Guimarães Rosa

O falecimento de Fidel Castro e as discussões tão simplistas das redes sociais sobre esse ser tridimensional me fez relembrar muitos trechos do Grande Sertão Veredas que selecionei a seguir.

“Que isso foi o que sempre me invocou, o senhor sabe: eu careço de que o bom seja bom e o ruim ruim, que dum lado esteja o preto e do outro o branco, que o feio fique bem apartado do bonito e a alegria longe da tristeza! Quero os todos pastos demarcados… Como é que posso com este mundo? Este mundo é muito misturado.”

“Quem sabe direito o que uma pessoa é? Antes sendo: julgamento é sempre defeituoso, porque o que a gente julga é o passado.”

“Mire veja: o mais importante e bonito, do mundo, é isto: que as pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas – mas que elas vão sempre mudando. Afinam ou desafinam, verdade maior. É o que a vida me ensinou. Isso que me alegra montão.”

“Todo caminho da gente é resvaloso.
Mas também, cair não prejudica demais
A gente levanta, a gente sobe, a gente volta!…
O correr da vida embrulha tudo, a vida é assim:
Esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa,
Sossega e depois desinquieta.
O que ela quer da gente é coragem.
Ser capaz de ficar alegre e mais alegre no meio da alegria,
E ainda mais alegre no meio da tristeza…” Grande Sertão Veredas

“Que o que gasta, vai gastando o diabo de dentro da gente,
aos pouquinhos, é o razoável sofrer. E a alegria de amor –
compadre meu Quelemém, diz. Família. Deveras? É, e não é. O
senhor ache e não ache. Tudo é e não é… Quase todo mais
grave criminoso feroz, sempre é muito bom marido, bom filho,
bom pai, e é bom amigo-de-seus-amigos! Sei desses. Só que tem
os depois – e Deus, junto. Vi muitas nuvens.”