O apocalipse nosso de cada dia

Todos os dias é o fim do mundo de alguém:
Amores são perdidos
Impérios novos e antigos se esfacelam
Hospitais, médicos, doentes são bombardeados
Cidades arrasadas
Mulheres estupradas
Refugiados afogados
Escravos torturados
Crianças mutiladas
Atletas incinerados

Todos os dias um mundo se acaba:
Florestas são arrasadas
Doces rios doces enterrados vivos
Sob as lamas de várias Samarcos
Genocídios de todos os tipos
Contra todos os diferentes
Contra todas as minorias
Contra todos os vulneráveis, rejeitados, dissidentes,
Com todos os tipos de armas,
Empalados, estripados, degolados, eletrocutados, fuzilados,
Dizimados…

Há infinitos apocalipses diariamente.
Seu mundo acabou algumas vezes?
Até gigantes estrelas se apagam
Corpos celestes se precipitam na vastidão do nada
Do qual nem a luz escapa

Porém os astros não têm sangue, músculos,
Terminais nervosos, medula, mente.
Nada sentem, criam, aprendem
Pelo, sobre e com seu implacável fim.

Leve um instante, leve um milhão de anos,
As constelações nada sentirão diante do abismo.
Por isso, perdoe-me o poeta:
Somos algo mais que filhos do carbono e do amoníaco.
Perdoe-me o astrônomo:
“Somos feitos da mesma matéria das estrelas” e muito, muito além…

Godoy – 2017

CaronteAlmasEstigeLytovchenkoOlexandr
Caronte e as Almas no Estige de Lytovchenko Olexandr

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