Eleições 2018 por Guilherme Gontijo Flores

Via Facebook

Reconheço como justa qualquer escolha de voto em figuras democráticas (portanto em todos menos 1), por maiores que sejam as diferenças ideológicas em jogo. Mas queria dizer 3 coisinhas, o que não costumo fazer, apenas porque o momento é delicado.

  1. Não é hora de voto nulo ou branco. Mesmo. Esse é um luxo que não podemos ter num momento de crise política e simbólica como a que vivemos.
  2. Lembro pra rapaziada que, sem congresso digno, nada acontece. Isto aqui é presidencialismo, não monarquia — incomoda-me muito perceber que, na mentalidade geral, mesmo de pessoas muito inteligentes e bem formadas, isso ainda não tem plena clareza. O congresso que vem se anunciando tem perfil muito parecido com o de 2014, e ele foi um horror para o país. A batalha campal ficou nos presidenciáveis, mas bora conversar com quem estiver disponível pra tentar levantar nomes ao congresso. Quando vejo a lista dos mais votados em SP, por exemplo, dá vontade de chorar.

  3. Justifico porque, agora, Ciro me parece a melhor escolha no campo do possível.
    Em primeiro lugar, vem apresentando projetos bons e concretos (sem a fala genérica do “vou melhorar qualquer coisa”). Boulos, que tem a ideologia com que mais me identifico, ainda parece não perceber plenamente a dificuldade que é governar com um congresso na contramão; ele acredita mais nas ideias (ainda bem que ainda temos os utópicos) de igualdade do que nos modos de pô-las em ação. Quando ele amadurecer um pouco mais o modo de governar, meu voto vai ser dele.
    Em segundo, Ciro é a oportunidade mais forte — e força é fundamental num presidencialismo — para moderar a polarização que cindiu o país. Marina perdeu forças, embora tenha muitos aspectos positivos. Haddad (que me parece um político muito sério e preparado), se ganhar, vai ter de enfrentar um congresso, uma população e uma mídia muito mais polarizada e antagonista do que Dilma enfrentou (e sabemos, perdeu); isso aumenta as chances de conflitos civis, golpe oficial, ou puro e simples trava em tudo pelo congresso. Fora que é saudável para uma democracia a alternância de forças no poder. Não vou comentar Alckmin et caterva, porque não são sérios, mal conseguem manter coerência em duas ou três frases seguidas.
    Em terceiro e último: é quem tem mais chance de vencer o segundo turno com uma agenda progressista, ainda que possa ter seus problemas. Penso que é muito melhor enfrentarmos esses problemas a termos de suportar uma agenda conservadora ultraliberal, ou o risco de colapso provocado pelo antipetismo, se o PT volta ao poder.

Não vamos santificar ninguém, certo? Isto aqui é a política precária do humano. Votamos agora em agendas e projetos, depois cobramos por isso. Mas também votamos num mundo concreto, em que forças agem como podem, e estancam quando barradas, e não no puro idealismo, embora este vá continuar no espectro da criação de um futuro aberto ainda. Não existe propriamente voto útil: isso é criar uma cisão entre idealismo e prática, que não precisa existir.

PS: Seja lá o que der, estou com a Judith Butler, que disse em entrevista no Brasil como a questão de gêneros já venceu, nem será mais simplesmente barrada por uma onda conservadora. E digo mais: o mesmo vale para o movimento negro. Falta conseguirmos emplacar a questão indígena, além de uma conversa séria sobre terra e moradia. Acredito piamente na união dessas alegrias contra qualquer discurso de ódio.

 

~ por Godoy em 5 out 2018.

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