Fidel Castro e Guimarães rosa

27-11-2016

O falecimento de Fidel Castro e as discussões tão simplistas sobre esse ser tridimensional me fez relembrar muitos trechos do Grande Sertão Veredas que selecionei a seguir sobre como as pessoas e o mundo são muito mais complexos do que sonham os comentaristas das redes sociais.

“Que isso foi o que sempre me invocou, o senhor sabe: eu careço de que o bom seja bom e o ruim ruim, que dum lado esteja o preto e do outro o branco, que o feio fique bem apartado do bonito e a alegria longe da tristeza! Quero os todos pastos demarcados… Como é que posso com este mundo? Este mundo é muito misturado.”

“Quem sabe direito o que uma pessoa é? Antes sendo: julgamento é sempre defeituoso, porque o que a gente julga é o passado.”

“Mire veja: o mais importante e bonito, do mundo, é isto: que as pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas – mas que elas vão sempre mudando. Afinam ou desafinam, verdade maior. É o que a vida me ensinou. Isso que me alegra montão.”

“Todo caminho da gente é resvaloso.
Mas também, cair não prejudica demais
A gente levanta, a gente sobe, a gente volta!…
O correr da vida embrulha tudo, a vida é assim:
Esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa,
Sossega e depois desinquieta.
O que ela quer da gente é coragem.
Ser capaz de ficar alegre e mais alegre no meio da alegria,
E ainda mais alegre no meio da tristeza…”

“Que o que gasta, vai gastando o diabo de dentro da gente,
aos pouquinhos, é o razoável sofrer. E a alegria de amor –
compadre meu Quelemém, diz. Família. Deveras? É, e não é. O
senhor ache e não ache. Tudo é e não é… Quase todo mais
grave criminoso feroz, sempre é muito bom marido, bom filho,
bom pai, e é bom amigo-de-seus-amigos! Sei desses. Só que tem
os depois – e Deus, junto. Vi muitas nuvens.”

Guimarães Rosa em Grande Sertão Veredas

maritalorenzespiaqueseapaixonouporfidel
Marita Lorenz, a espiã da CIA que se apaixonou por Fidel Castro

 

 

 

Henri de Toulouse-Lautrec

Lautrec é um dos que mais merecem engajar-se neste boteco, teria inventado uma bebida chamada “Tremblement de Terre” (terremoto): uma mistura potente de 1/2 parte de absinto e 1/2 parte de conhaque, servido em copo de vinho sobre cubos de gelo ou batido com gelo em coqueteleira.

É claro que ao beber isso e contrair sífilis não conseguiria passar dos 36 anos, infelizmente. O que ele poderia ter feito se vivesse um bocadinho mais?

De Henri de Toulouse-Lautrec, Retrato de Vincent van Gogh de 1887
De Henri de Toulouse-Lautrec, Retrato de Vincent van Gogh de 1887
Henri de Toulouse-Lautrec 008
Henri de Toulouse-Lautrec 008 (Photo credit: Wikipedia)
Lautrec at the Moulin Rouge, "Two women waltzing" de 1892
Lautrec at the Moulin Rouge, “Two women waltzing” de 1892
Lautrec, In Bed, 1893

Lautrec, In Bed, 1893

Alone, de Lautrec, 1896
Alone, de Lautrec, 1896

O escândalo de Maldoror

“O escândalo de Maldoror” publicado por Campertier conta a pancadaria numa casa noturna parisiense Maldoror, que recebeu esse nome retirado de um livro do escritor uruguaio Conde de Lautréamont. O Papa do Surrealismo, André Breton, admirador fervoroso do livro Os cantos de Maldoror, entendeu como uma provocação a adoção desse nome, pois o dancing era frequentado por  dissidentes do Surrealismo que o criticaram no texto Um cadáver por discordarem de sua interpretação sobre o movimento. Enfurecido, numa noite de 1930, Breton reuniu seu grupo de artista, invadiu a casa noturna e iniciou uma pancadaria porque o proprietário se recusou a mudar o nome da casa noturna.

Pratos, cadeiras voavam pelos ares. Os frequentadores que estavam numa festa do pijama, organizada pela princesa Paleologue, começaram a revidar o ataque de sete surrealistas enfurecidos com pedras de gelo. A polícia pendeu-os, mas poucas horas depois foram soltos devido a tolerância que havia em relação as querelas intelectuais.

Alguns interpretam que Breton pode ter se ofendido também pelo fato de o clube ser frequentado por homossexuais, seu nome, portanto, faria uma alusão a suposta homossexualidade de seu ídolo: Lautréamont, considerado por aquele como uma “revelação total que parece exceder as possibilidades humanas” e o precursor do Surrealismo. Esse episódio ficou também conhecido como a Batalha de Hernani, outra batalha literária de 1830 entre escritores românticos e clássicos, do Surrealismo.

“Os Contos de Maldoror” lidos por Alfredo Leão no Sarau do Invisíveis

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Escritor uruguaio Conde de Lautréamont

 

 

Escute as melhores frases de Stephen Hawking – na voz do próprio

“O grande inimigo do conhecimento não é a ignorância, é a ilusão de ter conhecimento.”

“The greatest enemy of knowledge is not ignorance, it is the illusion of knowledge.”

“Eu não compararia [o prazer de uma descoberta científica] ao sexo, mas ele dura mais”

“I wouldn’t compare it to sex, but it lasts longer.”

  • Esta última frase é ambígua, porque não fica claro se o que dura mais é o prazer da descoberta científica ou do sexo.

Ouça mais frases com a “voz” dele no link abaixo:

https://wp.me/p7L6lP-Qwx

O futuro perde o peso quando conjugado no passado

Coletivo Sincronistas

Não sou poeta, mas hoje a poesia nasceu em mim

Um dia
No futuro esfumaçado
Que não consigo vislumbrar
Cuja existência é certa, sabida
Ainda que estrangeira
Esse dia-hoje
De vestes banhadas em sol
Entranhas tingidas de caos
Não passará de um vestígio da memória
Um fio a se romper
Uma insignificância

Partícula de pó grudada na retina da lembrança

Um dia
O peso do hoje será leve

A fotografia desse céu azul
Se tingirá de sépia
Sem a tristeza das memórias feridas

A vida revisitada
Desenhará um sorriso saudoso
Uma gargalhada
Outrora impossível
Quando o futuro era apenas um hoje.


Publicado originalmente no Medium.

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Tweet de CEMCentrodaMetropole (@CEM_CMS)

CEMCentrodaMetropole (@CEM_CMS) tweetou: Reunimos em nosso site todos os episódios da série de animações produzidas pelo Ciência USP, feitas com base no livro do CEM “Trajetórias das desigualdades: como o Brasil mudou nos últimos 50 anos”, que está em sua quarta edição pela @editoraunesp Veja! – https://t.co/o6DtQY9XF4 https://t.co/eZFQsrFePn https://twitter.com/CEM_CMS/status/1082276977048838145?s=17

Biblioteca Digital Mundial é lançada pela Unesco

A NOTÍCIA DO LANÇAMENTO NA INTERNET DA WDL, A BIBLIOTECA DIGITAL MUNDIAL.
QUE PRESENTE DA UNESCO PARA A HUMANIDADE INTEIRA !!!

Já está disponível na Internet, através do site  www.wdl.org

É uma notícia QUE NÃO SÓ VALE A PENA REENVIAR MAS SIM É UM DEVER
ÉTICO, FAZÊ-LO!

Reúne mapas, textos, fotos, gravações e filmes de todos os tempos e explica em sete idiomas as jóias e relíquias culturais de todas as bibliotecas do planeta.

Tem, sobretudo, caráter patrimonial” , antecipou em LA NACION Abdelaziz Abid, coordenador do projecto impulsionado pela UNESCO e outras 32 instituições. A BDM não oferecerá documentos correntes, a não ser “com valor de  patrimônio, que permitirão apreciar e conhecer melhor as culturas do mundo em idiomas diferentes:árabe, chinês, inglês, francês, russo, espanhol e português. Mas há documentos em linha em mais de 50 idiomas”.

Os tesouros incluem o Hyakumanto darani , um documento em japonês publicado no ano 764 e considerado o primeiro texto impresso da história; um relato dos azetecas que constitui a primeira menção do Menino Jesus no Novo Mundo; trabalhos de cientistas árabes desvelando o mistério da álgebra; ossos utilizados como oráculos e esteiras chinesas; a Bíblia de Gutenberg; antigas fotos latino-americanas da Biblioteca Nacional do Brasil e a célebre Bíblia do Diabo, do século XIII, da Biblioteca Nacional da Suécia.

Embora seja apresentado oficialmente  na sede da UNESCO, em Paris, a Biblioteca Digital Mundial já está disponível na Internet, através do sítio:

http://www.wdl.org

O acesso é gratuito e os usuários podem ingressar directamente pela Web , sem necessidade de se registrarem..

Permite ao internauta orientar a sua busca por épocas, zonas geográficas, tipo de documento e instituição. O sistema propõe as explicações em sete idiomas (árabe, chinês, inglês, francês, russo, espanhol e português), embora os originas existam na sua língua original.

Desse modo, é possível, por exemplo, estudar em detalhe o Evangelho de São Mateus traduzido em aleutiano pelo missionário russo Ioann Veniamiov, em 1840. Com um simples clique, podem-se passar as páginas um livro, aproximar ou afastar os textos e movê-los em todos os sentidos. A excelente definição das imagens permite uma leitura cômoda e minuciosa.

Entre as jóias que contem no momento a BDM está a Declaração de Independência dos Estados Unidos, assim como as Constituições de numerosos países; um texto japonês do século XVI considerado a primeira impressão da história; o jornal de um estudioso veneziano que acompanhou Fernão de Magalhães na sua viagem ao redor do mundo; o original das “Fábulas” de La Fontaine , o primeiro livro publicado nas Filipinas em espanhol e tagalog, a Bíblia de Gutemberg, e umas pinturas rupestres africanas que datam de 8.000 A .C.

Os seus responsáveis afirmam que a BDM está sobretudo destina
da a investigadores, professores e alunos.

Somos Professores

Não sei a autoria deste texto, que está sendo divulgado nas redes sociais anonimamente. Como professora, eu me identifiquei totalmente com a mensagem.

Somos professores e recebemos palpites e julgamentos de todo mundo. Do ministro da educação, do jornalista, do pai do aluno, das famílias. Aquela piadinha que o professor tem regalias, duas férias por ano, que ganha bem , que não deveria se aposentar…A sensação é de que estamos sós.
É preciso mandar um “aguente firme” para os professores de verdade.
Pra quem dá aula em duas ou três escolas e almoça no caminho.
Pra quem não consegue almoçar e engole um salgado enquanto assina o ponto.
Pra quem fica acordado na madrugada baixando vídeo e música pra usar na aula.
Pra quem faz as cópias na sua impressora.
Pra quem compra o material da aula com grana do bolso.
Pra quem passa do horário pra ajudar no evento.
Pra quem passa o final de semana corrigindo.
Pra aquele que leva as atividades na viagem do final de semana.
Pra aquele que leva um lanchinho a mais na excursão, para o aluno que não tem condições.
Pra aquele que compra livros pra turma.
Pra aquele que vai trabalhar doente porque não quer deixar os alunos na mão aquele dia.
Pra aquele que não falta de jeito nenhum…
Pra aquele que vê o aluno se perdendo na quebrada e tenta salvar aquela alma.
Pra aquele que briga com a família até levarem o pequeno no médico.
Pra aquele que deixa seus problemas em casa, porque sabe que na escola tem abuso sexual e físico, fome, violência e doença pra mediar.
Pra aquele que já teve o carro roubado indo pro trabalho.
Pra aquele que já foi agredido verbalmente por alunos e familiares.
Pra aquele que é xingado enquanto dá aula.
Pra aquele que não é respeitado enquanto dá aula.
Pra aquele que é compromissado com o processo de aprendizagem, mesmo que seus alunos não sejam.
Pra aquele que vê mais seus alunos que os seus filhos.
Pra aquele que mesmo passando por tudo isso, não desiste!
“Aguente firme”, esse país não te merece, mas precisa MUITO de você.(desconheço a autoria).
Se você é professor e tem orgulho de ser, copie e cole no seu mural. E você que não exerce esta profissão mas quer nos dar um incentivo, apoio e encorajamento também podes fazê-lo.
Copiado e colado com louvor…

Unknown

Epônimos Divinos

Poética de Botequim

Caesar van Everdingen - Four Muses and Pegasus on Parnassus - 1650 Caesar van Everdingen – Four Muses and Pegasus on Parnassus – 1650

Num insondável labirinto auricular, perdi minha língua

E em minha hélice deitaram-se doces palavras

A turbilhonar, mesmo quando as proferia sem pretensão.

Fui mortalmente ferida pelas oscilações de seu arco do cupido.

Escalar meu monte para em seguida se atolar

Em minhas covinhas de Vênus foi mais nefasto

Que me ferir o calcanhar de Aquiles.

De seu singelo céu da boca brotam,

Como de grutas escoiceadas, as águas da vida,

Aonde todas as ninfas vêm se banhar,

Nas horas quentes do dia.

Não me transformou em pedra por estarem

Abertas minhas meninas-dos-olhos

E, finalmente, atravessou triunfante o arco de minhas sobrancelhas.

Hilas e as Ninfas, de John William Waterhouse (1896)
Hilas e as Ninfas, de John William Waterhouse (1896)

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Feliz 2019!

Mais um ano em que a Terra girou em torno do Sol.
Um ano a mais, um ano a menos.
Um ano que no cômputo geral do Universo foi só um atmo
Um sopro elíptico
Um suspiro
Menos que um suspiro

E, no entanto, mesmo sendo só mais um de tantos
Foi um ano infinito
De visões que cada ser
Teve do precipício.
Em cada cabeça, uma centelha de ilusão
Multiplicada por espelhos cheios de esperanças.

Dele agora me retiro!
Voltemos agora ao início,

Ao balé de macabros rodopios,
Andando em círculos no sempre novo,

Sempre o mesmo ano novo!

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Godoy

João de Deus, o kardecismo e a desigualdade entre os homens

Caridade x justiça social

Hum Historiador

Delegado diz que João de Deus utilizava a fé para cometer abusos sexuais

Sem querer me estender muito em toda essa patifaria ligada ao caso do charlatão que se autodenominou João de Deus, gostaria de compartilhar por aqui breves reflexões que me fizeram relembrar o tempo em que eu estudei de perto o espiritismo kardecista e, na sequência, engatei numa pós-graduação em teologia com alguns professores jesuítas.

Sem rodeios e indo direto ao ponto, a reaparição do João de Deus na TV me fez recordar de uma discussão que havia feito com alguns colegas no começo dos anos 2000 sobre a relação entre CARIDADE e DESIGUALDADE entre os homens. Já naquele tempo, antes mesmo de ter cursado faculdade de Ciências Humanas, defendia ser possível classificar qualquer doutrina/religião cujo fundamento principal é a caridade como sendo fortemente vinculada a valores da DIREITA. Depois de ter cursado História e, sobretudo, lido as reflexões sobre Direita e Esquerda de Norberto Bobbio, fiquei ainda mais convicto disso.

Antes…

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Mito e realidade

Mircea Eliade: mito, ontofania, hierofania e teofania

Νεκρομαντεῖον

Do site Νεκρομαντεῖον

https://oleniski.blogspot.com/2018/01/mircea-eliade-mito-ontofania-hierofania.html?spref=fb&m=1

Toda religião, mesmo a mais elementar, é uma ontologia: ela revela o ser das coisas sagradas e das Figuras divinas, ela mostra aquilo que realmente é. E, ao fazê-lo, funda um Mundo que não é mais evanescente e incompreensível como ele é nos pesadelos, como ele se torna cada vez que a existência é ameaçada de afundar no ‘Caos’ da relatividade total, quando nenhum ‘Centro’ emerge para assegurar uma orientação.”
MIRCEA ELIADE, Mythes, Rêves et Mystères, p. 16 (tradução própria do original em francês)
“E tomando pão, e havendo dado graças, partiu-o e deu-lho, dizendo: ‘Isto é o meu corpo, que é dado por vós; fazei isto em memória de mim’.”
LUCAS 22, 19 (tradução João Ferreira de Almeida)
O mito, segundo o historiador da religião romeno Mircea Eliade (1907-1986), é um relato de um evento real, atemporal e exemplar. Real porque o mito é uma ontofania, uma manifestação/revelação do Ser, isto é, ele revela o nascimento e o lugar das coisas no esquema mais geral da realidade. Por essa razão, todo mito é uma instância do mito cosmogônico que conta a origem do próprio mundo.
Quando o poeta grego Hesíodo, na Teogonia, atribui ao titã Prometheus o roubo do fogo dos deuses e o faz entregá-lo aos homens, ele expressa aí a origem da cultura e da civilização humanas. O relato da origem de algo não difere do relato da origem de tudo na medida em que é o que é relatado é a vinda ao Ser de algo que não existia. Em certo sentido, todo mito de origem é uma pequena cosmogonia que imita a grande origem do mundo.
O mito, portanto, é uma ontologia, uma metafísica que revela a estrutura mais íntima da realidade. É a manifestação de uma unidade última do mundo a despeito da multiplicidade de todos os eventos que se dão em seu seio. O relato mítico situa o homem no âmago do Real e, por conseguinte, determina seu lugar e seus deveres na economia das coisas.
Mas a mensagem mítica não é um relato acerca da origem temporal de algo ou do mundo. É um relato atemporal, in illo tempore, do que se dá no início. Os mitos não são História, são o seu oposto. A História é uma sucessão de acontecimentos singulares e irrepetíveis que não apontam para nada além deles mesmos. O acontecimento mítico não está no tempo histórico, não se deu aqui, ali ou acolá em um momento determinado.
Por essa razão, o mito é exemplar. O mito conta a origem de algo, seja do mundo, de um ser vivo qualquer, de um objeto, de uma estrutura social, de um comportamento ou de uma prática. Essa origem, sendo atemporal, não está submetida ao câmbio do tempo. Ela é o eixo fixo da realidade em torno do qual as coisas giram. O homem, para aproximar-se dessa estabilidade, imita temporalmente os eventos atemporais do mito.
Os agentes dos eventos míticos são os deuses, os heróis, os espíritos e outros entes semelhantes. O homem imita os atos divinos porque são atos reais no sentido mais estrito da palavra. Se um ser divino deu aos homens a agricultura no início, eles dedicar-se-ão a imitá-lo fielmente em seus procedimentos, mantendo uma tradição imemorial. O divino é o objeto de imitação par excellence.
Sendo o mito o relato atemporal dos atos dos entes divinos, segue-se que o mito é, ao mesmo tempo, hierofania e teofania, pois nele revelam-se o sagrado e os deuses. O homem imita os atos divinos porque deseja fixar-se no permanente e naquilo que é real. O divino manifesta o realissimum. Consequentemente, o sagrado é o maximamente imitável.
O homem que vive sob o mito entende todas as suas atividades, cotidianas ou rituais. como imitações dos atos divinos atemporais e exemplares. E, justamente por serem imitações da Realidade, essas atividades humanas assumem realidade. Lá onde não há modelo atemporal, há o não-ser, o ilusório, o nada.
O mito faculta ao homem o acesso ao estrato metafísico da realidade, bem como ao universal. A árvore sagrada já não é mais a árvore comum, mas significa a totalidade cósmica enquanto “eixo do mundo”. Permanecendo exteriormente a mesma, torna-se outra de imensurável significado. Torna-se o ponto de convergência e o sustentáculo absoluto de todas as coisas.
Assim, para o homem que vive o mito, assevera Eliade,”é a experiência religiosa que funda o Mundo” e são os ritos, os espaços e os tempos sagrados que o orientam na realidade. O mito é assumido pelo ser total do homem, não somente por seu intelecto ou por sua imaginação. Toda a sua vida reveste-se de significado graças ao relato mítico.
Alceu de Metilene
William-Adolphe_Bouguereau(1825-1905); “The Youth of Bacchus”(1884)