Maldoror

 

“O escândalo de Maldoror” publicado por Campertier conta a pancadaria que teve como palco uma casa noturna parisiense Maldoror, que recebeu esse nome retirado de um livro do escritor uruguaio Conde de Lautréamont. O Papa do Surrealismo, André Breton, que era admirador fervoroso do livro Os cantos de Maldoror, entendeu como uma provocação, pois o dancing era frequentado por  dissidentes do Surrealismo que o criticaram no texto Um cadáver por discordarem de sua interpretação sobre o movimento. Enfurecido, numa noite de 1930, Breton reuniu seu grupo de artista, invadiu a casa noturna e iniciou uma pancadaria porque o proprietário se recusou a mudar seu nome: Maldoror.

Pratos, cadeiras voavam pelos ares. Os frequentadores que estavam numa festa do pijama, organizada pela princesa Paleologue, começaram a revidar o ataque de sete surrealistas enfurecidos com pedras de gelo. A polícia pendeu-os, mas poucas horas depois foram soltos devido a tolerância que havia em relação as querelas intelectuais.

Alguns interpretam que Breton pode ter se ofendido também pelo fato de o clube ser frequentado por homossexuais, seu nome, portanto, faria uma alusão a suposta homossexualidade de seu ídolo: Lautréamont, considerado por aquele como uma “revelação total que parece exceder as possibilidades humanas” e o precursor do Surrealismo. Esse episódio ficou também conhecido como a Batalha de Hernani (outra batalha literária de 1830 entre escritores românticos e clássicos) do Surrealismo.

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“Os Contos de Maldoror” lidos por Alfredo Leão no Sarau do Invisíveis