Requerer

Como pedir a uma gota de chuva que se suspenda no ar?

Como pedir, em pleno voo, às asas dos pássaros que parem de bater?

Como pedir ao vento que pare de soprar?

A um rio que pare de correr;

 

Como solicitar a um tigre faminto que não devore sua presa?

Ou requerer a um raio que interrompa seu curso,

Para não chamuscar uma árvore indefesa?

Ou pedir ao sol que pare de brilhar?

Como? Como? Como?

Só as rochas podem pedir algo assim…

Se um impulso se consegue reprimir prudentemente,

É porque não é tão ardente seu querer.

 

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Os homens que odeiam as feministas

De onde vem tanta irritação com as mulheres independentes?

IVAN MARTINS

Noto que virou moda na imprensa brasileira falar mal das mulheres independentes. Qualquer um que deseje cinco minutos de fama desce o cacete no “feminismo”, entendido como a atitude auto-suficiente das mulheres em relação aos homens. No jornal que eu assino, houve na última semana dois artigos esculhambando mulheres que trabalham e não parecem interessadas em homens. Além do esforço deliberado para causar indignação – que virou praga no jornalismo brasileiro – acho que existe por trás dessas bobagens um verdadeiro sentimento reacionário.

Muitos homens gostariam de voltar ao período em que todos os empregos e todas as prerrogativas pertenciam a eles. Muitas mulheres estão cansadas – ou assustadas com a perspectiva – de trabalhar duro pelo resto da vida, acumulando funções de mãe, dona de casa e funcionária exemplar. Em meio a eles, milhões estão inseguros sobre o seu ponto de vista ou sua situação social. Minha impressão é que começamos a viver um tempo de nostalgia, alimentado pela sensação de que a relações entre homens e mulheres nunca mais serão como antes. Tem gente morrendo de medo de ficar obsoleto.

Para ler o texto inteiro: Revista Época

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