| Chanson de la Plus Haute Tour
Oisive jeunesse Je me suis dit: laisse, J’ ai tant fait patience Obscurcit mes veines. Ainsi la Prairie |
Canção da Torre Mais Alta
Mocidade presa Eu me disse: cessa, Tamanha paciência Qual o Prado imenso |
Categoria: Literatura
Na Palestina: O velho, a árvore, o ônibus
À Abd Al-Hasib Atta Zaloum
Sobre o solo, jaz a carcaça do que um dia fora um ônibus.
Hoje, tornou-se abrigo do velho sem lar.
As estrelas no céu velam por eles à noite.
O frio passa pela vidraça estilhaçada,
Vem sorrateiro lhes acompanhar.
Assim que ficou pronta,
sua antiga morada foi demolida;
sua terra, por colonos, roubada.
Converteram-na em área de segurança.
Segurança para quem,
se o velho agora vive ao relento?
Não é o velho, de humanos, rebento?
Não necessita de segurança também?
É menos humano que as crianças da escola ali próxima?
Já que delas só recebe desdém?
Sob o sol escaldante, a sombra vem de uma árvore solitária.
A árvore de dia e o ônibus à noite são o seu reino,
Que nem o rei da Jordânia igual tem.
Como a vida que poderia ter tido foi interrompida,
Nesse solo só quer seus olhos cansados plantar
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Trinta e cinco
No Jaraguá, o homem deitado foi a única testemunha muda daquele encontro de duas almas puras.
O imberbe garoto subiu a montanha para entregar-lhe um buquê de rosas vermelhas.
Na esquina da casa da menina, de onde se avista todo o vale e o horizonte, aquele projeto de beijo tão macio e hesitante.
Tudo tão belo e assustador.
Nada sabiam sobre os mistérios da existência nem sobre protocolos.
Os velhos maliciam porque se esquecem como é ser inocente.
Flores escondidas? Deve ser sortilégio.
Flores vermelhas … deveriam ser brancas.
Era cedo demais para nós.
Agora é tarde.
Pelo menos você me amou um dia!
E eu nem sabia nada de mim.
O sonho permanece cristalizado, imutável.
“Algumas vezes, sonhos realizados são sonhos frustrados.”

TGM
Poesia Sufi – Rumi — Acrópole Poética
Vem, Te direi em segredo Aonde leva esta dança. Vê como as partículas do ar E os grãos de areia do deserto Giram desnorteados. Cada átomo Feliz ou miserável, Gira apaixonado Em torno do sol. Ninguém fala para si mesmo em voz alta. Já que todos somos um, falemos desse outro modo. Os pés e […]
Joana D’Arc Félix de Souza
Aos 53 anos, a cientista PhD em química e professora Joana D’Arc Félix de Souza conquistou status visionário por sua atuação em pesquisas com o objetivo de poupar o meio ambiente de agressões e melhorar a qualidade de vida das pessoas: Joana nasceu em Franca (SP) no seio de uma família com poucos recursos financeiros. […]
via Joana D’Arc Félix de Souza: Pesquisadora brasileira de Franca para o mundo — Somente Boas Notícias
Camus/Sartre: le mote de la fin
Il y a six mois, hier encore, on se demandait: «Que va-t-il faire?» Provisoirement, déchiré par des contradictions qu’il faut respecter, il avait choisi le silence. Mais il était de ces hommes rares, qu’on peut bien attendre parce qu’ils choisissent lentement et restent fidèles à leur choix. Un jour, il parlerait. Nous n’aurions pas même osé risquer une conjecture sur ce qu’il dirait. Mais nous pensions qu’il changeait avec le monde comme chacun de nous: cela suffisait pour que sa présence demeurât vivante.
Nous étions brouillés, lui et moi: une brouille, ce n’est rien – dût-on ne jamais se revoir -, tout juste une autre manière de vivre ensemble et sans se perdre de vue dans le petit monde étroit qui nous est donné. Cela ne m’empêchait pas de penser à lui, sentir son regard sur la page du livre, sur le journal qu’il lisait et de me dire: «Qu’en dit-il? Qu’en dit-il EN CE MOMENT?»
Son silence que, selon les événements et mon humeur, je jugeais parfois trop prudent et parfois douloureux, c’était une qualité de chaque journée, comme la chaleur ou la lumière, mais humaine. On vivait avec ou contre sa pensée, telle que nous la révélaient ses livres – «la Chute», surtout, le plus beau peut-être et le moins compris – mais toujours à travers elle. C’était une aventure singulière de notre culture, un mouvement dont on essayait de deviner les phases et le terme final.
Il représentait en ce siècle, et contre l’Histoire, l’héritier actuel de cette longue lignée de moralistes dont les oeuvres constituent peut-être ce qu’il y a de plus original dans les lettres françaises. Son humanisme têtu, étroit et pur, austère et sensuel, livrait un combat douloureux contre les événements massifs et difformes de ce temps. Mais, inversement, par l’opiniâtreté de ses refus, il réaffirmait, au coeur de notre époque, contre les machiavéliens, contre le veau d’or du réalisme, l’existence du fait moral.
Il était pour ainsi dire cette inébranlable affirmation. Pour peu qu’on lût ou qu’on réfléchît, on se heurtait aux valeurs humaines qu’il gardait dans son poing serré: il mettait l’acte politique en question. Il fallait le tourner ou le combattre: indispensable en un mot, à cette tension qui fait la vie de l’esprit. Son silence même, ces dernières années, avait un aspect positif: ce cartésien de l’absurde refusait de quitter le sûr terrain de la moralité et de s’engager dans les chemins incertains de la pratique. Nous le devinions et nous devinions aussi les conflits qu’il taisait: car la morale, à la prendre seule, exige à la fois la révolte et la condamne.
Nous attendions, il fallait attendre, il fallait savoir: quoi qu’il eût pu faire ou décider par la suite, Camus n’eût jamais cessé d’être une des forces principales de notre champ culturel, ni de représenter à sa manière l’histoire de la France et de ce siècle. Mais nous eussions su peut-être et compris son itinéraire. Il avait tout fait – toute une oeuvre – et, comme toujours, tout restait à faire. Il le disait: «Mon oeuvre est devant moi.» C’est fini. Le scandale particulier de cette mort, c’est l’abolition de l’ordre des hommes par l’inhumain.[…] Rarement, les caractères d’une oeuvre et les conditions du moment historique ont exigé si clairement qu’un écrivain vive.
L’accident qui a tué Camus, je l’appelle scandale parce qu’il fait paraître au coeur du monde humain l’absurdité de nos exigences les plus profondes. Camus, à 20 ans, brusquement frappé d’un mal qui bouleversait sa vie, a découvert l’absurde, imbécile négation de l’homme. Il s’y est fait, il a pensé son insupportable condition, il s’est tiré d’affaire. Et l’on croirait pourtant que ses premières oeuvres seules disent la vérité de sa vie, puisque ce malade guéri est écrasé par une mort imprévisible et venue d’ailleurs. L’absurde, ce serait cette question que nul ne lui pose plus, qu’il ne pose plus à personne, ce silence qui n’est même plus un silence, qui n’est absolument plus rien.
Je ne le crois pas. Dès qu’il se manifeste, l’humain devient partie de l’humain. Toute vie arrêtée même celle d’un homme si jeune -, c’est à la fois un disque qu’on casse et une vie complète. Pour tous ceux qui l’ont aimé, il y a dans cette mort une absurdité insupportable. Mais il faudra apprendre à voir cette oeuvre mutilée comme une oeuvre totale.
Dans la mesure même où l’humanisme de Camus contient une attitude humaine envers la mort qui devait le surprendre, dans la mesure où sa recherche orgueilleuse et pure du bonheur impliquait et réclamait la nécessité inhumaine de mourir, nous reconnaîtrons dans cette oeuvre et dans la vie qui n’en est pas séparable la tentative pure et victorieuse d’un homme pour reconquérir chaque instant de son existence sur sa mort future.
Jean-Paul Sartre
(Texte publié le 7 janvier 1960 dans « France Observateur ».)

A Arte como instrumento de manipulação
Estou lendo As Nuvens (423 a.C.), uma peça de teatro cômica bem escrachada da antiga Grécia, que calunia, ridiculariza e toma por louco o filósofo Sócrates e teria influenciado a “opinião pública” daquela época a concordar com condenação dele à morte. Tudo isso porque Sócrates questionava a existência de tantos deuses que obrigavam os gregos a perder parte de sua vida tentando agradar a todo o panteão com infinitos rituais, oferendas e amuletos.
“Protesto pacífico” não é possível sem investimentos em Educação
“Protesto pacífico” não é possível sem investimentos em Educação
O que me espanta é que a violência não seja muito maior
Thaís de Godoy
Todos os dias, aproximadamente 14 milhões de desempregados, outros tantos assalariados e subempregados assistem às notícias sobre a roubalheira de empresários e políticos, que passa a casa dos bilhões. A população injustiçada, que não tem Educação de qualidade, nem saúde, nem segurança, e paga seus impostos diretamente nos produtos que compra, se sente cada dia mais tripudiada pelos poderosos.
Um Estado violento, um jornalismo violento, que repete continuamente que bandido bom é bandido morto, estimula o instinto de violência dos espectadores. Nesse momento, porém, os maiores bandidos são os políticos e empresários pois com apenas uma assinatura podem matar aos milhares pessoas do país inteiro.
Ontem, a imprensa apesar dos fatores acima rotulou os manifestantes dos protestos contra o governo de vândalos, sem a menor análise do contexto em que vivemos, numa abordagem simplista da situação causada em partes pela própria mídia. É preciso analisar o que vem ocorrendo nesses protestos que não atendem aos interesses do governo.
Nesse protesto se infiltraram elementos da polícia mascarados a paisana para começar a agressão e ter um pretexto para a polícia fardada atacar os verdadeiros manifestantes. Foi flagrado por filmagens amadoras um grupo infiltrado que combinava um ataque, agindo totalmente contra as orientações dos carros de som de quem organizava o evento. Essa tática é muito conhecida de manifestantes opositores de governos autoritários.
Num relato de policiais civis, que mostraram seus rostos, deram seus nomes e patentes, Major Hélio Cunha, Tenente Fonseca e o Diretor do Sinpol, a versão é de que o ataque gratuito partiu da PM de forma covarde contra os cidadãos sem que eles tivessem sequer como reagir às bombas.
Um fato “estranho” é por que os manisfestantes queimariam os próprios banheiros que foram colocados ali para servi-los por sindicatos e outras organizações? Outro é como os funcionários públicos sabiam com antecedência que esses grupos se dirigiriam até os prédios dos Ministérios e decidiram evacuar os edifícios com antecedência e a polícia não? Se a polícia sabia dessa ação por que não os impediu de se dirigirem para lá?
Então, jornalistas, como se tivessem nascido ontem, ficam espantados quando a população se revolta e parte para a violência. O que me espanta é que a violência não seja muito maior e que a população inteira não esteja protestando.
Para a população, vandalismo é desviar o dinheiro da previdência que ela pagou por 30 anos, enquanto um político trabalha só 8, é roubar de hospitais, de escolas, da merenda das crianças. O vandalismo dos protestos é uma reação ao vandalismo predatório que os políticos e empresários praticam diariamente sobre os cofres públicos. O chavão “violência gera violência” não deixa de ser verdadeiro por ser uma frase desgastada, mas seu uso frequente no discurso parece não ter eco nas ações cotidianas das autoridades.

Métodos pacíficos de protesto não podem ser ensinados na escola, ou podem? Na escola sem partido, isso seria uma doutrinação? Sem nenhuma educação sobre protestos pacíficos, negociação diplomática de conflitos, o que me deixa espantada é que esses incidentes de violência não sejam mais numerosos e não tenham tantos participantes como os protestos contra o aumento da passagem dos ônibus há dois anos.
Cidadãos brasileiros, que veem os cortes do orçamento afetarem apenas os mais pobres e o Presidente Michel Temer perdoar as dívidas bilionárias de Bancos, naturalmente estão com muita raiva. Quem não está com raiva ou está mal informado e alienado, ou não tem princípios, ou é monge budista.
A integridade física do povo brasileiro é desrespeitada todos os dias quando é levado como gado para seus trabalhos em um transporte coletivo indigno de um ser humano. As pessoas da classe média ficam chocadas quando se queimam os ônibus, mas não entendem como é ficar por horas esperando, pagar para ser espremido ou simplesmente ter que parar de estudar porque a empresa resolveu interromper a circulação no horário noturno.
Claro que as consequências serão sofridas pelo próprio povo e ele sabe disso, mas em algum momento o sentimento de vingança contra todas as mazelas das quais são vítimas eclode e fica irrefreável. Nem o medo de bombas de efeito moral é capaz de estancar a revolta de pessoas que já não têm mais nada a perder.

Veja se algum político ou empresário algum dia se preocupou com a integridade física do povo. Agora os jornalistas estão com pena dos funcionários públicos e políticos ilhados em Brasília? O que os jornalistas esperavam? Que os brasileiros aceitassem ser feitos de palhaços a vida toda? O povo não aguenta mais.
Se é muito difícil para uma pessoa que tem fortes princípios pacifistas se controlar nesta situação; outra que não os têm nem tenta. Quem incutirá princípios pacifistas no povo? O Bolsonaro? Que diz que a população tem que se armar? Imaginem essas pessoas revoltadas em Brasília (com razão) e armadas como quer o mito? O único mito que se enquadra no perfil desse político é o do Caos, que se instalaria no Brasil se um povo com tanta raiva e sem formação para negociar diplomaticamente conflitos, começasse a se armar. Os primeiros a serem mortos, provavelmente, seriam os políticos bandidos e o mito se enquadra nesse perfil também, como ele mesmo confessou, recentemente.
Por isso, um dia, os políticos vão se arrepender amargamente de não terem cumprido suas promessas de campanha de investir em Educação de qualidade.
Proposição borgeana
Você tem um pesadelo assustador com uma pessoa há muito esquecida, há muito distante, há muito perdida.
Acorda e verifica em seguida que ela viu, enquanto você dormia, uma imagem que você exibia.
Como não lembrar da proposição borgeana: e se você sonhasse com uma flor e quando acordasse, encontrasse a mesma flor pousada sobre a sua cama?
O que você pensaria?
O que motivou esse pesadelo?
E essa estranha sincronia?
E se algo ruim estiver para acontecer com ela?
E se você sentiu medo de que algo ruim aconteça a ela?
E se você teve uma premonição?
E se ela precisar de ajuda?
E se for apenas uma situação desagradável do seu dia que lhe trouxe à memória o quão essa pessoa era desagradável?
E se, sem saber, você desejar que o pesadelo se realize?
E se você sentiu terror por não aceitar que é capaz de desejar a alguém o mal?
E se…. o pesadelo só disser algo sobre você mesmo?
O Amor, Meu Amor
O Amor, Meu amor
Mia Couto
Nosso amor é impuro
como impura é a luz e a água
e tudo quanto nasce
e vive além do tempo.
Minhas pernas são água,
as tuas são luz
e dão a volta ao universo
quando se enlaçam
até se tornarem deserto e escuro.
E eu sofro de te abraçar
depois de te abraçar para não sofrer.
E toco-te
para deixares de ter corpo
e o meu corpo nasce
quando se extingue no teu.
E respiro em ti
para me sufocar
e espreito em tua claridade
para me cegar,
meu Sol vertido em Lua,
minha noite alvorecida.
Tu me bebes
e eu me converto na tua sede.
Meus lábios mordem,
meus dentes beijam,
minha pele te veste
e ficas ainda mais despida.
Pudesse eu ser tu
E em tua saudade ser a minha própria espera.
Mas eu deito-me em teu leito
Quando apenas queria dormir em ti.
E sonho-te
Quando ansiava ser um sonho teu.
E levito, voo de semente,
para em mim mesmo te plantar
menos que flor: simples perfume,
lembrança de pétala sem chão onde tombar.
Teus olhos inundando os meus
e a minha vida, já sem leito,
vai galgando margens
até tudo ser mar.
Esse mar que só há depois do mar.

No livro “Idades cidades divindades”
A Casa Branca Nau Preta
A Casa Branca Nau Preta
Álvaro de Campos
Estou reclinado na poltrona, é tarde, o Verão apagou-se…
Nem sonho, nem cismo, um torpor alastra em meu cérebro…
Não existe manhã para o meu torpor nesta hora…
Ontem foi um mau sonho que alguém teve por mim…
Há uma interrupção lateral na minha consciência…
Continuam encostadas as portas da janela desta tarde
Apesar de as janelas estarem abertas de par em par…
Sigo sem atenção as minhas sensações sem nexo,
E a personalidade que tenho está entre o corpo e a alma…
Quem dera que houvesse
Um terceiro estado pra alma, se ela tiver só dois…
Um quarto estado pra alma, se são três os que ela tem…
A impossibilidade de tudo quanto eu nem chego a sonhar
Dói-me por detrás das costas da minha consciência de sentir…
As naus seguiram,
Seguiram viagem não sei em que dia escondido,
E a rota que devem seguir estava escrita nos ritmos,
Os ritmos perdidos das canções mortas do marinheiro de sonho…
Árvores paradas da quinta, vistas através da janela,
Árvores estranhas a mim a um ponto inconcebível à consciência de as estar vendo,
Árvores iguais todas a não serem mais que eu vê-las,
Não poder eu fazer qualquer coisa gênero haver árvores que deixasse de doer,
Não poder eu coexistir para o lado de lá com estar-vos vendo do lado de cá.
E poder levantar-me desta poltrona deixando os sonhos no chão…
Que sonhos? … Eu não sei se sonhei … Que naus partiram, para onde?
Tive essa impressão sem nexo porque no quadro fronteira
Naus partem — naus não, barcos, mas as naus estão em mim,
E é sempre melhor o impreciso que embala do que o certo que basta,
Porque o que basta acaba onde basta, e onde acaba não basta,
E nada que se pareça com isto devia ser o sentido da vida…
Quem pôs as formas das árvores dentro da existência das árvores?
Quem deu frondoso a arvoredos, e me deixou por verdecer?
Onde tenho o meu pensamento que me dói estar sem ele,
Sentir sem auxílio de poder para quando quiser, e o mar alto
E a última viagem, sempre para lá, das naus a subir…
Não há, substância de pensamento na matéria de alma com que penso …
Há só janelas abertas de par em par encostadas por causa do calor que já não faz,
E o quintal cheio de luz sem luz agora ainda-agora, e eu.
Na vidraça aberta, fronteira ao ângulo com que o meu olhar a colhe
A casa branca distante onde mora… Fecho o olhar…
E os meus olhos fitos na casa branca sem a ver
São outros olhos vendo sem estar fitos nela a nau que se afasta.
E eu, parado, mole, adormecido,
Tenho o mar embalando-me e sofro…
Aos próprios palácios distantes a nau que penso não leva.
As escadas dando sobre o mar inatingível ela não alberga.
Aos jardins maravilhosos nas ilhas inexplícitas não deixa.
Tudo perde o sentido com que o abrigo em meu pórtico
E o mar entra por os meus olhos o pórtico cessando.
Caia a noite, não caia a noite, que importa a candeia
Por acender nas casas que não vejo na encosta e eu lá?
Úmida sombra nos sons do tanque noturna sem lua, as rãs rangem,
Coaxar tarde no vale, porque tudo é vale onde o som dói.
Milagre do aparecimento da Senhora das Angústias aos loucos,
Maravilha do enegrecimento do punhal tirado para os atos,
Os olhos fechados, a cabeça pendida contra a coluna certa,
E o mundo para além dos vitrais paisagem sem ruínas…
A casa branca nau preta…
Felicidade na Austrália…
Bares e restaurantes literários
É bom beber e discutir um pouco de literatura, não? Não só beber, é claro, mas aproveitar um bom jantar também enquanto isso. E que tal então fazer isso em um lugar perfeitamente apropriado? Digamos, em bares ou restaurantes inspirados em literatura? Gostou da ideia?
Então veja abaixo uma lista com alguns bares e restaurantes diretamente inspirados na literatura! E não pense que são só lugares fora do Brasil, tem alguns muito bons por aqui mesmo. Há restaurante com o poema O Corvo do Poe na parede, mas claro que, para quem vai para o exterior, também há lugares incríveis com decorações desde Wonderland, no Japão, até Senhor dos Anéis, na Nova Zelândia. São opções para os mais diversos gostos. Então, vamos à lista, um brinde à literatura e bon appétit!
Annabel Lee’s Tavern – Baltimore, Maryland

Como todo bom fã de Poe, preciso começar a lista por um dos lugares inspirados no grande mestre do conto. O pub Annabel Lee Tavern fica exatamente na cidade onde viveu o escritor, ou seja, em Baltimore. O lugar tem uma decoração belíssima, com direito a uma pintura do corvo na porta, um retrato de Poe na parede, sobre o qual pode-se ver um corvo pousado, além, é claro, do poema Annabel Lee, pintado na parede.
No lugar ocorrem apresentações e celebrações ao aniversário de Poe e o cardápio inclui hambúrgueres, fritas, pizzas e alguns pratos mais elaborados, com algumas opções vegetarianas, que podem ser vistas nos cardápios publicados no facebook do pub. No que se refere a bebidas, também há muitas opções, porém a que mais se destaca é The Raven Beer, que já vale só pelo visual da embalagem!

The Raven – Porto Alegre, RS

Depois do pub Annabel Lee Tavern, nos Estados Unidos, aqui vai uma dica de lugar também inspirado no mestre Poe e aqui no Brasil mesmo! O restaurante The Raven, localizado na Cidade Baixa, na Rua Sarmento Leite, tem uma decoração no estilo restaurantes antigos, com paredes de tijolos à vista e lustres, contando com uma placa de madeira com um corvo na entrada e o poema de Poe pendurado na parede. As opções de cardápio são bem variadas, contendo muitos pratos elaborados, com diferentes opções de entradas, pratos principais e sobremesas. Além disso, é claro, há várias opções de bebidas desde cervejas artesanais até drinks destilados e vinhos.
Bar Bukowski – Rio de Janeiro, RJ

Apesar do nome, o lugar é mais uma casa de festas rock’n roll do que apenas um bar mesmo. Lá são realizadas diversas festas desde eventos temáticos de Halloween, festas à fantasia e, é claro, comemorações no dia do aniversário de Bukowski. É a casa de rock mais antiga do Rio de Janeiro, sendo que foi estabelecida em 1997 e continua até hoje sendo um dos mais importantes bares do Rio. Inclusive, foi lançado neste ano um livro sobre histórias do bar, escrito por Bernardo Vilhena, compositor de músicas interpretadas por artistas desde Cazuza até Lobão entre outros.
Dirty Old Man – Porto Alegre, RS

O grande Bukowski, seja por ter sido ele mesmo um grande frequentador de bares ou por sua alta influência na literatura e cultura em geral das gerações seguintes, inspirou muitos bares a levarem o seu nome, ou, como neste caso, o nome de sua obra. O nome do bar porto alegrense, Dirty Old Man, para os poucos que por acaso não tenham reconhecido, é uma referência à coluna de Bukowski no jornal Los Angeles Open City, a qual deu origem ao livro de mesmo nome.
O Dirty Old Man fica na Cidade Baixa, centro de maior concentração de bares e vida noturna em Porto Alegre. O bar, que completou um ano recentemente, já é muito frequentado (é bom chegar cedo, porque quase sempre lota!) e tem uma decoração diretamente ligada à literatura, incluindo máquinas de escrever, cardápio com trechos da obra de Bukowski, estantes com livros, além, é claro, de fotos do grande escritor americano cuja obra serviu de inspiração para o lugar. Ótimo para quem gosta de Bukowski e de beber!
Restaurante Alice no País das Maravilhas – Tóquio, Japão

Situado em um shopping, na zona comercial do distrito de Ginza, em Tóquio, este restaurante é uma experiência visual única de entrar na Wonderland de Lewis Carrol. O lugar tem um espaço de mais de 200 metros quadrados, divididos em vários ambientes que representam as diferentes partes da trajetória de Alice, desde a entrada, com livros gigantes, para fazer o cliente se sentir pequeno, como Alice quando diminui para entrar na porta que leva à Wonderland, até um labirinto, a entrada do ambiente da Rainha, com guardas de cartas e corredores cobertos com as ilustrações originais de Carrol.
Além da decoração, o cardápio também é inspirado no livro: você pode pedir a “pizza rabo de gato Cheshire” ou a “bochecha de carne assada Queen of Hearts com molho de vinho tinto”. E quem irá servi-lo não será apenas um atendente com uniforme normal, mas um personagem da Wonderland! Pois os empregados do restaurante usam uniformes temáticos para realmente dar a impressão de que o cliente entrou no mundo criado por Lewis Carrol!
The Green Dragon Pub – Matamata, Nova Zelândia

Localizado exatamente onde foi construída a cidade dos Hobbits para a gravação de O Senhor dos Anéis, na vila de Hobbiton na cidade de Matamata, parte da zona rural da Nova Zelândia, o pub é descrito em sua Fan Page no facebook como “um lugar para beber, um lugar de encontro, um lugar para descansar os seus pés peludos”. Ou seja, um lugar perfeito para os fâs de Tolkien, que já se tornou um grande ponto turístico do país.
Texto original publicado em Literatortura em Julho de 2016.
Obras de García Lorca, John M. Keynes e H.G. Wells entram no domínio público
O Estado de São Paulo
02 Janeiro 2017 | 16h44
Todo início de ano uma série de obras entra no domínio público – ou seja, se pode publicar, alterar ou utilizar as criações artísticas sem consultar a família dos artistas, mortos há 70 anos (no Brasil e partes da Europa; há regras diferentes).
Entram na lista este ano, entre outros, obras do escritor de ficção científica britânico H. G. Wells, da escritora norte-americana Gertrude Stein, do pintor inglês Paul Nash, do escritor e precursor do surrealismo francês André Breton, do discutido economista inglês John Maynard Keynes, do designer e pintor húngaro László Moholy-Nagy, dos autores espanhóis Federico García Lorca e Miguel de Unamuno, e do poeta Catulo da Paixão Cearense, entre outros.



