Bares, cafés e clubes, a partir do século XIX, não eram apenas um ambiente para a happy hour. Eles foram o cenário onde questões políticas, filosóficas, movimentos artísticos revolucionários se espalharam. O propósito deste site é o mesmo: criar um espaço virtual para expressão livre de ideais, reflexões e sentimentos, com espírito crítico em relação a nossa Cultura.
Onde até na força do verão havia tempestades de ventos e frios de crudelíssimo inverno. Fr. Luís de Sousa
São Paulo! Comoção de minha vida… Os meus amores são flores feitas de original… Arlequinal!… Traje de losangos… Cinza e ouro… Luz e bruma… Forno e inverno morno… Elegâncias sutis sem escândalos, sem ciúmes… Perfumes de Paris… Arys! Bofetadas líricas no Trianon… Algodoal!… São Paulo! Comoção de minha vida… Galicismo a berrar nos desertos da América!
Que pode uma criatura senão, entre criaturas, amar? amar e esquecer, amar e malamar, amar, desamar, amar? sempre, e até de olhos vidrados, amar?
Que pode, pergunto, o ser amoroso, sozinho, em rotação universal, senão rodar também, e amar? amar o que o mar traz à praia, o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha, é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia?
Amar solenemente as palmas do deserto, o que é entrega ou adoração expectante, e amar o inóspito, o cru, um vaso sem flor, um chão de ferro, e o peito inerte, e a rua vista em sonho, e uma ave de rapina.
Este o nosso destino: amor sem conta, distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas, doação ilimitada a uma completa ingratidão, e na concha vazia do amor a procura medrosa, paciente, de mais e mais amor.
Amar a nossa falta mesma de amor, e na secura nossa amar a água implícita, e o beijo tácito, e a sede infinita.
Embora o ENEM não divulgue uma lista de obras de leitura obrigatória para realizar a prova, como outras instituições que aplicarm o vestibular (livro para o vestibular) , não é raro encontrar questões construídas a partir de trechos de obras literárias consagradas. Por isto, a abordagem mais comum está associada à interpretação de textos. Autores como Ariano Suassuna, Clarice Lispector, Graciliano Ramos, Machado de Assis e diversos outros se destacam entre os mais cobrados (confira abaixo).
1. Ariano Suassuna
Obra: O santo e a Porca O Santo e a Porca é uma obra escrita em 1957, com linguagem próxima à literatura de cordel e às festas populares conhecidas como Folguedos. Por meio do livro é contada a história do idoso Euricão Árabe, devoto de Santo Antônio que mantém escondida uma porca cheia de dinheiro em sua casa. Caracterizada como comédia, a obra é escrita em três atos e tem características do Movimento Armorial, cuja proposta foi criar arte erudita a partir de elementos culturais do Nordeste brasileiro.
2. Clarice Lispector
Obra: A Hora da Estrela A Hora da Estrela narra através do olhar de Rodrigo S.M., o alter-ego de Clarice Lispector, a história de Macabéa, uma jovem que partiu do sertão do Alagoas para viver no Rio de Janeiro. Apesar de aprender a datilografar, a personagem consegue um emprego ruim e leva a vida sem grandes perspectivas de futuro – um retrato da realidade que, apesar da época em que foi escrita, se mostra atual.
Obra: A Descoberta do Mundo
Em A Descoberta do Mundo, Clarice mistura realidade e ficção em forma de crônicas ao retratar diversas experiências de vida. O livro é contado através dos dias, como um diário particular. Embora apresente pessoas e personagens marcantes na vida de Clarice, a obra traz reflexões atemporais sobre comportamentos e personalidades.
3. Fernando Pessoa
Obra: O Livro do Desassossego A obra foi publicada pela primeira vez em 1982 – cerca de 50 anos após a morte do autor – e por isso é caracterizada como uma obra póstuma que não é narrada a partir do tempo cronológico. A obra compila textos avulsos do autor com características autobiográficas, introspectivas, entre outras; se aproxima do gênero de romance e traz reflexões diversas sobre a complexidade da mente de Pessoa.
Crowley e Pessoa
4. Graciliano Ramos
Obra: Vidas Secas Em Vidas Secas, Graciliano retrata uma família de retirantes nordestinos que, devido à seca que atinge a região, parte em busca de uma vida melhor. Fabiano, Sinhá Vitória, os filhos (mais velho e mais novo) e Baleia são os personagens principais da narrativa, marcada pelos poucos diálogos e pelo tempo psicológico.
5. José Saramago
Obra: Ensaio sobre a Cegueira Ensaio sobre a Cegueira é uma reflexão sobre os comportamentos humanos e a forma como as relações são construídas. No Início da narrativa, os personagens são acometidos repentinamente pela cegueira, que rapidamente se espalha pela cidade e que traz reflexões profundas sobre a essência do ser humano.
Obra: Os Poemas Possíveis Esta é a primeira obra poética de José Saramago, publicada em 1966. As produções abordam temas como fraternidade, luta e liberdade através das palavras.
6. Machado de Assis
Obra: A Causa Secreta Este é um dos famosos contos de Machado de Assis que aborda temas como a frieza e a crueldade do ser humano. A história gira em torno de personagens como o médico Garcia e Fortunato, que dedica-se aos feridos e doentes e cujo comportamento dá origem ao nome do conto.
“O real não está na saída nem na entrada: ele se dispõe para a gente é no meio da travessia.” Guimarães Rosa
Literatura em Travessia – criando novos caminhos é um projeto com uma série de conversas relacionadas ao segmento e o contexto atual. Pretende trazer a visão de mulheres e jovens envolvidos com o setor e que foram fortemente atingidos pelos impactos causados pela pandemia, distanciamento físico e os encerramentos de atividades literárias desde março de 2020.Elencamos 10 encontros que iremos denominar como prosas, a serem realizadas durante a FLIJ – Feira Literária de Jacareí, de 05 a 11 de dezembro, em transmissão simultânea no canal do Youtube da Secretaria Municipal de Educação, com apoio da Fundação Cultural de Jacarehy e em parceria com o Conselho Municipal de Políticas Culturais e Comissão Setorial de Literatura – Livro, Leitura, Bibliotecas.
“No discurso mora sempre uma esperança, a esperança de ser uma ponte entre dois mundos. Toda ponte realiza em seu ser um convite de travessia.”Emmanuel Carneiro LeãoVamos atravessar?
Tenho razão de sentir saudade, tenho razão de te acusar. Houve um pacto implícito que rompeste e sem te despedires foste embora. Detonaste o pacto. Detonaste a vida geral, a comum aquiescência de viver e explorar os rumos de obscuridade sem prazo sem consulta sem provocação até o limite das folhas caídas na hora de cair.
Antecipaste a hora. Teu ponteiro enlouqueceu, enlouquecendo nossas horas. Que poderias ter feito de mais grave do que o ato sem continuação, o ato em si, o ato que não ousamos nem sabemos ousar porque depois dele não há nada?
Tenho razão para sentir saudade de ti, de nossa convivência em falas camaradas, simples apertar de mãos, nem isso, voz modulando sílabas conhecidas e banais que eram sempre certeza e segurança.
Sim, tenho saudades. Sim, acuso-te porque fizeste o não previsto nas leis da amizade e da natureza nem nos deixaste sequer o direito de indagar porque o fizeste, porque te foste.
Pedro Nava e Carlos Dummond de Andrade de máscara em Belo Horizonte
Chegamos até aqui
fomos longe demais...
nossa vida múltipla, ano após ano, nos uniu
eu, você, nós e os nossos nós
nós dos nossos dedos tortos
apontam um futuro incerto
nos esquecemos de duvidar de nossas dúvidas
de questionar nossos questionamentos...
Alexandre ainda procura com sua espada aquele nó górdio
que criamos para honrar nossas origens:
o princípio, o fundamento...
afinal à nossa frente está o fim dos tempos,
então voltamos ao começo
o nó da madeira
o nó na madeira
o diário nó na garganta
do garrote dos supliciados.
a vida é um nó infinito não orientável:
com lados móveis e esteiras invertidas.
quantas Portas de Não-Retorno se fecharão atrás de nós
antes de assumirmos nossa iminente ruína?
Basta de jogo de palavras,
de artifícios de sintaxe,
de malabarismos formais;
precisamos encontrar – agora –
a grande Lei do coração,
a Lei que não seja uma Lei, uma prisão,
senão um guia para o espírito perdido
em seu próprio labirinto.
Além daquilo que a ciência jamais poderá alcançar,
Ali onde os raios da razão se quebram contra as nuvens,
esse labirinto existe,
núcleo para o qual convergem todas as forças do ser,
as últimas nervuras do espírito.