Samba enredo

Meu querido, não tinha nada
que temer minha reação, não!
Preferia ser escorraçada
A ser por dó tratada com educação.

Num dado instante, algo estranho: a Poesia a emanar de você
_ no som de sua voz imprudente a gritar meu nome_
Ecoa em minha mente!
Por ser tão díspar do que você sempre foi,
Por ser inesperado vir de você um rompante assim,
sempre contido e distante de mim.

Com a violenta adulteração de seu ser eu sonhei?
Ou com a insinuação do seu eu verdadeiro?
Se o encontrasse e tocasse e ouvisse,
A uma palavra sua ou a um gesto vulgar seu,

o poema que fiz de você no ar se esvaneceria.

 

_Graça provocante, se torne rude para banir de meu peito o acalanto!
_ esse pedido eu havia feito.


_Amores quiméricos morrem em botão!

Navios já queimados, no retorno me afogo.
Tudo perdendo o encanto.
Doçura, só aparente.
Transformada em deslumbramento por generosa imaginação,
Foi por seu escárnio e por sua vingança de outra em mim meu estranhamento!

Refreado o anseio, tudo de repreensível, então, já sucedia.
Em minha memória, a inocência dessa emoção foi corrompida,
mas não por mim.

~ por Godoy em 23 out 2012.

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