Heroína

A brasileira Aracy Moebius de Carvalho Guimarães Rosa era poliglota, falava quatro idiomas: português, inglês, francês e alemão. Com a facilidade em diversas línguas, conseguiu uma nomeação no consulado brasileiro em Hamburgo, na Alemanha, onde passou a ser chefe da Seção de Passaportes.

Em 1938,entrou em vigor no Brasil a Circular Secreta 1.127, que restringia a entrada de judeus no país. Aracy ignorou a circular e continuou preparando vistos para judeus, permitindo sua entrada no Brasil. Como despachava com o cônsul geral, ela colocava os vistos entre a papelada para as assinaturas, fazendo com que ele permitisse, sem saber, a vinda de judeus para o país. Para obter a aprovação dos vistos, Aracy simplesmente deixava de pôr neles a letra “J”, que identificava quem era judeu.

Arriscando seu emprego e sua vida com esse gesto, Aracy livrou muitos judeus dos campos de concentração e da morte já certa.

Paranaense, Aracy nasceu em Rio Negro, filha de pai português e mãe alemã, ainda criança foi morar com os pais em São Paulo. Aracy foi casada com o alemão Johann Eduard Ludwig Tess, com quem teve o filho Eduardo Carvalho Tess, mas cinco anos depois se separou, indo morar com uma irmã de sua mãe na Alemanha.

Ainda na Alemanha, Aracy casou-se com João Guimarães Rosa, à época cônsul adjunto. Os dois permaneceram na Alemanha até 1942, quando o governo brasileiro rompeu relações diplomáticas com aquele país e passou a apoiar os Aliados da Segunda Guerra Mundial.

Aracy e Guimarães Rosa ficaram quatro meses sob custódia do governo alemão. Só conseguiram ser salvos porque foram trocados por diplomatas alemães.

O livro de Guimarães Rosa “Grande Sertão: Veredas”, de 1956, foi dedicado a Aracy.

Aracy foi agraciada pelo governo de Israel com o título de “Justa entre as Nações”, dado a apenas mais um brasileiro (Souza Dantas), por ter salvado a vida de muitos judeus, conseguindo que eles entrassem ilegalmente no Brasil durante o governo de Getúlio Vargas. Ela também ficou conhecida como o “Anjo de Hamburgo”.

Aracy ficou viúva em 1967 e não casou novamente. Faleceu em 28 de fevereiro de 2011, em São Paulo.

À esquerda Aracy Moebius de Carvalho Guimarães Rosa

via O “Anjo de Hamburgo”: a brasileira que salvou judeus do holocausto

Governo americano não quer que mães de países pobres amamentem

EUA ‘ameaçaram o Equador com sanções comerciais’ se ele introduzir a resolução da ONU sobre amamentação 

 

Mythili Sampathkumar Nova Iorque

A administração de Donald Trump ameaçou o Equador com sanções comerciais se introduzir uma resolução das Nações Unidaspara encorajar a amamentação .

Os EUA supostamente pediram que a campanha pedindo aos governos para “proteger, promover e apoiar a amamentação” fosse removida. A resolução do ultimato foi suspensa, mas não antes de as autoridades de saúde mundiais ficassem chocadas com o comportamento da delegação norte-americana na Assembléia Mundial da Saúde em maio, em Genebra, relatou o New York Times .

Os equatorianos, que recebem ajuda militar importante dos EUA, sofreriam com as duras sanções contra produtos importantes, recuaram. Mas os EUA não ameaçaram a Rússia da mesma maneira.

Um delegado russo não identificado disse que o país se aproximou e ajudou a aprovar a resolução porque sentiu que “é errado quando um grande país tenta pressionar alguns países muito pequenos, especialmente em uma questão que é realmente importante para o resto do mundo”.

A delegação americana também se opôs a outra seção da resolução que conclamou os países a restringir a promoção de produtos que especialistas médicos concordaram que poderiam causar danos a crianças de acordo com mais de uma dezena de delegados presentes à reunião de saúde, a maioria dos quais “pediu anonimato porque temia retaliação dos EUA”, segundo o jornal.

Embora os esforços dos EUA não tenham sido bem sucedidos, já que a maior parte da redação original sobreviveu a dois dias inteiros de conversas processuais, mas a expressão “promoção inadequada de alimentos para bebês e crianças pequenas” ao final foi retirada devido aos esforços dos EUA.

A missão dos EUA na ONU e no Departamento de Estado respondeu a um pedido para apreciação.

Parecia, no entanto, que os EUA pediam que essa linguagem fosse removida como sinal de apoio à indústria de fórmulas infantis de US $ 70 bilhões, que depende de mães que não amamentam exclusivamente. Lobistas de comida de bebê estavam presentes como observadores da reunião.

Patti Rundall, diretora de políticas do grupo de defesa Baby Milk Action, do Reino Unido, participou de várias dessas reuniões no passado e disse que o que os EUA fizeram foi “o mesmo que chantagear”. Ela disse que “manter o mundo como refém e tentar derrubar quase 40 anos de consenso sobre a melhor maneira de proteger a saúde de bebês e crianças pequenas”.

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Os EUA também ameaçaram cortar suas contribuições para a Organização Mundial de Saúde – os EUA contribuem com quase 15% do orçamento da agência ou 845 milhões de dólares no ano passado – se a resolução for aprovada. À luz da ameaça no Equador, outros países mais pobres da América Latina e da África recusaram-se a apresentar a resolução por medo da retaliação americana que precionou a Rússia.

Um porta-voz do Departamento de Saúde e Serviços Humanos ( HHS ), que também pediu para permanecer anônimo, disse: “A resolução originalmente esboçada colocou obstáculos desnecessários para as mães que buscam fornecer nutrição para seus filhos. Reconhecemos que nem todas as mulheres são capazes de amamentar por diversos motivos. Essas mulheres devem ter a escolha e acesso a alternativas para a saúde de seus bebês, e não devem ser estigmatizadas pelas maneiras que são capazes de fazê-lo “. O HHS não estava envolvido nas negociações diplomáticas.

A medida segue uma tendência da administração Trump de participar de considerações da indústria privada e evitar a cooperação em organizações multilaterais e tratados como o Tratado de Livre Comércio da América do Norte ( Nafta ), o Acordo de Paris sobre Mudanças Climáticas , a Organização do Tratado do Atlântico Norte ( Otan ) e vários acordos comerciais.

Keynesianismo


 

 

Os homens explicam tudo para mim, de Rebecca Solnit — Degrau de Letras

Sinopse:

Em seu ensaio icônico “Os Homens Explicam Tudo para Mim”, Rebecca Solnit foca seu olhar inquisitivo no tema dos direitos da mulher começando por nos contar um episódio cômico: um homem passou uma festa inteira falando de um livro que “ela deveria ler”, sem lhe dar chance de dizer que, na verdade, ela era a autora. A partir dessa situação, Rebecca vai debater o termo mansplaining, o fenômeno machista de homens assumirem que, independente do assunto, eles possuem mais conhecimento sobre o tema do que as mulheres, insistindo na explicação, quando muitas vezes a mulher tem mais domínio do que o próprio homem. Por meio dos seus melhores textos feministas, ensaios irônicos, indignados, poéticos e irrequietos, as diferentes manifestações de violência contra a mulher, que vão desde silenciamento à agressão física, violência e morte. Os Homens Explicam Tudo para Mim é uma exploração corajosa e incisiva de problemas que uma cultura patriarcal não reconhece, necessariamente, como problemas. Com graça e energia, e numa prosa belíssima e provocativa, Rebecca Solnit demonstra que é tanto uma figura fundamental do movimento feminista atual como uma pensadora radical e generosa.

Confesso que a sinopse desse livro me ganhou logo de cara e o comprei achando que conteria uma coletânea de histórias cômicas (de tão trágicas tornaram-se cômicas), mas me enganei. De certo modo esse desvio nas minhas expectativas foi bom, pois Rebecca trouxe ensaios sobre a condição feminina ao longo dos anos e em diferentes setores da sociedade.

Apontarei aqui algumas ideias que Rebecca expõe ao leitor e que, pelo menos para mim, foram colírios para enxergar o mundo de maneira mais lúcida.

Casamento igualitário

Um dos termos trabalhados pela autora foi o de casamento igualitário, alcunha utilizada para denominar casamento entre pessoas do mesmo sexo. Eu nunca havia parado para pensar que essa denominação pressupõe que casamento heterossexual não é um casamento igualitário, semanticamente falando, mas bem que poderia ser, pois um casal que, independente do sexo, se respeita e trata um ao outro como um igual poderia ser denomina sim casamento igualitário. Não seria o sexo, mas as atitudes entre o casal que determinaria se um casamento é ou não igualitário ?!?

Desaparecimento gradativo

Fazer as mulheres sumirem ao longo da história é fichinha, a exemplo os nomes das famílias das mulheres que sumiram para dar espaço ao sobrenome do esposo. Essa história de ser chamada pelo nome do marido me lembrou algo estranho na língua brasileira: no ato do casamento hétero, as partes tornam-se ‘marido’ e ‘mulher’, não seria a mulher ‘mulher’ antes do matrimônio?

“É fácil chamar de crimes os desaparecimentos da guerra suja na Argentina; mas como devemos chamar os milênios de desaparecimento das mulheres – da esfera pública, da genealogia, do status legal, da voz, da vida?” P. 96

Clamamos por voz!

O chamado feminino mais claro é a necessidade de voz, isso fica explícito em notícias diárias que lemos nos jornais, como no caso da adolescente de 16 anos assediada na UFC e como uma enxurrada de outras garotas sentiram-se a vontade para relatar assédios sofridos ao longo da graduação depois de UMA ter sido ouvida. O motivo de não ter feito os relatos antes? “Falar? Ninguém vai ouvir”.

As mulheres precisam de voz nessa luta diária para alcançar a igualdade, cansamos de ser chamadas de loucas, de colocarem a culpa nas nossas roupas, de pensar mil vezes antes de ser simpática por medo de parecer outra coisa.

“‘Ela é louca’ é o eufemismo padrão para “Eu estou desconfortável com o que ela está dizendo”. P. 138

Rebecca faz um paralelo dessa falta de crédito com Cassandra, da Mitologia Grega:

“E mais uma coisa sobre Cassandra: a descrença com que suas profecias eram recebidas era resultado de uma maldição lançada sobre ela pelo deus Apolo, quando ela se recusou a fazer sexo com ele. A ideia de que a perda de credibilidade está ligada a reivindicar os direitos sobre o seu próprio corpo estava ali presente o tempo todo. Mas com as Cassandras da vida real que há entre nós, podemos desfazer a maldição, tomando nossas próprias decisões sobre em que acreditar, e por quê.” P. 151


A autora apresenta diversos outros pensamentos ao longo do livro que aguça o pensamento crítico do leitor sobre a questão feminina. Aqui ela faz links com alguns de seus outros livros e traz casos reais para ilustrar sua linha de raciocínio.

Algo que senti falta nessa obra foram referências, pois diversos casos citados por Rebecca eu já havia lido em outros livros, mas os que eu não conhecia, gostaria de saber mais sobre os relatos e de ser encaminhada por meio de referências, como nos livros da Angela Davis .

É isso, Os homens explicam tudo para mim é uma leitura rápida, rica, alterna entre leve e pesada por causa do seu conteúdo e a escrita da Rebecca faz o livro fluir de maneira ímpar.

via Os homens explicam tudo para mim, de Rebecca Solnit — Degrau de Letras

Revista Sincronistas – 3ª Edição

Saiu a 3ª edição da Revista Sincronistas, cujo tema é o Trabalho, em homenagem ao dia 1º de Maio. O coletivo Sincronistas é composto por escritoras do Vale do Paraíba, com a  colaboração da ilustradora Alcy de Godoy da cidade de São Paulo.

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Coletivo Sincronistas

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Trabalho. Palavra tão pequena, mas com tão grandes implicações. Em nossa sociedade, é algo que nos define, que nos acompanha até a velhice, tão emaranhado em nossas vidas que fica difícil imaginar uma existência sem a obrigatoriedade de produzir algo.

Enquanto assistimos ao sucateamento dos direitos trabalhistas, à exploração desenfreada (dos seres humanos e da natureza) em nome do dinheiro, a pergunta que fica é: o que podemos fazer para mudar esse cenário? Embora não tenhamos as respostas, fazemos o que está ao nosso alcance, lutando com palavras, com a nossa arte e com resistência.

Na 3ª edição de nossa revista, abordamos o tema do trabalho sob diversos aspectos, trazendo reflexões sobre o papel da mulher trabalhadora, mães e o mercado de trabalho, desigualdade de gênero no trabalho, entre outros.

Esperamos que essa…

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A atriz Emma Watson, a Hermione de “Harry Potter”, cria um clube do livro sobre feminismo

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A atriz Emma Watson formada pela Universidade Brown em 2014 e porta voz da campanha “He for She”, da Organização das Nações Unidas, vem realizando esforços para aumentar o debate sobre a igualdade de gêneros. “A partir do meu trabalho com a ONU, comecei a ler tantos livros e ensaios sobre igualdade quanto pude. Tem tanta coisa incrível por ai! Eu tenho descoberto tanta coisa que, às vezes, sinto que a minha cabeça está prestes a explodir… Eu decidi criar um clube do livro feminista e queria compartilhar o que estou aprendendo e ouvir suas opiniões também.”

O nome do grupo criado no Goodreads é “Our Shared Shelf” (Nossa prateleira compartilhada). Para participar de debates, fazer resenhas de livros, estabelecer metas de leitura ou fazer listas de livros desejados ou já lidos, é necessário criar uma conta primeiro.

Para acessar clique no link: Goodreads

Ela decidiu que a primeira leitura será “My Life on the Road(Minha Vida na Estrada), da jornalista e ativista Gloria Steinem.

Por que nem Amsterdã quer as casas de prostituição legalizadas

Por que nem Amsterdã quer as casas de prostituição legalizadas

Marcha Mundial das Mulheres

*Por Julie Bindel

Germany's Escort Girls Anticipate Increasing Demand During World CupVocê se lembra da comédia brilhante com Harry Enfield e Paul Whitehouse em que ambos interpretavam policiais descontraídos em Amsterdã, que se gabavam por não ter mais que lidar com o crime de homicídio na Holanda, pois os holandeses haviam legalizado o homicídio? Não ria. Em 2000, o governo holandês decidiu facilitar ainda mais a vida de cafetões, traficantes e fregueses, legalizando o já enorme e altamente visível mercado da prostituição. A lógica da legalização era tão simples quanto enganosa: para tornar as coisas mais seguras para todos. Tornar esse um trabalho como outro qualquer. Uma vez que as mulheres fossem libertadas do submundo [através da legalização], os bandidos, traficantes de drogas e traficantes de pessoas iriam automaticamente se afastar.

Doze anos depois, podemos ver os resultados deste experimento. Em vez de proporcionar uma maior proteção para as mulheres, a legalização simplesmente expandiu o mercado. Ao invés…

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Os homens que odeiam as feministas

De onde vem tanta irritação com as mulheres independentes?

IVAN MARTINS

Noto que virou moda na imprensa brasileira falar mal das mulheres independentes. Qualquer um que deseje cinco minutos de fama desce o cacete no “feminismo”, entendido como a atitude auto-suficiente das mulheres em relação aos homens. No jornal que eu assino, houve na última semana dois artigos esculhambando mulheres que trabalham e não parecem interessadas em homens. Além do esforço deliberado para causar indignação – que virou praga no jornalismo brasileiro – acho que existe por trás dessas bobagens um verdadeiro sentimento reacionário.

Muitos homens gostariam de voltar ao período em que todos os empregos e todas as prerrogativas pertenciam a eles. Muitas mulheres estão cansadas – ou assustadas com a perspectiva – de trabalhar duro pelo resto da vida, acumulando funções de mãe, dona de casa e funcionária exemplar. Em meio a eles, milhões estão inseguros sobre o seu ponto de vista ou sua situação social. Minha impressão é que começamos a viver um tempo de nostalgia, alimentado pela sensação de que a relações entre homens e mulheres nunca mais serão como antes. Tem gente morrendo de medo de ficar obsoleto.

Para ler o texto inteiro: Revista Época

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