esse dia-hoje
De vestes banhadas em sol
Entranhas tingidas de caos
Não passará de um vestígio da memória
Um fio a se romper
Uma insignificância

Partícula de pó grudada na retina da lembrança

Um dia
O peso do hoje será leve

A fotografia desse céu azul
Se tingirá de sépia
Sem a tristeza das memórias feridas

A vida revisitada
Desenhará um sorriso saudoso
Uma gargalhada
Outrora impossível
Quando o futuro era apenas um hoje.


Publicado originalmente no Medium.

Ver o post original

Perspecticídio: a técnica de lavagem cerebral usada por manipuladores

É importantíssimo entendermos o que é lavagem cerebral e suas técnicas para podermos nos defender de pessoas manipuladoras. Essa técnica tem sido usada em diversos setores de nossa vida pública e privada: na religião, na política, no exército, em comerciais e até mesmo em relacionamentos afetivos. Haja vista o que tem acontecido com seguidores de João de Deus e da Cientologia, por exemplo. Sem essa compreensão, nunca seremos livres.

Godoy

Pensar Contemporâneo
    
Por Jennifer Delgado Suárez / traduzido de rinconpsicologia.com

Viver ou se relacionar com pessoas controladoras e manipuladoras pode ser uma experiência extremamente confusa e exaustiva. Essas pessoas podem tornar-se autênticas especialistas em manipulação mental, culpando sua vítima absolutamente por tudo e até tirando o direito de pensar autonomamente, discordar e tomar suas próprias decisões.

Na verdade, uma das estratégias de manipulação mais perigosa que existe é a de mudar a nossa maneira de perceber o mundo, um fenômeno que a psicóloga da Universidade de Massachusetts, Lisa Aronson Fontes, chama de “perspecticídio” que refere-se a uma mudança de perspectiva tão radical que somos incapazes de estar conscientes do que sabemos e somos.

O que exatamente é o perspecticídio?

O termo “perspecticídio” é um neologismo, mas na realidade não é inteiramente novo desde que foi usado pela primeira vez para se referir à lavagem cerebral a que foram submetidos os prisioneiros de guerra. Também tem sido usado para explicar os mecanismos psicológicos que levam as pessoas a ficarem presas nas redes de seitas.

Na prática, o perspecticídio implica perder a perspectiva e até mesmo pensar que não temos o direito de ter nossas ideias, crenças e sentimentos. É um fenômeno assustador porque com o passar do tempo podemos esquecer nossas opiniões, objetivos e pensamentos para adotar os da pessoa dominante. Como resultado, nós não apenas renunciamos a nossos sonhos e objetivos na vida, mas até perdemos nossa própria identidade.

Como o perspecticídio é produzido?

O Perspecticídio sempre implica um relacionamento abusivo, controle e / ou manipulação, de modo que ao longo do tempo a pessoa dominante muda o modo de pensar e ver de sua vítima. O manipulador termina definindo o mundo do sujeito. Define o que é o amor, como deve ser o relacionamento e até determina o que a outra pessoa deve pensar.

Claro, não é sobre a influência mútua que ocorre naturalmente em todos os relacionamentos íntimos, é um fenômeno muito mais prejudicial e unilateral, onde uma pessoa domina completamente e a outra perde sua identidade e capacidade de decidir sobre sua vida.

Pouco a pouco, o manipulador está restringindo o mundo de sua vítima. Isso não apenas o isola dos outros, de modo que eles não podem alertá-lo sobre o perigo que você está correndo, mas também começa a julgar suas idéias e sentimentos. Deste modo, o manipulador impõe sua visão do mundo e da pessoa.

As técnicas mais comuns são:

– Decidir como a vítima deve investir seu tempo. Pouco a pouco, o manipulador convence sua vítima de que vale a pena gastar tempo nas atividades que ele aceita. Desta forma, a vítima abandona muitas das coisas que ela queria, a fim de cumprir os desejos do outro, que ela acaba assumindo como seu.

 Controle obsessivo sobre todos os detalhes do dia. O manipulador geralmente exerce um controle obsessivo sobre cada detalhe da vida de sua vítima, a tal ponto que ela perde todo o poder de tomar decisões, mesmo sobre os aspectos mais insignificantes do dia a dia, que são ditados por quem tem controle.

– Define os termos do relacionamento. O manipulador não concilia ou negocia, impõe os termos do relacionamento que são impostos. Submete sua vítima impondo suas regras e sua visão de como deve ser o relacionamento. A outra pessoa tem apenas duas opções: se submeter ou quebrar o vínculo.

– Mudança de autoconceito. O manipulador se assegura de “roubar” o autoconceito de sua vítima, colocando a sua em seu lugar. Desta forma, a percepção da vítima muda, que começa a se ver com os olhos da outra pessoa, o que pode levá-la a acreditar, por exemplo, que realmente não é capaz de realizar nada ou precisa desesperadamente que a outra pessoa seja feliz .

Pessoas presas em suas próprias vidas

O perspecticídio é uma situação de controle e manipulação difícil de detectar, porque geralmente vem das pessoas mais próximas, com quem temos laços emocionais profundos. Além disso, em muitos casos, essa relação de controle não é baseada na violência, mas sim nas mensagens cheias de “boas intenções”.

O manipulador faz sua vítima acreditar que ele está certo e que ele faz tudo “para seu próprio bem”. Freqüentemente ele também se apresenta como o “salvador” ou “guardião” da pessoa “desprotegida” que supostamente precisa de ajuda.

Sua estratégia é nos fazer sentir fracos, impotentes, desamparados e inseguros para assumir o comando. Assim, nós nos tornamos prisioneiros de nossa própria vida, sem dificilmente perceber, porque acabamos usando os rótulos que o manipulador colocou em nós, assumimos a identidade que ele cuidadosamente fabricou para nós.

O manipulador repetirá até a fadiga mensagens diferentes, com o objetivo de que estas se tornem nossa verdade. Muitas vezes você acaba exagerando os fatos, para usá-los a seu favor. Frases como: ” você não é nada sem mim ” ou ” se eu não te defender, os outros se aproveitarão de você ” são comuns e fazem a pessoa se sentir impotente. Esses tipos de frases mudam o autoconceito da vítima, fazendo-a duvidar de suas habilidades e ter medo de tudo. O manipulador não capacita nem permite que a pessoa próxima a ele cresça, pelo contrário, o humilha e esmaga.

Vale a pena esclarecer que nem sempre você chega a esses extremos. Em alguns casos, a vítima retém um certo poder de decisão, mas sente-se permanentemente culpada pelas decisões que toma, porque sabe que não satisfará a outra pessoa.

Existem alguns sinais de aviso que podem indicar que você está sendo vítima de uma situação de sujeição emocional e mental :

– Cada vez que você se sente mais inseguro de suas decisões ou elas geram um grande sentimento de culpa.

– Você sente que está perdendo os pontos de referência, é como se estivesse andando na areia movediça porque começa a duvidar de suas crenças mais profundamente arraigadas, só porque elas não correspondem às da outra pessoa.

– Você está desenvolvendo uma dependência emocional dessa outra pessoa, permitindo que ela controle pequenos detalhes de sua vida.

– Você se sente incapaz de conseguir grandes coisas sozinho, e cada vez que você precisa de mais a opinião do outro.

– Você sente que não se reconhece mais ou começou a aplicar rótulos negativos que não permitem que você cresça ou se fortaleça.

– Você começa a duvidar de suas opiniões e habilidades, adotando como verdades a visão do mundo da outra pessoa.

Como sair dessa situação?

Muitas vezes, quando a pessoa descobre que foi vítima de uma situação de perspecticídio, seu mundo desmorona. Ela não só verifica que foi manipulada e abusada por alguém em quem confiou, mas também está confusa e isolada, com a árdua tarefa de reconstruir sua identidade.

Quando esta situação se prolonga por anos, a pessoa perde seus pontos de referência de identidade, por isso é necessário recorrer à terapia psicológica para processar esses traumas emocionais e encontrar novamente confiança e autoconfiança.

No entanto, o primeiro passo é cortar todos os tipos de relacionamentos com o manipulador e tentar reconstruir uma rede de suporte social com amigos e familiares. Devemos lembrar que quando um relacionamento limita e sufoca uma das pessoas, em vez de fortalecê-la e ajudá-la a crescer, chegou a hora de questioná-la e mudar de rumo, antes que seja tarde demais.

Biblioteca Digital Mundial é lançada pela Unesco

A NOTÍCIA DO LANÇAMENTO NA INTERNET DA WDL, A BIBLIOTECA DIGITAL MUNDIAL.
QUE PRESENTE DA UNESCO PARA A HUMANIDADE INTEIRA !!!

Já está disponível na Internet, através do site  www.wdl.org

É uma notícia QUE NÃO SÓ VALE A PENA REENVIAR MAS SIM É UM DEVER
ÉTICO, FAZÊ-LO!

Reúne mapas, textos, fotos, gravações e filmes de todos os tempos e explica em sete idiomas as jóias e relíquias culturais de todas as bibliotecas do planeta.

Tem, sobretudo, caráter patrimonial” , antecipou em LA NACION Abdelaziz Abid, coordenador do projecto impulsionado pela UNESCO e outras 32 instituições. A BDM não oferecerá documentos correntes, a não ser “com valor de  patrimônio, que permitirão apreciar e conhecer melhor as culturas do mundo em idiomas diferentes:árabe, chinês, inglês, francês, russo, espanhol e português. Mas há documentos em linha em mais de 50 idiomas”.

Os tesouros incluem o Hyakumanto darani , um documento em japonês publicado no ano 764 e considerado o primeiro texto impresso da história; um relato dos azetecas que constitui a primeira menção do Menino Jesus no Novo Mundo; trabalhos de cientistas árabes desvelando o mistério da álgebra; ossos utilizados como oráculos e esteiras chinesas; a Bíblia de Gutenberg; antigas fotos latino-americanas da Biblioteca Nacional do Brasil e a célebre Bíblia do Diabo, do século XIII, da Biblioteca Nacional da Suécia.

Embora seja apresentado oficialmente  na sede da UNESCO, em Paris, a Biblioteca Digital Mundial já está disponível na Internet, através do sítio:

http://www.wdl.org

O acesso é gratuito e os usuários podem ingressar directamente pela Web , sem necessidade de se registrarem..

Permite ao internauta orientar a sua busca por épocas, zonas geográficas, tipo de documento e instituição. O sistema propõe as explicações em sete idiomas (árabe, chinês, inglês, francês, russo, espanhol e português), embora os originas existam na sua língua original.

Desse modo, é possível, por exemplo, estudar em detalhe o Evangelho de São Mateus traduzido em aleutiano pelo missionário russo Ioann Veniamiov, em 1840. Com um simples clique, podem-se passar as páginas um livro, aproximar ou afastar os textos e movê-los em todos os sentidos. A excelente definição das imagens permite uma leitura cômoda e minuciosa.

Entre as jóias que contem no momento a BDM está a Declaração de Independência dos Estados Unidos, assim como as Constituições de numerosos países; um texto japonês do século XVI considerado a primeira impressão da história; o jornal de um estudioso veneziano que acompanhou Fernão de Magalhães na sua viagem ao redor do mundo; o original das “Fábulas” de La Fontaine , o primeiro livro publicado nas Filipinas em espanhol e tagalog, a Bíblia de Gutemberg, e umas pinturas rupestres africanas que datam de 8.000 A .C.

Os seus responsáveis afirmam que a BDM está sobretudo destina
da a investigadores, professores e alunos.

Somos Professores

Não sei a autoria deste texto, que está sendo divulgado nas redes sociais anonimamente. Como professora, eu me identifiquei totalmente com a mensagem.

Somos professores e recebemos palpites e julgamentos de todo mundo. Do ministro da educação, do jornalista, do pai do aluno, das famílias. Aquela piadinha que o professor tem regalias, duas férias por ano, que ganha bem , que não deveria se aposentar…A sensação é de que estamos sós.
É preciso mandar um “aguente firme” para os professores de verdade.
Pra quem dá aula em duas ou três escolas e almoça no caminho.
Pra quem não consegue almoçar e engole um salgado enquanto assina o ponto.
Pra quem fica acordado na madrugada baixando vídeo e música pra usar na aula.
Pra quem faz as cópias na sua impressora.
Pra quem compra o material da aula com grana do bolso.
Pra quem passa do horário pra ajudar no evento.
Pra quem passa o final de semana corrigindo.
Pra aquele que leva as atividades na viagem do final de semana.
Pra aquele que leva um lanchinho a mais na excursão, para o aluno que não tem condições.
Pra aquele que compra livros pra turma.
Pra aquele que vai trabalhar doente porque não quer deixar os alunos na mão aquele dia.
Pra aquele que não falta de jeito nenhum…
Pra aquele que vê o aluno se perdendo na quebrada e tenta salvar aquela alma.
Pra aquele que briga com a família até levarem o pequeno no médico.
Pra aquele que deixa seus problemas em casa, porque sabe que na escola tem abuso sexual e físico, fome, violência e doença pra mediar.
Pra aquele que já teve o carro roubado indo pro trabalho.
Pra aquele que já foi agredido verbalmente por alunos e familiares.
Pra aquele que é xingado enquanto dá aula.
Pra aquele que não é respeitado enquanto dá aula.
Pra aquele que é compromissado com o processo de aprendizagem, mesmo que seus alunos não sejam.
Pra aquele que vê mais seus alunos que os seus filhos.
Pra aquele que mesmo passando por tudo isso, não desiste!
“Aguente firme”, esse país não te merece, mas precisa MUITO de você.(desconheço a autoria).
Se você é professor e tem orgulho de ser, copie e cole no seu mural. E você que não exerce esta profissão mas quer nos dar um incentivo, apoio e encorajamento também podes fazê-lo.
Copiado e colado com louvor…

Unknown

Feliz 2019!

Mais um ano em que a Terra girou em torno do Sol.
Um ano a mais, um ano a menos.
Um ano que no cômputo geral do Universo foi só um atmo
Um sopro elíptico
Um suspiro
Menos que um suspiro

E, no entanto, mesmo sendo só mais um de tantos
Foi um ano infinito
De visões que cada ser
Teve do precipício.
Em cada cabeça, uma centelha de ilusão
Multiplicada por espelhos cheios de esperanças.

Dele agora me retiro!
Voltemos agora ao início,

Ao balé de macabros rodopios,
Andando em círculos no sempre novo,

Sempre o mesmo ano novo!

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Godoy

Mito e realidade

Mircea Eliade: mito, ontofania, hierofania e teofania

Νεκρομαντεῖον

Do site Νεκρομαντεῖον

https://oleniski.blogspot.com/2018/01/mircea-eliade-mito-ontofania-hierofania.html?spref=fb&m=1

Toda religião, mesmo a mais elementar, é uma ontologia: ela revela o ser das coisas sagradas e das Figuras divinas, ela mostra aquilo que realmente é. E, ao fazê-lo, funda um Mundo que não é mais evanescente e incompreensível como ele é nos pesadelos, como ele se torna cada vez que a existência é ameaçada de afundar no ‘Caos’ da relatividade total, quando nenhum ‘Centro’ emerge para assegurar uma orientação.”
MIRCEA ELIADE, Mythes, Rêves et Mystères, p. 16 (tradução própria do original em francês)
“E tomando pão, e havendo dado graças, partiu-o e deu-lho, dizendo: ‘Isto é o meu corpo, que é dado por vós; fazei isto em memória de mim’.”
LUCAS 22, 19 (tradução João Ferreira de Almeida)
O mito, segundo o historiador da religião romeno Mircea Eliade (1907-1986), é um relato de um evento real, atemporal e exemplar. Real porque o mito é uma ontofania, uma manifestação/revelação do Ser, isto é, ele revela o nascimento e o lugar das coisas no esquema mais geral da realidade. Por essa razão, todo mito é uma instância do mito cosmogônico que conta a origem do próprio mundo.
Quando o poeta grego Hesíodo, na Teogonia, atribui ao titã Prometheus o roubo do fogo dos deuses e o faz entregá-lo aos homens, ele expressa aí a origem da cultura e da civilização humanas. O relato da origem de algo não difere do relato da origem de tudo na medida em que é o que é relatado é a vinda ao Ser de algo que não existia. Em certo sentido, todo mito de origem é uma pequena cosmogonia que imita a grande origem do mundo.
O mito, portanto, é uma ontologia, uma metafísica que revela a estrutura mais íntima da realidade. É a manifestação de uma unidade última do mundo a despeito da multiplicidade de todos os eventos que se dão em seu seio. O relato mítico situa o homem no âmago do Real e, por conseguinte, determina seu lugar e seus deveres na economia das coisas.
Mas a mensagem mítica não é um relato acerca da origem temporal de algo ou do mundo. É um relato atemporal, in illo tempore, do que se dá no início. Os mitos não são História, são o seu oposto. A História é uma sucessão de acontecimentos singulares e irrepetíveis que não apontam para nada além deles mesmos. O acontecimento mítico não está no tempo histórico, não se deu aqui, ali ou acolá em um momento determinado.
Por essa razão, o mito é exemplar. O mito conta a origem de algo, seja do mundo, de um ser vivo qualquer, de um objeto, de uma estrutura social, de um comportamento ou de uma prática. Essa origem, sendo atemporal, não está submetida ao câmbio do tempo. Ela é o eixo fixo da realidade em torno do qual as coisas giram. O homem, para aproximar-se dessa estabilidade, imita temporalmente os eventos atemporais do mito.
Os agentes dos eventos míticos são os deuses, os heróis, os espíritos e outros entes semelhantes. O homem imita os atos divinos porque são atos reais no sentido mais estrito da palavra. Se um ser divino deu aos homens a agricultura no início, eles dedicar-se-ão a imitá-lo fielmente em seus procedimentos, mantendo uma tradição imemorial. O divino é o objeto de imitação par excellence.
Sendo o mito o relato atemporal dos atos dos entes divinos, segue-se que o mito é, ao mesmo tempo, hierofania e teofania, pois nele revelam-se o sagrado e os deuses. O homem imita os atos divinos porque deseja fixar-se no permanente e naquilo que é real. O divino manifesta o realissimum. Consequentemente, o sagrado é o maximamente imitável.
O homem que vive sob o mito entende todas as suas atividades, cotidianas ou rituais. como imitações dos atos divinos atemporais e exemplares. E, justamente por serem imitações da Realidade, essas atividades humanas assumem realidade. Lá onde não há modelo atemporal, há o não-ser, o ilusório, o nada.
O mito faculta ao homem o acesso ao estrato metafísico da realidade, bem como ao universal. A árvore sagrada já não é mais a árvore comum, mas significa a totalidade cósmica enquanto “eixo do mundo”. Permanecendo exteriormente a mesma, torna-se outra de imensurável significado. Torna-se o ponto de convergência e o sustentáculo absoluto de todas as coisas.
Assim, para o homem que vive o mito, assevera Eliade,”é a experiência religiosa que funda o Mundo” e são os ritos, os espaços e os tempos sagrados que o orientam na realidade. O mito é assumido pelo ser total do homem, não somente por seu intelecto ou por sua imaginação. Toda a sua vida reveste-se de significado graças ao relato mítico.
Alceu de Metilene
William-Adolphe_Bouguereau(1825-1905); “The Youth of Bacchus”(1884)

Soneto 23

Soneto 23

William Shakespeare

Como no palco o ator que é imperfeito
Faz mal o seu papel só por temor,
Ou quem, por ter repleto de ódio o peito
Vê o coração quebrar-se num tremor,

Em mim, por timidez, fica omitido
O rito mais solene da paixão;
E o meu amor eu vejo enfraquecido,
Vergado pela própria dimensão.

Seja meu livro então minha eloquência,
Arauto mudo do que diz meu peito,
Que implora amor e busca recompensa

Mais que a língua que mais o tenha feito.
Saiba ler o que escreve o amor calado:
Ouvir com os olhos é do amor o fado.

Romance das palavras aéreas

ROMANCE DAS PALAVRAS AÉREAS

Ai, palavras, ai, palavras,

que estranha potência, a vossa!

ai, palavras, ai, palavras,

sois de vento, ides no vento,

no vento que não retorna,

e, em tão rápida existência,

tudo se forma e transforma!

Sois de vento, ides no vento,

e quedais, com sorte nova!

Ai, palavras, ai, palavras,

que estranha potência, a vossa!

todo o sentido da vida

principia à vossa porta;

o mel do amor cristaliza

seu perfume em vossa rosa;

sois o sonho e sois a audácia,

calúnia, fúria, derrota…

A liberdade das almas,

ai! com letras se elabora…

E dos venenos humanos

sois a mais fina retorta:

frágil, frágil como o vidro

e mais que o aço poderosa!

Reis, impérios, povos, tempos,

pelo vosso impulso rodam…

Detrás de grossas paredes,

de leve, quem vos desfolha?

Pareceis de tênue seda,

sem peso de ação nem de hora…

– e estais no bico das penas,

– e estais na tinta que as molha,

– e estais nas mãos dos juizes,

– e sois o ferro que arrocha,

– e sois barco para o exílio,

– e sois Moçambique e Angola!

Ai, palavras, ai, palavras,

ídeis pela estrada afora,

erguendo asas muito incertas,

entre verdade e galhofa,

desejos do tempo inquieto,

promessas que o mundo sopra…

Ai, palavras, ai, palavras,

mirai-vos: que sois, agora?

– Acusações, sentinelas,

bacamarte, algema, escolta;

– o olho ardente da perfídia,

a velar, na noite morta;

– a umidade dos presídios,

– a solidão pavorosa;

– duro ferro de perguntas,

com sangue em cada resposta;

– e a sentença que caminha,

– e a esperança que não volta,

– e o coração que vacila,

– e o castigo que galopa…

Ai, palavras, ai, palavras,

que estranha potência, a vossa!

Perdão podíeis ter sido!

– sois madeira que se corta,

– sois vinte degraus de escada,

– sois um pedaço de corda…

– sois povo pelas janelas,

cortejo, bandeiras, tropa…

Ai, palavras, ai, palavras,

que estranha potência, a vossa!

Éreis um sopro na aragem…

– sois um homem que se enforca!

MEIRELLES, Cecília. Obra Poética. 2a Ed. Rio de Janeiro: José Aguilar Editora, 1967, p.560-561.

Ozymândias de Percy Shelley

ramsesII

Trad. André Vallias. [2015]
em: Acontecimentos, 12/03/15, em Escamandro.

Disse o viajante de uma antiga terra:
“Duas pernas de pedra, no deserto,
Despontam gigantescas, e bem perto
Há um rosto destroçado que descerra

Os lábios num sorriso de comando
Que atesta: o escultor leu com mestria
Paixões que na matéria inerte e fria
A mão que as entalhou vão perdurando.

‘Meu nome é Ozymândias, rei dos reis:
Desesperai perante as minhas obras!’
Alerta uma inscrição no pedestal.

Mas são ruínas tudo o que ali sobra,
E um mar de areia, em árida nudez,
Circunda a decadência colossal”.

 

Original  de Persy Shelley.

 

I met a traveller from an antique land
Who said: ― Two vast and trunkless legs of stone
Stand in the desert. Near them on the sand,
Half sunk, a shatter’d visage lies, whose frown

And wrinkled lip and sneer of cold command
Tell that its sculptor well those passions read
Which yet survive, stamp’d on these lifeless things,
The hand that mock’d them and the heart that fed.

And on the pedestal these words appear:
“My name is Ozymandias, king of kings:
Look on my works, ye mighty, and despair!”

Nothing beside remains: round the decay
Of that colossal wreck, boundless and bare,
The lone and level sands stretch far away.