Bares, cafés e clubes, a partir do século XIX, não eram apenas um ambiente para a happy hour. Eles foram o cenário onde questões políticas, filosóficas, movimentos artísticos revolucionários se espalharam. O propósito deste site é o mesmo: criar um espaço virtual para expressão livre de ideais, reflexões e sentimentos, com espírito crítico em relação a nossa Cultura.
Os Homens Ocos (T. S. Eliot) Nós somos os homens ocos Os homens empalhados Uns nos outros amparados O elmo cheio de nada. Ai de nós! Nossas vozes dessecadas, Quando juntos sussurramos, São quietas e inexpressas Como o vento na relva seca Ou pés de ratos sobre cacos Em nossa adega evaporada Fôrma sem forma, […]
Abel Meeropol*
Southern trees bear strange fruit,
Blood on the leaves and blood at the root,
Black body swinging in the Southern breeze,
Strange fruit hanging from the poplar trees.
Pastoral scene of the gallant South,
The bulging eyes and the twisted mouth,
Scent of magnolia sweet and fresh,
Then the sudden smell of burning flesh!
Here is fruit for the crows to pluck,
For the rain to gather, for the wind to suck,
For the sun to rot, for the trees to drop,
Here is a strange and bitter crop.
* Abel Meeropol foi um compositor e poeta norte-americano. Seu trabalho mais conhecido, Strange Fruit, um poema anti-linchamento, foi gravado por Billie Holiday e interpretado por outros artistas como Nina Simone. Também tornou-se célebre por escrever músicas para artistas como Frank Sinatara e Josh White. Escreveu a maior parte de seu trabalho sob um pseudônimo, Lewis Allen, em homenagem aos seus dois filhos natimortos. Faleceu em outubro de 1986.
Terceira Lei do Amor de Newton
Toda ação
Provoca sempre uma reação
oposta e de igual lubricidade:
as ações mútuas de dois corpos
um sobre o outro são sempre iguais
e dirigidas em sentidos opostos.
Isaac Newton feat. Godoy
Quem não se comove com a maior de todas as tragédias brasileiras e não fez todo o possível para evitá-la não tem coração. Tudo isso para aumentar: o lucro de empresas farmacêuticas e a propina para este desgoverno. São todos assassinos, são monstros.
Talvez vocês consigam transformar sua dor, seu luto, nosso abismo em algo: em desabafo, em gritos, em palavras. Dizer o indizível, olhar de frente nossa miséria, a miséria humana, dói, dói muito, mas não dizer e não olhar dói muito mais.
Quantos versos conseguimos escrever com as letras da palavra “assassinos”?
Si
Só sai,
insana sina
o asno insano assa as asas sãs
assina só os nossos ossos ansiosos, sósias
Os sóis não são só isso?
No sono, nos sinos, nos sinais, a sós nossa sina
no sono, o siso sana nossos anos insossos!
Nos sinos, os Sis, os Sóis
os Sons são asas
Os sinais?
Nos oásis, saias são nossas asas no anis.
Mastro Junino de Madeira Decorado com São João, Santo Antônio e São Pedro
Mastro para Festa Junina de 3 Lados em formato de triângulo. Confeccionado em madeira e decorado com flores em crepom de cores sortidas. Possui a Bandeira dos 3 santos juninos em tecido: São João Batista, Santo Antônio e São Pedro, sendo uma bandeira em cada lado do mastro.
Como Usar: o mastro deverá ser pregado na ponta de um tronco grande, onde todos os convidados da festa passam em fila e beijam os três santos depois da finalização do terço da Festa Junina, fazendo seus pedidos e agradecimentos e depois deverá ser subido, onde ficará até a próxima Festa Junina, quando deverá ser trocado. Manda a tradição, que uma vez feita a festa, deverá ser feita por mais seis anos, completando 7 anos rezando o terço.
Espero que substituam esta tradição por outra forma de homenagem sem aglomerações por causa da pandemia.
Saudade daquela época em que a tristeza era mais poser* do que real.
*Poser é uma gíria da língua inglesa cujo significado - principalmente no contexto musical - se refere a uma pessoa com personalidade influenciável, sem atitude e que se deixa impressionar pelo artista, banda ou estilo musical que está fazendo sucesso no momento.
Não te deixes destruir…
Ajuntando novas pedras
e construindo novos poemas.
Recria tua vida, sempre, sempre.
Remove pedras e planta roseiras e faz doces. Recomeça.
Faz de tua vida mesquinha
um poema.
E viverás no coração dos jovens
e na memória das gerações que hão de vir.
Esta fonte é para uso de todos os sedentos.
Toma a tua parte.
Vem a estas páginas
e não entraves seu uso
aos que têm sede.
– Cora Coralina, em “Vintém de cobre: meias confissões de Aninha”. 6ª ed., São Paulo: Global Editora, 1997, p. 139.
Cora Coralina
Faz da tua casa uma festa!
Ouve música, canta, dança...
Faz da tua casa um templo!
Reza, ora, medita, pede, agradece...
Faz da tua casa uma escola!
Lê, escreve, desenha, pinta, estuda, aprende, ensina...
Faz da tua casa uma loja!
Limpa, arruma, organiza, decora, muda de lugar, separa para doar...
Faz da tua casa um restaurante!
Cozinha, prova, cria, cultiva, planta...
Enfim...
Faz da tua casa
Um local criativo de amor.
Você pode me inscrever na História
Com as mentiras amargas que contar,
Você pode me arrastar no pó
Mas ainda assim, como o pó, eu vou me levantar.
Minha elegância o perturba?
Por que você afunda no pesar?
Porque eu ando como se eu tivesse poços de petróleo
Jorrando em minha sala de estar.
Assim como lua e o sol,
Com a certeza das ondas do mar
Como se ergue a esperança
Ainda assim, vou me levantar
Você queria me ver abatida?
Cabeça baixa, olhar caído?
Ombros curvados com lágrimas
Com a alma a gritar enfraquecida?
Minha altivez o ofende?
Não leve isso tão a mal,
Porque eu rio como se eu tivesse
Minas de ouro no meu quintal.
Você pode me fuzilar com suas palavras,
E me cortar com o seu olhar
Você pode me matar com o seu ódio,
Mas assim, como o ar, eu vou me levantar
A minha sensualidade o aborrece?
E você, surpreso, se admira,
Ao me ver dançar como se tivesse,
Diamantes na altura da virilha?
Das chochas dessa História escandalosa
Eu me levanto
Acima de um passado que está enraizado na dor
Eu me levanto
Eu sou um oceano negro, vasto e irriquieto,
Indo e vindo contra as marés, eu me levanto.
Deixando para trás noites de terror e medo
Eu me levanto
Em uma madrugada que é maravilhosamente clara
Eu me levanto
Trazendo os dons que meus ancestrais deram,
Eu sou o sonho e as esperanças dos escravos.
Eu me levanto
Eu me levanto
Eu me levanto!
Que nossas palavras estranguladas reflitam a falsa liberdade de nosso tempo insensível! Deixemos, para os iluminados que bailam na cadência frenética desta época esquiva, as palavras em liberdade! Nossos versos serão os dos excluídos e seus limites. Constrangidos por infinitas serpentes e injustiçados por inúmeros crimes, não fingiremos que somos leves pássaros. Contudo esta camisa de força poética Sempre será um ato de devoção e uma ação política. Então, com pústula, verme e assassino, escrevamos versos sublimes Para provar que nosso sonho é possível!