tubarões do vazio, roubem o fruto do nosso trabalho, depois, com um cínico sorriso, nos devorem lentamente do alto de seu tanque de marfim! engulam o ódio de nossas palavras azedas! esburaquem, em busca de uns cobres, todo planeta! vocês são os Midas da Degradação! senhores de castelos erguidos por outrem, engulam os cobres cunhados pelos seus servos engulam nosso deboche por sua depravação! que gosto tem o metal quente deslisando por suas goelas sedentas? o seu capital o aquece no inverno? abocanhem com todos seus dentes os nossos viténs e a sua solidão e o nosso desdém mordam nossas carnes, tubarões do vazio! somos excelente banquete para canibais tão exigentes! durmam tranquilos, enquanto construímos na terra o seu Paraíso. quando nos lançarem suas sobras, nossas cabeças abençoadas pelo desprezo voarão sobre o esgoto de suas almas purulentas que serão lancetadas enfim.
