Perspecticídio: a técnica de lavagem cerebral usada por manipuladores

É importantíssimo entendermos o que é lavagem cerebral e suas técnicas para podermos nos defender de pessoas manipuladoras. Essa técnica tem sido usada em diversos setores de nossa vida pública e privada: na religião, na política, no exército, em comerciais e até mesmo em relacionamentos afetivos. Haja vista o que tem acontecido com seguidores de João de Deus e da Cientologia, por exemplo. Sem essa compreensão, nunca seremos livres.

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Pensar Contemporâneo
    
Por Jennifer Delgado Suárez / traduzido de rinconpsicologia.com

Viver ou se relacionar com pessoas controladoras e manipuladoras pode ser uma experiência extremamente confusa e exaustiva. Essas pessoas podem tornar-se autênticas especialistas em manipulação mental, culpando sua vítima absolutamente por tudo e até tirando o direito de pensar autonomamente, discordar e tomar suas próprias decisões.

Na verdade, uma das estratégias de manipulação mais perigosa que existe é a de mudar a nossa maneira de perceber o mundo, um fenômeno que a psicóloga da Universidade de Massachusetts, Lisa Aronson Fontes, chama de “perspecticídio” que refere-se a uma mudança de perspectiva tão radical que somos incapazes de estar conscientes do que sabemos e somos.

O que exatamente é o perspecticídio?

O termo “perspecticídio” é um neologismo, mas na realidade não é inteiramente novo desde que foi usado pela primeira vez para se referir à lavagem cerebral a que foram submetidos os prisioneiros de guerra. Também tem sido usado para explicar os mecanismos psicológicos que levam as pessoas a ficarem presas nas redes de seitas.

Na prática, o perspecticídio implica perder a perspectiva e até mesmo pensar que não temos o direito de ter nossas ideias, crenças e sentimentos. É um fenômeno assustador porque com o passar do tempo podemos esquecer nossas opiniões, objetivos e pensamentos para adotar os da pessoa dominante. Como resultado, nós não apenas renunciamos a nossos sonhos e objetivos na vida, mas até perdemos nossa própria identidade.

Como o perspecticídio é produzido?

O Perspecticídio sempre implica um relacionamento abusivo, controle e / ou manipulação, de modo que ao longo do tempo a pessoa dominante muda o modo de pensar e ver de sua vítima. O manipulador termina definindo o mundo do sujeito. Define o que é o amor, como deve ser o relacionamento e até determina o que a outra pessoa deve pensar.

Claro, não é sobre a influência mútua que ocorre naturalmente em todos os relacionamentos íntimos, é um fenômeno muito mais prejudicial e unilateral, onde uma pessoa domina completamente e a outra perde sua identidade e capacidade de decidir sobre sua vida.

Pouco a pouco, o manipulador está restringindo o mundo de sua vítima. Isso não apenas o isola dos outros, de modo que eles não podem alertá-lo sobre o perigo que você está correndo, mas também começa a julgar suas idéias e sentimentos. Deste modo, o manipulador impõe sua visão do mundo e da pessoa.

As técnicas mais comuns são:

– Decidir como a vítima deve investir seu tempo. Pouco a pouco, o manipulador convence sua vítima de que vale a pena gastar tempo nas atividades que ele aceita. Desta forma, a vítima abandona muitas das coisas que ela queria, a fim de cumprir os desejos do outro, que ela acaba assumindo como seu.

 Controle obsessivo sobre todos os detalhes do dia. O manipulador geralmente exerce um controle obsessivo sobre cada detalhe da vida de sua vítima, a tal ponto que ela perde todo o poder de tomar decisões, mesmo sobre os aspectos mais insignificantes do dia a dia, que são ditados por quem tem controle.

– Define os termos do relacionamento. O manipulador não concilia ou negocia, impõe os termos do relacionamento que são impostos. Submete sua vítima impondo suas regras e sua visão de como deve ser o relacionamento. A outra pessoa tem apenas duas opções: se submeter ou quebrar o vínculo.

– Mudança de autoconceito. O manipulador se assegura de “roubar” o autoconceito de sua vítima, colocando a sua em seu lugar. Desta forma, a percepção da vítima muda, que começa a se ver com os olhos da outra pessoa, o que pode levá-la a acreditar, por exemplo, que realmente não é capaz de realizar nada ou precisa desesperadamente que a outra pessoa seja feliz .

Pessoas presas em suas próprias vidas

O perspecticídio é uma situação de controle e manipulação difícil de detectar, porque geralmente vem das pessoas mais próximas, com quem temos laços emocionais profundos. Além disso, em muitos casos, essa relação de controle não é baseada na violência, mas sim nas mensagens cheias de “boas intenções”.

O manipulador faz sua vítima acreditar que ele está certo e que ele faz tudo “para seu próprio bem”. Freqüentemente ele também se apresenta como o “salvador” ou “guardião” da pessoa “desprotegida” que supostamente precisa de ajuda.

Sua estratégia é nos fazer sentir fracos, impotentes, desamparados e inseguros para assumir o comando. Assim, nós nos tornamos prisioneiros de nossa própria vida, sem dificilmente perceber, porque acabamos usando os rótulos que o manipulador colocou em nós, assumimos a identidade que ele cuidadosamente fabricou para nós.

O manipulador repetirá até a fadiga mensagens diferentes, com o objetivo de que estas se tornem nossa verdade. Muitas vezes você acaba exagerando os fatos, para usá-los a seu favor. Frases como: ” você não é nada sem mim ” ou ” se eu não te defender, os outros se aproveitarão de você ” são comuns e fazem a pessoa se sentir impotente. Esses tipos de frases mudam o autoconceito da vítima, fazendo-a duvidar de suas habilidades e ter medo de tudo. O manipulador não capacita nem permite que a pessoa próxima a ele cresça, pelo contrário, o humilha e esmaga.

Vale a pena esclarecer que nem sempre você chega a esses extremos. Em alguns casos, a vítima retém um certo poder de decisão, mas sente-se permanentemente culpada pelas decisões que toma, porque sabe que não satisfará a outra pessoa.

Existem alguns sinais de aviso que podem indicar que você está sendo vítima de uma situação de sujeição emocional e mental :

– Cada vez que você se sente mais inseguro de suas decisões ou elas geram um grande sentimento de culpa.

– Você sente que está perdendo os pontos de referência, é como se estivesse andando na areia movediça porque começa a duvidar de suas crenças mais profundamente arraigadas, só porque elas não correspondem às da outra pessoa.

– Você está desenvolvendo uma dependência emocional dessa outra pessoa, permitindo que ela controle pequenos detalhes de sua vida.

– Você se sente incapaz de conseguir grandes coisas sozinho, e cada vez que você precisa de mais a opinião do outro.

– Você sente que não se reconhece mais ou começou a aplicar rótulos negativos que não permitem que você cresça ou se fortaleça.

– Você começa a duvidar de suas opiniões e habilidades, adotando como verdades a visão do mundo da outra pessoa.

Como sair dessa situação?

Muitas vezes, quando a pessoa descobre que foi vítima de uma situação de perspecticídio, seu mundo desmorona. Ela não só verifica que foi manipulada e abusada por alguém em quem confiou, mas também está confusa e isolada, com a árdua tarefa de reconstruir sua identidade.

Quando esta situação se prolonga por anos, a pessoa perde seus pontos de referência de identidade, por isso é necessário recorrer à terapia psicológica para processar esses traumas emocionais e encontrar novamente confiança e autoconfiança.

No entanto, o primeiro passo é cortar todos os tipos de relacionamentos com o manipulador e tentar reconstruir uma rede de suporte social com amigos e familiares. Devemos lembrar que quando um relacionamento limita e sufoca uma das pessoas, em vez de fortalecê-la e ajudá-la a crescer, chegou a hora de questioná-la e mudar de rumo, antes que seja tarde demais.

Requerer

Como pedir a uma gota de chuva que se suspenda no ar?

Como pedir, em pleno voo, às asas dos pássaros que parem de bater?

Como pedir ao vento que pare de soprar?

A um rio que pare de correr;

 

Como solicitar a um tigre faminto que não devore sua presa?

Ou requerer a um raio que interrompa seu curso,

Para não chamuscar uma árvore indefesa?

Ou pedir ao sol que pare de brilhar?

Como? Como? Como?

Só as rochas podem pedir algo assim…

Se um impulso se consegue reprimir prudentemente,

É porque não é tão ardente seu querer.

 

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Revista Sincronistas – 3ª Edição

Saiu a 3ª edição da Revista Sincronistas, cujo tema é o Trabalho, em homenagem ao dia 1º de Maio. O coletivo Sincronistas é composto por escritoras do Vale do Paraíba, com a  colaboração da ilustradora Alcy de Godoy da cidade de São Paulo.

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Coletivo Sincronistas

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Trabalho. Palavra tão pequena, mas com tão grandes implicações. Em nossa sociedade, é algo que nos define, que nos acompanha até a velhice, tão emaranhado em nossas vidas que fica difícil imaginar uma existência sem a obrigatoriedade de produzir algo.

Enquanto assistimos ao sucateamento dos direitos trabalhistas, à exploração desenfreada (dos seres humanos e da natureza) em nome do dinheiro, a pergunta que fica é: o que podemos fazer para mudar esse cenário? Embora não tenhamos as respostas, fazemos o que está ao nosso alcance, lutando com palavras, com a nossa arte e com resistência.

Na 3ª edição de nossa revista, abordamos o tema do trabalho sob diversos aspectos, trazendo reflexões sobre o papel da mulher trabalhadora, mães e o mercado de trabalho, desigualdade de gênero no trabalho, entre outros.

Esperamos que essa…

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